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Questionar certas narrativas quanto às fontes de energia chamadas de “renováveis” é essencial tanto para a inovação quanto para a proteção do meio ambiente.
Questionar certas narrativas quanto às fontes de energia chamadas de “renováveis” é essencial tanto para a inovação quanto para a proteção do meio ambiente.| Foto: Pixabay

Os painéis solares são considerados a melhor alternativa aos combustíveis fósseis há décadas. A maioria dos leitores provavelmente já viu manchetes dizendo que poderíamos satisfazer a demanda planetária por energia várias vezes se simplesmente cobríssemos o deserto do Saara com uma fazenda solar do tamanho da China. O fato de uma empreitada dessas não ser sustentável por causa do tamanho e da quantidade de manutenção exigida ou ainda por causa da infraestrutura necessária para se distribuir essa energia pelo mundo é irrelevante para os que sonham com um futuro solar.

Tudo bem. Somos todos sonhadores de uma forma ou de outra. Mas essa fantasia atrai muitos eleitores e os políticos estão loucos para pegarem o trem da energia alternativa. Os painéis solares são em grande medida subsidiados, assim como as fazendas solares, sejam elas públicas ou privadas. Na era do comércio de emissões e de conferências internacionais sobre o clima, nada é mais celebrado do que exibir grandes investimentos no uso do sol como fornecedor de energia.

Esse Zeitgeist se reflete nas vendas dos painéis solares. Este gráfico mostra os momentos em que os Créditos Tributários de Investimentos em Energia Solar (CTIE) foram criados, estendidos e ampliados.

Por dentro dos painéis solares

Para além da alocação equivocada de recursos e das distorções no preço da energia, há outros problemas ambientais associados aos painéis solares.

Para além do uso ineficiente desses recursos (no processo de transformação da sílica em sílica cristalina, aproximadamente 80% da matéria-prima é desperdiçada), há várias dúvidas referentes à saúde humana associadas à fabricação e descarte dos painéis solares.

De acordo com o biólogo e oncologista David H. Nguyen, entre os produtos químicos tóxicos presentes nos painéis solares estão o telureto de cádmio, o selenito de índio, o disseleneto de cádmio, o disseleneto de gálio, o hexafluoreto, o chumbo e o fluoreto polivinil. O tetracloreto de silício, um subproduto da fabricação de sílica cristalina, também é extremamente tóxico.

No site pró-energia solar EnergySage lê-se:

Há certos produtos químicos usados no processo de fabricação dos painéis mono e policristalinos. Um dos subprodutos mais tóxicos do processo é o tetracloreto de silício. Essa substância, se não for manuseada e descartada de forma correta, pode causar queimaduras, emitir partículas no ar que aumentam os casos de doenças pulmonares e, se exposto à água, pode produzir ácido clorídrico, substância corrosiva que faz mal ao ser humano e ao meio ambiente.

Para quem usa os painéis solares, nada disso representa um risco imediato, já que só afeta fabricantes e recicladores. Mais problemático, contudo, é o impacto ambiental desses produtos químicos. Com base na capacidade instalada e no peso dos painéis, estima-se que, até 2016, os painéis fotovoltaicos geraram 11 mil toneladas de chumbo e 800 toneladas de cádmio. Um resumo dos perigos dos compostos à base de cádmio produzido pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) diz que a exposição ao cádmio pode provocar irritação pulmonar grave e problemas funcionárias de longo prazo. Não preciso nem mencionar os danos causados pela exposição ao chumbo.

A reciclagem dos painéis solares

Num estudo de 2003, pesquisadores chamaram a atenção para o fato de o cádmio ser alvo de tratamento ambiental especial, o que impede que a energia solar seja economicamente mais eficiente (se é que a palavra se aplica à energia solar, levando em conta os atuais subsídios). Escrevem eles:

Se os produtos forem classificados como “perigosos” de acordo com critérios federais ou estaduais, exigências especiais quanto ao manuseio, descarte e armazenagem aumentarão os custos de produção.

Isso ecoa uma resposta dada por Cara Libby, principal nome do Instituto de Pesquisas sobre Energia Solar (EPRI), que admite que não há como obter lucros com a reciclagem dos painéis solares. Ela acrescenta:

Na Europa vimos que, quando a reciclagem é obrigatória, ela é feita. Ou ela é economicamente viável ou é obrigatória. Mas sei que ela terá de ser sempre obrigatória porque jamais será economicamente viável.

Não é de se admirar que fábricas chinesas, quando confrontadas com os custos exorbitantes (financeiros e ambientais) de se descartar os produtos químicos dos painéis solares adequadamente, preferem jogá-los no meio ambiente em vez de descartá-los de uma forma ambientalmente correta.

A Stanford Magazine também diz que a energia solar deixa uma pegada de carbono maior do que as energias eólica e nuclear. Ray Weiss, professor de geoquímica na Scripps Institution of Oceanography, explica que vários painéis solares emitem trifluoreto de nitrogênio (NF3), um composto químico 17 mil vezes pior para a atmosfera do que o dióxido de carbono. Ainda em 2015, ele explicou que muitos fabricantes estão com dificuldades para descobrir como impedir a emissão disso na atmosfera.

Uma questão de narrativa

O mundo da política energética não é lugar para a emoção ou ação baseada no instinto. Usamos um monte de palavras da moda que nos levam a acreditar que uma fonte de energia é “mais limpa” do que a outra. A realidade é que a ação e interação humanas exigem uma fonte constante de energia. Todas as formas de produção de energia têm algum impacto no meio ambiente.

Questionar certas narrativas quanto às fontes de energia chamadas de “renováveis” e não se adequar a um padrão ambiental insensato é algo essencial tanto para a inovação quanto para a proteção do meio ambiente.

*Bill Wirtz é membro do programa Young Voices e recipiente da bolsa Eugene S. Thorpe.

© 2019 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês 
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