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O capitalismo, corretamente entendido, é um sistema social, o único sistema social que utiliza o “capital” | Pixabay
O capitalismo, corretamente entendido, é um sistema social, o único sistema social que utiliza o “capital”| Foto: Pixabay


Qual é o significado real de “capitalismo”? 

A palavra “capitalismo” carrega muita bagagem. É um termo que muitas pessoas evitam usar quando elogiam as qualidades e realizações do sistema de livre iniciativa. Para entender o porquê disso é preciso olhar rapidamente para suas origens históricas. 

Essa ideia começou com Karl Marx 

Foi na obra de Karl Marx que o capitalismo ganhou a conotação de cobiça e excesso que hoje carrega para a maioria das pessoas. Para Marx, “capitalismo” era um termo de opróbrio usado para descrever a fase na história em que a mão-de-obra era (e ainda é) explorada por capitalistas. Segundo Marx, cujas ideias foram inspiradas no trabalho do economista inglês David Ricardo, a mão-de-obra é a fonte de todo o valor, de modo que qualquer excedente além do que é pago pela mão-de-obra pode ser visto como “exploração”. 

Desse modo, o sistema social que conhecemos como capitalismo – o próprio responsável pela prosperidade milagrosa e insólita da humanidade – é visto como sendo um sistema de exploração. Embora o sistema marxista, totalmente desacreditado pela experiência da história, possa ser mal conceituado hoje pela maioria das pessoas nos Estados Unidos e outros países de economia de mercado, o estigma criado por Marx perdurou. É quase como se tivéssemos que defender o capitalismo como um mal necessário que talvez, um dia, seja substituído por um sistema melhor. 

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Mas ele se enganou 

Na realidade, não existe sistema melhor que o capitalista. E não existe céu na terra. Mas o capitalismo, corretamente entendido, é algo a ser festejado, respeitado e protegido. Para chegar a um entendimento correto, o primeiro passo consiste em explicar cuidadosamente como o capitalismo penetra a própria essência do sistema de livre iniciativa. 

O capitalismo, corretamente entendido, é um sistema social, o único sistema social que utiliza o “capital”. Para entender o capitalismo é preciso compreender o fenômeno do capital. Por sorte, o sentido mais comum de “capital” já nos leva longe. O capital deve ser entendido como uma medida de valor, como por exemplo a quantidade de dinheiro que uma pessoa investe ou empresta para abrir um negócio. Dizemos que, para abrir um negócio, é necessário ter capital.

De modo mais geral, contudo, o capital é a medida do valor de qualquer projeto produtivo, em qualquer momento, e o que é citado mais comumente é o valor de uma empresa. O valor de qualquer empresa, seu valor de capital, é o valor descontado do total de suas receitas previstas, menos seus custos previstos, ao longo de seu tempo de vida economicamente relevante. O capital é uma ferramenta de contabilidade que utiliza convenções financeiras para estimar o valor de bens produtivos empregados, tangíveis e intangíveis. 

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Os economistas, em sua maioria, não ajudaram 

Infelizmente, o ensino de noções básicas de economia não tem ajudado muito a explicar o capitalismo. Nas aulas fundamentais de economia, o capital é designado como um “fator de produção” físico, como o trabalho físico, ferramentas, máquinas, construções e às vezes a terra. Essa definição é muito enganosa. Não existe, na realidade, nenhuma diferença de categoria entre os serviços produtivos de trabalhadores humanos e os serviços produtivos de recursos físicos. Ambos são economicamente valiosos devido a seu valor (e apenas devido a isso) na produção de bens valiosos para os consumidores, em algum lugar da cadeia de produção. Embora os recursos físicos sejam descritos frequentemente como “bens de capital”, eles não são “capital”. O capital não é um objeto físico – é um construto de valor. É fruto da estimativa de alguém, do cálculo feito por alguém. 

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Alguns economistas (dissidentes) ao longo dos anos enfatizaram esse ponto, e nenhum deles mais claramente que Ludwig von Mises, em sua crítica do socialismo no início do século 20. Mises especificou que a essência do sucesso do capitalismo e das falhas do socialismo é a capacidade de indivíduos de calcular usando valores atribuídos aos meios de produção.

Os empreendedores privados, em sua busca por lucro em um sistema social baseado na propriedade privada, podem usar os preços de mercado de recursos produtivos e bens de consumo para traçar estimativas em termos monetários que sejam relevantes para eles e que impulsionem seus esforços para oferecer bens e serviços valiosos aos consumidores, e, se tiverem êxito, ganhar um lucro. Sem essa capacidade de estimar e calcular não haveria meio de traçar palpites especulativos, que impelem as ações empreendedoras que formam a própria substância do sistema de mercado, feito de tentativas e erros, que conhecemos.

No socialismo, onde é instituído o planejamento central da produção e a propriedade privada está em grande medida ausente, existem “bens de capital”, mas não há capital. No socialismo, não existe capitalismo, porque não há meios de estimar o valor de mercado de recursos produtivos quando não há mercados para eles. 

Para reabilitar o termo “capitalismo”, precisamos escapar de suas conotações marxistas nefandas e entendê-lo como um sistema que permite o uso do capital e se beneficia dele. É o entendimento do capital que subjaz e facilita o movimento do esforço produtivo em direção às suas utilizações mais altamente valorizadas. 

Peter Lewin é professor de Finanças e Economia de Gestão, diretor do Colóquio para a Promoção do Ensino de Livre Iniciativa (CAFÉ) na UT Dallas e membro da rede docente da FEE.

Tradução por Clara Allain

©2018 FEE Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês

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