Notebook com Windows 10 exibindo o mesmo conteúdo de um smartphone Android ao lado.

O Android é o novo Windows Phone

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4/10/18, 16h15 4 min 7 comentários

O Windows Phone já era um moribundo quando, em outubro de 2017, a Microsoft oficializou o seu fim. Na época, a notícia foi recebida quase com indiferença pelo mercado e usuários. Muito antes dela, a Microsoft já tinha feito uma mudança em sua estratégia móvel e jogado o Windows Phone para escanteio. Hoje, o sistema móvel da Microsoft é um antigo rival.

Quem usa o Windows 10 no computador ou notebook e quer desfrutar de uma integração com smartphones tem no Android a melhor opção. Os últimos avanços da Microsoft para viabilizar essa integração têm sido bem sucedidos, a ponto de posicioná-la bem próxima do que a Apple consegue — e alardeia — com seus dois sistemas, iOS e macOS.

No Windows 10, usuários de Android conseguem transferir fotos, receber e enviar mensagens de texto e ler notificações do smartphone na tela do PC. Tudo isso foi centralizado no aplicativo “Seu Celular”. Em breve, será possível espelhar apps do celular e usá-los na tela do computador. A novidade foi anunciada nessa semana, na apresentação da nova linha de computadores Surface.

Aplicativos como Office, OneDrive, Outlook e Skype têm versões robustas para Android. Até o navegador Edge apareceu recentemente na plataforma do Gogole — com sincronia de dados de navegação e envio de páginas entre um dispositivo e outro. Usa soluções corporativas da Microsoft? É bem provável que um dos 80 (!) apps da Microsoft disponíveis na Play Store ajude a levá-las para a palma da mão.

Até um “launcher” a Microsoft oferece. Esse tipo de app muda radicalmente a interface do sistema, aproveitando os recursos e aplicativos da própria empresa.

Se quiser, qualquer usuário consegue transformar o Android em algo muito próximo do que seria um sistema feito pela Microsoft.

E com o iOS? Por um breve período entre 2014 e 2015, tive esse perfil: iPhone no bolso e notebook com Windows 8.1 na mesa. Auxiliado por aplicativos de terceiros, a combinação funcionava minimamente bem. Nada perto do que iOS e macOS oferecem. E do que, cada vez mais, Android e Windows 10 também entregam.

Essa compatibilidade limitada entre iOS e Windows 10 deve permanecer. A postura fechada da Apple ajuda na proposta de valor do ecossistema que ela vende. Se usar um iPhone com Windows 10 for tão produtivo quanto a combinação com os caríssimos MacBook e iMac, o apelo desses perde força.

Após fracassar em sua tentativa de ser a “terceira via” nos smartphones, a Microsoft voltou seu foco para onde ela sempre reinou, os computadores. E, com essa nova proposta, os antigos rivais passaram a ser vistos como oportunidades. Embora não tenha a mesma integração com o iOS, a Microsoft publica um monte de apps para o sistema móvel da Apple.

Outras mudanças dentro da Microsoft também foram fundamentais para acomodar essa dobradinha bem sucedida com o Android. O Windows deixou de ser o carro-chefe da empresa, perdendo espaço nos balanços financeiros para serviços corporativos na nuvem. E a migração do modelo de venda pontual para recorrente (assinatura) diminuiu o receio de horizontalizar a estratégia de produtos, levando-os para outras plataformas.

A grande previsão de alguns anos atrás para o segmento de computadores, de que eles seriam relegados a nichos pelo smartphone, se concretizou, mas mesmo trabalhando mais no smartphone do que no computador, mal não faz que os dois conversem e que suas vantagens exclusivas possam ser exploradas em qualquer situação. É muito legal, por exemplo, escrever mensagens maiores no WhatsApp com o auxílio do teclado físico ou se preparar para uma apresentação com slides no PC em trânsito, lendo anotações ou mesmo os próprios slides na tela do celular. Ao abraçar o Android, a Microsoft materializa esses cenários à maior fatia possível dos usuários.

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  • Adorei a análise.
    Bem observado.
    Se a Microsoft continuar investindo nessa integração Android/Windows vai ser uma boa pedida.
    Não é lucrativo infelizmente gastar recurso nisso, mas como consumidor eu adoraria ter uma área de transferência compartilhada.

    • Na nova atualização do Windows 10, já tem essa área de transferência, só copiar algo e apertar “Windows + v”, para funcionar no android/IOS precisa do teclado da microsofr, o Swiftkey :D

  • Carlin

    Excelente a comparação, assim que li acabei sendo levado para o Windows Phone e seu fadado fracasso (diferente do Android)! Mais lendo a matéria intendi seu proposito!
    GHEDIN TU É UM EXCELENTE JORNALISTA CARA!!!!

  • Nope

    Eu instalei o app Seu Telefone e achei muito básico e inútil. Enviar SMS? No Brasil não tem uso. Visualizar fotos? Tem OneDrive. Desinstalei pois seria mais um processo consumindo bateria.

  • João Luiz Mello

    Eu era fã do windows phone.
    Não conhecia mais ninguém que tivesse um.
    Já tive todas as maiores marcas de celular, os Nokia, principalmente os Lumia, foram os que me serviram melhor. Melhor até do que o iPhone 4, que eu tive na época.
    O Moto G 5S que eu tenho hoje com a última versão do Android não é tão bom quanto o Windows phone 8.1 que eu usei por último. Se eu não tivesse derrubado meu Lumia 930 escada abaixo 3 anos atrás, ainda o estaria usando se a bateria permitisse.

    • Régis

      Tive 2 Lumias. Adorava! Pena o Windows Phone não ter dado certo (seria mais uma opção). Sem contar que era muito bonito.

  • tuneman

    sabe o que falta? um app nativo para controlar o computador. sempre precisamos apelar para apps de terceiros na hora de executar tarefas básicas como controlar alguma mídia ou o cursor do mouse.