Desenho de uma moça que tira uma selfie e ganha muitas curtidas e corações.

A porcentagem dos seguidores que veem suas postagens no Instagram? Cerca de 10%

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8/3/18, 12h43 3 min Comente

Em junho de 2016, o Instagram mudou a maneira como exibe o conteúdo de quem os usuários seguem. Saiu a fórmula cronológica inversa (as fotos e vídeos mais recentes aparecem no topo) e, em seu lugar, foi implantado um algoritmo, similar ao do Facebook, que analisa uma série de sinais para servir conteúdo de acordo com o que o usuário supostamente gosta.

Muita gente não gostou da mudança, ou foi essa a sensação de quem acompanhou a repercussão da notícia. Em outras redes sociais, a reação negativa foi similar.

É possível que as reclamações tenham sido amplificadas pelo volume de uns poucos usuários mais ruidosos. Digo isso porque os números indicam que as mudanças foram positivas — ao menos para o Facebook. Métricas importantes, como usuários ativos por mês e engajamento, só cresceram. Em junho de 2016, o Instagram tinha 500 milhões de usuários ativos; em setembro de 2017, eles eram 800 milhões, um crescimento de 60% em apenas 15 meses.

Por outro lado, outros números encolheram. Entre eles, um muito importante, o de “alcance orgânico”, termo que significa quantas pessoas veem uma publicação em redes social sem que o perfil que o publicou precise gastar dinheiro na promoção dela.

O último dado que se tem, e isso é provavelmente algo estimado, indica que o alcance orgânico no Instagram é, em média, de apenas 10% dos seguidores. Se você tem 1200 seguidores, como é o meu caso, cerca de 120 veem cada foto ou vídeo publicado.

O algoritmo concede um controle absurdo à rede para nivelar isso — daí o declínio lento, constante e controlado do alcance orgânico de páginas no Facebook —, mas mesmo em feeds cronológicos o alcance médio é menor que o do número de seguidores. As pessoas param de usar o serviço, ou não ficam o dia pendurado neles; quanto mais gente seguimos, maiores as chances de algo passar batido.

No Twitter, que mantém o feed cronológico inverso, o alcance orgânico também é baixo. Novamente me usando de exemplo, em fevereiro meus posts foram vistos, em média, por 17% dos meus seguidores1.

Como é impossível tirar o peso das métricas da dinâmica das redes sociais (embora desconfie, e não estou sozinho, de que elas envenenam o diálogo), não seria mais saudável priorizar o alcance médio real e deixar o total de seguidores em segundo plano?

Números grandes exercem grande fascínio sobre nós. Uma mensagem vinda de alguém com milhares ou milhões de seguidores nos prende apenas por isso. “Se tanta gente dá atenção a essa pessoa, deve ter um motivo”. Mas, no cenário atual, esse número é enganoso, e não só pelo alcance orgânico, mas também pela facilidade de manipular o sistema, caso da compra de seguidores.

Qualquer dinâmica que envolva números ou regras é passível de manipulação. Deixar o alcance médio das postagens mais recentes em destaque provavelmente não resolveria todos os problemas inerentes de redes sociais, mas ajudaria a dar mais transparência a essas dinâmica.


  1. Você consegue ver o alcance dos seus tweets clicando no botão do gráfico de barras no rodapé deles, logo depois dos botões/contadores de resposta, retweets e curtidas. Para ter uma visão macro e métricas mensais, visite o Twitter Analytics.

Ilustração do topo: Cinismo Ilustrado.

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