Montagem do mapa de Curitiba com o ícone do Colab.

Com este aplicativo, a Prefeitura de Curitiba quer criar um “SAC 2.0” automatizado da cidade

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17/10/14, 9h37 7 min 1 comentário

Referência no Facebook, a Prefeitura de Curitiba faz um trabalho bastante legal. Misturando bom humor, originalidade, produção constante e atenção aos fãs, a página consegue engajar os moradores da capital paranaense em diversas causas, expôr a cidade em outros cantos do Brasil e brincar com as tradições e a cultura do curitibano. O departamento de mídias sociais, alocado na própria prefeitura, virou modelo de comunicação entre governo e população.

No último Multicom, a semana do curso de Comunicação e Multimeios da UEM, em Maringá, Marcel Bely, da equipe de mídias sociais da Prefeitura de Curitiba, falou das brigas que teve que comprar para estabelecer esse tom mais despojado, menos sisudo na comunicação de uma prefeitura, as estratégias que usa para criar conteúdo que ecoa entre os fãs da página e, na sessão de perguntas e respostas, citou um app, um tal de Colab, que para ele é uma peça fundamental na relação com o povo. Fiquei interessado e fui pesquisar melhor o que é o Colab.

Início meteórico

Lançado no começo de 2013, o Colab é um app urbano para melhorar as cidades desenvolvido por uma equipe multidisciplinar formada pelo administrador Bruno Aracaty, os especialistas em marketing Gustavo Maia e Paulo Pandolfi e os cientistas Josemando Sobral e Vitor Guedes.

A ideia de criar o Colab veio após alguns trabalhos que eles fizeram para campanhas políticas nas eleições municipais de 2012. A equipe constatou duas coisas: que o brasileiro usa muito as redes sociais para denunciar e reclamar de problemas nas cidades e que do outro lado, no executivo, não existia um processo estruturado para receber e processar tais demandas.

Dali à criação do app, foi tudo muito rápido. O reconhecimento, também: em junho de 2013, três meses depois de lançado, o Colab venceu o concurso AppMyCity! da New Cities Foundation, competição que contou com apps de outros 70 países.

Colab, vencedor do AppMyCity!
Pessoal do Colab recebendo o prêmio.

O prêmio foi uma surpresa até para os criadores da plataforma e ajudou a acelerar ainda mais a sua já rápida expansão. Em entrevista por e-mail ao Manual do Usuário, Gustavo Maia do Colab me disse que “depois do prêmio, fomos contatados por diversos gestores públicos de todo o país. Conseguimos expor um pouco dos nossos pensamentos e, principalmente, receber feedback para aprendermos melhor como a plataforma deveria se comportar quando trouxesse o poder público de fato para dentro da ferramenta.”

Como funciona o Colab?

Telas do Colab.
Colab para iOS.

O Colab está disponível para Android e iOS e é totalmente gratuito — para usuários e também prefeituras que resolvam adotar o painel de administração da plataforma.

Instalado o app e terminado o cadastro, ele exibe uma linha do tempo similar à do Instagram, com fotos das publicações dos outros usuários da cidade. Cada demanda pode ser compartilhada, comentada ou “apoiada”, o que equivale a um “curtir” e engrossa o coro dos que pedem atenção ao referido problema.

Aliás, nem só de problemas o Colab vive. Ao clicar no botão principal, três opções opões surgem:

  • Fiscalize: Ferramenta que permite ao cidadão interagir com a cidade, apontando problemas rotineiros, como iluminação pública, calçadas, trânsito, defesa do consumidor, entre outros.
  • Proponha: Espaço pelo qual os usuários colocam suas ideias/projetos em debate com os demais participantes da rede e os municípios.
  • Avalie: Espaço para avaliação de serviços, instituições e entidades ligadas ao poder público.

Em todos os casos o processo é bem simples, bastando tirar uma foto e, opcionalmente, escolher uma categoria e descrever a situação. O app recorre ao GPS do smartphone para marcar com precisão o local fotografado, e isso ajuda bastante na outra ponta, quando a prefeitura recebe e processa esse material.

As vantagens do processo automatizado

Marcel Bely palestrando no Multicom.
Marcel Bely. Foto: Mayara Lambiazzi/Multicom.

Durante a palestra do Marcel, ele se referiu ao Colab como um “SAC 2.0” e citou diversas vantagens no uso do sistema. A página do Facebook, dada a sua popularidade, recebe muitas mensagens de problemas em Curitiba, mas o processamento dessas reclamações é lento. Alguém precisa recolher esses dados, pedir outros adicionais que tenham faltado no envio original, empacotar tudo e encaminhar a reclamação ao setor correspondente na prefeitura.

Com o Colab tudo isso é automatizado. Pelo painel administrativo a prefeitura consegue ver onde e quais demandas são mais urgentes, organizar esforços conjuntos envolvendo várias secretarias, mutirões, campanhas… Enfim, atacar com inteligência e mais eficiência os problemas que afligem a cidade. Em Curitiba, por exemplo, o Colab propicia o “Dia do Bairro”, quando várias secretarias/pastas de unem para resolver problemas em um bairro específico. Marcel disse, ainda, que seu ideal é canalizar todas as reclamações estruturais da cidade no Colab e que, para tanto, faz um “trabalho formiguinha” de conscientização dos moradores.

Na medida em que a plataforma se expande a outras cidades e se torna mais conhecida do público, é de se esperar que ela seja mais acionada. Quando uma prefeitura é parceira do Colab (reforçando: gratuitamente), passa a ter acesso direto às reclamações da população. Em cidades onde não há um acordo firmado, o Colab também pode ser usado. Nesse caso, a equipe do app encaminha as reclamações à prefeitura em questão. Menos eficiente e trabalhoso, mas é melhor do que nada. Hoje o Colab é parceiro de 30 prefeituras brasileiras; o objetivo é chegar a 100 nos próximos seis meses.

O futuro

Além da expansão horizontal, ou seja, para mais cidades, o Colab quer crescer verticalmente também. Como? Engajando mais e melhor os cidadãos, “tendo mais usuários participando em cada município, com a prefeitura divulgando mais a ferramenta, atendendo de forma mais eficiente e em menos tempo”, nas palavras de Gustavo.

Sobre o modelo de negócios, o Colab é do tipo freemium. O app dos usuários e o painel administrativo das prefeituras são gratuitos e, mais para frente, os desenvolvedores pretendem oferecer serviços e tecnologias complementares — e pagas. Consultoria e terceirização do processamento das demandas, por exemplo, foram citadas como possíveis formas de rentabilizar a plataforma. No momento, porém, o foco da equipe está no crescimento.

Nesse sentido a Prefeitura de Curitiba, primeira parceira do Colab, tem ajudado bastante. Além de prover feedback para melhorar a ferramenta em si, a abordagem mais descolada e amigável ajuda a quebrar a formalidade comum em ambientes governamentais. Segundo Gustavo, “nós adoramos [mídias sociais], pois geralmente são pessoas bastante ligadas nas redes sociais e em ferramentas modernas como a nossa, o que facilita a ‘tradução’ com setores mais conservadores das gestões.”

O potencial de mobilização e mudanças práticas é incrível. O modo de uso, impossível ser mais simples. Quando todos atuamos juntos para identificar e corrigir problemas e esse processo é facilitado ao máximo, todos ganham: o Colab, os cidadãos, os governantes, as nossas cidades.

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  • Jorge Luis

    aqui na prefeitura do rio de janeiro tem o app 1746, que faz a parte ali da fiscalização. acho legal e geralmente tem resposta. tomara que fique tão funcional como o colab.