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Fidel Castro em Congresso da UNE, em 1999. A entidade afirmou na época que recebeu o ditador cubano “como amigo”.
Fidel Castro em Congresso da UNE, em 1999. A entidade afirmou na época que recebeu o ditador cubano “como amigo”.| Foto: UNE

No programa 60 Minutos, da rede americana de TV CBS, o senador Bernie Sanders recentemente elogiou as conquistas da Cuba comunista. Um entrevistador perguntou-lhe sobre seus comentários de 1985 dizendo que os cubanos apoiavam o ditador comunista Fidel Castro porque ele "educava seus filhos, dava saúde às crianças, e transformou totalmente a sociedade". Em resposta, Sanders defendeu esses comentários, afirmando que quando “Fidel Castro assumiu o cargo, sabe o que ele fez? Ele tinha um extenso programa de alfabetização. ”

Mas a realidade é outra. Castro não alfabetizou os cubanos. Cuba já tinha uma das mais altas taxas de alfabetização da América Latina em 1950, quase uma década antes de Castro assumir o poder, segundo dados das Nações Unidas (estatísticas da UNESCO). Em 2016, o verificador de fatos do Washington Post Glenn Kessler desmentiu a alegação de um político de que o governo de Castro melhorou significativamente a saúde e a educação cubanas.

Na Cuba atual, as crianças são ensinadas por professores mal pagos em escolas caindo aos pedaços. Cuba fez menos progresso educacional do que a maioria dos países latino-americanos nos últimos 60 anos.

Segundo a UNESCO, Cuba tinha aproximadamente a mesma taxa de alfabetização da Costa Rica e do Chile em 1950 (quase 80%). E tem quase a mesma taxa de alfabetização que eles têm hoje (quase 100%).

Enquanto isso, os países latino-americanos em grande parte analfabetos em 1950 — como Peru, Brasil, El Salvador e República Dominicana — hoje são amplamente alfabetizados, fechando grande parte da lacuna com Cuba. El Salvador tinha uma taxa de alfabetização inferior a 40% em 1950, mas atualmente possui 88% de alfabetização. O Brasil e o Peru tinham uma taxa de alfabetização inferior a 50% em 1950, mas hoje o Peru tem uma taxa de alfabetização de 94,5% e o Brasil uma taxa de alfabetização de 92,6%. A taxa da República Dominicana aumentou de pouco mais de 40% para 91,8%. Embora Cuba tenha feito progressos substanciais na redução do analfabetismo nos primeiros anos no poder de Castro, seu sistema educacional estagnou desde então, mesmo com a melhora na América Latina.

Ao contrário da alegação de Sanders de que Castro "deu" assistência médica aos cubanos, eles já tinham acesso antes que ele assumisse o poder. Os médicos frequentemente forneciam assistência médica gratuita àqueles que não podiam pagar. Como observou Glenn Kessler, do Washington Post:

Quanto aos cuidados com saúde e educação, Cuba já estava perto do topo antes da revolução. A baixa taxa de mortalidade infantil de Cuba é frequentemente elogiada, mas já liderava a região neste quesito em 1953-1958, de acordo com dados coletados por Carmelo Mesa-Lago, especialista em Cuba e professor emérito da Universidade de Pittsburgh.

Cuba estava na frente de praticamente todos os países da América Latina na expectativa de vida em 1959, antes dos comunistas de Castro tomarem o poder. Mas em 2012, logo após Castro deixar o cargo de líder do Partido Comunista, chilenos e costarriquenhos já viviam mais que os cubanos. Em 1960, os chilenos tinham uma expectativa de vida sete anos menor que a dos cubanos, e os costarriquenhos viviam cerca de dois anos a menos que os cubanos, em média. Em 1960, os mexicanos viviam sete anos a menos que os cubanos; em 2012, a diferença já havia diminuído para apenas dois anos.

(Hoje, a expectativa de vida é praticamente a mesma em Cuba que o Chile e a Costa Rica, mais prósperos — se você aceitar as estatísticas oficiais do governo comunista de Cuba, que muitas pessoas não aceitam. Cuba foi acusada de esconder mortes de crianças e exagerar a longevidade de seus cidadãos. Se essas acusações forem verdadeiras, os cubanos morrem mais cedo que os chilenos ou os costarriquenhos).

Cuba fez menos progresso na assistência médica e na expectativa de vida do que na maioria da América Latina nos últimos anos, devido ao seu decrépito sistema de assistência médica. "Os hospitais da capital da ilha estão literalmente desmoronando." Às vezes, os pacientes "precisam trazer tudo com eles, porque o hospital não fornece nada. Almofadas, lençóis, remédios: tudo."

Como observou Kessler:

Os repórteres também documentaram que os hospitais cubanos estão mal equipados. Uma série de 2004 sobre o sistema de saúde de Cuba no National Post, do Canadá, informou que as farmácias possuem pouco estoque e antibióticos estão disponíveis apenas no mercado negro. "Um dos mitos que os canadenses acreditam sobre Cuba é que seu povo pode ser pobre e viver sob um governo repressivo, mas eles têm acesso a instalações de saúde e educação de qualidade", afirmou o Post. "É um retrato encorajado pelo governo, mas a realidade é muito diferente."

Sob o comunismo, Cuba também ficou para trás em medidas mais gerais do desenvolvimento humano. Como apontou o economista progressista Brad DeLong:

Cuba em 1957 — era um país desenvolvido. Cuba em 1957 teve menor mortalidade infantil do que França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal. Cuba em 1957 tinha médicos e enfermeiros: tantos médicos e enfermeiros per capita quanto os Países Baixos e mais que a Grã-Bretanha ou a Finlândia. Cuba em 1957 tinha tantos veículos per capita quanto Uruguai, Itália ou Portugal. Cuba em 1957 tinha 45 TVs por 1.000 pessoas — a quinta mais alta do mundo … Hoje? Hoje, a ONU coloca o IDH de Cuba [indicadores de desenvolvimento humano] na faixa do… México. (E Carmelo Mesa-Lago acha que os cálculos da ONU são seriamente falhos: que hoje os pares de IDH de Cuba são lugares como China, Tunísia, Irã e África do Sul.) Portanto, não entendo esquerdistas que falam sobre as realizações da Revolução Cubana.

Como observa Michael Giere, Cuba era próspera antes dos comunistas de Castro tomarem o poder:

Um relatório das Nações Unidas (UNESCO) em 1957 observou que a economia cubana incluía proporcionalmente mais trabalhadores sindicalizados do que nos EUA. O relatório também afirmava que os salários médios por uma jornada de oito horas eram mais altos em Cuba do que na “Bélgica, Dinamarca, França, e Alemanha. ”… A PBS explicou em uma retrospectiva de 2004 que “Havana [antes de Castro] era uma cidade brilhante e dinâmica. Cuba estava em quinto lugar no hemisfério em renda per capita, em terceiro na expectativa de vida, em segundo na propriedade per capita de automóveis e telefones, a primeira no número de aparelhos de televisão por habitante. A taxa de alfabetização, 76%, era a quarta mais alta da América Latina. Cuba ocupava a 11ª posição no mundo em número de médicos per capita. Muitas clínicas e hospitais particulares prestavam serviços para os pobres. A distribuição de renda de Cuba era maior que a de outros países latino-americanos. Havia uma classe média próspera e mobilidade social. ”

Mas depois que Castro assumiu, a prosperidade chegou ao fim:

A destruição de Cuba por Castro não pode ser suficientemente dramatizada. Ele saqueou, assassinou e destruiu a nação desde o início. Apenas um factoide explica tudo: Os cubanos já desfrutaram de um dos maiores consumos de proteínas das Américas, mas em 1962 Castro teve que introduzir cartões de racionamento (carne, 56 gramas por dia), pois o consumo de alimentos por pessoa caiu para níveis nunca vistos desde o século XIX.

A fome tornou-se tão disseminada que um médico sueco visitante, Hans Rosling, teve que avisar o ditador de Cuba em 1992 sobre a ampla deficiência de proteína entre os cubanos. Foi relatado que cerca de 40.000 cubanos estavam experimentando "embaçamento visual e dormência severa nas pernas". Rosling investigou o problema a convite da embaixada cubana na Suécia e com a aprovação do próprio Castro. Rosling viajou para o coração do surto, na província ocidental de Pinar del Río. Verificou-se que todos os afetados pelo distúrbio sofriam de deficiência de proteína. O governo estava racionando carne e os adultos haviam sacrificado sua porção para nutrir crianças, mulheres grávidas e idosos. O Dr. Rosling contou a Fidel Castro sobre isso.

Durante esse período de fome generalizada, Bernie Sanders estava vendendo o mito de que a fome não existia em Cuba. Em 1989, ele publicou uma coluna de jornal alegando que a Cuba de Fidel Castro "não tem fome, educa todos os seus filhos e está oferecendo assistência médica gratuita e de alta qualidade".

Hans Bader é advogado em Washington, D.C. Depois de estudar economia e história na Universidade da Virgínia e direito em Harvard, ele trabalhou com direitos civis, comércio internacional e direito constitucional.

©2020 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês 
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