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Velozes e Furiosos 9: politicamente correto
Velozes e Furiosos 9: politicamente correto| Foto:

Qualquer um que ainda esteja interessado na franquia Velozes e Furiosos tem o que merece: outra lição de Vin Diesel sobre parceria inter-racial, outra série de cenas de ação sem sentido concebidas para desafiar a morte e as leis da física.

Isso devia ser suficiente. “Velozes e Furiosos 9” é o “Vingadores: Ultimato” dos filmes de carros, com o Homem de Ferro de Vin Diesel contra o vilão de John Cena ao estilo Thanos, que quer destruir o mundo. É Dominic Toretto contra seu irmão mais novo, Jakob, não exatamente um enredo bíblico de Caim e Abel, mas uma reformulação da camaradagem racial entre Diesel e o falecido Paul Walker, que tornou a série charmosa há 20 anos. (Mais sobre os detalhes dessa “amizade” mais tarde.) A mensagem de confraternização é inofensiva; o que é ofensivo é que o último xerox oferecido pelos Estúdios Universal nega aos cinéfilos um envolvimento genuíno e emocional.

“O mundo tem seu jeito de mudar, mas nós mudamos também”, diz Dom à sua equipe multirracial (e aos que pagam os ingressos) para dar início à disputa familiar nesta última versão. “Há momentos que nos separam, mas sempre acabamos juntos”. Em termos de cálculo de mercado, o tema da união revive o velho clichê comercial de TV da Budweiser de espírito esportivo e fraternidade.

Mas a mudança que Dom (e a Universal) recomenda, sugere uma tentativa de conversão cultural: o sentimento subjacente de antagonismo inevitável resultante da falsa harmonia da era Obama. Em termos de apelo popular, a super equipe de Velozes e Furiosos viaja cada vez mais veloz rumo a uma demagogia superficial e óbvia.

Franquias de gênero podem ser confortavelmente familiares, mas a série Velozes e Furiosos chegou ao ponto no qual sua razão de ser (a parceria entre mocinhos e bandidos, meninos e meninas) está agora fora de contato com a maneira como as pessoas se relacionam socialmente, exceto na cabeça dos redatores.

Enquanto Diesel conta com o charme, Cena desenvolveu a rigidez plástica de um monstro Frankenstein. O grande antagonismo entre o irmão mais velho e o caçula — baseado em flashbacks da tragédia familiar na infância — é ridículo. (A essa altura, os irmãos Toretto não deveriam ser mais parecidos com Super Mario Bros., Mario e Luigi?) Na sequência anterior, os confrontos entre Jason Statham e Dwayne Johnson, de bater no peito e chacoalhar, são tão constrangedores quanto a tagarelice constante do filme sobre "família". A sanha de dominação mundial de Jakob não combina com o antagonismo racial genuíno que a série havia originalmente trabalhado.

Em 2001, o oportunista mestiço de Diesel desafiou o policial loiro de olhos azuis de Walker; um conflito de classes típico das ruas americanas que cresceu em uma disputa baseada no caráter das personagens, junto com o desenvolvimento de Diesel e Walker como estrelas de cinema que sabiam atuar. Antes da recente revolução sexual, a amizade masculina dos dois não era o que os ideólogos de gênero agora chamam de "performativa", mas expressiva. "Velozes e Furiosos 9" se contenta com um herói e um vilão de desenho animado.

A violência e destruição persistentes de "Velozes e Furiosos 9" indicam alguma raiva e insatisfação implacáveis ​​e escondidas que só a fantasia de um filme de ação pode liberar, mas nunca amenizar. É o "escapismo" tradicional, mas agora vinculado ao comercialismo pavloviano, o efeito “Os Embalos de Sábado a Noite” de fornecer um estímulo fácil, rotineiro e não muito imaginativo. Esta é a especialidade da franquia Velozes e Furiosos, adicionando alguns extremos espetaculares (explosões múltiplas, piadas automobilísticas, até mesmo uma brincadeira no espaço sideral). Eu gostei do efeito widescreen de um Dom do tamanho de uma boneca escapando por pouco de um mamute de 18 rodas, embora o diretor Justin Lin não esteja à altura do estilo pastelão de Chad Stahelski da série John Wick. Mas a fuga de Dom é divertidamente semelhante a um brinquedo.

O diretor Lin faz versões exageradas das perseguições de carros e motos que, na última sequência de E.T. por exemplo, poderiam ser emocionalmente empolgantes. No primeiro Velozes e Furiosos, as perseguições noturnas eram lindas, como jukeboxes sobre rodas. "Velozes e Furiosos 9" é o equivalente visual do ruído branco (e preto e marrom e amarelo).

"Velozes e Furiosos 9" foi um sucesso internacional (estreou na China antes dos Estados Unidos). A escala na qual os filmes Velozes e Furiosos são exibidos internacionalmente corresponde ao tanto que são simplistas e juvenis. O último filme da saga não é apenas escapismo; é pacificação para as massas. Se esta é a ideia de Hollywood de diversidade e globalismo, não, obrigado.

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