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Se o coronavírus destruir a veneração da natureza e levar mais gente a respeitar o ideário judaico-cristão, talvez esse seja o lado bom dessa catástrofe.
Se o coronavírus destruir a veneração da natureza e levar mais gente a respeitar o ideário judaico-cristão, talvez esse seja o lado bom dessa catástrofe.| Foto: Pixabay

Uma frase atribuída ao grande pensador G. K. Chesterton descreve a contemporaneidade perfeitamente: “Quando as pessoas deixam de acreditar em Deus, elas não deixam de acreditar em alguma coisa; elas acreditam em qualquer coisa”.

Um desses deuses substitutos é a natureza.

Na verdade, entre todos os falsos deuses, a natureza talvez seja aquela que as pessoas adoram com mais naturalidade. Todas as religiões anteriores à Bíblia tinham seus deuses ligados à natureza – o Sol, a lua, o mar, deuses de fertilidade, deuses da chuva, e assim por diante.

Por isso é que quanto mais as sociedades ocidentais se distanciam das religiões bíblicas, isto é, da tradição judaico-cristã, mais elas adoram a natureza.

Todo mundo, seja na esquerda ou na direita, se preocupa com o meio ambiente. Mas se preocupar com o meio ambiente não é o mesmo que aderir ao ambientalismo.

O ambientalismo, para a maioria de seus seguidores, é uma religião secular. Essas pessoas, muitas das quais realmente consideram a Terra como uma deusa (Gaia, nome da deusa da Terra na mitologia grega), celebram religiosamente o meio ambiente.

O homem que deu início à religião ambientalista contemporânea é James Lovelock, que criou a “hipótese de Gaia” nos anos 1970. Quase 50 anos mais tarde, em 2014, Lovelock disse ao Guardian que “o ambientalismo se tornou uma religião”.

O colunista Ross Douthat, do New York Times, descreveu o filme Avatar, de James Cameron, como “uma apologia do panteísmo, uma fé que equipara Deus à natureza, e convoca a humanidade para uma comunhão religiosa com o mundo natural”. A equiparação entre Deus e a natureza foi um dos principais motivos da popularidade do filme.

Douthat, um dos únicos colunistas religiosos (no sentido de acreditar e praticar uma religião) do New York Times, acrescentou: “A ameaça do aquecimento global conferiu à Natureza as características de toda religião de sucesso: um espírito cruzado, um conjunto rigoroso de proibições e um Apocalipse”.

Quando você pergunta aos ateus, como tenho perguntado há décadas, no que eles acreditam, a resposta mais comum é “na ciência”.

Havia um jovem ateu na academia onde eu me exercitava que dizia “Ciência!” (em vez de “Deus te abençoe” sempre que alguém espirrava.

Não há nada mais elevado do que a ciência para um ateu porque o mundo natural é tudo o que existe para ele. Assim, a adoração da Terra, do meio ambiente ou da natureza é quase inevitável no mundo secular.

A Bíblia tem um ponto de vista completamente diferente. Como explico exaustivamente no meu livro “The Rational Bible” [A Bíblia racional], o primeiro versículo da Bíblia — “No princípio Deus criou o Céu e a Terra” – contém a ideia mais radical da história.

Ele diz, pela primeira vez, que Deus criou a natureza, e não que Deus faz parte da natureza. Este é um dos motivos por que acredito que os primeiros cinco livros, a Torah, são dádivas divinas.

Nenhum ser humano que tenha vivido há 3 mil anos, no fim da Era do Bronze, pensaria em algo tão diferente de como a mente humana geralmente funciona — considerando os deuses como parte da natureza.

Do ponto de vista do mundo secular e adorador de Gaia, o Gênesis piora quando, 27 versículos mais tarde, Deus diz aos seres humanos: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a”.

Essas ordens deixam os adoradores da Terra furiosos. Quando a frutificar, eles se opõem a que se tenha mais de um filho e muitos defendem que não se tenha nenhum filho a fim de não causar mais impacto à Mãe Terra. Quanto à segunda parte, sobre dominar a natureza, é isso o que os deixa realmente furiosos.

Talvez o coronavírus faça com que os jovens, que aprenderam com professores adoradores da natureza e foram criados por pais adoradores da natureza, percebam a estupidez de se adorar a natureza em vez de dominá-la.

A natureza, no final das contas, não é nossa amiga, muito menos uma deusa. Se compactuássemos com a natureza, estaríamos todos mortos. Os animais nos comeriam, o clima nos congelaria até a morte, as doenças exterminariam os que restaram. Se não dominássemos a natureza, ela nos dominaria. Simples assim.

A natureza é bela e inspiradora. Ela também é brutal e impiedosa. “Natureza de dentes e garras vermelhas”, como Alfred Tennyson a descreve. A natureza não tem regras morais e nenhuma compaixão.

A lei mais básica da vida biológica é a “sobrevivência dos mais aptos”, enquanto a lei mais básica do Judaísmo e do Cristianismo é o contrário: a sobrevivência dos menos aptos com a ajuda dos mais aptos.

A natureza quer que os mais fracos sejam comidos pelos mais fortes. Os hospitais são as instituições mais antinatureza que existem.

Somente os seres humanos constroem hospitais. Não fazemos isso adorando a natureza, mas a dominando.

Se o coronavírus destruir a veneração tola da natureza e levar mais pessoas, sobretudo os jovens, a respeitarem o ideário judaico-cristão, talvez esse seja o lado bom dessa catástrofe.

Dennis Prager é colunista do Daily Signal, radialista e criador da PragerU.

© 2020 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês
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