Exemplo de rótulo em mensagem encaminhada no WhatsApp.

Apps da Semana #1: Como o WhatsApp combate a desinformação sem mexer em sua criptografia

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14/7/18, 13h13 5 min Comente

Nota do editor: toda semana, o Manual do Usuário fará um registro dos novos apps lançados dignos de atenção e das grandes atualizações dos mais populares. É uma maneira direta e fácil de saber o que acontece com os apps que você usa todo dia ou pode querer instalar em seu smartphone.


Quando o WhatsApp adotou a criptografia de ponta a ponta, é bem provável que ninguém lá dentro imaginasse que, alguns anos mais tarde, essa medida dificultaria muito o combate ao maior problema já enfrentado pelo aplicativo: o combate à disseminação de boatos e conteúdo de ódio.

Esse recurso de privacidade é benéfico aos usuários. Com ele em funcionamento, ninguém fora os participantes de uma conversa consegue ler seu conteúdo. Por outro lado, isso limita as ações que o Facebook, legalmente responsável pelo app, pode tomar para inibir certas conversas capazes de causar mortes, como as ocorridas na Índia este ano por linchamentos motivados por boataria no WhatsApp.

A novidade desta semana, um aviso que passou a ser inserido em mensagens encaminhadas, está dentro da limitada área de ação de que o WhatsApp dispõe. A ideia é que o indicador de que a mensagem veio de outra conversa, não que ela foi escrita pelo remetente, ajude as pessoas a identificarem e aumente a desconfiança sobre o que elas recebem pelo app.

Outra, ainda em testes, visa combater os golpes que usam caracteres especiais em domínios a fim de enganar as pessoas a clicarem em um site pensando que estão acessando outro. A análise é feita localmente e, pelo que se viu até agora, se limita aos caracteres diferentes, não a um banco de URLs suspeitas.

O Facebook também está oferecendo 20 bolsas de estudo de US$ 50 mil a pesquisadores interessados em entender o impacto da boataria que se dissemina pelo WhatsApp nas sociedades. (Veja os detalhes.)

Não fosse o WhatsApp, talvez outro app estivesse no olho desse furacão. Mas, no momento, é ele o principal vetor de desinformação. Sendo praticamente uma caixa preta, o contingenciamento de danos se torna muito mais difícil. Nenhuma dessas medidas recentes deve estancar a torrente de problemas nascidos e compartilhados nos grupos do app, mas, em conjunto, essas pequenas mudanças talvez surtam algum efeito a médio e longo prazo.

Novos apps

Affinity Designer
Após levar o app de edição de imagens Affinity Photo do macOS para o iPad (pense nele como um rival do Photoshop), agora é a vez do Affinity Designer, aplicativo para desenhos vetoriais (tipo um Illustrator), fazer o mesmo caminho. A exemplo do outro app, o Affinity Designer do iOS mantém praticamente todas as funcionalidades do app para macOS (veja todas), e se aproveita de alguns recursos do iPad (ah sim, o app é exclusivo para o tablet da Apple), como o suporte ao Apple Pencil e ao sistema de arrastar e soltar do iOS 11. // iOS, R$ 44,90 (-30% por tempo limitad0).

Opera Crypto
O Opera ganhou um aplicativo, para Android e ainda em testes, que transforma o navegador em uma carteira digital. O navegador usa a API Ethereum Web3, que permite se comunicar com nós remotos da Ethereum. Ou seja, além de criptomoedas, ele também consegue lidar com ativos digitais, como os gatinhos CryptoKitties. O objetivo é tornar mais fácil o uso da tecnologia. Para usá-lo, é preciso solicitar um convite nesta página. // Android, gratuito.

Apps atualizados

Novidades no Bloco de Notas
Trinta e três anos depois de aparecer pela primeira no Windows — na primeira versão do Windows, aliás —, o Bloco de Notas ganhará uma atualização há muito necessária. Entre os destaques, suporte ao Ctrl + Backspace e pesquisa em todo o texto. Chega no fim do ano, com a atualização Redstone 5 do Windows 10. Mais detalhes aqui. // Windows 10, gratuito.

YouTube ganha modo anônimo
O Google atualizou o app do YouTube para Android a fim de incluir um “modo anônimo”: ao ser ativado, ele perde a personalização da sua conta e não registra nada em seu histórico de vídeos assistidos e de pesquisas. Não confundir com anonimato. A exemplo dos navegadores web, o modo anônimo do YouTube não te torna invisível a outras partes, como provedores e empregadores. // Android, gratuito.

Instagram Stories ganha sticker de pergunta aberta
Mais um adesivo — ou sticker — interativo foi disponibilizado para o Instagram Stories. Nele, as pessoas podem pedir que os seguidores façam perguntas abertas, por extenso. É meio como o Formspring, ask.fm e Curious Cat, esses populares no Twitter, só que totalmente integrado. Para Android e iOS. // Android e iOS, gratuito.

Netflix tem download automático de episódios
O app da Netflix para Android ganhou uma opção que faz o download automático de episódios de uma série que você esteja assistindo. Apenas no Wi-Fi e, fazendo jus ao nome da função (“Smart Downloads”), de modo inteligente: se você costuma assistir a mais de um episódio em sequência, ele baixa mais de um em segundo plano. E apaga os antigos. Deve chegar ao iOS até o fim do ano. // Android, R$ 19,90 por mês.

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