Jogando Super Mario Bros. com o 8bitdo F30 Pro.

F30 Pro, da 8bitdo, moderniza os antigos (e ótimos) controles de videogame

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16/2/18, 11h36 6 min 7 comentários

Em algum ponto no meio da vida do primeiro PlayStation, a Sony lançou controles com direcionais analógicos. Fazia sentido nos ambientes tridimensionais que aquele videogame proporcionava. Em jogos antigos ou nos modernos que preservam quatro ou oito eixos? Nem tanto. A 8bitdo, de Hong Kong, está suprindo a demanda por bons controles com direcionais digitais em formato de cruz. E está fazendo isso muito bem.

A empresa é especializada em controles e acessórios retrô. Ela tem versões atualizadas (e visualmente bastante fiéis) dos controles do Super Nintendo e da sua versão japonesa, o Super Famicon. Também tem adaptadores para habilitar controles Bluetooth em videogames antigos e, recentemente, lançou um controle árcade (para jogos de luta) e caixas de som Bluetooth, todos com a estética nintendista dos anos 1980/1990.

A família Pro da 8bitdo é a mais interessante. É como se o controle original do SNES tivesse sido lançado hoje: além da conectividade Bluetooth, comum a todos os produtos da empresa, ele tem dois direcionais analógicos e dois botões superiores (L e R) extras.

Atiçado com a proposta, encomendei um F30 Pro. É o mais “original” que a 8bitdo produz: em vez de emular o visual do controle do SNES, ele tem um acabamento dourado que relembra o NES 8 bits clássico.

Décadas depois, um d-pad decente

Detalhe do d-pad do F30 Pro.
Detalhe do d-pad sensacional do F30 Pro. Foto: Rodrigo Ghedin.

O F30 Pro é todo feito de plástico, mas um de boa qualidade. E embora seja bastante leve (290 g), ele passa uma boa impressão de firmeza, em grande parte devido aos botões.

Os botões são incríveis! O feedback tátil é ideal. O grande destaque do controle é o d-pad, a “cruz” direcional. Após anos me debatendo com os analógicos do controle do Xbox 360 em jogos antigos, tudo fez sentido no momento em que liguei o F30 Pro e abri Sunset Riders, do SNES: esses jogos não foram feitos para direcionais digitais.

Jogos antigos demandam um tipo de precisão diferente da que analógicos entregam. Em vez dos níveis de pressão, mover-se e parar imediatamente é mais importante. A limitação dos movimentos possíveis — para frente e para trás na maioria dos sidescrollers — também se beneficia de um direcional das antigas.

O resultado é que, após 20 anos, consegui fechar Contra do NES 8 bits e avançar bastante em Tiny Toon Adventures, Gun Smoke e no já mencionado Sunset Riders, além de me sair melhor em outros como Rock’n’Roll Racing.

Outra vantagem desse modelo é a sobra de botões, que permite configurar cheats, ou trapaças que emuladores modernos oferecem. Um dos direcionais analógicos, por exemplo, deixo configurado para avançar e retroceder o jogo, como se fosse um vídeo cassete: se eu morro, “rebobino” o jogo para momentos antes da fatalidade e tento novamente. Há certo dilema ético aí, mas a vida (e o tempo) é curta demais para jogar novamente a mesma fase, do início, 20 vezes até conseguir acertar um pulo. Jogos antigos são muito menos tolerantes a falhas.

Uma crítica é que o F30 Pro poderia ser um pouco maior. Nas sessões que tive com ele, que variaram de 40 minutos a uma hora, senti um pouco de dor nas mãos perto do fim. Ele é um pouco mais alto que o original do SNES (5 mm), porém mais curto (132 mm contra 144 mm).

A vantagem é que, com dimensões tão compactas (ele tem apenas 1,5 cm de espessura), cabe em qualquer bolsa sem criar volume. E para quem portabilidade é prioridade, a 8bitdo tem outro modelo, o Zero, que é praticamente um chaveiro: 73 mm x 35 mm x 10 mm.

Detalhe nos botões superiores do F30 Pro.
Botões superiores mal posicionados. Foto: Rodrigo Ghedin.

Outra crítica recai nos botões superiores (L e R) por serem contínuos, não paralelos como em virtualmente todos os controles modernos. Esse design dificulta apertar tanto um quanto outro, o que, felizmente, não chega a ser problema em jogos antigos — o NES 8 bits não tinha botões superiores e o SNES, apenas dois, um de cada lado, então é só não atribuir outras funções aos sobressalentes.

Compatibilidade

Todos os controles da 8bitdo têm conectividade Bluetooth. É preciso apertar teclas específicas para pareá-lo com determinados sistemas, mas a compatibilidade é grande: Android, iOS, Linux, macOS e até o Switch, último videogame da Nintendo; também há compatibilidade parcial com o Raspberry Pi, Wii/Wii U e PlayStation 3.

A conexão é confiável. Nas sessões, não houve desconexões e o tempo de resposta é bastante satisfatório. Ele tem, nas laterais, faixas de LED que sinalizam quando ele está ligado e os estágios do pareamento e recarga (via microUSB, com um cabo bonitão na caixa).

A bateria é interna e ainda não precisei recarregá-la outra vez.

Nos meus testes, só o utilizei em um MacBook Pro com o OpenEmu e alguns jogos no Steam. No primeiro, tudo transcorreu sem qualquer problema; no Steam, os botões ficam desconfigurados e não encontrei maneira de corrigir nas configurações do sistema. Não deve ser um problema do controle, já que tive os mesmos resultados com controles sem fio de Xbox 360.

Vale a pena?

Jogando Sonic com o F30 Pro.
Estas mãos não são minhas! Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

Para jogos modernos, o F30 Pro é um controle razoável: a ergonomia não é tão boa quanto a de controles mais comuns, como o de PlayStation 4 e Xbox 360/One, e os analógicos, muito pequenos. Ele quebra o galho para sessões curtas ou casuais, mas nada além disso.

É em jogos antigos que o controle da 8bitdo brilha. A precisão do d-pad não tem igual e cai como uma luva em jogos dos anos 1980 e 1990, que foram, afinal, feitos para esse tipo de controle. Ter um equivalente aos clássicos controles da Nintendo com as comodidades modernas, como Bluetooth e conexão sem fios, é muito legal e algo que vale os US$ 30 que a empresa cobra — é preciso importá-lo, já que a 8bitdo não tem presença no Brasil.

Foto do topo: Jonathan Campos/Gazeta do Povo.

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  • Daniel Araújo

    Ótima análise. Fiquei interessado em comprar um. Eu acho que o modelo SN30 – que é inspirado no SNES – resolve os pontos negativos levantados no texto, ele tem as teclas L2 e R2 localizada abaixo da L1 e R2 e o controle e analógico tem dimensões maiores.
    http://www.8bitdo.com/sn30pro-sf30pro/

    • Bem observado! Eu queria um modelo que não tivesse o visual do SNES e acabei nem atentando a esse detalhe. Agora já foi, mas fica o alerta para quem ainda vai comprar.

  • Renato Navarro

    Ótimo review. Tenho um NES30 e ele também não decepciona.
    Rodrigo, pode informar qual emulador utiliza?

  • Tenente Figueiredo

    Obrigado pelo post.
    Eu estava justamente querendo um joystick que unisse todas as tribos.

    Na verdade queria um compatível com Android, switch e steam. Vou pesquisar sobre esse último.

    • Oficialmente ele funciona no Steam — do Windows e do macOS, segundo o site oficial. Aqui, no macOS, consigo fazê-lo funcionar, mas o mapeamento dos botões nas configurações do próprio Steam não funciona. Abro o jogo e os botões estão todos trocados (Mark of the Ninja, por exemplo) ou não são reconhecidos (Limbo). Porém, tinha esse mesmo problema com o do Xbox 360, o que me leva a crer que seja algo com o Steam, não com os controles.