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A mensagem do novo livro de Jordan Peterson é simples: pare de bancar a vítima e assuma a responsabilidade pela própria vida.
A mensagem do novo livro de Jordan Peterson é simples: pare de bancar a vítima e assuma a responsabilidade pela própria vida.| Foto: Instagram de Jordan Peterson

Na introdução de seu livro mais recente “Beyond Order: 12 More Rules for Life” [Para além da ordem: 12 outras regras para a vida], o escritor e psicólogo Jordan B. Peterson diz que o escreveu para explorar “as melhores formas de se evitar os perigos do excesso de segurança e controle”.

“Beyond Order” é uma sequência de “12 Regras Para a Vida: Um Antídoto ao Caos”, que explorava os perigos de se aventurar no desconhecido sem a devida humildade e bases morais. “Beyond Order” explora os perigos de um estado demasiadamente ordenado, capaz de “se tornar rígido como consequência de tentativas malfadas de erradicar o desconhecido”.

O livro, escrito ao longo da batalha de Peterson contra vários problemas de saúde, é relevante num mundo assolado por desafios como manifestações raciais, tribalismo, pandemia e violência partidária pós-eleitoral, para citar uns poucos.

Peterson tinha recebido uma cobertura bastante negativa da imprensa e, depois de mais de um ano longe dos holofotes, seus inimigos jornalistas ainda não o haviam esquecido. O jornal TheGuardian resumiu “Beyond Order” como “uma amontoado de ditados de autoajuda”. Helen Lewis, jornalista com a qual Peterson discutiu numa entrevista para a GQ que viralizou, escreveu que a volta dele aos holofotes acontecia devido ao “sacrifício irresistível de uma celebridade cultural contemporânea”.

Mas Peterson está longe de ser o provocador maldoso que seus inimigos na imprensa retratam. E ele está de volta com uma mensagem necessária para um mundo confuso e indolente.

Numa era que aceita a mentalidade vitimista, Peterson explica por que é melhor confrontar o próprio sofrimento e tirar algum proveito dele do que se recolher num ressentimento niilista.

O imperativo de aceitar a responsabilidade apesar dos sofrimentos da vida está resumido na quarta de suas regras: “Note que as oportunidades surgem em situações nas quais se abdica da responsabilidade”.

O conceito petersoniano da importância da responsabilidade pessoal não deixa espaço para ativistas que consideram, digamos, o [autor de livros infantis] Dr. Seuss um problema para os que desejam corrigir os erros da história.

Na sexta regra, que conclama o leitor a “abandonar a ideologia”, Peterson fala sobre o estranho efeito das plateias sempre que ele fala sobre responsabilidade em suas palestras.

Isso acontece porque, de acordo com Peterson, as pessoas estão famintas de ideologia. Sobretudo os jovens anseiam por esse tipo de mensagem que “os torna vulneráveis a respostas fáceis e suscetíveis às forças letais do ressentimento”.

Peterson conta várias histórias de pessoas que aceitaram a responsabilidade por seu destino e retomaram a vida. Elas costumam dizer que Peterson as ajudou a articularem algo que na verdade já sabiam.

“Ajudar as pessoas a transporem a lacuna entre o que elas intuem, mas não conseguem articular, parece ser um trabalho importante para um intelectual público”, escreve Peterson.

Hoje em dia, problemas raciais são “resolvidos” por um grupo — geralmente brancos pedindo desculpas pela “branquitude” e pelo suposto papel de opressor que exercem. Peterson diagnostica o raciocínio que leva a tais manifestações públicas de estupidez:

Como um ideólogo consegue se posicionar do lado moralmente correto da equação sem o esforço necessário para fazê-lo verdadeiramente, é muito mais fácil e imediatamente gratificante reduzir o problema a algo simples, acompanhado por um malfeitor ao qual se pode moralmente se opor.

Em vez disso, Peterson pede ao leitor que assuma a responsabilidade pelo cantinho da vida que ele pode arrumar. Depois, ele pode estender a mão para tentar corrigir os demais problemas do mundo.

Fazendo referência à sexta regra de seu livro anterior, o “12 Regras para a Vida”, que dizia “Deixe sua casa em perfeita ordem antes de criticar o mundo”, Peterson pede ao leitor que “seja humilde. Limpe seu quarto. Cuide da sua família. Siga sua consciência. Endireite a sua vida. Encontre algo de produtivo e interessante e se comprometa com isso”.

Depois de um ano tão ruim que se tornou tema para vários memes, Peterson oferece uma resposta que parece improvável – gratidão a despeito do sofrimento. Há sempre motivos para bancar a vítima, e talvez você seja de fato uma vítima. Ainda assim, há sempre motivo para ser grato.

Existe algo de incrivelmente simples nessa ideia. Ainda assim, o sucesso dos vídeos, podcasts e livros de Peterson aponta para o fato de o nosso mundo ainda estar sedento de uma verdade eterna em sua simplicidade. O antídoto ao sofrimento deste mundo, escreve Peterson, é “se confrontar corajosamente com as limitações da vida”.

Ele continua: “Coragem e nobreza diante da tragédia é o contrário do cinismo destrutivo e niilista aparentemente justificado em tais circunstâncias”.

Na verdade, a resposta certa para os horrores indizíveis da vida não é o ressentimento niilista, e sim “a ideia de que há o suficiente de você, da sociedade e do mundo para justificar a existência”.

É preciso certa bravura para optar por isso quando o ressentimento parece tão justificado, mas você será recompensado, diz Peterson, por uma vida espiritual e psicologicamente dignas “no longo prazo”.

Há algo de divino em aceitar a responsabilidade e a gratidão a despeito do caráter sinistro da existência, diz Peterson. “Se Deus está acima de tudo, como Ele é inicialmente descrito, isso implica que homens e mulheres criados à Sua imagem compartilham com Ele algo de importante — ou, sendo mais direto, eles compartilham um destino, necessidade ou responsabilidade análogos”.

Numa era de divisão ideológica, Peterson explica a função política e social dos impulsos conservadores e progressistas. “Os conservadores são necessários para manter as coisas como elas são quando tudo está funcionando e quando as mudanças parecem perigosas. Os progressistas, por outro lado, são necessários para que se mude as coisas quando as instituições não estão mais funcionando”.

Isso parece um reducionismo, já que não somos capazes de concordar nem quanto ao que constitui uma instituição que “não está mais funcionando”. Ao mesmo tempo, a ideia subjacente de Peterson – a de que, se pararmos para ouvir, descobriremos que as soluções pelas quais tanto ansiamos não são tão simples ou de fácil definição — está correta. “Imagine quem você poderia ser e seja determinado nesse objetivo”, escreve Peterson na segunda regra.

As últimas páginas do capítulo são pura sabedoria petersoniana. Ele estimula o leitor a mirar num objetivo alcançável ou, como ele diria numa de suas palestras sobre a importância arquetípica de Pinóquio, a “fazer um pedido para uma estrela”. Depois de ter rascunhado um plano digno, sensato e realizável, você deve “voluntariamente se confrontar com os obstáculos”.

Isso é essencial para se alcançar um equilíbrio entre “ordem e caos”. Assim que você opta pela responsabilidade e gratidão a despeito de seu sofrimento, você escolhe “o caminho estreito e reto que constitui o limite entre ordem e caos e a mudança que os equilibra”.

E é fundamentalmente isso o que Peterson, em sua mensagem mais ampla e em “Beyond Order”, nos encoraja a fazermos. Caminhar pelo caminho reto e estreito com coragem, humildade e gratidão, a despeito do sofrimento e de todas as justificativas para ceder ao ressentimento.

Depois do ano que tivemos, o que poderia ser mais relevante?

Sarah H. Weaver é escritora.

© 2021 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês
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