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Em comunicado interno, Santander fala sobre “censura ‘como não se via desde a ditadura’”

Documento interno escrito pelo presidente Sérgio Rial para os funcionários do banco tem um tom bem diferente da nota publicada na página do Santander Cultural no domingo (10)

  • PorDa Redação
  • 13/09/2017 18:00
Detalhe do comunicado escrito por Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, aos funcionários do banco | Reprodução
Detalhe do comunicado escrito por Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, aos funcionários do banco| Foto: Reprodução

Sergio Rial, presidente do Santander Brasil, escreveu um comunicado interno para os funcionários do banco sobre o cancelamento da exposição Queer Museu, em Porto Alegre. Inaugurada em 15 de agosto, foi fechada no último sábado (09), após grupos civis e religiosos promoverem campanhas pelo boicote da mostra, que trazia obras pornográficas, outras retratando zoofilia e com mensagens ofensivas a símbolos cristãos. Além disso, o projeto que pediu dinheiro de renúncia fiscal — e que conseguiu efetivamente R$ 800 mil — previa a impressão de cartilhas e visitas escolares

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No segundo parágrafo de seu texto aos funcionários, Rial afirma que “as críticas já não se centram, como se viu nas redes sociais, só na ação de alguns grupos intolerantes e deturpadores da informação, que desqualificavam a exposição. Os ataques têm enfoque na censura — “como não se via desde a ditadura”, para os mais fervorosos.” 

Leia o documento na íntegra

Rial escreveu que respeita todos os grupos envolvidos na polêmica. “Respeitamos de forma incondicional a comunidade LGBT, os artistas, como também qualquer outra comunidade que possa se sentir desrespeitada, como muitos grupos religiosos.” 

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O presidente do Santander se ressente de ter sido acusado de censura por pessoas que não os defenderam. “Muitas das pessoas que agora nos acusam de censura, se furtaram a utilizar sua vozes em defesa da exposição, durante os ataques que sofremos de forma intensa nesse último final de semana.” 

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De acordo com Sergio Rial, a exposição foi “encurtada” por causa do “risco físico às obras e pela própria integridade do centro cultural e das pessoas que nele circulam.” Para Rial, várias pessoas acharam que exposição desrespeitou suas crenças “de forma equivocada”, e ressaltou que o Santander é “uma empresa que valoriza profundamente as organizações religiosas, independente (sic) de credo”. 

Ataque “desonesto”

Também usou várias palavras de incentivo aos funcionários: “Aqui é o Santander que não se furta a mostrar sua cara.” “Aqui não há medo”. 

E finaliza pedindo para que os funcionários do banco pensem somente nos negócios, mas não se furtem a reagir, “quando atacados de forma desonesta”. 

A assessoria de imprensa do Banco confirmou a autenticidade do documento e afirmou que ele reflete a visão do banco sobre o episódio.

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O conteúdo do comunicado interno difere de maneira sensível do publicado na página do Santander Cultural no domingo (10), quando o banco se manifestou afirmando que havia entendido que “algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas”. 

No mesmo comunicado, o Santander dizia que não chancelava um tipo de arte, “mas sim a arte na sua pluralidade, alicerçada no profundo respeito que temos por cada indivíduo. Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09.”

O documento na íntegraReprodução
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