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Brigas, exaustão, vícios e tentativas de suicídio. Sem qualquer comprovação científica, os lockdowns foram impostos – com consequências desastrosas.
Brigas, exaustão, vícios e tentativas de suicídio. Sem qualquer comprovação científica, os lockdowns foram impostos – com consequências desastrosas.| Foto: Pixabay

À medida que os Estados Unidos se aproximam do fim de um processo eleitoral conturbado, a Covid-19 volta a chamar a atenção. Mas, enquanto as preocupações quanto ao perigo em potencial do vírus variam imensamente, dependendo do seu lado no espectro político, há outro aspecto relacionado à doença e que tem sido motivo de grande debate: o efeito dos lockdowns.

Na medida em que as informações se acumulam, fica mais fácil entender as consequências dos lockdowns. Abaixo descrevo quatro formas pelas quais os lockdowns estão impactando os jovens norte-americanos.

1. Lockdowns geram divisões políticas

Enquanto o presidente Donald Trump há tempos defende restrições mais amenas, o democrata Joe Biden parece ter uma opinião no sentido oposto.

Ele não só vê os lockdowns como necessidade, como também promete impor a obrigatoriedade do uso de máscaras em todo o país, na crença de que uma canetada será o bastante para forçar 328 milhoes de pessoas a cobrirem seus rostos “até a Covid-19 estar sob controle”.

Além disso, de acordo com uma pesquisa do Brookings Institute, o apoio partidário geralmente é a variável mais importante a explicar o comportamento em torno da pandemia de Covid-19.

Na verdade, os democratas têm mais chance do que os republicanos de exagerarem em se tratando do risco de morte dos jovens. Os republicanos, por sua vez, têm mais chance de dizerem, incorretamente, que a gripe é mais mortal do que a Covid-19, como contou Zacc Ritter, do Instituto Gallup.

Ao politizar a pandemia, transformando-a num meio de restringir as liberdades dos cidadãos, os políticos aprofundaram o abismo ideológico entre direita e esquerda, levando muitos a declararem o fim do país como o conhecemos.

Mas a consolidação do tribalismo entre a população não é a única consequência negativa dos lockdowns.

2. Saúde mental em declínio

Desde meados de março, vários estados norte-americanos implementaram decretos impondo a restrição de pessoas em vários graus. Ao rotularem os negócios como “essencial” ou “não-essencial”, as autoridades obrigaram muitas empresas a fecharem as portas. Mas enquanto os empresários que ousaram ir contra os decretos foram coagidos com multas e até prisão, outros empresários conseguiram sobreviver — mesmo que com limitações e somente depois de demitir muitos funcionários.

Em alguns casos, os trabalhadores foram instruídos a continuar trabalhando de casa, levando muitos deles a se perguntarem se a tendência do home office ganharia força.

Funcionários que se viram de repente obrigados a trabalhar assim relatam experiências diversas.

Alguns adoraram a ideia, dizendo que se sentem mais conectados com a família, menos estressados e mais eficientes. Outros disseram que a situação piorou.

Em alguns casos, as pessoas viram um aumento no comportamento negativo, enquanto outras relataram dificuldades de lidar com vício, depressão e outros transtornos mentais.

De acordo com uma pesquisa realizada em agosto com trabalhadores que foram obrigados a trabalhar de casa por causa da pandemia, 55% disseram que estavam sofrendo de exaustão, e mais da metade disse que estavam trabalhando mais de casa.

Além disso, 39% disseram que o home office tornou mais difícil o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o que prejudicou sua saúde mental.

Talvez as coisas fossem diferentes se as empresas pudessem lidar com a pandemia como bem entendessem, mas os lockdowns impuseram medidas para as quais os trabalhadores simplesmente não estavam preparados.

3. As compras como forma de terapia se tornaram um vício

Entre os trabalhadores obrigados a se fecharem em casa durante a maior parte da pandemia, muitos disseram que era difícil lidar com vícios e transtornos mentais anteriores. Mas mesmo pessoas saudáveis enfrentam dificuldades no isolamento, já que o tempo longe da família e amigos os transformou em viciados em compras.

De acordo com uma pesquisa do site CouponLawn.com, dentre os 1.100 trabalhadores entrevistados, todos fazendo home office, ao menos 63% disseram que passaram a gastar mais depois que começaram a trabalhar exclusivamente de casa. Além disso, 48% deles disseram que o hábito de gastar se tornou um problema a ponto de precisarem de terapia.

O gasto semanal médio dos entrevistados girou em torno de US$277,54, para os da Geração Z, e US$331,36 para os da Geração X – o grupo com a maior tendência a gastar durante o home office. Baby Boomers [nascidos depois de 1945], por outro lado, gastaram em média US$223, 90 por semana – grupo com o menor gasto dentre todos.

Isso mostra que a mudança de ambiente talvez tenha alterado muito a rotina das pessoas, torando-a mais propensas a usarem as compras como uma forma de terapia para lidar com a pandemia. O tédio e talvez a confiança excessiva na Internet devido ao distanciamento social também podem exercer um papel nesse fenômeno.

Seja qual for o motivo, o fato é que o home office é um meio legítimo de trabalhar. Para alguns, contudo, a obrigação de trabalhar de casa sem o treinamento devido é fonte de estresse.

4. Lockdowns e crianças: mais tentativas de suicídio

Na Califórnia, médicos dizem que têm atendido mais pacientes que dão entrada na emergência por causa de tentativas de suicídio durante o lockdown do que por Covid-19. Na Geórgia, hospitais como o Grady Memorial Hospital, em Atlanta, testemunharam um aumento de 25% nos causas de trauma durante o lockown, muitos envolvendo ferimentos a bala e quedas de grandes alturas.

Mas o estresse causado pelos decretos de lockdown não estão impactando apenas adultos. Crianças também sofrem.

Enquanto as autoridades educacionais discutem se as escolas devem ou não ser reabertas, médicos do Cook Children’s Medical Center, em Fort Worth, Texas, disseram aos repórteres que estiveram diante de um aumento “alarmante” na tentativa de suicídios, sobretudo em agosto.

Ainda que o desejo por salvar vidas impactadas pela Covid-19 seja compreensível, parece haver uma falta de consideração pelas vidas que foram direta e abruptamente transformadas por causa dos lockdowns.

A incapacidade de levar em conta o sofrimento dos jovens de repente se tornou cara demais.

Conclusão

Para millennials e zoomers que estão reclamando que o home office está prejudicando seus bolsos, a ideia de que o governo possa vir a impor um novo lockdown é assustador. Afinal, a economia norte-americana encolheu 4,8% nos primeiros três meses do ano e as mais de 100 mil pequenas empresas que foram obrigadas a fechar temporariamente por causa da Covid-19 agora dizem que fecharão para sempre.

Com os trabalhadores vendo mudanças descritas como temporárias se tornarem o “novo normal”, os prospectos profissionais e financeiros deles certamente serão prejudicados. Em muitos casos, eles talvez tenham de continuar trabalhando de casa por muito tempo.

O que acontecerá quando eles virem sua renda continuar a diminuir?

Mais ansiedade? Depressão? Tentativas de suicídio?

As autoridades têm um bom motivo para temer as pandemias, mas usar o governo para impor restrições às empresas, mesmo aquelas com as quais consumidores e clientes estão dispostos a fazer negócio, apesar dos riscos, é claramente imoral.

Enquanto as autoridades continuam a usar a santidade da vida como justificava para impedir que as pessoas vivam, perderemos vidas para o desespero. E talvez isso basta para provar que os lockdowns simplesmente não valem a pena.

Chloe Anagnos é escritora, estrategista digital e publicitária. Apesar de ser millennial, ela nunca aceitou o rótulo.

© 2020 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês
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