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educação no metaverso
Mark Zuckerberg, CEO da Meta: empresa financiará abortos de funcionárias| Foto: Divulgação

Com a histórica revogação do caso Roe versus Wade, que legalizava o aborto em todos os Estados Unidos, grandes bancos e empresas de tecnologia e entretenimento do país anunciaram a inclusão do procedimento nos “benefícios” concedidos aos funcionários. Disney, Netflix, Meta (o antigo Facebook), WarnerBros, Goldman Sachs, Citigroup e Airbnb estão entre os gigantes corporativos que cobrirão até mesmo os custos de viagem para mulheres residentes em regiões onde a interrupção da gestação é vedada ou limitada. Vale lembrar que mudança na jurisprudência não proíbe o aborto no país, mas permite que cada um dos estados defina sua própria legislação a respeito.

"Pretendemos oferecer reembolsos de despesas de viagem, na medida permitida por lei, para funcionários que precisarão deles para acessar serviços de saúde reprodutiva de fora do estado. Estamos no processo de avaliar a melhor forma de fazê-lo, dadas as complexidades envolvidas", disse o porta-voz da Meta, Andy Stone, ao portal NBC.

Um memorando do banco J. P Morgan obtido pelo mesmo veículo afirma que a empresa se oferece para cobrir despesas de viagem para "todos os serviços de saúde cobertos que só podem ser obtidos longe de sua casa", incluindo a interrupção da gestação. Um representante da WarnerBros Discovery afirmou que a empresa está "comprometida em oferecer aos nossos funcionários em todo o país acesso a serviços de saúde consistentes e abrangentes".

“Continuaremos a fornecer benefícios que apoiem as escolhas de planejamento familiar de nossos colegas sempre que formos legalmente autorizados a fazê-lo”, escreveu a chefe de recursos humanos do Citigroup, Sara Wechter, em uma mensagem enviada aos funcionários na última sexta-feira, (24), quando a Suprema Corte anunciou a decisão.

Já no último mês de maio, quando a versão preliminar do documento anulando o Roe versus Wade foi divulgada pela imprensa americana, a Microsoft estendeu seu apoio financeiros para o que chamou de “cuidados de saúde críticos”. A Apple também está entre as empresas que já reembolsavam viagens com o mesmo intuito.

Uma reportagem do jornal britânico The Guardian avalia que “as medidas refletem, em alguns casos, a elevada responsabilidade que as empresas agora sentem em responder à pressão de investidores, clientes e funcionários”. Em outras palavras, conforme descrito pela Gazeta do Povo, ainda que muitos dos líderes destas grandes empresas apoiem o acesso ao aborto e outras pautas progressistas, muitas são coagidas a endossar ideologias através das campanhas de “cancelamento” virtuais ou dos disputados “selos de boas práticas”.

"Existem algumas maneiras de entender esse movimento. A primeira é ideológica: os responsáveis pela tomada de decisões dessas empresas podem ser defensores declarados do aborto ilimitado. (…) A segunda está no quadro do corporativismo 'woke'. As companhias estão cada vez mais propensas a flexibilizar sua influência financeira e cultural em um esforço para implementar as políticas que desejam. Da mesma forma, elas parecem acreditar que podem marcar pontos com o público por sinalizar virtudes em questões de guerra cultural – embora haja poucas evidências de que essa seja realmente uma tática de marketing eficaz", analisa a pesquisadora Alexandre DeSanctis, do Ethics and Public Policy Center.

"A terceira é uma questão de negócios, e especificamente uma questão de como tratar o corpo feminino em uma estrutura econômica construída em torno da presença das mulheres no mercado de trabalho. Essas empresas podem muito bem ter feito o cálculo de que cobrir as despesas de viagem para o aborto atrairia funcionárias para a empresa – e, o que é mais sinistro, esses executivos podem acreditar que essa política é uma ótima maneira de mantê-las. (...) Afinal, pagar a viagem rápida de uma funcionária para fazer um aborto é muito mais barato do que pagar a licença-maternidade".

Nos estados republicanos que, diante da nova legislação, estão às portas de criminalizar ou reduzir drasticamente o acesso ao aborto, o posicionamento das grandes corporações pode gerar novos conflitos. No começo do ano, o representante do estado do Texas, Briscoe Cain, enviou uma carta ao Citigroup afirmando que proporia uma legislação proibindo negócios com qualquer empresa que patrocine a interrupção da gestação. Por outro lado, são justamente estes estados que vêm reduzindo impostos para o estabelecimento de empresas, de modo que os próximos meses revelarão as prioridades das corporações e dos legisladores envolvidos.

Com relação à permissão para que as mulheres residentes nos Estados Unidos viajem para abortar, a Suprema Corte, majoritariamente republicana, tende a reafirmar seu compromisso com a liberdade. Em opinião divulgada na sexta-feira, o juiz Brett Kavanaugh, ferrenho defensor da revogação de Roe versus Wade, afirmou que seria inconstitucional um estado impor restrições de viagem.

Pentágono garante "acesso ao aborto"

Ainda na sexta-feira da revogação do Roe versus Wade, o Pentágono emitiu um comunicado prometendo proteger o "acesso contínuo" ao aborto às suas funcionárias. Atualmente, o Departamento de Defesa não tem procedimentos para permitir que militares do sexo feminino façam abortos se estiverem locadas em um dos estados que proíbem ou restringem fortemente a prática.

“O Departamento está examinando essa decisão de perto e avaliando nossas políticas para garantir que continuemos a fornecer acesso contínuo aos cuidados de saúde reprodutiva, conforme permitido pela lei federal”, afirmou o secretário de Defesa, Lloyd Austin. Segundo o portal Politico, o secretário começou a desenvolver novas políticas para garantir a interrupção da gestação para militares. A lei federal só permite que as mulheres busquem abortos em instalações militares em caso de estupro, incesto ou gravidez com risco de vida.

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