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Artigo

Por que o novo livro de Jordan Peterson chega em boa hora

  • PorPatrick Carroll
  • FEE - Foundation for Economic Education
  • 04/12/2020 16:48
“Beyond Order”, novo livro de Jordan Peterson com lançamento previsto para março de 2021, deve falar do totalitarismo dos lockdowns.
“Beyond Order”, novo livro de Jordan Peterson com lançamento previsto para março de 2021, deve falar do totalitarismo dos lockdowns.| Foto: Divulgação

Jordan Peterson teve um ano bem difícil depois de passar boa parte do tempo rodando o mundo em busca de tratamento para um problema grave de saúde. Mas, para o alívio de muitos fãs de Peterson, ele está se recuperando graças ao apoio incansável da família, bem como sua determinação em assumir a responsabilidade pela própria vida.

Na segunda (30), ele voltou aos holofotes ao anunciar o lançamento de um novo livro, Beyond Order [Além da ordem]. Escrito como uma sequência de seu best-seller 12 Regras para a Vida, Beyond Order traz um novo conjunto de 12 regras, dessa vez se atendo a problemas relacionados à rigidez excessiva.

“Ao contrário de meus livros anteriores, Beyond Order explora como tema o perigo do excesso de segurança e controle, e como evitá-lo”, diz Peterson.

Enquanto 12 Regra para a Vida foi vendido como “um antídoto ao caos”, Beyond Order foi escrito para enfatizar o outro lado desse cenário arquetípico.

Essa é uma perspectiva fundamental porque expõe a realidade de que a ordem não é incondicionalmente boa. A ordem pode significar segurança e estabilidade, mas também pode significar tirania e uniformidade. O caos pode representar o perigo e a insegurança, mas também pode ser fonte de inovação, renovação e potencial.

Como diz Peterson, “todos os estados de ordem, por mais seguros e confortáveis que sejam, têm falhas”. À luz disso, precisamos avançar “para além da ordem” e buscar ativamente certo grau de caos. Como ele mesmo diz, “uma estrutura ordeira tem de permitir um elemento de caos a fim de se tornar algo novo e até para manter sua própria sobrevivência, porque as coisas se transformar no novo à medida em que avançam pelo tempo”.

Assim, tirando o chapéu para o símbolo do Yin e Yang, o objetivo de Peterson com este livro é nos lembrar de que o bem-estar é alcançado por meio de um equilíbrio saudável entre caos e ordem, e não cedendo à obsessão doentia dos extremos.

Os perigos da ordem excessiva

Ao anunciar o novo livro, Peterson também enfatizou algumas implicações culturais e políticas interessantes de sua filosofia.

“A ordem que tentamos impor no mundo pode se tornar rígida como consequência das tentativas maldadas de erradicar tudo o que nos é desconhecido”, escreve Peterson. “Quando essas tentativas vão longe demais, o totalitarismo se anuncia, motivado pelo desejo de exercer controle total, sendo que esse controle não é possível nem como princípio”.

Como Peterson explica numa de suas aulas sobre personalidade, a tendência de levar a ordem longe demais provavelmente tem origem na biologia humana. Especificamente, ela surge da sensação de nojo e da necessidade de preservar a limpeza nos ambientes.

De acordo com um artigo científico sobre esse tema, “níveis altos de infecção podem levar ao etnocentrismo, xenofobia, desconfiança e conformidade, porque esses comportamentos reduzirão a probabilidade de exposição a infecções desconhecidas para as quais ainda não há imunidade”.

Em termos arquetípicos, buscamos a ordem e a limpeza porque ela nos mantém seguros de tudo o que é estranho e diferente.

Mas Peterson menciona consequências ainda mais impressionantes dessa ideia. “As preocupações com limpeza e a sensação de nojo estão relacionadas a comportamentos políticos (...) regiões com níveis maiores de doenças tendem a ser associadas a níveis maiores de conformidade social e autocracia”.

Como se lê em outro artigo importante, “governos autoritários têm mais chance de se instalarem em regiões caracterizadas por níveis mais altos de doenças causadas por patógenos”.

Restaurando o equilíbrio

Apesar de não sabermos se Beyond Order trata especificamente dos lockdowns, a relevância é clara. Infelizmente, ainda que previsivelmente, são justamente esses excessos de ordem o que vimos na reação à pandemia de Covid-19. Do fechamento do comércio e de fronteiras a limitações de aglomerações, as pessoas estão mais isoladas do que nunca, e tudo está sendo feito em nome da limpeza.

Mas a ideologia da limpeza é uma mitologia fragmentária porque só apresenta metade do arquétipo, isto é, o lado positivo da ordem e o lado negativo do caos. Na realidade, o outro lado da história é igualmente importante: a busca pela esterilidade pode fugir ao controle.

Infelizmente, o desejo de controlar nossos semelhantes e de ditar as escolhas deles reflete uma visão de mundo na qual os problemas da ordem são considerados menores do que os problemas do caos. Esse paradigma pode ser sedutor, sobretudo em tempos de crise, mas para a sociedade prosperar realmente ele precisa ser questionado.

Desse modo, embora possamos nos sentir tentados a adotar planejamento centralizado ou até mesmo o socialismo como fonte de segurança e estabilidade, precisamos reconhecer que esses sistemas despóticos e autoritários são a expressão máxima da ordem.

Os economistas discutem essa ideia há tempos, e muito deles dizem que “o desejo de exercer controle total” é uma das principais barreiras para a prosperidade. Ludwig von Mises é um desses economistas, e em seu tratado Ação Humana ele chama a atenção para os problemas de se tentar impor um plano econômico abrangente e rígido.

“Fala-se muito hoje em dia em ‘engenharia social’”. Assim como o planejamento, esse termo é sinônimo de ditadura e tirania totalitária. A ideia é tratar os seres humanos da mesma forma que um engenheiro trata a matéria-prima com a qual ele constrói pontes, estradas e máquinas. O desejo do engenheiro social é ser substituído pela vontade das várias pessoas que ele planeja usar para construir sua Utopia. A humanidade há de ser dividida em duas classes: o ditador todo-poderoso, de um lado, e os súditos que serão reduzidos a meros peões em seus planos e dentes nesse maquinário, de outro. Se isso fosse possível, então claro que o engenheiro social não teria de se dar ao trabalho de entender as ações alheias. Ele seria livre para lidar com elas assim como a tecnologia lida com a madeira ou o ferro”.

O argumento de Mises é o de que a economia não deveria ser vista como uma máquina que podemos controlar e dirigir. A economia é mais parecida com um ecossistema que prospera quando deixado em paz.

Hoje, mais do que nunca, e uma vez que os lockdowns e outras restrições obscurecem praticamente todos os demais aspectos da nossa vida, precisamos cuidar para não nos apegarmos demais à ordem, ao controle e à segurança.

Com sorte, o novo livro de Peterson trará essa mensagem à luz.

Patrick Carroll é membro da Foundation for Economic Education.

© 2020 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês
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Comentários [ 2 ]

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  • M

    Munir Guerios filho

    ± 0 minutos

    Peterson é o cara!

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    • E

      Eduardo Leivas Bastos

      ± 1 horas

      Vida longa à Peterson. Como diria Nietzsche, “É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante”.

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