Quem compra tablet de menos de R$ 300?

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5/11/14, 8h45 5 min 75 comentários
Um tablet bem barato -- e ruim.
Foto: Giovana Lago.

A parte mais interessante da tecnologia de consumo, para mim, não é ela por ela, não são os gadgets que analiso aqui. É a parte que fala sobre como os dispositivos, serviços online e todas as demais coisas legais (e não tão legais) que orbitam esse mundo nos afetam. “Nós”, aqui, tanto enquanto indivíduos como no todo, a sociedade.

É preciso estar atento para perceber as alterações mais sutis. Pensar nas grandes, porém, facilita o entendimento do que quero dizer. Um exemplo fácil é como a popularização do celular destruiu os telefones públicos, os famosos orelhões. Eles passaram de utilidades urbanas tão presentes que viraram até tema de música a peças de museu a céu aberto em menos de uma década. Esse tipo de transição acontece a todo momento, a dificuldade está em percebê-la durante o processo, especialmente naquelas que não são aferíveis tão facilmente quanto os orelhões, ou seja, que não estão visíveis a qualquer um que põe o pé na rua.

Por interessar-me nisso e escrever a respeito, fico um tanto incomodado pela posição que ocupo. E falo isso quase que no sentido literal: sempre escrevi sobre tecnologia de casa, em regime home office, e tenho círculos de amizades relativamente homogêneos no que diz respeito a como eles consomem tecnologia. Nessa, acabo meio desconectado da realidade, basicamente o que disse Paul Thurrott no Twitter:

O Twitter provou mais uma vez que pessoas que a maioria dos que sabem muito sobre tecnologia estão muito desconectadas de como as pessoas normais fazem as coisas.

E isso é ruim. Sem essa percepção o meu trabalho fica comprometido e nos coloco, a mim e a você, leitor, em uma bolha que não bate com o que acontece nesse Brasilsão.

Tablets baratos, celulares simples

Isso tudo está sempre na minha cabeça, mas ontem ganhou com força ao ler uns relatórios de consumo recentes do IDC.

O instituto diz que entre julho e agosto foram vendidos 12 milhões de celulares, sendo 1/4 deles não-smartphones, ou seja, modelos similares àqueles com lanterna e jogo da cobrinha que a Nokia vende (ou vendia) desde a era mesozoica.

Mas talvez o número mais impressionante, e o que traz mais questionamentos consigo, seja o da venda de tablets no país. No mesmo intervalo foram vendidos 1,2 milhão de tablets. Em julho, houve uma alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado; em agosto, queda de 3%.

Pedro Hagge, analista de mercado da IDC Brasil, disse que isso indica a entrada no Brasil na fase de estagnação que, lá fora, vem sendo sentida desde o primeiro semestre. Só que não dá para dizer com certeza que essa tendência acompanha a movimentação de outros mercados. O mesmo relatório aponta que 96% dos tablets vendidos no Brasil rodam Android. Entre os smartphones, o sistema do Google respondeu por 92% das vendas. São números bem peculiares.

O que quero dizer, até esse ponto, é que acompanhar apenas o que as grandes empresas de tecnologia dizem e divulgam sobre mercado em publicações norte-americanas ou europeias equivale a correr o risco de cultivar uma visão ainda mais destacada da realidade brasileira. O que não é novidade, caso você se interesse por tudo isso.

A novidade é o dado que o Tecnoblog colheu junto ao IDC de que 38% dos brasileiros preferem tablets de até R$ 300. Meu questionamento no Twitter não foi de brincadeira:

Que raio de tablet é esse? O último que analise, o G Pad 7.0 V400 da LG, em promoção já chegou a R$ 359. Acompanho mais ou menos de perto as variações de preços no varejo e, fora esse, já vi tablets de entrada da HP, Lenovo e Samsung abaixo dos R$ 400. Na casa dos R$ 200? Meus seguidores no Twitter apresentaram esses players: Multilaser, Mit Tech (?), Lenoxx, DL…

São marcas alienígenas que, para mim, só fabricavam mouse e teclado de segunda. Mas não: elas fabricam tablets, e não só, mas tablets que muitas pessoas querem e compram.

Achei o G Pad 7.0 V400 um tablet no limite do usável: é fraco em diversos pontos, mas custa pouco então a conta fecha. Mas não consigo imaginar algo pior que aquilo retornando uma experiência minimamente aceitável. Aliás, o breve contato que tive com um dessa safra, o BAK alguma-coisa em 2012, apesar da distância temporal ratifica tal impressão — felizmente foi para uma brincadeira de 1º de abril no Gizmodo, então quanto pior, melhor!

No mínimo, a economia cobra o preço na experiência de uso. Só que piora. Não tem mágica que empurre os preços tanto assim para baixo, então ou os componentes são de baixa qualidade, ou tem alguma outra explicação

Há um custo oculto no tablet de menos de R$ 300. Ou ele vem de práticas suspeitas, como as que supostamente a dupla acima comete, ou de alguma outra manobra comercial — pense em equipamentos obsoletos, ou de baixa qualidade. Eu entendo o povo querer o tablet mais barato possível, mas até que ponto esse anseio deve ser atendido se há um comprometimento severo do benefício que ele promete ao consumidor?

Quem compra essas coisas? Como essas pessoas se sentem? Satisfeitas, arrependidas, comprariam novamente? Eu não sei, mas estou bem curioso para descobrir.

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  • Acho que quem compra um tablet tão barato não entende muito para que serve um, exceto acessar a internet no Wi-Fi do vizinho. Aliás, é difícil explicar para uma pessoa leiga porque um iPad é muito mais caro “fazendo a mesma coisa”.

    • É, o perfil mais fácil que me ocorre é o pai que vai numa loja do varejo comprar um tablet para o filho, principalmente se for criança. Esse eu entendo.

      E sobre a explicação, a analogia com carros é a que mais se aproxima, ainda que não exista carro tão ruim na proporção desses tablets de entrada.

      • Bem lembrado: quando eu era pequeno, meus pais limitavam o presente a 100 reais, valor que corrigido para hoje dá mais ou menos nesse patamar aí dos tablets ultra-baratos. :) :D

      • O tablet da Galinha Pintadinha vende horrores rapaz!! hahahahaha
        Se bobear tem até da Peppa Pig, a nova sensação da criançada! É simplesmente o programa da tv brasileira com maior audiência, e só passa na tv fechada! :O

      • thiagones80

        Talvez certos chinesinhos Effa que tiveram o teste de longa duração interrompido pela 4 rodas devido a insegurança geral do carro.

      • Plínio Cesar

        A maioria dos consumidores não compram tablets para explorarem ao máximo. Apenas para acesso à Internet, Twitter e Facebook.

        • O problema é que nem para esse uso alguns desses tablets prestam.
          Meu irmão ganhou um em uma gincana da igreja, tentei usá-lo por algum tempo porque haviam roubado meu celular e é impossível usar o navegador padrão. Como o Opera Mini ele até fica usável, mas para o usuário leigo é uma dor de cabeça fazer uma ação um pouquinho mais pesada.
          Em compensação em 2012 comprei um Genesis para um colega da faculdade por R$ 370,00 e ele consegue usar o aparelho até hoje de forma decente.

      • Felipe Lima

        Outra dica Rodrigo, tenta pegar um tablet que tenha DTV. Isso é muito importante para essa faixa de publico.

  • luizalbertotj

    Eu vejo muita gente comprando tablet nessa faixa de preço. Sempre que me pedem indicação, eu faço pelo menos de algum Samsung/LG/HP/etc, por volta dos R$370, mas muita gente vê esse tablets de menos de 200 reais e compra sem pensar duas vezes.
    Eu não vejo problema em alguém comprar isso, mas sempre explico que ele não pode exigir muito deles.
    A maioria que vejo comprar, são Pais comprando pros filhos jogarem (crianças pequenas normalmente não ligam pra lentidão dos games, principalmente se nunca viram algo melhor), ou só pra acessar redes sociais.

  • Rafael Machado de Souza

    No meu ramo de ERP a compra do tablet pelo cliente é para uso de vendas na rua.
    Como qualquer empresa que opta por Uno ou Palio eles tambem optam pelo tablet mais barato (da marca Genesis, no caso). O desempenho é sofrivel, mas para o uso de vendas é utilizavel. Claro que a bateria mal dura 4 horas, mas o problema é deles. Haviamos indicado HP, Samsung e Asus, mas as pessoas não pensam a medio ou longo prazo. Logo esses Genesis estarão defeituosos, mas nós avisamos. Lavamos nossas mãos hehehe.
    Pior que vejo muita empresa usando tablet de qualidade duvidosa para seus funcionarios. Ao menos atualizaram-se, pois algumas ainda usam palm ou windows mobile.

    • Ed

      Entendo que a comparação com o Uno e o Palio se refere ao preço ser menor quando comparados aos modelos concorrentes, mas nesse caso os carros mais baratos ainda oferecem uma experiência aceitável, até mesmo boa, pelo menos os modelos mais novos dessas duas linhas.

      Sobre os tablets que você citou, fiquei pensando na questão da bateria mal durar 4 horas. Como os vendedores usam ele na rua? Mal aguentam uma manhã inteira, hehe

      • Rafael Machado de Souza

        isso, e se os usuario dão pau nos veiculos a manutenção dos mesmos é barata, ou em certas empresas os mesmos são até alugados.

        com os tablets é similar. não dá pra comprar um ipad e correr o risco de ser assaltado, hehehe.
        e se a bateria dura pouco o problema é deles. nós deixamos bem claro que esses Genesis (by paraguay) teriam seus problemas, =P

  • Ed

    Meu irmão comprou há menos de 1 ano um tablet para o filho dele jogar.

    Se ele está satisfeito? Nunca perguntei, mas faz meses que nem vejo mais ele com o tablet. Imagino que isso responde por si só.

  • Vagner Aniceto

    Comprei um destes de R$ 300, um tal de Genesis (tem specs melhores que meu xperia neo) pra minha filha quando ela fez 8 anos. Netflix, Youtube e Joguinhos simples. Comprar qualquer coisa mais no cara seria desperdício.

    • Thalles Ferreira

      Pra uma criança de 8 anos que tende a ser menos cuidadosa que um adulto, acho que tem que ser por aí mesmo. O problema é quando um adulto se sujeita a “ter por ter” um Genesis querendo a experiência de um iPad/Tab S/Nexus, aí pega uma bomba dessas e passa a dizer que tablet não serve pra nada.

  • Boa parte compra porque realmente não consegue comprar os tablets melhores. Mas também tem aqueles que só querem entregar algo pra distrair as crianças, praticamente descartável.

    • rodrigo

      Cara, não é descartável não, se tu tem um console de games, para que limitar a experiência em uma tela pequena, com jogos por vezes com bons graficos mas não se pode pedir muito…. vende porque faz aquilo que promete, agora esperar três segundos por uma transição para alguns pode ser sofrimento, para outros não..

      • Bem, eu tive um, e foi descartável. Quebrou rapidinho :)

  • É importante levar em conta a percepção da experiência, decerto não é igual para todo mundo. Isso é uma bolha intransponível, mas todos já devem ter percebido isso alguma vez.

    Meus pais, algumas vezes, nem se dão ao trabalho de colocar o canal da TV a cabo em HD por preguiça. Todos já vimos alguém que usa navegador com busca padrão alterada e barras por exemplo. A pessoa realmente não está se importando com os travamentos e lentidões do dispositivo barato, logo a experiência da pessoa é ruim mas decerto não é algo tenebroso como seria para nós.

    Até entre geeks há essa diferença, vide a dificuldade das pessoas entenderam os trunfos da Apple: não dá para trocar launcher, como você quer usar isso?.

    • Ah, mas no caso desses tablets baratos só falta de parâmetro melhor explica. Ou síndrome de Estocolmo, rs. A diferença é muito gritante.

      • Saulo Benigno

        Essa diferença afeta só a gente… a gente que conhece o mais rápido… já está acostumado com essa ultra velocidade.

        Quem começa no menor, não sabe que ta lento ou devagar, usa o facebook que é uma maravilha.

        Sério, eu nunca vi ninguem reclamar, vejo rodar tudo tranquilo, jogar “pou”, acessar tudo e ser feliz :P

        Sim, com menos de 300 reais, assustador.

  • Senna

    Sim, provavelmente as pessoas que compram esses baratos são as pessoas que querem ver qual é a dessa tecnologia mas não querem arriscar muito em algo que elas não julgam ser algo realmente necessário. Mas eu te pergunto outra coisa, qual o tamanho do mercado da samsung no Brasil? Nas 4 cidades em que mais frequento a propaganda mais feita e sempre em cima dos galaxys da vida, a maioria na faixa dos R$ 400~~800, originais mesmo. A maioria dos meus amigos que tem um tablet acabou optando pelos galaxys também.

    • É boa. Segundo a matéria da Folha, citada ali em cima, a Samsung é a segunda em vendas no Brasil, com 15% das vendas. (A primeira, DL, tem 30%.)

      • Senna

        Só para acrescentar, já tive dois produtos da DL. Em termos de performace eu não vejo o grande problema, quando se paga um valor baixo você se conforma com o desempenho baixo, mas o que me fez nunca comprar novamente ou recomendar a marca foi a qualidade de construção. São produtos que não tem polimento e provavelmente nem testes de qualidade aceitáveis, em resumo: estragam com muita facilidade.

        A questão é a falta de conhecimento das pessoas sobre as marcas ruins. Lembranças da CCE que só ficou com uma má fama depois que as pessoas acharam um significado para o seu nome (“concerta, concerta, estraga”). Acho que essa é uma questão obvia da cultura brasileira de não estabelecer padrões mínimos aceitáveis para as coisas.

  • rodrigo

    Cara, tenho um CCE aqui que me custou R$195,00 … me serve para ler emails, acessar conteúdo de vídeo e streaming, social, jogar um emulador e ler um livro…. tem 1gb de ram e android 4.2.2, me serve muito bem para aquilo que necessito, e dentro da proposta do mesmo, então é bem verdade que para funções basicas, eles atendem bem, ainda mais para quem tem pc ou note, é só um complemento.

  • Ibraim

    Esqueceu dos CCE, aqueles tablets malditos. E de fato, o IDC está correto, o povão só compra isso mesmo. E você está certo: o desempenho não é nada mais que sofrível! E o paradoxo está aí: esses tablets NÃO DÃO CONTA do que as pessoas desejam fazer deles. Não servem pra jogar, não servem pra usar internet, não servem pra nada! E ainda dão defeito na entrada do carregador. Essas empresas são golpistas. E nosso governo permite. Ao povo que compra: muito melhor gastar o dobro num tablet que não faça raiva do que metade num que não sirva pra quase nada e ainda dê problema com dois meses.

    • fromRiften

      Não acho que seja culpa do governo, não. Se trata apenas de educação tecnológica, a pessoa cabeça dura só aprende a desconfiar de um produto muito barato depois que já gastou o dinheiro e teve uma experiência ruim. Vc não sabe quantas eu já tive que explicar pras minhas tias por que o celular do camelô não tem memória suficiente nem pra instalar o app do Facebook.

      • Ibraim

        Repetindo: estou rotulando tais fabricantes de golpistas, por isso disse que seria necessária, ou desejável, uma intervenção governamental, para proteger o consumidor (da mesma forma como existe iniciativa como a da certificação do Inmetro). Mas realmente a culpa é do povo cabeça dura, que escolhe aparelho eletrônico da mesma forma que escolhe político. Daí não tem nem produto que preste nem governo que zele pela sua ignorante incapacidade de escolher. Só ressalvo que não estou me colocando em nenhum dos lados da última eleição, político inútil é um problema generalizado do Brasil.

        • Vagner “Ligeiro” Abreu

          Fã do Gabriel Torres (que adora rotular fabricantes) detectado =p

          • Ibraim

            Quem é Gabriel Torres?

          • Vagner “Ligeiro” Abreu

            Tem um ditado que diz: “Se não quer que deem audiência, não deem audiência”. Só digo que já tive muito respeito por este cara, mas hoje não sou tão fã, já a ponto de repudia-lo. Tem umas opiniões próximas ao tom ignorante que você usou nestes comentários.

          • Ibraim

            Estou procurando algo no que eu disse que justifique e me faça compreender o que você quer dizer com seus comentários. Li agora seu outro comentário, mais extenso, e acho que compreendi seu ponto de vista. Devo ter generalizado com base no que vivi pessoalmente (todos os que conheço compraram não porque sabiam das limitações e quiseram mesmo assim, mas justamente por falta de conhecimento e hoje se queixam pelos problemas que citei) mas se a compra foi consciente pode ser aceitável (mais uma vez, resistindo, não acredito que pessoas comprariam algo tão ruim por esse preço se soubessem antecipadamente dos problemas que encontrariam, se fosse uns R$ 90 no máximo…).

            E não sei bem o que você entende por “tom ignorante”, mas prevejo que seja algo parecido com o tom que você usa na maioria dos seus comentários. Aquela velha história do cisco no olho…

          • Vagner “Ligeiro” Abreu

            Tom ignorante é acusar sem provas ou dar uma opinião de forma estúpida e ofensiva. E sou ignorante com ignorantes, entende?

          • Ibraim

            Você não é ignorante, é imbecil mesmo. Critica justamente o comportamento que é seu padrão. É admirável sua coerência.

          • Vagner “Ligeiro” Abreu

            Assim como provavelmente você age como imbecil também, ofendendo qualquer coisa fora “do seu padrão”. É menos coerente também.

            Assim como é imbecil pedir uma intervenção governamental para “fazer produtos de qualidade”. Estamos em um capitalismo, não em um comunismo. E via de fato, a pessoa pode produzir o que quiser, do jeito que quiser, e consome quem quiser. Se a pessoa não tem quem consuma seu produto, não haverá como produzir mais e assim quem não atende o que os outros querem, cai fora do mercado. Simples assim.

            Mais imbecil é generalizar como se “todas as empresas são golpistas”. Feliz ou infelizmente, todas as empresas, ASSIM COMO VOCÊ E EU, vivem DO LUCRO que fazem. E elas tem que ganhar seu lucro de alguma maneira.

            Se tais tablets existem, é porque existe mercado para eles. Não adianta um governo botar “especificações mínimas” para um produto, sendo de que em alguma maneira, algum empresário pode “cortar algo fora das especificações” e aí produzir algo realmente grosseiro e nada funcional.

            Vale para qualquer coisa a ser produzida: se há um padrão a ser seguido, e é possível segui-lo sem custos altos (devido a patentes e tudo mais), beleza. Fica tudo padronizado, sem algo “de baixa qualidade”.

            Mas estamos falando de produtos que são fabricados na China por empresas que fazem de tudo para exportar seus produtos para o mundo. Passe um dia em uma feira de negócios brasileira para ver a presença massiva de chineses, prontos para vender no mínimo um contêiner recheado de equipamentos. E eles querem lucrar. E quem vende aqui também quer lucrar. E quem compra, quer economizar e ter um produto que lhe atenda.

            Bote uma intervenção governamental (como a propósito acontece com a produção de capacetes, por exemplo, que encarece produtos e proíbe trazer produtos consolidados de outros países), e o mercado se fecha e ganha um patamar alto de valor de venda do produto. Outro exemplo é a questão dos produtos relacionados ao novo padrão de teledifusão no Brasil, o SBTVD. Se antes (no início do anúncio de vendas) os valores eram altíssimos, começando em torno de 200 e daí para cima; hoje, com a entrada de produtos produzidos na China (na mesma qualidade dos tablets), o resultado é que há produtos a partir de 80 reais.

            A comparação ao Gabriel Torres se deve ao tom que ele usa no site dele para definir desde profissionais mais baratos de informática (chamando pejorativamente de “prostitutos”) até fontes e produtos de informática (qualificando de produtos bomba).

            Se eu fosse produzir um site de tecnologia, me recusaria a testar ou exibir os resultados dos testes de um produto na qual não atenda minhas expectativas. Diferente dos Estados Unidos, onde chamar as pessoas de imbecíl e ignorante é comum; aqui, dependendo do tom usado, é passível de processo de ofensa / perjúrio.

            Já levei um processo nas costas por isso, e me dá raiva de ver pessoas ofendendo umas as outras e não levando processo.

          • Amigos, vamos manter a civilidade. Ataques ad hominem não ajudam em nada e só deixam o ambiente PESADO. Conto com a vossa colaboração :-)

            E só um pitaco sobre o “E via de fato, a pessoa pode produzir o que quiser, do jeito que quiser, e consome quem quiser.” Não é bem assim. Existem normas regulatórias, processos de homologação, leis de contra a propaganda enganosa e outras medidas para garantir a qualidade mínima de um produto, de qualquer produto. Elas também valem para tablets e outros gadgets.

          • Guest

            Sinto muito por isso.

          • Vagner “Ligeiro” Abreu

            Não vou pedir desculpas pois tenho que assumir o que faço. Mas imagino que o “ad hominem” pode servir também ao atacar uma empresa ou opinião. Por isso o tom dos meus comentários.

            Quanto ao pitaco: tais normas regulam muitas vezes a base de um mercado, não sua produção. Repetindo: estamos em um capitalismo (onde o poder monetário manda mais) e não em um socialismo (onde os direitos de um cidadão vem em primeiro lugar). Isso em um comentário grosseiro de uma pessoa que não tem muito conhecimento em política, admito.

            E em um país onde quase ninguém (com o perdão da generalização) respeita as leis e tem conivência com a corrupção diária; além de uma educação precária, uma teimosia gigante (vamos admitir, no final todo mundo quer se sentir o certo, o com razão da história, o confortável), o resultado é que não dá para controlar ou punir atitudes que justamente prejudicam a própria população. Puna uma empresa importadora que traz tablets nas quais se julgam “de péssima qualidade”, e no dia seguinte ela abre outra empresa, com outro nome (marca) e o mesmo tablet. E ainda por cima vende. É um ciclo: erros ocorrem pois erros são permitidos por quem interessa ou não. Pessoas querem comprar, dão dinheiro para empresas, que geram produtos de qualidade diferente para ter lucro maior.

            Juntando ao outro comentário que lhe respondi em alguns instantes, é como eu falei no começo: a pessoa (falando das pessoas que compram tablets de 200 reais) quer comprar e pronto. Não vai pesquisar para ver com outros se funciona bem ou não (talvez só alguns “geeks sem grana”), se tem uma boa rede de atendimento, se vai servir para o que ela precisa. Só quer algo que funcione em um primeiro momento e vê se ela atende.

            O que defendo, e aí junta com o fato da sua crítica, é de como nós, usuários mais avançados, mudar a cabeça do consumidor comum, sem denegrir tanto o próprio consumidor quanto o fabricante. Mudar pelo respeito. Meio contraditório, notório os comentários que fiz aqui. Como eu falei, não estamos nos Estados Unidos, e acho que temos que ser bem ponderados. Se o tablet não vale a pena ser comprado, se alguém perguntar, só falar não. Se perguntar o porque, ai sim fala “ah, a qualidade não é a mesma, a duração da bateria é menor, é mais fraco, etc…”.

            Ponto extra: acho que deveria pesquisar mais sobre alguns tablets baratos que existem no mercado, Ghedin. Coby (acho que não tem mais tanto no mercado), Genesis e uma terceira marca que não me vem a cabeça agora, são meio que reconhecidas como “as melhores” do que provavelmente você chamaria de “marcas sem atuação oficial no mercado”.

            Tem sites como SlateDroid.com, onde estes tablets tem uma espécie de “suporte”, onde pessoas fornecem firmwares, modificações e tudo mais.

            Pessoas que gostam de tecnologia e não tem condições, acabam pesquisando e comprando tablets deste tipo, e meio que “fazem milagres” com isso.

          • Vagner, mesmo no capitalismo existe regulação. Não dá para, por exemplo, uma fabricante colocar no mercado um tablet que não funciona, ou que tem uma bateria suscetível a explosões, ou ainda que tenha uma taxa de insatisfação ou devoluções altíssimas. Existe uma área do Direito que trata disso, o Direito do Consumidor. Nossa legislação é recente e inclusive bem boa.

            O fato de que a maioria (e aqui empresto uma generalização da tua parte) não respeita as leis não é aval para que elas sejam ignoradas. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

            É justamente por essas pessoas que não manjam ainda comprarem tanta coisa ruim que o nosso trabalho, na posição de melhores entendidos no assunto, é importante. Pegando um exemplo mais ou menos parecido: lembra o caso da Neon Eletro? Fizemos a investigação e denunciamos no Gizmodo. Um punhado de gente que compraria da loja e talvez jamais recebesse o produto foi poupada desse transtorno porque pegamos no pé de uma empresa que aparentemente não estava fazendo tudo certo. Há uma diferença importante entre passar a perna e vender um produto ruim, mas no fim o prejudicado é o mesmo: o consumidor incauto.

            E aqui chegamos no ponto que mais me fascina nesse debate: a equivalência que você faz entre pessoas física e jurídica. Uma DL ou Lenoxx da vida não tem sentimentos. O gerente de produtos talvez fique chateado, o marketing (se existe), certamente, mas não é algo que quem trabalha lá ficará remoendo à noite antes de dormir. Já o trabalhador que gasta R$ 200 num tablet ruim e não consegue nem abrir um site, esse sim terá um problemão (dá uma olhada no nível a que esses produtos podem chegar: http://www.youtube.com/watch?v=BE3jqNP1YqU

            Eu tenho uma linha editorial que julgo sensata aqui, mas nela não consta “não falar mal de produtos”. Pelo contrário. Se ele é ruim, é meu dever alertar você, meu leitor. Repetindo a mim mesmo, isso é até mais importante do que indicar o que é bom. E acredite: o cara que compra um tablet de R$ 200 para o filho num varejão da vida não vai entrar no XDA para trocar a ROM do Android.

            Para finalizar, não vou me estender nesse assunto. Li e aceito suas críticas, mas tive que refutá-las para posicionar o Manual do Usuário nessa celeuma sobre recomendações de produtos, como lidar com os ruins e onde fica o usuário/consumidor. Está tudo bem, eu com a minha opinião aqui, você aí com a sua. Bola pra frente :-)

          • Guest

            Me desculpe, você está completamente certo.

  • rodrigo

    Vejo pelos comentarios, que esta distorção se da também por usuários de tablets mais robustos, é questão de mercado e procura, eles são ótimos naquilo que propõe, leigo nem liga para acabamento, coloca uma capa e pronto.

  • thiagones80

    Desapego de uma boa experiência (ou melhor, uma experiência minimamente digna) somado ao desconhecimento da tecnologia e a cultura do “barato que serve”(serve pra quem não tem referência de boa experiência) estão nessa conta. Porque muitos poderiam ter um tablet melhor, mas preferem o mais barato possível. Sob esse aspecto, eu realmente não entendo porque querer ter uma experiência péssima.

    Mas também coloque um fator importante: Nossa renda per capita é baixa.

    Outro dia, vi o entregador (vulgo, motoboy) tirar um tablet desses dxyz mega genesis coby, conectou no wi fi e ficou lendo alguma coisa.. Penso: pra um cara que ganha pouco (bem pouco mesmo), que deve ter família e que corre um risco bem grande de roubo e quebra na rua…. um tablet de 200 pra navegar nas horas vagas acaba sendo uma opção. Não da pra julgar o cara não ter um iPad ou um Galaxy top e inclusive o LG baratinho de 350, pq 100,00 podem fazer uma diferença enorme pra esse tipo de consumidor.

    Sobre as crianças: Concordo em partes. Um tablet ruim é uma experiência ruim até pra criançada. Eu penso: tela ruim, brilho desregulado e touch problemático podem ser até danosos.. Entendo que comprar um iPad 2 usado, colocar ele num case pra criança (tem um que deve ser mais resistente que titânio e ainda é coloridinho) talvez seja mais jogo.

  • Fernando Camilo

    Na minha realidade, (dos tablets baratos que já testei) o mais sofrível, tanto em construção do produto e software (android froyo) foi esse aqui da DL, http://www.dl.com.br/tablets/a7-plus-detail
    Minha irmã (de 9 anos) ganhou de presente, só que o bicho é tão ruim, que está parado, quando a tela é desbloqueada, aparece em seguida algo como “android.launcher.com parou de funcionar”… e nada funciona…

    • Ed

      Então, acho que a experiência proporcionada pelo tablet que o meu sobrinho de 8 anos ganhou é por aí também, porque aparentemente ele abandonou o “brinquedinho” depois de poucos meses.

      Ele demora uma era para ligar, desliga sozinho várias vezes, a bateria dura pouquíssimo, a tela é péssima, não reconhece direito os toques, tudo desde os apps mais básicos demora um tempão para abrir, e vive aparecendo essas mensagem de “android.xxx.xxxx parou de funcionar”. Claro que os materiais e o acabamento também são péssimos, e o Android que vem é extremamente defasado. Junte tudo isso a uma memória RAM de 256MB e imagine o resultado.

      Minha opinião é de que, no final das contas, aparelhos tão baratos e ruins assim acabam não atendendo direito nem mesmo as utilidades mais básicas que se espera de um tablet. Seria melhor pagar um pouco mais para ter um modelo básico da Samsung, LG, etc… usado, que seja.

      • Fernando Camilo

        Exatamente.

  • David Matheus Santos Sousa

    Quem compra?
    Sei quem quer comprar: minha vó que quer dar de presente pra um sobrinho que vai fazer 4 anos.

    Mas parece que até ele sabe que um tablet desse preço é sofrência, ele diz com todas as letras que quer um Nokia Lumia Verde (igual ao do primo aqui ;-))

  • Witaro

    Meu irmão tem um desses DL há um ano e poucos meses (Jellybean). A ideia era experimentar. Chegou a ir para a assistência uma vez, mas disse que foi fácil de achar e não ficou muito tempo. Diz que não trava e dá conta de navegar na internet e coisas básicas (além de alguns joguinhos). Devem ser os preferidos para fazer promoções na mercearia da esquina (“Compras acima de 20 reais concorrem a um TABLET!”) e rifas tbm.

  • Luis Henrique

    É a mesma pergunto que me faço sempre.
    Minha namorada (alfabetizada e consciente digitalmente) caiu na besteira de comprar um tablet baratinho da CCE que estava em promoção no supermercado. Acho que ela não gastou nem R$ 200,00. Resultado: o aparelho não durou nem 4 meses; o botão de bloquear a tela/ligar o aparelho deu defeito e ao tentar consertar ela quebrou a tela.
    Como ela usava o tablet basicamente para leitura, comprei um Kindle de presente e hoje ela está satisfeitíssima.

  • Vitor Nunes

    O pessoal que compra normalmente é quem só quer usar para ver vídeos ou ler normalmente… Acredito que as pessoas que mais compram são os pais, pois os filhos querem um tablet e algumas famílias não tem uma renda alta r acabam comprando esses tablet’s… Eu já usei um FSM787S (Foston) e ei usava só para videos no YouTube e ler, pois o hardware era muito fraco para diversas coisas.

  • João Paulo Bernardes

    Minha tia de 40 anos comprou um desses barachinos pro meu sobrinho de 8 anos. Ele joga jogos em flash, e poucos apps. Ta felizão.

  • Saulo Benigno

    O dia em que você fizer um review desses tablets, seus posts vão bombar na internet, vão ser ponto de referência, sério. Muita gente procura os mesmos.

    São tablets baratos para quem quer apenas acessar o Facebook. Ponto. Minha mãe tem um, e conheço outras pessoas que também tem.

    • Vagner “Ligeiro” Abreu

      Já vi alguns reviews no Youtube. Basta procurar pela marca.

    • Eloy Machado

      Saulo, você tem razão. Alguns reviews sobres esses tablets iriam preencher um vácuo interessante, e como você disse, serão ponto de referência. Anota essa ideia, Ghedin!

      • Pedi um tablet para review à DL, mas acho que ignoraram meu e-mail :-D

        Mas… um amigo tem um desses. Vou pegar e ficar uns dias para escrever um review. AGUARDEM!

        • Saulo Benigno

          Agora sim :D
          Boa!!

          Fico curioso para saber as visitas e retorno do Google em visitas.

          Trabalha bem o SEO, palavras chaves ‘review’, ‘critica’, ‘tablet dl é bom’, ‘tablet dl presta’. Lembrando que quando o pessoal pesquisa no Google normalmente faz como pergunta :)

          E outra, uma sacada genial, no final você pode colocar um link básico “por um pouquinho a mais você pode comprar o tablet X, de qualidade bem melhor que o esse, neste link aqui, ajudando assim o blog”, algo assim… pense que vai ser legal :)

          Sim, fiquei bem curioso… trabalho com essas coisas :)

        • Saulo Benigno

          Ah, e outra, para você ver como esse tipo de assunto rende, até esse post que nem é direto um review, já deve ter boas visitas, tanto que os comentários já passaram de 60 :)

          O único outro post daqui que vejo bombar nos comentários é aquele dos impostos, claro que 90% dos mesmos são de dúvidas… daí você tira que existe oportunidade nessa falta de informações na internet :)

  • Glauber Silva

    Vai depender muito do pra quê o tablet vai ser usado. Os pais da minha namorada, por exemplo, ficavam o tempo todo usando o notebook dela pra ver filmes e vídeos no Youtube. Ela comprou um tablet se não me engano da DL, de 10 polegadas, por 299 reais. Pra eles foi o suficiente! PS: chegamos a mostrar o iPad Mini pra eles, mas por não ter entrada pra cartão SD eles continuaram com o DL por ser infinitamente mais barato.

  • Vagner “Ligeiro” Abreu

    Noto que ainda estamos em 2014 e os “hard users” de tecnologia implicam com tecnologias mais baratas para a população, além dos velhos esteriótipos de sempre.

    Os tablets atuais na casa dos 200 reais tem em grande parte um processador de 1 Ghz e 512 MB de RAM. Perde na memória, mas basta entender o uso final para ver que ainda serve para algo. Alguns já tem 1 GB de RAM, então já é um ponto a mais.

    Como já dito por um dos comentários, o uso padrão é ler e-mails, ver vídeos (no tablet, a pessoa acaba vendo vídeos em qualidade “padrão” mesmo, e nem esquenta com HD – lembremos que a velocidade média de internet é de 1 Kbps (se o Emmanuel encher o saco com padronizações, eu enforco o mesmo :p ), e claro, alguns joguinhos leves (Angry Birds, Pou, os jogos mais mainstream que tiver por aí) e leitura de textos em PDF ou outro formato.

    Hoje o poder de compra está um pouco menor. E as pessoas querem algo barato e funcional. Não precisa ser “do bom”, “o Top”. Isso acaba sendo status – e as pessoas de alguma forma se preocupam com isso, uma vez que sabem que andar com um tablet na rua, acabam sendo alvos de criminosos.

    Possuo um tablet Genesis com 1 Ghz de memória e de Ram, não me atentei. Porém, fico apenas jogando com ele, e me atende bem. Já até dá para fazer alguns trabalhos de rua quando preciso.

    Um detalhe extra: estas marcas “secundárias” (como Multilaser por exemplo), provavelmente estão mais atentas ao mercado, e hoje trazem produtos um pouco melhorados. Tenho um celular desta marca há um ano e me atende bem. Só que não é smartphone, é celular comum mesmo de três chips A duração de bateria hoje é razoável (está em média de 2 a 3 dias em standby – depende da quantidade de ligações que recebo) e o único problema que noto, e não sei se é do aparelho ou das linhas (que já sofreu com chuva uma vez) é que ao ligarem ao meu número, aparece as vezes como “número inválido” :

    Tá na hora dos “hard users” pararem de preconceitos e esteriótipos. E entenderem que existe um vasto mercado, e vários tipos de clientes a serem atendidos. Muitas vezes o “top” não atende como se deve, ou acaba sendo um gasto a mais. Um tablet mais barato pode ser até mais honesto para um consumidor comum.

    • Não concordo com esse ponto, Vagner. Tecnologia de consumo é uma das áreas mais “honestas” na relação custo-benefício, ou seja, você usufrui do que paga. O “top” atende muito mais perfis, e melhor, do que qualquer solução lapidada para públicos segmentados. Devem existir, mas não consigo enxergar exceções muito claras a essa regra. Quando me perguntam qual o melhor smartphone para quem nunca teve um, indico o mesmo para quem já usa há tempos.

      Esses tablets baratíssimos são ruins para qualquer usuário. Aquele BAK que analisei de brincadeira para o Gizmodo era absurdamente ruim. Tela ruim, desempenho ruim, bateria horrível, nada se salvava. É desse tipo de equipamento que estamos falando. Existem xing-lings decentes? Sim (e parece que o seu se encaixa). Mas tem muita bomba que ninguém usa porque quer — e, na maioria das vezes, compra na inocência.

      • Apenas para confirmar o que você comentou: na nossa empresa estamos desenvolvendo um software de gestão empresarial web que deverá rodar em pc’s e tablets.

        Para garantir que ele seria operacional em telas pequenas, comprei um DL A7 Plus (http://www.dl.com.br/tablets/a7-plus-detail) para testar. Na loja onde visitei estava em promoção por R$ 269,00 (e em 10x sem juros, acredite!!!). Pedi ao vendedor para testá-lo e de imediato me assustei com a baixíssima qualidade/contraste das cores. A iluminação era fraca mesmo para um ambiente interno (é impossível ver algo nele em local com luz ambiente). A velocidade era aceitável nos aplicativos disponibilizados no aparelho.

        Bom, comprei o produto e pedi para minha esposa testá-lo (usando facebook, algum jogo de paciência e digitação de textos).

        Aí começaram a aparecer as surpresas desagradáveis:

        1) Ele é lento até para editar um texto (o que me deixou abismado, já que não consigo imaginar algo que consuma menos recursos de CPU do que um notepad);

        2) A bateria não dura nem 2 horas, mesmo usando-o para acessar o facebook via wi-fi;

        3) Mesmo desligado a bateria descarrega sozinha durante a noite, necessitando recarga pela manhã;

        4) A parte “touch” do aparelho funciona “marromenos”: com frequência não é reconhecido o toque na tela e é preciso repetir novamente. Para um aplicativo comercial, repetir a operação de pressionar um botão ou selecionar um item em um combo, é até “aceitável”, embora irritante. Já em um jogo, pode esquecer!

        Eu não posso nem reclamar, já que o vendedor da loja havia falado que o produto era realmente ruim (explicou que normalmente o público-alvo eram pais comprando para bebês assistirem filmes da galinha pintadinha e afins). Mas não esperava uma qualidade tão baixa…

        • Ed

          Chega a ser irônico que um dispositivo móvel tenha uma bateria tão ruim a ponto de durar 2, às vezes até 3 horas.

      • Vagner “Ligeiro” Abreu

        Não vejo asssim, Ghedin.

        Honestidade é oferecer um produto que atende e pronto. A “qualidade” em si tem em qualquer forma de produção e venda. Sinceramente, sou da filosofia de que “se é possível fazer bom e igual para todos, que se faça”. Meio “comunista”, mas bem, acho que é o melhor quando se fala para atender uma grande parcela das pessoas e equilibrar a balança. Só que infelizmente tem disputas de patentes, custos embutidos em produção e tantas outras coisas que não sei nem comentar.

        Já vi pessoas reclamarem de um Samsung e preferirem um de “marca secundária” também. Até porque se só marca fosse sinônimo de qualidade, pessoas pagariam pela marca, não por produto.

        Não vou negar que sim, existem produtos péssimos. Mas se existem, vejo que há possibilidade com eles, nem que seja para uma pessoa usar como “coletor de dados” para sair na rua e fazer pesquisas ou vendas. Tudo é possível. O ponto é que o “cara da informática” pensa em sempre comprar o top, pois no fundo vai fazer algo e pegar um pra si também.

        A história do BAK no Gizmodo só li uma vez e depois nem vi mais. Sinceramente, odeio este tipo de humor. Se o produto, site ou qualquer outra coisa é ruim, prefiro não dar audiência/divulgação. Audiência negativa é audiência da mesma maneira, e no final só vai gerar no mínimo uma irritação por parte do alvo da piada.

        • “Audiência negativa é audiência da mesma maneira, e no final só vai gerar no mínimo uma irritação por parte do alvo da piada.”

          E o consumidor que compra às cegas e se depara com um produto ruim? Ele definitivamente ficará irritado, e é a parte fraca da relação de consumo. A análise de produtos ruins é, se duvidar, mais importante que a de bons produtos. Ninguém se arrepende de comprar algo bom, já coisa ruim…

          • Vagner “Ligeiro” Abreu

            A maioria dos consumidores compram às cegas. Não é qualquer um que consulta um site de gadgets, um “especialista” ou alguém que no mínimo sabe alguma coisa.

            No máximo pergunta para o vendedor se o produto é bom mesmo e acabou.

            E bom e ruim é subjetivo. Esse é o problema principal nessa conversa: o que pode ser bom para você, não é bom para mim, e vice-versa. Simples.

  • Vinicius Brites Sotti

    Nesse preço um dos melhores que já usei foi esse daqui http://www.comprasparaguai.com.br/tablet-genesis-gt-7305-8gb-7_6499/

  • Rogério Silva Oliveira

    Quero comprar um tablet barato apenas para ler quadrinhos, para as outras funções já tenho Smartphone + notebook + ps vita. Os únicos fatores que estou procurando são uma tela maior que 7″ e uma bateria que dure pelo menos 3 horas. Então, respondendo a sua pergunta, eu serei o consumidor de um desses tablets. Como minhas expectativas são muito baixas, acredito que ficarei satisfeito.

    • Ed

      Já que é só para ler quadrinhos, eu suponho que você estaria melhor servido por um Kindle do modelo mais básico. Eu não posso dizer nada sobre a experiência de uso porque não tenho um, mas já vi várias vezes pessoas falando sobre ler quadrinhos nele, dá uma pesquisada que você encontra fácil. :-)

      Por um preço bem parecido ao de um tablet barato, você tem um dispositivo cuja bateria dura um absurdo, cerca de 1 mês, em vez de 3 horas. Infelizmente a tela é menor que 7 polegadas, mas ainda acho que deve dar para ler confortavelmente.

      • Rogério Silva Oliveira

        Minha namorada tem um kindle, a tela é incrível e a bateria também, porém, a tela é preto e branco, até já tentei ler mangás nele, pois também são preto e branco, mas não foi uma experiencia muito boa. Para a leitura de comics americanos, ainda que a tela não precise de muita resolução ou contraste, a cor é indispensável.

      • Saulo Benigno

        Mas o Kindle não é em preto e branco?

        Tive um iPad 1 e lia quadrinhos nele que era uma maravilha, mudei para o 2 e melhorou muito o carregamento das páginas, na mudança mesmo, de uma para outra durante a leitura… não sei como deve ser isso em um desses tablets mais genéricos.

        PS: Ghedin, parabéns :)

      • Mangá dá para ler numa boa no Kindle, basta usar o Mangle para converter imagens em um formato mais fácil: http://foosoft.net/mangle/

        Para quadrinhos americanos, deve ser complicado pela questão das cores.

  • Matheus S. Bueno

    Ghedin,

    É incrível como certos assuntos dão ibope. Bom, pensando
    nisso, fiquei curioso e fui dar uma olhada no best buy, na sessão tablets. Lá,
    tal como aqui no Brasil e na Sta. Efigênia – SP, existem enxurradas de opções (marcas
    e S.O´s) e preços, alguns por 1 dólar com contrato. Certamente não entregam boas
    experiências de uso, mas passam por algumas regras básicas, tal como aqui no
    Brasil, para serem homologados e passam também no crivo de alguns consumidores.
    Já é um excelente avanço em uma sociedade desigual que existam tais regras
    governamentais, mas, independe de nós, os geeks ou qualquer PHD livre docente
    no assunto, conscientizar, pois o que define uma compra é a realidade pessoal.
    Quais os riscos de se ter um Ipad em San Pedro Sula (Honduras), Cali (Colombia)
    ou São Paulo (que nem figura entre as 50 mais violentas), passeando pelo centro
    pesquisando a melhor maneira de se chegar ao teatro municipal saindo da Rua
    Helvétia? E o motoboy e sua rotina, como já citado por algum colega aqui mesmo?
    E o papai que vai presentear seu filho e este, não sabe do valor que foi
    investido em um Ipad 2, que seja?

    Acho que a Motorola está de parabéns com Moto G, de novo ele.
    Tal como mostra a estatística do texto, são 9 mi de smartphones contra 1,2 mi
    de tablets, portanto, 7,5 vezes mais. Aonde quero chegar com isso? O G acessível
    e bastante honesto no geral supre todas as necessidades do usuário inicial e
    médio e deixa para os tablets tão somente a função leitura de sites e emai´s
    (ainda com o sofrível 3G que temos no geral); Ebooks (bastante questionável também
    pela qualidade das telas) e alguns jogos. Tudo isso que disse ainda é bastante
    relativo, mas é uma realidade. Não só a brasileira como constatado em uma rápida
    pesquisa no best buy.

    A importância está, no meu entendimento, em observar
    criticamente estas realidades e montar perfis sociológicos e antropológicos para
    cada pais e/ou interpaíses. E ai ficou ótimo a relação da tecnologia, ainda que
    tosca tal como em tablets e smartphones de até R$300,00, e a decadência dos orelhões,
    por exemplo. E os guias da “Quatro Rodas”, cadê? Ótimo também a constatação do
    Sr. Paul Thurrott e imagino que serviu para muitos de nós. Vejo isso no meu
    trabalho quando me pedem conselhos de boas opções de tablets. Eu travo. As
    pessoas têm um pré-conceito e esperam de um tablet DXYEF o mesmo desempenho de
    um Razr D3, D1 ou Moto G. Incompatível. E ai não tem jeito de simplificar a
    resposta. Depois eu olharei todos os dias para a pessoa e ela nunca esquecera o
    conselho mal dado.

    Abraço Ghedin.

  • Rogério Calsavara

    Eu compro um tablet de menos de R$ 300, mas sei das limitações desse tipo de produto e para o que eu preciso ele me satisfaz. E outra, sabendo escolher tem produtos muito bons nessa faixa de preço. Comprei um modelo da AOC e ele é muito bom. Muito bom mesmo. Posso dizer com propriedade porque tenho também um Galaxy Tab 2 de 7 polegadas e o AOC é quase tão bom quanto ele. O Galaxy é melhor que o AOC? Claro, o Galaxy é melhor, mas pouca coisa melhor. O AOC é realmente muito bom e paguei apenas R$ 210 por ele. No uso cotidiano ambos se equivalem. Inclusive na tela. Onde o Galaxy se sobressai é nos jogos, onde aí o poder do Galaxy se faz sentir, mas isso apenas naqueles jogos mais pesados. Para a grande maioria dos jogos o desempenho do AOC se equivale ao Galaxy. Diferença brutal mesmo é na capacidade de armazenamento: 16 GB no Galaxy e apenas 4 GB no AOC. Escolhi o AOC porque julguei que é uma marca mais robusta em comparação aos “brasileiros”. E agora vem a minha outra experiência. Minha mais recente aquisição é um tablet da QBex. E o preço dele foi de R$ 230, ou seja, maior do que o AOC. E ele é pior do que o AOC, mas não um pouco pior. Muito pior. Tela de resolução pior e de aparência lavada e visualização ruim, feio mesmo. Tem apenas metade da memória RAM e engasga por qualquer coisa. Mas… e sempre tem o mas… para o que eu uso, está de bom tamanho. Leio livros, navego na internet e leio e respondo meus e-mails. E ele funciona bem pra isso (há que se ter paciência em algumas ocasiões). Mas vejam como é importante saber escolher: dois tablets baratos, um da AOC e o outro da QBex e o mais barato (o AOC) é muitíssimo melhor do que o mais caro (o QBex). Por que então comprei o QBex? Eu não comprei na verdade. Eu comprei um notebook e o tablet veio de brinde. Eu não paguei nada por ele, mas na nota fiscal veio discriminado o valor de R$ 230. Dei o AOC pro meu filho de 12 anos e fiquei com o QBex. Se o meu filho ficasse com o QBex com certeza estaria frustrado porque pra jogos o QBex é muito ruim mesmo, mas o AOC dá conta do recado.

    Por fim, mesmo o QBex, que é bem ruinzinho, ainda é muitíssimo superior a esse iTablet que tem o vídeo review aqui nos comentários. Esse sim é terrível!!! Então mais uma vez é importante saber escolher.

  • Adam Lewis Charger

    Usei por 1 ano e meio um Genesis, dual core, 1GB de Ram e tela HD. Usava para ler os conteúdos que os professores mandavam e eu não queria imprimir para usar na faculdade. Me serviu perfeitamente, hoje uso ele para alguns jogos bobos, pois não gosto de jogar no meu Smart e está cheio de música, plugado a minha caixa de som. Não tenho do que reclamar.

  • Felipe Lima

    Minha mae tem um Samsung Tab 3 Lite DTV. Para o uso dela, redes sociais, Internet, Youtube, TV digital e o app da “A Fazenda!”. Ela pagou no máximo uns 350 reais.

    Para o meu uso, que “forçaria” um pouco o multitarefas dele, talvez nao serviria. Mas pra ela esta sendo usado muito bem. E a bateria passa de um dia tranquilo com ela! :D

  • Louis

    Achei a opinião de vocês bem preconceituosa por considerar que tudo abaixo desse preço é apenas uma experiência frustrante. Pode não ser como “mágica”, mas nem de longe é tão ruim da forma que foi apresentado.