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Na semana passada, os governos do mundo todo entraram em pânico por causa do surgimento da chamada variante ômicron da Covid-19.
Na semana passada, os governos do mundo todo entraram em pânico por causa do surgimento da chamada variante ômicron da Covid-19.| Foto: Bigstock

Na semana passada, os governos do mundo todo entraram em pânico por causa do surgimento da chamada variante ômicron da Covid-19.

Até o momento em que escrevo este texto, sabemos que a ômicron é possivelmente mais transmissível do que as demais variantes. Mas não temos qualquer sinal de que ela seja mais letal. Ao contrário, a dra. Angelique Coetzee, presidente da Associação Médica Sul-africana, explicou que os sintomas da ômicron eram “leves”, explicando que “não temos nenhum paciente em estado grave”.

Se isso for verdade, a ômicron deveria gerar otimismo. Isso porque a variante delta já é muito infecciosa e a imunidade de rebanho parece ser um sonho distante – o que significa que, se alguém pudesse escolher entre as variantes delta e ômicron, preferiria a ômicron. Se a ômicron se revelar de fato uma variante menos mortal, isso será um fato positivo para a saúde mundial.

Ainda assim, a reação dos nossos lideres tem sido totalmente exagerada. O diretor dos CDCs nos disse que todos os norte-americanos maiores de 18 anos precisam de uma dose extra da vacina contra Covid-19, isso apesar da falta de provas de que as doses extras diminuem a hospitalização e mortes de jovens (efeito que elas provocam nas pessoas com mais de 60 anos).

O dr. Anthony Fauci reapareceu para reafirmar a possibilidade da obrigatoriedade de vacinação para viagens aéreas, bem como novos decretos obrigando o uso de máscaras. A governadora Kathy Hochul, de Nova York, anunciou um estado de emergência que permite que ela suspenda cirurgias eletivas.

O resultado previsível disso foi a queda nos mercados. Eles caíram não por causa da ômicron em si, e sim porque o setor privado sabe que o setor público pode cercear a liberdade econômica mais uma vez.

Nossos políticos fracassaram ao longo de toda a pandemia. O único caso de sucesso talvez tenha sido a montanha de dinheiro destinada à indústria farmacêutica para que ela desenvolvesse vacinas. Fora isso, quase todas as demais medidas do setor público foram ineficientes.

O mesmo serve para a ômicron. A variante já está presente em várias nações. As medidas de lockdown foram ineficientes para conter a pandemia fora dos países isolados do mundo. O retorno dos lockdowns tampouco servirá para alguma coisa. A obrigatoriedade do uso de máscaras não tem nada a ver com as taxas de transmissão da doença. E as vacinas já estão disponíveis. Os que temem a ômicron se vacinarão e os que não a temem não se vacinaram.

Agora é uma boa hora para respirar fundo.

Ainda assim, as autoridades públicas são patologicamente incapazes de expressar qualquer humildade. Desta vez, eles dizem que tudo será diferente. Desta vez eles impediram que a doença se dissemine. Parece que os poderosos têm interesses ocultos na mentira de que são capazes de conter a doença e impedir as mortes e as privações. Eles não conseguem se livrar dessa mentira nem permitir que os cidadãos reassumam o controle de suas vidas.

Em vez disso, dizem-nos que temos de dar ainda mais poder a líderes autoritários, aos autointitulados “especialistas científicos” – tudo por conta de uma “cautela em excesso”, claro. Estranhamente, essa cautela em excesso não parece jamais ser aplicada na vida cotidiana ou na economia mundial. Nessas áreas, as elites ignoram qualquer tipo de cautela.

Uma verdadeira mentalidade baseada na cautela diria que, antes de destruirmos nossas instituições novamente (antes de destruirmos o livre mercado em nome do assistencialismo, antes de destruirmos o sistema de pesos e contrapesos em nome da ditadura sanitária e em vez de acabarmos com as liberdades individuais em nome da segurança) deveríamos consultar os dados. De outra forma, as soluções “impostas com mão de ferro” serão sempre as primeiras medidas tomadas, muito antes de qualquer crise se concretizar.

Ben Shapiro é apresentador do “Ben Shapiro Show" e editor emérito do “Daily Wire”.

© 2021 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês 
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