Yo: o futuro da comunicação ou a agulha que estourará a bolha 2.0?

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18/6/14, 19h25 4 min 13 comentários
O logo do Yo é tão simples quanto o app.
Imagem: Yo.

Imagine um app que tem como única finalidade mandar uma notificação que informa em texto e áudio, de um jeito engraçado, “yo”. O usuário adiciona seus amigos e, quando toca em um deles, manda um “yo”. Do outro lado, a única opção para quem recebe a mensagem é responder. Com um “yo”. E é basicamente só isso. Continuar lendo Yo: o futuro da comunicação ou a agulha que estourará a bolha 2.0?

Prepare-se para a Copa: apps e lembretes para não perder os jogos e ficar por dentro de tudo

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10/6/14, 9h20 13 min 9 comentários

Estive lendo algumas coisas, analisando uns acontecimentos e conversando com meus informantes, e a essa altura é seguro dizer: vai ter Copa sim! Em 2014 o coração continuará na ponta da chuteira, os pés, tocando a bola, e é bem provável que as mãos estarão mexendo no smartphone durante o show do intervalo.

O futebol é ingrato com a tecnologia. Com uma ou outra exceção, a FIFA barra a maioria das tentativas de modernizar o esporte a fim de mantê-lo praticável em locais e/ou condições desprivilegiados, o que é compreensível. Fora dos gramados, longe do rigor da entidade máxima do futebol, o aparato high tech encontra menos amarras e nesta edição do torneio será difícil perder os lances da partida e bem mais fácil atualizar a tabelinha (digital e on the go, claro) depois dos jogos.

Baixei e testei alguns apps futebolísticos para as três principais plataformas móveis: Android, iOS e Windows Phone. Não tem smartphone? Sem problemas, dá para se manter informado e até assistir aos jogos na íntegra pelo computador. Reuni, ainda, as formas mais simples de puxar para a sua agenda de compromissos os dias e horários de todas as partidas. Por fim, testei (ou quase isso) os sistemas de interatividade das emissoras de TV, a alardeada “segunda tela” que começa a ganhar contornos mais fortes e investidas oficiais e organizadas no Brasil. Vai ter Copa sim, e será muito legal!

Os apps campeões da Copa

Às vésperas do início da competição, estava esperando uma enxurrada de apps temáticos. Eles até existem, mas não é muito difícil separar o joio do trigo sem ter que recorrer ao download: muitos apps, especialmente no Windows Phone, são feios de doer. Mais capricho em 2018, pessoal!

Como a maioria é redundante e não há muito sentido em ter dois ou mais aplicativos apitando antes de cada partida e a cada gol marcado, separei o que de fato vale a pena em cada plataforma. Vamos lá? Então vamos.

iPhone: FIFA e Guia Descomplicado da Copa

App oficial da FIFA no iPhone.
Screenshots do FIFA para iPhone.

O app da FIFA para o iPhone é muito legal. Ele já recebeu a atualização preparatória para a Copa do Mundo, que entre outras coisas traz um visual mais refinado, acompanhamento de seleções, tabelas, estatísticas e todas aquelas coisas que os fanáticos pelo esporte adoram.

Nesse app ainda rolam notícias, comentários dos usuários e a eleição dos craques de cada partida. Uma característica rara é poder acompanhar mais de uma seleção ao mesmo tempo; na maioria dos apps, você escolhe uma no início e fica limitado a ela. Existem anúncios, mas eles são discretos e, aparentemente, estáticos — são só banners ou selos dos patrocinadores oficiais do evento. É um dos mais completos disponíveis.

Foto feita no Guia Descomplicado da Copa.
VAI TER COPA SIM

Outra opção é o Guia Descomplicado da Copa, desenvolvido por Rodrigo Duarte da Igniscode. A apresentação é bem bonita, ainda que lembre o plano de fundo padrão do Galaxy S5, cheio de polígonos coloridos. Mais simples e direto, o Guia traz lembretes dos jogos, as sedes, tabelas, enfim, o cardápio básico de apps do tipo, com uma bônus: molduras para tirar fotos e espalhar nas redes sociais.

Agora vai, Brasil!

A Siri também já está atualizada, mas sem a proatividade do Google Now (veja abaixo). Pode ser útil para saber o horário de alguma partida e, imagino, resultados também:

Android: Google Now, OneFootball e UOL Copa

Tinha esperanças de ver mais apps legais no sistema do Google, mas não parece ser o caso — o da FIFA, até a publicação desta matéria, ainda não tinha sido atualizado. Calhou de ser o próprio Google a melhor opção.

O Google Now já está sabendo do torneio. Além de responder perguntas, também dá para indicar ao assistente as seleções que você deseja acompanhar. O funcionamento deve ser semelhante ao que já rolava com times, ou seja, o Now avisará quando as partidas estiverem começando, gols forem feitos e os resultados ao apito final do árbitro. Isso também funciona no iPhone, basta instalar o app do Google.

Se você prefere algo mais tradicional, minha indicação é o OneFootball Brasil. Ele é multiplataforma: tem também para iPhone e Windows Phone. No Android, ante a falta de adversários à altura, ele se destaca.

Neste app, desenvolvido na Alemanha e patrocinado pela Volkswagen, o leque de recursos básicos em apps da Copa está presente. Tem notícias também, e a promessa de acompanhamento ao vivo das partidas. O visual não é muito inspirado, mas pelo menos é bem feito, coisa rara no universo de apps analisados.

O OneFootball é uma das opções multiplataforma.
Screenshot do OneFootball Brasil para Android.

Outra alternativa é o UOL Copa (também tem versão para iPhone e Windows Phone). Consegui testar de antemão o mecanismo de acompanhamento ao vivo das partidas na pelada entre Itália e Fluminense, e é bem bacana: além dos lances, o app puxa comentários dos especialistas em futebol do portal, tuítes relacionados e traz um botão “estou vendo na TV” que remove do stream informações óbvias para quem está assistindo à partida. De quebra, traz reportagens em vídeo, fotos e o conteúdo dos blogs do UOL.

Windows Phone: Copa2014 e Bing Esportes

Cartão amarelo para o Windows Phone! Apps bem feios disputam a tapa a atenção do torcedor sofredor. Mesmo alguns que não fazem feio no Android e no iPhone, como UOL Copa e OneFootball Brasil, marcam gols contra aqui. Felizmente, Microsoft e Revolution Software salvam o sistema do vexame com dois belos chutes no ângulo!

(Vou parar com as analogias futebolísticas, prometo.)

O Bing Esportes, que deu um nó no cérebro aqui porque agora se chama só Esportes e mudou de lugar no menu, tem um módulo da Copa do Mundo com aquele feijão com arroz: tabela, estatísticas, notícias, informações dos times e sedes, datas e horários dos confrontos etc. Basta atualizar, se ainda não fez isso, e encontrar a competição nos menu do app.

Simples, mas competente.
Screenshots do Copa2014.

A melhor recomendação, porém, é o Copa2014, desenvolvido pela misteriosa Revolution Software. A interface é linda, com desenhos, cores e tipografia de muito bom gosto, tem bloco dinâmico, e permite filtrar as datas e horários pelo time escolhido. Ele é extremamente básico, mas antes fazer pouco e fazer bem, do que tentar abraçar o mundo e não conseguir.

A Copa do Mundo no PC

A FIFA não deixa entrar com PCs e tablets nos estádios, mas fora dele quero ver o Blatter me impedir de usar a minha máquina!

Screenshot de uma pesquisa no Google por 'copa do mundo'.
Copa do Mundo nos resultados do Google.

Pois bem, o Google é seu amigo até na hora de torcer. Além do Google Now o buscador também entrega informações por texto, e isso vale para o desktop. Basta digitar “copa do mundo” e ele retorna uma tabela estilizada com datas e horários, classificações dos grupos e o mata-mata da segunda fase. Para quem estiver usando um Chromebook ou em qualquer outro computador, essa é uma das opções mais rápidas para se inteirar. Para algo mais elaborado, veja a bela tabela do UOL.

Portais e sites especializados em futebol, como Impedimento e Trivela, merecem uma olhada para entender melhor o contexto das partidas e as análises táticas. Eu, que não sou muito chegado em mesa redonda, não perco uma edição do Falha de Cobertura, com Daniel e Cerginho:

O Globo Esporte fará streaming ao vivo de todos os 64 jogos, ótimo para quem está longe da TV, ou não tem TV (oi!), e não quer perder os lances.

Se você assina a ESPN, tem no Watch ESPN (além da web, com app para iOS) uma alternativa à narração do Galvão, o mau humor do Arnaldo e os comentários sagazes do Ronaldo FENÔMENO Nazário.

Todos os jogos na sua agenda

No smartphone o Google Now deve ser suficiente para lembrá-lo dos jogos. Quem prefere a boa, velha e mais organizada agenda, tem algumas opções.

Curiosamente, a do Google Agenda só é “ativável” em um computador, usando o bom e velho navegador desktop. Os passos, ensinados pelo Android Central, consistem em abrir o site, clicar na seta do “Outras agendas”, no canto esquerdo, depois em “Adicionar por URL”. No campo que surge, cole esta linha:

Clique no botão “Adicionar agenda” e corra para o abraço, meu amigo. Caso fique de saco cheio, basta apagar a agenda no gerenciador delas, e todos os eventos (são muitos, três jogos por dia na primeira fase!) sumirão.

Como colocar a Copa do mundo na sua agenda.
Os dois passos para levar os jogos da Copa ao Google Agenda.

No iPhone, uma opção mais classuda é incluir um calendário de interesses no Sunrise, o app de agenda favorito da casa. Para isso, entre nas configurações, depois em “Interesting Calendars” e, na tela seguinte, em Copa do Mundo. O app te dá a opção de baixar todos os horários da Copa ou apenas uma versão parcial, com os times selecionados. Depois, junto ao dia e horário das partidas, ele mostra os resultados delas direto da visualização dos compromissos. Um golaço do Sunrise.

Sunrise traz os dias e horários dos jogos.
Calendários de interesses no Sunrise do iPhone.

E no Android? O Sunrise foi lançado no Android recentemente, mas dois recursos, os calendários de interesses e a compatibilidade com servidores Exchange, ficaram de fora. Mandei um e-mail para os desenvolvedores perguntando quando essas coisas serão disponibilizadas no sistema do Google e a resposta foi… um dia. A compatibilidade com Exchange é prioridade e os calendários de interesses, de acordo com Pierre Valade, “está totalmente na lista de coisas a acrescentar”.

Segunda tela na Copa do Mundo

Xingar o time adversário ou reclamar do gol que o Neymar perdeu no Twitter é meio… limitado. O conceito de segunda tela ainda tem muito chão a percorrer e duas emissoras já dão os primeiros passos dessa jornada por aqui, de olho na atenção que a Copa gera e nas condições mais favoráveis em relação a 2010. Carlos Augusto, gerente de marketing de consumo da Intel, explica em um comunicado que “a infraestrutura de servidores que alimenta o sistema também está mais rápida, o que significa um mundo de possibilidades — assistir as jogadas ao vivo, de várias câmeras diferentes, em várias telas diferentes, comentando e interagindo com os amigos, tudo ao mesmo tempo.”

Com o ESPN Sync, os assinantes podem interagir com as transmissões mandando perguntas, votando nos jogadores e lendo estatísticas em tempo real, sem depender da boa vontade do operador de GC do canal. Ah, e a programação esportiva também se faz presente, com a possibilidade de agendar lembretes — esses recursos dispensam o login/assinatura.

Mais democrático, o app da Globo (iPhone, Android) é, também, mais simples. As funções são similares às do da ESPN, e tem uma espécie de área de comentários maluca, integrada ao Twitter, onde o povo fica conversando o dia todo.

Da SporTV, vem a promessa de jogos ao vivo através do app SporTV Ao Vivo na Copa do Mundo. Mas atenção: no iOS, ele só funciona no iPad. Também tem versão para Android e nenhum indicativo de que é preciso ser assinante do canal na TV ou qualquer outro pré-requisito para usufruir das transmissões ao vivo.

Para quem assistirá na TV, o SporTV Estatísticas na Copa do Mundo da FIFA (iOS, Android) oferecerá estatísticas em tempo real durante os jogos, e comparações entre seleções e jogadores após as partidas.

O banho de água fria vem da Microsoft: o empolgante Destination Brazil coloca direto na TV informações contextuais, a cornetagem das redes sociais, lembretes e até uma série exclusiva, estrelada por Thierry Henry e Edgar Davids, em busca do próximo Messi nas ruas de algumas cidades espalhadas pelo mundo. Tudo muito bom, tudo bem legal, mas o problema é que o Destination Brasil não foi disponibilizado no… Brasil. Coerência, cadê você?

Vai ter Internet nos estádios?

No leilão do espectro 4G no Brasil, uma das exigências da Anatel era que as vencedoras cobrissem no mínimo 80% das áreas urbanas com mais de 500 mil habitantes até o início da Copa do Mundo, o que abrange todas as cidades-sede e sub-sede. Segundo a SinditeleBrasil, o sindicato das operadoras de telefonia móvel, a meta foi alcançada aos 45 do segundo tempo.

Só que como qualquer um que já esteve concentrado com muitas pessoas sabe, nem sempre a infraestrutura das operadoras dá conta da demanda. A saída é encher os estádios com antenas Wi-Fi. Tudo certo? Calma aí. Seis estádios, metade dos que serão utilizados na competição, não terão esse reforço graças a atritos entre as administradoras deles e as operadoras — nas palavras de Eduardo Levy, presidente da Sinditelebrasil. Em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Curitiba e Natal, os torcedores poderão ter dificuldades para acessar a Internet.

Se bem que com as regras rígidas da FIFA imposta aos torcedores, que inclui proibições quanto à publicação de conteúdo multimídia e até dos resultados parciais das partidas, talvez não faça tanta falta. Como ou mesmo se esse controle será feito, é outra história.

E em casa, no bar, na torcida, como me portar?

Bela foto de um estádio lotado.
Foto: Crystian Cruz/Flickr.

Chame os amigos, estoure uma pipoca e esqueça um pouco o celular. Toda essa interatividade é legal, mas nada disso supera a torcida à moda antiga, a celebração do esporte através da amizade. O smartphone será um fiel ajudante antes e depois dos jogos. Durante? Deixe-o no bolso. Ele não se importará e, de quebra, ficará a salvo de arremessos acidentais na hora de gritar GOOOOOOOOOOL!!! e daqueles banhos acidentais em copos de cerveja.

ZapZap, o clone nacional do WhatsApp, é verde e amarelo até a alma

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27/5/14, 21h30 4 min 11 comentários

Se você torce o nariz quando ouve alguém dizer “note” para se referir a notebook, “feice” para o Facebook ou “whats” para o WhatsApp, não deve ser nada simpático ao inexplicável “zapzap” que também é usado por muita gente aqui no lugar desse último. Em breve, porém, o que até agora era uma mania boba pode se tornar a maneira certa de falar de um app. Não do WhatsApp, mas do nacional ZapZap.

Ele está no Google Play, tem versão web e o site oficial promete uma no iPhone para breve. O app, criado por Erick Costa, analista de sistemas e desenvolvedor SharePoint de 33 anos, usa o código do Telegram, um app parecido com o WhatsApp e cheio de boas intenções, para oferecer uma experiência com o tempero brasileiro.

Na vibe da Copa do Mundo, o ZapZap é ufanista: todo verde e amarelo, tem como imagem de fundo padrão o escudo da seleção canarinho penta campeã mundial, e traz como ícone dois balões de diálogo nas cores nacionais, com a bandeira do Brasil em um deles.

Tirando as mensagens do app em português e o (discutível) esquema de cores da interface, de resto ele é exatamente idêntico ao app oficial do Telegram:

Print do ZapZap ao lado do Telegram.
ZapZap e Telegram, lado a lado.

Erick Costa, a mente por trás do ZapZap

Conversei brevemente com o Erick via Facebook para tirar algumas dúvidas sobre o ZapZap. Ele diz que o app foi fruto de muito estudo para recompilar o Telegram, e se autointitula como o primeiro brasileiro a alcançar o feito. Ao se deparar com o app pronto, escolheu ZapZap porque precisava de um nome “bem brasileiro”.

Erick conta ainda que durante o desenvolvimento do ZapZap fez algumas melhorias em relação ao Telegram original, quase todas focadas em desempenho — uma das bandeiras do app é ser “o mais rápido do mercado, leve e preparado até para as piores redes de acesso”. Usando os dois apps em paralelo não consegui identificar as alardeadas vantagens salvo a tradução, mas fica aí o registro.

Ícone brasileiríssimo do ZapZap.
ZapZap.

Com 63 mil downloads em um mês no Google Play, o ZapZap já tem uma base se não considerável, digna de nota. Quando perguntado se esse sucesso não teria sido fruto de usuários distraídos que procuram pelo WhatsApp original usando seu apelido genuinamente nacional, Erick foi bem pragmático na resposta: “Acredito que não exista engano. WhatsApp é uma coisa, ZapZap é outra”. Medo de Zuckerberg? Que nada:

“Se [o Facebook] fizer [alguma coisa] acho legal, assim meu aplicativo só ficará mais famoso. Mas ele não tem como, nem a marca dele ainda foi registrada.”

Uma chance ao Telegram

O Telegram ganhou certa notoriedade quando o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. A ideia de que a privacidade no app de mensagens pudesse ficar comprometida sob a nova gerência deu início a uma busca por alternativas.

Com um protocolo seguro, foco em segurança e APIs e código aberto, o Telegram é quase um projeto beneficente dos irmãos milionários Nikolai e Pavel Durov, co-fundadores da VK, maior rede social da Rússia. A história e a missão do Telegram, bem contada neste post do The Verge, é inspiradora. Mas é aquela coisa: ela é solenemente ignorada quando seus amigos o chamam pelo WhatsApp para combinar o bar de sexta ou mandar vídeos e fotos bobos naqueles grupos que vivem no mudo. Migrar uma base gigante e engajada para um app similar, ainda que melhor, é bem difícil.

Nesse sentido o ZapZap pode servir de atalho para o Telegram ganhar presença no país, por mínima que seja. No estágio atual, com 60 mil downloads (quantos continuam usando o app após baixá-lo, ninguém sabe), não faz nem cócegas no WhatsApp, que alega ter 38 milhões de usuários no Brasil. Mas antes 60 mil do que nenhum, certo?

Erick diz não ter planos muito ambiciosos para o ZapZap, apenas continuar atualizando o app para a base já instalada (“virou mania e todo mundo está usando”) e os novos usuários que virão. Com estratégias meio estranhas, como pedir aos usuários para clicarem nos anúncios a fim de fazê-los sumir (?) e sorteios de SIM cards do TIM Beta na página oficial do Facebook, o ZapZap mostra muita brasilidade e malemolência (e um pouco de ingenuidade) até em sua divulgação. Não deve desbancar o WhatsApp, mas é mais um símbolo que corrobora a criatividade do brasileiro, esse cara surreal e divertido.

 

Apresentando o Notation, o melhor app de notas para Windows

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27/5/14, 8h40 6 min 53 comentários

A coisa mais legal da Internet é que ela dá vazão a todo tipo de ideia, das mais simples às mais elaboradas, passando por outras ingênuas, megalomaníacas, simplesmente ruins… Há espaço para todas e, não raro, elas se espalham e chegam a outras pessoas com visões parecidas. Quando essa conexão rola e algo concreto sai dela, é hora de celebrar. Hoje é um desses dias.

Dois anos atrás publiquei, no meu blog pessoal, um extenso texto em que descrevi como seria o app de tomar notas ideal para o Windows. Foi um trabalho descompromissado, movido pela frustração de não saber programar e, consequentemente, não conseguir transformar aquela ideia em um app de verdade. Expliquei o app nos mínimos detalhes, do funcionamento às características, sem esquecer da aparência e aspectos circunstanciais, como sincronia com a nuvem e até o tipo de licença preferencial. Era assim que eu o imaginava:

Screenshot/mock-up do app de notas descrito em 2012.
Mock-up do meu app de notas, feito pelo Felipe.

Nos dias seguintes à publicação recebi alguns e-mails de programadores que leram aquele descritivo e se interessam pela ideia. Era a conexão surgindo. Uns até fizeram mock-ups ou começaram a trabalhar em cima dela, mas nenhum projeto foi para frente com uma exceção: o do Alison Robson. No dia 23 de janeiro de 2013 recebi este e-mail:

“Cara, há algum tempo li seu post ‘Como seria o aplicativo de notas ideal para Windows?’ e fiquei bem empolgado com a ideia. Na época eu estava sem tempo pra tocar esse projeto, então resolvi favoritar o seu post e me dedicar a ele assim que pudesse. Bom, essa semana arrumei tempo e coragem para dar início ao desenvolvimento do aplicativo. O resultado é que o aplicativo está quase pronto, inclusive a sincronização em tempo real com o Simplenote, precisando apenas de alguns ajustes.

Pra mim o único grande problema está em arrumar alguns beta testers a fim de ver como o app se comporta em outras máquinas/sistemas, por isso estou entrando em contato com você, talvez você pudesse me dar uma força recrutando gente para testar o SmplNote. De qualquer forma assim que estiver usável, te enviarei uma cópia pra você me falar o que achou!”

Era perfeito. Tinha alguns bugs e conflitos de interface, mas o grosso da coisa funcionava, e muito bem. O SmplNote, mais tarde rebatizado para Notation, se tornou nesse um ano e meio de testes, compilações e discussões, o melhor app para tomar notas no Windows.

Da ideia ao lançamento público

Foto do Alison Robson.
Alison.

O Alison é um analista de sistemas de 25 anos, pai do Dudu e da Dora, e extremamente dedicado. Tivemos um ótimo entrosamento nesse período de gestação do Notation, eu servindo de beta tester e palpiteiro, ele fazendo todo o trabalho de programar, corrigir bugs e otimizar o aplicativo. Nossos ideais andaram alinhados durante todo o projeto e isso facilitou bastante as coisas.

O Notation foi, segundo o Alison, todo feito em C#. Perguntei para ele qual o segredo da velocidade (ele abre instantaneamente e é muito econômico), e calhou que se trata apenas do bom, velho e subjugado esforço: “Para mantê-lo rodando sem consumir muitos recursos usei uma arquitetura bem simples e dei preferência a funcionalidades escritas a partir do zero ao invés de usar frameworks que visam facilitar o trabalho, mas que acabam cobrando o preço em desempenho”. Como começou aos 12 anos e munido de hardware limitado, com pouca memória e processadores lentos, ele aprendeu desde cedo a aproveitar ao máximo os recursos que tem à disposição.

Durante o desenvolvimento, o trabalho se dividia em blocos de três etapas: eu ou ele identificava um bug, alteração ou sugeria um novo recurso, o Alison programava e compilava uma build e, em seguida, avaliávamos o resultado na prática. O trabalho fluiu bem e mesmo quando tivemos algumas intempéries, como quando o Simplenote ficou maluco com as minhas +40 mil notas excluídas na lixeira, ou na ocasião em que o Alison migrou totalmente o back-end de sincronia com o Simplenote, conseguimos contornar as dificuldades.

Nesse meio tempo tivemos ajuda de outros beta testers: Jacque Lafloufa, Juan Lourenço, Felipe Ventura, Marcos Jhan e Vanderlei Ventura. A vocês, muito obrigado! Agradecimentos também ao Pedro Bojikian e ao Miguel Ferreira, ambos da Microsoft, por terem nos ajudado a livrar o Notation dos alertas de segurança da Microsoft — o app é limpinho e seguro, acredite!

Apresentando o Notation

Notation.
Meu Notation.

É bom gastar umas linhas para explicar o Notation, há um ano e meio uma janela que aparece todo dia no meu notebook.

O Notation é um app para tomar notas que sincroniza com o Simplenote, um serviço da Automattic que funciona de back-end para outros vários e possui apps próprios muito bacanas para Android e iOS.

Ok, apps de notas existem aos montes, começando pelos enormes Evernote e OneNote. Por que alguém trocaria um desses pelo Notation? Existem vários fatores, mas o campeão se chama velocidade.

O Notation abre com o Windows (opcionalmente) e pode ser chamado em qualquer lugar, a qualquer momento, apertando as teclas WinKey + N. Ele consome pouquíssima memória, é extremamente rápido e confiável, e está em sincronia constante com o Simplenote, sempre mandando o que é digitado para a nuvem.

Uma das exigências das minhas diretrizes era que o app fosse totalmente controlável pelo teclado. O Notation consegue isso. Mesmo pontos delicados, como os dois tipos de busca, na nota em foco e em todas elas, foram resolvidos – nesse caso, Ctrl + F pesquisa na nota, Ctrl + Shift + F, em todas.

Ele aceita Markdown e exporta o texto em HTML. Dá para fazer backup rapidamente, e importa-lo de volta com a mesma facilidade. Com um toque na tecla Esc, ele é ocultado, mas continua ativo; para trazê-lo de volta, basta recorrer ao WinKey + N.

Experimente o Notation

Como trabalho com texto, talvez parte da minha empolgação pareça exagerada a quem não tem um perfil de uso similar. É meio difícil conter a animação, afinal é tipo um pequeno sonho realizado!

Além de usar o Notation para escrever rascunhos de posts, recorro a ele para criar listas (de mercado, de gastos, de filmes vistos etc), anotações de aulas na universidade, lembretes, listas de tarefas… para basicamente tudo que envolva reduzir ideias ou fatos a texto.

Por mais redondo que o Notation seja, e ele está, há planos de expansão. Perguntei ao Alison o que ele acha que dá para fazer futuramente e tive como resposta boas ideias: versionamento de notas e uma interface imersiva.

O Notation é gratuito, está em português do Brasil e inglês, funciona no Windows Vista SP1 e superiores, e pede no mínimo CPU de 1 GHz e 512 MB de RAM.

Swarm, novo app do Foursquare, troca gamificação por mais encontros reais com seus amigos

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16/5/14, 11h00 9 min 20 comentários

No começo do mês o Foursquare prometeu algo ousado: dividir seu app em dois. O original seria destinado a recomendar locais e dar dicas de estabelecimentos, uma parte que bem depois do lançamento do app se tornou prioridade para os desenvolvedores. Outro, inédito, receberia o que tornou o Foursquare conhecido, os check-ins e encontros com amigos. Ontem o Swarm, nome desse novo app, foi lançado, e outra divisão pode ser observada — desta vez, na recepção do público.

O Swarm está disponível para Android e iPhone, e é um trabalho bem feito, como tudo que tem saído do Foursquare nos últimos anos. Rápido, bonito, bem resolvido, ele pega todo o sistema de interação em tempo real do antigo e faz uma espécie de otimização seguindo dois princípios: 1) diminuir a fricção no uso do app; e 2) propiciar mais encontros em carne e osso entre seus usuários.

O e-mail de boas vindas do Swarm resume bem o que o que dá para fazer com o app. São três ações:

  • Quer se encontrar com amigos? Abra o app e veja quem está por perto.
  • Quer compartilhar o que está fazendo? O check-in nunca foi tão rápido e divertido.
  • Teve uma ideia de algo legal para fazer? Mande uma mensagem rapidamente para todos os seus amigos próximos.

Basicamente, é isso. Vejamos agora, pois, os pormenores dessa experiência e, principalmente, do que ficou de fora dela.

Adeus, check-in

Seus amigos aparecem de acordo com a localização no Swarm.
Tela inicial.

A interface do Swarm se divide em quatro áreas. Na primeira, os amigos são listados de acordo com sua posição em relação ao smartphone. Há quatro raios, que vão de 150 metros até “a uma distância muito grande”, gente de outras cidades. De cara o Swarm dá uma visão geral de onde seus amigos estão, mesmo que eles não tenham feito check-in.

Nesse contexto, o check-in como conhecíamos no Foursquare se tornou secundário e, em certa medida, desnecessário. O app tem a tecnologia e os smartphones modernos, os recursos para que a localização dos usuários seja “adivinhada” com precisão. Na prática, não é preciso sequer tirar o smartphone do bolso para que seus amigos saibam onde você está; o app sabe e se atualiza, ininterruptamente, em tempo real. Ao The Verge, o CEO Dennis Crowley foi direto:

“Veja bem, a razão da empresa, essa coisa toda, nunca foi construir um botão de check-in incrível.”

O check-in é apenas mais um sinal entre os vários que formam e explicam a base de estabelecimentos (ou venues) do Foursquare. Na época, foi necessário ante a rudimentaridade dos smartphones e APIs dos sistemas móveis.

Nada impede que você toque no botão de check-in e faça-o manualmente no Swarm, como era no antigo Foursquare. Ele continua existindo e é uma boa para quando se deseja informar exatamente o local da festa.

Mas não precisa, de verdade.

Soa invasiva essa estratégia, mas calma. Um dos problemas do Foursquare é, paradoxalmente, uma das suas vantagens: há pouca gente usando o serviço. No Brasil, a estratégia da TIM com o TIM Beta deu uma força, ainda que a maior parte do povo que se cadastrou no Foursquare para ganhar pontos (ou seja lá o que se ganhava naquilo) não use o serviço regularmente e, pior, saia adicionando desconhecidos num ritmo alucinado e sem qualquer critério.

Como ativar e desativar o compartilhamento.
Este GIF ilustra bem.

De qualquer forma, essa restrição permite que se crie uma lista de amigos mais íntimos. Recusar um convite ou dar unfriend são atos menos solenes aqui, e nessa o perigo de ir a um bar e aquele cara que fazia bullying contigo na escola e te adicionou ano passado no Facebook aparecer do nada, diminui bastante. Lidar com essa multiplicidade de gente é um dos grandes desafios do Facebook que, aliás, recentemente liberou uma função parecida com o Swarm.

Além dessa vantagem (discutível, mas vá lá, ainda é uma vantagem), existe uma “chave geral” na barra do topo, o compartilhamento do bairro. Arrastando-a para a direita, ela fica laranja (ativada) ou cinza. É esse interruptor que denuncia sua posição. Se você estiver em um jantar a dois e não quiser ser importunado pelo seu amigo Stifler, basta desativar o Swarm e sua carinha sumirá do radar. Simples e eficiente.

Chamando os amigos para o rolê pelo Swarm

Das outras três áreas, duas são conhecidas: notificações e um listão em ordem cronológica inversa dos check-ins dos seus amigos. A terceira, chamada Planos pela vizinhança, é nova. E promissora.

Os planos do Swarm permitem organizar encontros rapidamente.
O plano de John.

Ainda bastante precária, ela permite chamar a galera para fazer alguma coisa. É como um evento no Facebook, só que descomplicado. Na verdade, descomplicado demais: a brincadeira consiste em deixar uma frase explicando o que e onde será o encontro. Isso dá margem para usos inusitados, do tipo “vou comprar sapato na loja ‘X’, alguém me ajuda?”, ou triviais, como “vamos no bar?”. Quem topar, clica em um botão confirmando o interesse e pode deixar um comentário. Tudo bem “aberto”, como se fosse uma obra de arte na visão do Umberto Eco.

O Swarm ainda é “8 ou 80” nessa questão das amizades. Não dá para criar um plano e segmentar os convidados, todo mundo fica sabendo de tudo. E… bem, a gente sabe que na vida não é assim, que temos diversos círculos de amizades e que sermos o laço que os une não significa que todo mundo se dará bem com todo mundo.

Modificar esse comportamento acrescentaria camadas extras de complexidade, e no momento isso parece ir contra os anseios do Foursquare, em especial contra o intuito de diminuir a fricção no uso do serviço. Talvez mude no futuro, mas só vislumbro essa movimentação se o Swarm cair no gosto do público mais mainstream. Será só assim, também, que a função de planos terá alguma utilidade. No papel, pelo menos, reforço: ela é bem promissora.

Cadê minhas medalhas? E minhas prefeituras?

Não é de hoje que o Foursquare busca se desvencilhar do check-in e, modo geral, do aspecto de gamificação. Aspecto que, para alguns, é a melhor parte da brincadeira. Medalhas, pontos, competição, prefeituras incentivam o uso do app nesse meio.

Tudo isso sumiu no Swarm*. A digestão dessa novidade depende de como você encara o Foursquare. Para mim, não faz muita falta; para Rafael Silva, 26 anos, colunista de tecnologia da Oi FM, sim:

“Eu não curti muito não [o fim da gamificação]. Queria mais badges e continuar no ranking de pontos e tal. Isso me motivava mais a dar check-in, ter uma disputa com meus amigos para ver quem ficava no topo. Agora não tem mais, perdeu parte da graça pra mim.”

* As prefeituras, na verdade, continuam existindo. A diferença é que agora elas não são centralizadas e cada círculo de amigos terá uma. Explicações mais detalhadas aqui.

Conversei com o Rafa, usuário bastante ativo do Foursquare há um bom tempo, sobre o novo app Swarm. Além da insatisfação com o fim dos badges e prefeituras, ele também citou o comportamento estranho do Foursquare, atualizado um dia antes para “receber” o Swarm. Ainda se faz check-in por lá, mas sua sua interface foi bastante simplificada. Pelas declarações dadas ao The Verge, é uma situação temporária enquanto o reformulado Foursquare, com foco em recomendações e dicas, não chega.

Ainda dá para fazer check-in e mencionar amigos no Swarm.
Check-in tradicional.

Meia década depois do seu laçamento, o conceito do check-in não vingou. Pior: passou de necessidade a um estorvo. Ele só é popular entre o pessoal da tecnologia e comunicação. Junto ao público menos aberto à premissa do app, parte majoritária, é uma dinâmica que soa quase anormal. “Por que você fica falando pra todo mundo onde está?”, e “Nem chegou e já vai fazer check-in!?” são comentários que ouço com frequência. Dá para entender a cara de interrogação que as pessoas fazem.

Para ser popular e fazer dinheiro com isso, um app ou serviço precisa demonstrar valor e ter uma base generosa de usuários. Na estratégia do Foursquare, é mais fácil alcançar esse estágio com recomendações de locais e dicas do que com um joguinho simples e pouco estimulante. Qualquer um que já recorreu ao serviço para encontrar um restaurante maneiro em uma cidade estranha, ou até mesmo onde mora, sabe que essa parte funciona muito bem.

Sendo assim, por que não focar nela? Para conseguir esse foco era preciso tirar o botão de check-in do centro da experiência do Foursquare — ele intimida, respinga em toda a experiência de uso e acrescenta complexidade à toa. Rachar o app em dois foi, portanto, a saída eleita — e uma das mais espertas. Felipe Cepriano, 23 anos, analista de software na IBM, usa o Foursquare desde 2009, acumula mais de 2200 check-ins e também acha que a divisão em dois apps é uma boa:

“Por um lado eu acho meio chato, precisar de dois apps pra fazer algo
que antes ficava em um só. Mas não vejo muito como implementariam
recursos novos, como os Planos, sem poluir a interface do Foursquare.
Separando o lado social do lado “discovery”, fica mais fácil. E tem
muita gente que gosta de conhecer lugares mas fica intimidada pela
interface do Foursquare: Uma conta nova mostra só uma timeline vazia,
e pouco fala de lugares novos pra descobrir.”

O Swarm aproveita muito bem o poder dos smartphones modernos para brincar com ideias de context awareness: em vez de puxar o smartphone do bolso, ele chama a nossa atenção quando é conveniente ou necessário. É a premissa básica de sistemas super especializados, como relógios inteligentes, mas que se adequa bem em equipamentos mais mundanos, mais estabelecidos, como nossos smartphones.

Pena que, como quase tudo que é social na Internet, o bom proveito do Swarm dependa da adoção pelos nossos amigos. É nessas horas que a lamúria do Fabio, abaixo, se estende a todos que, pelo mesmo motivo ou outro, quase sempre vê bolas de feno rolando na tela de notificações do Foursquare/Swarm:

Câmera do Google: pequenos acertos e o novo Efeito foco

Por
18/4/14, 15h02 8 min 18 comentários

Nessa semana o Google deu mais um passe no desmonte que vem fazendo do Android. Não entenda isso como algo negativo; ao remover apps e funções do sistema e permitir a atualização “por fora”, via Google Play ou Google Play Services, os efeitos negativos da fragmentação da plataforma são mitigados. Desta vez foi a câmera que passou a ser distribuída e atualizável pela loja de apps oficial.

A Câmera do Google funciona em qualquer Android rodando a última versão do sistema (4.4 “KitKat”). O app mantém a pegada minimalista do que acompanha o sistema, mas traz mudanças estéticas, simplificações e um modo de disparo totalmente novo, o Efeito foco, que tenta reproduzir o que a Lytro faz nativamente: brincar com a profundidade de campo após tirar a foto. Voltarei a isso depois.

Interface da câmera mais simples e com boas novidades

A nova interface da Câmera do Google.
Câmera do Google.

A interface foi simplificada e, no geral, ficou melhor. O Google finalmente adequou o viewfinder à proporção da foto. Antes, o usuário via uma imagem em 16:9 mesmo quando a foto saía em 4:3, um detalhe que, aos incautos, prejudicava todo o cuidado com a composição. A saída agora bate com a da foto e o espaço que sobra, à direita, transformou-se em um grande disparador — a foto é feita ao tocar em qualquer ponto daquela área, não só no ícone. No viewfinder, um toque ajusta o foco para a área selecionada.

Alguns controles, como troca de câmera, flash e HDR, ficam ocultos em um pequeno ícone no canto superior direito. E foi uma grande felicidade reparar que agora dá para colocar uma grade 3×3 no viewfinder!

Os modos de disparo ficam ocultos na borda à esquerda, e são trazidos à tona com um deslizar de dedo, mais ou menos como na câmera do Moto X. Toda vez que a câmera é aberta eles aparecem ali antes de sumirem, detalhe importante para evitar que caiam no esquecimento junto a usuários menos ligados. Do outro lado, ficam as últimas fotos feitas.

São os mesmos modos de sempre, mais o novo Efeito foco. Cada botão ganhou uma cor própria e um visual bastante “flat” que se estende por todo o app. O atalho para as configurações gerais fica oculto, só é revelado ao puxar os modos de disparo. É a engrenagem à direita. As opções são bem limitadas, mas valem uma visita para aumentar a resolução de tudo — os modos Efeito foco e Photosphere não vêm configurados na resolução máxima; a do Photosphere, aliás, agora subiu para 50 mega pixels contra 8 da versão antiga.

Efeito foco, ou a Lytro fazendo escola

Começou com a Lytro. Depois, foi a vez da Nokia trazer o recurso para as câmeras PureView atavés do Refocus. A nova leva de Androids, encabeçada por Galaxy S5 e HTC One (M8), também entrou na dança; no caso do modelo da HTC, o UFocus, nome do recurso, se utiliza de uma câmera auxiliar para calcular o espaço tridimensional e refinar os resultados.

Desfocar o fundo de uma fotografia é uma coisa legal e muito procurada. Em alguns grupos de smartphones no Facebook, o efeito bokeh é febre — as pessoas procuram por apps que façam isso e ficam fascinadas com os resultados práticos de uma grande profundidade de campo mesmo quando eles são absurdamente ruins, caso de quase todos esses apps de pós-edição. Agora, qualquer um com o Android 4.4 terá essa opção embutida no app da câmera. Mas é uma opção viável?

Sendo uma câmera específica para esse fim, a Lytro oferece os melhores resultados e tem um mecanismo fechado e otimizado para tanto, composto por conjunto de lentes extras dedicado a capturar mais luz de todas as direções possíveis. No caso da Nokia, a técnica é mais rudimentar, mas alcança resultados bem competentes: o app tira uma sucessão de fotos com diferentes pontos focais ao mesmo tempo em que cria um “mapa de profundidade” da cena, juntando tudo depois em uma imagem que é manipulável no app e externamente — dá para brincar no site oficial e incorporar essas fotos dinâmicas em qualquer página web. Abaixo, uma que fiz com o Lumia 920:

A técnica adotada pelo Google é similar, mas exige um movimento extra para ajudar os algoritmos responsáveis pela mágica do foco posterior. Ao fazer uma foto no Efeito foco, é preciso “levantar” a câmera; um tutorial na tela ensina o que e quando fazer. Além disso, diferentemente da solução da Nokia, na do Google dá para, além de alterar a área focada, mudar a intensidade do desfoque no restante da imagem. A desvantagem é que tudo isso só fica disponível para quem tirou a foto, e no próprio aparelho. Ao compartilhá-la em outro local, ela vai como um JPG comum.

O Efeito foco não é perfeito, mas diverte.
Efeito foco em ação.

Neste post, Carlos Hernández, engenheiro de software do Google, explica em termos mais técnicos como isso funciona:

“O Efeito foco substitui a necessidade de um grande sistema ótico com algoritmos que simulam lentes e abertura grandes. Em vez de capturar uma só imagem, você movimento a câmera para cima a fim de capturar um conjunto completo de quadros. A partir dessas fotos, o Efeito foco usa algoritmos de visão computacional para criar um modelo 3D do mundo, estimando a profundidade (distância) de cada ponto na cena.”

Após tirar uma foto nesse modo, a galeria exibe um botão extra de edição que permite mudar o desfoque simplesmente mexendo em uma barra.

É uma implementação engenhosa, mas nem sempre funcional. Em vários casos o desfoque invade o objeto em primeiro plano e vice-versa, ou então não consegue delinear corretamente o que deve estar em evidência. E tem o problema da resolução, já que a qualidade máxima (e que torna a captura mais lenta) só alcança 2048×1536.

Quebra o galho, mas não faz frente a uma boa câmera com lentes bem abertas, ou mesmo ao trabalho que a Nokia fez com o Refocus. Embora mais limitado, o efeito nas câmeras PureView é, na média, mais natural. Às vezes, dependendo da situação, o Efeito foco da Câmera do Google gera algumas aberrações, como essas cebolinhas:

Um caso em que o Efeito foco não funcionou direito.
Foto: Rodrigo Ghedin

Em condições ideais, porém, dá para alcançar resultados magníficos, como esse da laranja (ambas são a mesma foto, com o foco alterado via software depois do clique):

Laranja desfocada.
Sem foco.
Laranja focada.
Com foco.

É um começo. Com o tempo o algoritmo deve ser aperfeiçoado e os resultados ficarão mais consistentes e chegarão a resoluções maiores. É esperar para ver — e, enquanto isso, se divertir mesmo com as limitações.

Nada de filmar em modo retrato!

A Câmera do Google pede ao usuário para deixar o smartphone em modo paisagem na hora de filmar.
Vire o celular!

Lembra do meu apelo para não filmarmos em modo retrato? A nova Câmera do Google engrossa o coro.

Quando no modo de vídeo com o celular em pé, um ícone na tela recomenda ao usuário que ele incline o dispositivo. É um ícone animado pouco descritivo, e não será surpresa se muita gente ficar coçando a cabeça tentando entender do que se trata ao se deparar com ele, mas é um toque legal, gentil (ele não te proíbe de filmar assim, como o YouTube Camera do iOS) e talvez capaz de conscientizar alguns que ainda insistem em filmar na vertical.

Câmera do Google, mais uma (boa) opção

No geral, quem usa o Android padrão (Nexus) tem bons motivos para atualizar a câmera para essa nova. Proprietários de outros modelos já no Android 4.4, como Moto X, Moto G, Galaxy S4 e Galaxy S5, não perdem nada testando, embora o apelo seja menor nesses casos — Motorola e Samsung se dedicam a criar apps de câmera poderosos ou mais acessíveis.

De qualquer modo, não custa nada experimentar. Às vezes é na simplicidade de um app como o Câmera do Google que mora o conforto ou, no caso, a melhor interface para se fazer fotos memoráveis.

Os equipamentos e apps que uso, 2014

Por
2/1/14, 18h03 14 min 28 comentários

Por mais simples que seja uma operação, ela demanda instrumentos, padrões e um workflow minimamente estruturado. É assim com o Manual do Usuário: um blog de um homem só, um homem preparado para ler, escrever, fotografar e filmar.

É bem comum usarmos momentos de ócio no fim do ano para reavaliarmos partes da vida, refletir onde erramos e onde acertamos e, nessa, fazer pequenos (ou grandes) ajustes. Resolvi usar parte desse tempo para contar a vocês o que uso (ou pretendo usar em 2014) no trabalho que desempenho aqui. Além de útil, quero também trocar figurinhas nos comentários, descobrir apps, equipamentos etc. É um post com segundas intenções :-)

Dividi o texto em três partes. Na primeira, dispositivos móveis. Quais estou usando, como, e que apps mais abro no dia a dia.

A segunda, computadores. Sim, essas coisas antiquadas mas ainda insuperáveis na hora de botar a mão na massa e mostrar resultados.

Por fim, equipamentos auxiliares — basicamente com o que e como faço fotos e gravações.

Detalharei alguns pontos ainda nebulosos, a minha ideia é um papo sincero contigo — incluindo aí dúvidas e ignorâncias. No geral, porém, meu workflow hoje é bem enxuto e direto, e deve ser essa a parte mais interessante a você.

Smartphones e tablet

Em 2014, irei de iPhone 5.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Passei por 2013 usando um Nexus 4 como smartphone principal e um iPad 2. Para o ano que começa, uma substituição: sai o smartphone Android, entra um iPhone 5.

Já tinha visto e mexido rapidamente em vários iPhones, mas nunca tive um como aparelho principal. Será um exercício legal e, como meu perfil de uso é bem eclético — confio mais em soluções multiplataformas do que nas soluções integradas e fechadas das fabricantes –, até agora a transição tem sido suave. A maioria dos apps está presente nas duas plataformas ou tem equivalentes.

Disclaimer: Além do iPhone 5 e do Nexus 4, também estou com um Lumia 920. Não virei traficante, nem quero ostentar. A ideia é acompanhar a evolução e novos apps das três principais plataformas móveis.

Até agora ocupo apenas duas telas iniciais no iOS — descontados os apps da Apple, todos devidamente largados em uma pasta.

Como smartphone e tablet usam o mesmo sistema, a lista abaixo vale para ambos, ainda que os usos deles sejam bem distintos. O iPad é minha tábua de leitura e consulta “sofazística” de redes sociais. Eventualmente vejo alguma coisa no Netflix e brinco com jogos, mas esses últimos têm sido cada vez mais raros. O iPhone é… bem, é um celular. É o gadget que mais uso, disparado, dentro e fora de casa.

Os apps que me acompanham são:

Chrome e Gmail

Mesmo com o desempenho em JavaScript afetado por limitações do iOS (ou da Apple), acabo usando o Chrome pela sincronia que ele proporciona — meus computadores rodam Windows. Não importa onde use o Chrome, a experiência é sempre bastante consistente, e isso é importante.

O Gmail uso pela patricidade e usabilidade superior à do app de email padrão do iOS. A exemplo do navegador, é outro caso onde suprimo a velocidade em prol de outras vantagens. Não reclamaria, porém, se o Google agilizasse a abertura do Gmail…

Newsify

Para ler feeds, é a minha opção. Três aspectos me agradam muito no Newsify: a tipografia acertada, a navegação por gestos e o modo tela cheia. São suficientes para ignorar a sensível lentidão apresentada no iPad 2 ante concorrentes como Mr. Reader e Feedly — ambos bem legais também.

Pocket

É bem melhor ler um longo artigo sentado ou deitado no sofá do que na minha mesa de trabalho, encarando o notebook. Para tanto, apps do tipo “leia depois” são indispensáveis. A minha escolha é o Pocket: ele é rápido, tem uma boa tipografia e alguns recursos sociais que encontram o difícil equilíbrio entre utilidade e ruído.

Recentemente dei uma chance ao Instapaper, é um belo app também. De lá, gostei muito do refinamento da interface e dos filtros por tempo — dá para, por exemplo, puxar artigos que podem ser lidos em menos de cinco minutos, algo bem útil para matar o tempo sem correr o risco de deixar um post lido pela metade.

Pocket e Newsify são, de longe, os apps que mais uso no iPad. Tenho ambos instalados no iPhone também. Vez ou outra abro-os no smartphone.

Simplenote

Rápido, com sincronia com a nuvem e cheio de apps para diversas plataformas (até web), o Simplenote é a minha escolha na hora de fazer anotações. Uso ele para tirar da cabeça ideias de posts, anotar referências e links para pautas em andamento e escrever mesmo os posts em Markdown — é bem mais confortável que usar uma barra de atalhos ou marcações em HTML.

Tweetbot 3

Não sou o que se consideraria um heavy user de Twitter, tanto que sempre me virei bem com o app oficial. Isso até a última atualização que colocou DMs em destaque e as menções em um ícone de notificações. Ela é desastrosa, para dizer o mínimo.

Em vez de chateá-lo apontando tudo o que há de errado com o app oficial do Twitter (é muita coisa), vamos falar algo bom, do Tweetbot. Apresentação linda, animações suaves, diversos gestos… Vale cada centavo.

No iPad continuo com o app oficial. Ele não mudou e, além disso, o Tweetbot para iPad ainda não foi atualizado para o iOS 7.

Dropbox

Nada de iCloud, SkyDrive ou Google Play. Mantenho os arquivos que preciso no Dropbox, que é acessível e amplamente adotado por desenvolvedores. O bom é que preciso pouco dele já que a maior parte do que faço é na web.

Bônus: desde que ativei o backup automático de fotos no app do Dropbox nunca mais conectei meu smartphone a um computador para passar essas imagens. Mão na roda, e funciona muito bem.

Alguns outros apps que tenho instalado, mas que ainda não explorei ou uso para lazer (em ordem alfabética):

  • Facebook, Instagram, Vine, Tinder, Tumblr: dispensam explicações, né? Tumblr e Facebook em ambos, os demais apenas no iPhone.
  • Facebook Messenger, WhatsApp: são os dois apps de mensagens que uso. Está bom, né? Só no iPhone.
  • Foursquare: assim como o Snapchat, o Foursquare também sofre com problemas de imagem — muita gente acha que é um facilitador para stalkers e ladrões. Não é. Há muito a apreciar ali e as coisas no Foursquare estão crescendo mais e mais. Apenas no iPhone.
  • IFTTT: com muito potencial, devo gastar uma tarde explorando e criando novas receitas — tenho poucas cadastradas, todas muito úteis e eficientes. Apenas no iPhone.
  • Netflix, YouTube: se a TV da sala for objeto de disputas recorrentes, o iPad é a melhor tela que você tem à mão. Netflix apenas no iPad, YouTube em ambos — embora dê para contar nos dedos as poucas vezes em que o utilizei no iPhone; reflexo da falta de integração entre apps do iOS, ponto onde o Android é melhor.
  • Rdio: nunca usei o app de música do iOS — e, no ano passado, do Android. Apenas no iPhone.
  • Snapchat: é divertido, intimista, muito mais que sexting — que, aliás, (in)felizmente nunca recebi. Só no iPhone.
  • Timehop: velho conhecido, deixei de usar quando a versão por email foi descontinuada. Com o iPhone posso, novamente, ler as barbeiragens que publiquei neste mesmo dia em anos anteriores. Sempre uma viagem. Só no iPhone
  • Yahoo Tempo: é um app muito bonito e com informações mais que suficientes para quem só quer saber se vai chover. Apenas no iPhone.

E, sim, tenho alguns joguinhos instalados. No iPad, um punhado de princesas e da Toca Boca para minha afilhada. No iPhone, no momento em que escrevo isso apenas três: Dots, Proust e Triple Town.

Notebook e desktop

Samsung Série 9, fechado.
Foto: Rodrigo Ghedin.

No começo de 2013 reduzi o papel do meu desktop, que é bem poderoso, ao lazer. Conectei ele à minha TV e desde então suas funções se resumiram a Steam e Netflix.

Minha principal ferramenta de trabalho, pois, passou a ser e ainda é o notebook. Tenho um Ultrabook Série 9, da Samsung, de segunda geração. Detalhei-o mês passado, mas resumidamente: é leve, rápido o bastante para quem navega e escreve, tem um bom teclado, um ótimo touchpad e uma tela incrível. É o suficiente para mim.

Ele roda o Windows 8.1 que, apesar de todas as notáveis melhoras em relação ao Windows 8, trouxe algumas chateações. As principais é a imprevisibilidade na reconexão após voltar da hibernação e as configurações do touchpad que se perdem quando o sistema reinicializa, coisas que a essa altura devem ter sido resolvidas por drivers atualizados. Devo tirar uma tarde para mexer nisso, mas é triste ver que o Windows ainda não conseguiu superar esse tipo tão bobo de problema.

Muito do que uso é web-based, então de apps mesmo, são poucos os que tenho instalado:

Chrome

Há quem reclame que o Chrome tenha ficado pesado, lento e instável, seguindo a infectível lei do Geek & Poke. Concordo que ele já foi mais rápido e estável, mas ainda não chegou a um estado tão alarmante que me faça procurar alternativas.

O grande atrativo do Chrome é a comodidade. A Omnibox se adapta muito bem a mim e os dados do meu uso vão para a nuvem e são replicados, sincronizados com outros dispositivos. O motor de renderização é muito bom, o que previne algumas dores de cabeça. Não é algo legal se pensarmos em padrões web e compatibilidade (não era na época do IE hegemônico, não é com o Chrome ou qualquer outro), mas é o que temos, infelizmente.

App de notas secreto

Ainda não posso falar muito deste porque ele não foi lançado. Boa parte do que escrevo passa primeiro por ele. É um app extremamente rápido e confiável de anotações que sicnroniza com o Simplenote — mais uma vez a sincronia com a nuvem e outros dispositivos conta pontos.

Espero poder falar mais desse app em breve. O mundo precisa conhecê-lo!

IrfanView

Este não sincroniza com nada, mas mantém outra característica primordial e compartilhada com outros apps da lista: é rápido.

O IrfanView é um visualizador simples de imagens. Não, é mais que isso. Ele abre um leque enorme de formatos de arquivos e, de quebra, possui pequenos recursos de edição que agilizam muito o trabalho e dispensam ferramentas mais elaboradas, como o Photoshop. Girar, redimensionar, mexer em brilho/contraste/saturação? Para que gastar mais de mil Reais e recursos da máquina se um app gratuito de 1 MB chega aos mesmos resultados?

Audacity

Para editar podcasts, uso o Audacity. É um app gratuito e de código aberto que, embora não seja o mais prático do mundo, apenas… funciona.

É difícil domar algumas funções, a interface não é amigável. Com dedicação e paciência para ver alguns vídeos no YouTube, porém, dá para aprender o básico da edição e fazer coisas audíveis.

7-Zip

Mais um gratuito e de código aberto. O 7-Zip traz, no nome, o formato de arquivo com que trabalha por padrão, e vai além: ele abre um punhado de outros, incluindo ZIP e RAR, e compacta em ZIP. A interface, como é de praxe em apps de código aberto, é espartana, mas ele é (olha aí de novo) rápido e confiável.

Notepad++

Não que eu goste, mas cuidar de (todo) um site exige que eu, às vezes, mexa em código. Coisa simples — HTML, CSS, alterar algum valor em um JavaScript.

O Notepad++, outro gratuito e de código aberto, colore o código, permite abrir vários arquivos em abas, compará-los lado a lado e tem uma busca (com substituição de termos) poderosa.

Possível troca: tenho lido muita coisa boa sobre o Sublime Text. Devo dar uma chance a ele qualquer hora.

Dropbox

Pelos mesmos motivos que o uso no iPhone.

FileZilla

Tal qual o Notepad++, mais um que a manutenção do blog exige que eu tenha instalado. Também gratuito e também open source, é uma ferramenta funcional.

E… bem, é isso. De resto, tenho o VLC que, aqui, raramente uso, o Office 2010, outro que acumula poeira e o Java, desativado quase sempre, ativado apenas para emitir notas fiscais. De apps modernos, do Windows 8, os que uso são o Skype e o Netflix — esse último um raro caso de app não só bom, mas melhor que os de outras plataformas móveis.

Todo o resto

Sony NEX-5R.
Foto: Rodrigo Ghedin. (Esta foi feita com o Lumia 920.)

As fotos e vídeos do Manual do Usuário são feitos com uma NEX-5R, câmera mirrorless da Sony, usando a objetiva padrão, uma 16-50 mm/F3,5-5,6. A qualidade é soberba e o manuseio bem bom, graças aos dois discos que facilitam controles manuais. Sempre rola algum estresse para conseguir foco em fotos próximas (a lente não é adequada para isso), mas essas histórias quase sempre terminam com um final feliz — seja usando o foco manual, seja com o rápido foco automático.

O único acessório que utilizo com a câmera é um tripé. Desses baratinhos, sem marca e, claro, ruins. Ele range e embora seja leve, é também duro, o que dificulta tomadas de transição suaves ao fazer vídeos. Compenso deixando-o de lado e usando objetos incomuns, como potes de margarina, como apoio para conseguir o que quero.

Por fim, utilizo um headset da Microsoft, o LifeChat LX-3000, para gravações de áudio — podcast e as falas que, depois de gravadas e tratadas no Audacity, importo para o software de edição de vídeos. É o segundo que tenho em um intervalo de cinco anos e tirando o controle no fio, grande e desengonçado, de resto ele é bem bom.

Faço a edição dos vídeos no desktop, ligado à TV mesmo. O poder de processamento ultrapassa o incômodo de trabalhar no sofá — por mais confortável que essa frase soe, não é muito legal na prática. O software de edição é o Movie Studio Platinum 12, também da Sony. É uma variante mais simples (e mais barata) do Vegas Studio, com recursos suficientes para o nível de qualidade que almejo.

O tratamento das fotos faço com o IrfanView.


Enquanto escrevia este post me veio à cabeça o longo e doloroso processo pós-reinstalação do Windows a que me submetia alguns anos atrás. É engraçado porque naquela época, com menos responsabilidades e coisas para fazer no computador, instalava bem mais aplicativos — a maioria pouco usada, mas me sentia na obrigação de tê-los à mão. Hoje? Quanto menos, melhor, e esse foco em resultados se reflete até na cara do sistema, que raramente vê um tema ou wallpaper diferente do padrão.

Essa lista não é imutável, estou sempre de olho em novos apps e gadgets que possam, de alguma forma, melhorar o meu fluxo de trabalho. Na minha mira, por exemplo, está um tripé melhor. Existe muita coisa no mercado e a toda hora surgem novidades; é preciso pesquisar e considerar bem novas aquisições. Além do custo, integrar algo diferente à minha rotina precisa ser mais que um mero capricho.

Fico por aqui e reforço o convite para que você, leitor, dê seu pitaco nos comentários.

Imagem do topo: OZinOH/Flickr.

Amazon Appstore e o universo de lojas de apps alternativas do Android

Por
25/11/13, 18h25 6 min 6 comentários
App da Amazon Appstore em um Nexus 4.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Semana passada uma nova loja de apps desembarcou no Brasil. Presente em mais de 200 países, a Amazon Appstore é compatível com Android e se apresenta como alternativa ao Google Play. Mas… por que ter outra loja de apps instalada no seu celular?

A possibilidade de instalar apps de terceiros é um dos grandes trunfos do Android frente a seus concorrentes diretos, iOS e Windows Phone. Além de outras lojas que não o Google Play, o sistema ainda permite a instalação manual de apps, através de arquivos APK, da mesma forma que se faz no Windows com executáveis (EXE, MSI e alguns outros). São maneiras de se conseguir apps que o Google não aprova, por quaisquer motivos, ou com preços menores ou até mesmo de graça, via promoções.

A Amazon Appstore não é a primeira alternativa. Ela existe há algum tempo lá fora e, embora seja acessível a qualquer usuário de Android, em alguns países tem importância estratégica para a Amazon: abastecer os tablets Kindle Fire com apps. Como eles rodam um Android modificado, sem a experiência Google, o Google Play não é uma opção neles. Quem tem um Kindle Fire precisa recorrer à própria Amazon para baixar novos apps e jogos para seus tablets.

Por que eu instalaria a Amazon Appstore no meu Android?

A Amazon Appstore no Android.

É difícil concorrer com o Google. Além da Play Store vir pré-instalada em boa parte dos Androids vendidos no mundo, ela é a primeira opção para a maioria dos desenvolvedores. É o dilema do ovo e da galinha superado: a loja tem muitos clientes e muitos desenvolvedores publicando lá. Todos ganham, inclusive o Google, que faz a ponte entre essas duas partes, coordenando tudo — e fisgando uma porcentagem de cada transação que rola ali dentro.

Uma parcela de smartphones e tablets Android, porém, vem sem a Play Store. Além dos gadgets da Amazon, outros que não licenciam os serviços e apps do Google também não oferecem tal comodidade a seus usuários. É muito difícil encontrar exemplares do tipo no ocidente; por aqui, quando isso acontece é em dispositivos obscuros e baratos de marcas semi-desconhecidas. No oriente, porém, especialmente na China, onde o Google não tem a mesma presença que aqui e vive se estranhando com o governo autoritário do país, é o cenário mais comum. Lojas alternativas são numerosas e populares por lá.

Para se tornarem atraentes a quem tem acesso ao Google Play, as demais apelam para diferenciais. No caso da Amazon Appstore, há uns interessantes:

  • Um app grátis por dia. Na semana de lançamento tivemos um Angry Birds, Paper Camera e TuneIn Pro.
  • Usar cartão de crédito nacional, coisa que ainda não é possível pelo Google Play no Brasil.
  • Escapar da flutuação do dólar, que pode trazer surpresas desagradáveis no vencimento da fatura do cartão, e do IOF. Como a Amazon tem uma operação comercial completa no Brasil, ela pode cobrar localmente, em Real e livre do imposto sobre operações financeiras que incide em compras no exterior — a modalidade que ocorre nas transações feitas pelo Google Play.
  • Recomendações de apps baseadas no que você costuma baixar/comprar.

Além desses benefícios para quem tem um Android no Brasil, a chegada da Amazon Appstore abre espaço para especulações sobre a vinda dos tablets da empresa para cá. Os e-readers já são vendidos; estariam os Kindle Fire, baratos e bem avaliados lá fora, prestes a estrearem aqui?

As alternativas à alternativa: lojas de apps além da Amazon Appstore

Como dito, a Amazon Appstore não é a primeira loja que se apresenta como alternativa ao Google Play. Outras estão no mercado, lutando pela atenção dos usuários e o amor dos desenvolvedores.

A primeira que usei, aliás, precedeu o Android Market — antigo nome do Google Play. Nos idos de 2010 a AppBrain tinha um recurso matador e único: instalação remota de apps. Usando um computador, dava para “mandar” instalar um app no celular à distância. Hoje a Play Store faz essa comodidade, mas naquela época era o grande diferencial da AppBrain e o que levava muita gente a usá-la em detrimento da loja oficial.

Perder tal exclusividade não fez com que a AppBrain acabasse. Atualmente ela oferece um SDK, o AppLift, para que desenvolvedores integrarem publicidade em seus apps, um sistema de recomendação de apps próprio e a possibilidade de compartilhar na web listas com os apps que você tem instalado. E, embora tal detalhe não vá despertar o desejo de baixar todos os seus apps de lá, ela tem um blog bacana onde saem comentários de mercado, estatísticas e opiniões.

Outra loja alternativa é a App Center, do conglomerado AndroidPIT. Os diferenciais são a janela de arrependimento na compra de apps, de 24 horas (contra 15 minutos no Google Play), a aceitação de PayPal na hora de pagar por eles e reviews de apps feitos pela própria equipe do site.

Existem mais, inclusive algumas especializadas em nichos. A MiKandi, por exemplo, só tem apps adultos. Ela se diz a maior loja de apps pornográficos do mundo, com quatro milhões de usuários e mais de oito mil apps, e não tem vergonha de apostar em invencionices a partir da união entre tecnologia e sexo — aquela paródia de filme pornô com Google Glass, por exemplo, foi iniciativa dos caras.

Desconheço de pronto, mas devem existir outras tantas lojas alternativas, de nicho e até que disponibilizam apps piratas. A exemplo da maioria dos usuários, para mim essas mainstream são suficientes. Ter opções, porém, é sempre uma boa — e o app gratuito diário da Amazon Appstore, por si só, já é um bom motivo para tê-la em qualquer aparelho.

Você usa alguma loja de apps além do Google Play?

O reducionismo do Lulu, o app de reviews de homens

Por
22/11/13, 20h15 5 min 20 comentários

O Lulu chegou ao Brasil com uma ótima localização e marketing agressivo para atrair mulheres interessadas em ajudar amigos a ganhar moral com possíveis pretendentes ou fazer aquele desabafo anônimo de caras que não foram legais com elas.

Em uma definição simples, o Lulu é um app de reviews de homens. Em um contexto maior, mais um que mistura bits com sentimentos.

A primeira das várias polêmicas recai na objetificação dos homens, no sentir na pele o que as mulheres vivem no dia a dia desde que o mundo é mundo. Polêmica que cai por terra pelo clima descontraído que norteia o Lulu e porque… bem, talvez até existam, mas é meio rara a figura do homem-objeto, seja em um app, seja andando por aí. Bater nessa tecla é reforçar a ideia insana de preconceito contra héteros, por exemplo.

Poderia desenvolver melhor o raciocínio, mas já o fizeram em 140 caracteres:

Aos incomodados, existe a opção de pedir a remoção do perfil no app. Ele não é “opt-in”, ou seja, não cabe aos homens se cadastrarem lá e esperarem as opiniões; atrelado ao Facebook, todo mundo começa automaticamente dentro da brincadeira. Um ponto perigoso e com enorme potencial de acabar em briga na justiça.

Antes de chegar a esse extremo, porém, o Lulu é capaz de estragar um encontro, ou magoar algum marmanjo?

Difícil. O ambiente é controlado e abusa do bom humor. As hashtags são pré-definidas e mesmo as negativas foram redigidas de forma descontraída. Os homens podem apelar contra o que as mulheres disserem dele incluindo eles próprios as hashtags que acharem adequadas.

De qualquer forma, nada exclui as notas e as hashtags mais cruéis delas e, nessa, imagino que deva ser preciso uma autoestima elevada para quem ficar com nota vermelha ou for bombardeado com #FriendZone e #Cascão. O suficiente para amaldiçoar o destino amoroso de um homem para sempre? Pouco provável.

A minha grande crítica ao Lulu é outra, é em relação ao reducionismo da proposta, algo que paira sobre mídias sociais e sobre a Internet de modo geral.

Viramos números, arrobas, resultados de algoritmos que processam informações por si só reduzidas, distorcidas. Vai do mais escancarado, o Klout, até os anúncios que Facebook e Google direcionam baseados no que fazemos online. Estamos nos adequando aos computadores ante a incapacidade deles de, no momento, se adequarem a nós. Como David Auerbach conclui em seu belíssimo ensaio na n+1, “a estupidez deles [computadores] se transformará na nossa”.

Esmiuçando o problema de transformarmos personalidades em dados binários, na hora de avaliar aspectos da natureza humana o leque de alternativas extrapola em muito duas alternativas, o “sim ou não”. Não raro, a razão dá lugar à emoção e detalhes circunstanciais e/ou temporários ganham pesos desproporcionais em relação ao todo.

Um casal sem uma boa química não significa que ambos ou um deles seja uma pessoa a ser evitada. A pessoa “X” que no relacionamento com “Y” era distante, pode ser só amores com a “Z”. Posso ter conhecido alguém e ficado com ela uma noite; qual a base que essa mulher teria para me avaliar?

Se somos tampas procurando a panela compatível, limitar as opções baseados em um app é reduzir uma questão complexa a uma solução capenga, falha.

Pareço exagerado, mas é esse o tom de Alexandra Chong, co-fundadora do Lulu, na matéria do New York Times.

“Quando você pesquisa um cara no Google, não quer saber para quem ele votou ou qual foi o tema de conclusão de curso dele. Você quer saber se as sogras gostam dele. O cara tem bons modos? Ele é atencioso?

(…)

Você não tem controle se o cara é ótimo ou um babaca e no fim da experiência, mesmo que ninguém leia você sente que deu o troco no cara. Você recuperou parte do controle.”

Um discurso que parece descompassado com a realidade do Lulu que, como já dito, tem um ar bem leve. Talvez fosse legal os criadores do app se posicionarem mais firmemente em relação a isso.

Como os caras ficam no Lulu.
Arte: Brenton Powell/Tumblr.

Não vejo com maus olhos o auxílio da tecnologia na hora de flertar. Sendo um introspectivo e a princípio desinteressado, pelo contrário; acho essa tendência bacana. O grande dilema aqui é o contexto, ou a falta dele.

Homens falam de mulheres, imagino que mulheres também falem de homens. A diferença entre essa prática antiga e o que Lulu proporciona é que nesse último o alcance das críticas é bem maior e livre do contexto que a convivência com os parceiros de fofoca oferece. Na forma como se apresenta, o Lulu é um julgamento tácito, uma condenação sumária sem a mínima possibilidade de defesa.

Talvez o Lulu fique só como “o assunto do Twitter no dia 22 de novembro de 2013”, talvez cole e vire a certidão de cara legal do século XXI. Mas a exemplo da Vivian, depois de ver os dois lados do app, no celular de uma amiga e no meu próprio, acredito que seja só uma farra, uma brincadeira sem maiores consequências. Na verdade torço para que seja o caso. Seria muito chato ser dispensado de antemão porque ganhei a hashtag #MaisBaratoQueUmPãoNaChata. O que não é o caso. Acho.