Design da pistola d'água da Apple.

Emoji de arma vira um inofensiva pistola d’água nas principais plataformas

Por
27/4/18, 11h08 3 min 42 comentários

Em agosto de 2016, a Apple atualizou e introduziu 100 emojis no iOS 10, então em testes. O mais polêmico foi o da arma, que passou de uma representação realista de um revólver para uma pistola d’água, de brinquedo. Agora, todas as outras grandes empresas estão atualizando seus emojis de arma para o padrão definido pela Apple.

Google, Microsoft, Samsung e Twitter já mostraram como ficarão seus respectivos emojis de arma. O Facebook, mesmo não tendo exibido ainda o emoji redesenhado, confirmou à Emojipedia que acompanhará o grupo.

Na época em que a mudança ocorreu nas plataformas da Apple, a empresa não se manifestou sobre a então nova pistola d’água — o comunicado à imprensa focou mais na diversidade do conjunto de novos emojis. Analistas externos viram o movimento como uma reação aos sucessivos ataques com armas de fogo nos Estados Unidos e uma maneira sutil da Apple de entrar na discussão sobre a regulação de armas.

“Vejo a pistola d’água verde como uma inovadora e ressoante maneira de a Apple anunciar seu posicionamento em uma questão política polêmica”, disse Shiv Putcha, diretor associado de consumo em telecomunicações e mobilidade da IDC, à CNBC.

O pioneirismo da Apple, porém, causou alguns ruídos de comunicação. Jeremy Burge, editor da Emojipedia, apontou à BBC que uma mensagem inofensiva que incluísse o emoji de arma enviada de um dispositivo Apple poderia ganhar outra conotação ao ser recebida em um dispositivo Android.

Diálogo com emoji de arma em diferentes plataformas.
Imagem: Emojipedia.

pesar de ser um padrão, o modo como os emojis funcionam dão às empresas que os utilizam alguma discricionariedade na exibição. O Unicode, órgão que analisa e aprova os emojis, cria descrições e desenhos básicos; cabe às empresas desenhar em cima das especificações do Unicode — algo que, com alguma frequência, gera tais ruídos.

A especificação do emoji de arma não diz se ela deve ser real ou de brinquedo, o que deu a brecha para a mudança promovida pela Apple. Por ter o conjunto de emojis mais influente — talvez fruto do pioneirismo no ocidente — ou porque as outras empresas se alinham no posicionamento anti-armas da Apple, agora elas também estão mudando seus emojis.

A evolução do emoji de arma

Evolução do emoji de arma nas principais plataformas.
Clique para ampliar em uma nova janela. Imagem: Emojipedia/Twitter.

Veja quando e em quais circunstâncias cada grande plataforma alterou seu emoji de arma:

  • No Twitter, o novo desenho da arma foi introduzido neste mês;
  • A Samsung também fez a alteração a partir do Galaxy S9, lançado também em abril;
  • O Google também já começou a distribuir uma atualização do Android que substitui a arma de fogo por uma de brinquedo;
  • O WhatsApp usa uma arma de brinquedo laranja desde outubro de 2017, quando lançou seu conjunto de emojis próprios;
  • A Microsoft, pelo Twitter, anunciou que fará a mudança em uma versão futura do Windows 10;
  • O Facebook, como já mencionado, não definiu um prazo, mas confirmou que também mudará seu emoji de arma.
Compartilhe:
  • Felipe Vinhão

    E assim, todos os problemas da violência acabaram!

    Ano que vem, teremos que trocar o emoji dos “carros que invadem calçada e atropelam pedestres” por travesseiros de pluma de ganso.

    • Li esse argumento incontáveis vezes, aqui e lá fora, e te confesso que não o entendo.

      Posso lhe assegurar que ninguém, nem a Apple, nem qualquer dessas empresas, espera que a troca do emoji de arma por um de pistola d’água vá acabar com a violência. Achar isso seria uma mistura de ingenuidade com ignorância em níveis extremos.

      Trata-se de um movimento político, uma forma de dizer, por um produto de apelo massivo, que a empresa é contra o porte e a comercialização de armas, algo que está bastante alinhado ao posicionamento mais progressista que a Apple e boa parte das outras empresas de tecnologia têm.

      E, convenhamos: não é porque um emoji deixa de existir ou não existe que a prática que ele representa(va) cessa automaticamente. (Aliás, de onde vem essa ideia maluca!?)

      • Felipe Vinhão

        De onde vem essa ideia? Não de mim, mas talvez isso:

        ou porque as outras empresas se alinham no posicionamento anti-armas da Apple, agora elas também estão mudando seus emojis

        Enquanto não se compreender que o problema não são as armas, mas quem está atrás delas, e que na proibição de uma, outras coisas podem ser usadas pro mesmo fim – ou serem conseguidas ilegalmente por criminosos como num certo país da América do Sul – os próximos da lista serão esses: 🏒🏹🔦💣🔪💉✂️🚗

        Sem se esquecer do pior: 🎮

        • Nada do que você escreveu responde meu questionamento.

          Talvez sua dificuldade decorra dessa premissa falsa que você deixou escapar (“Enquanto não se compreender que o problema não são as armas”). Uma pesquisa online deve te dar vários estudos no sentido que o problema é, sim, a arma, mas deixo um aqui para facilitar: States With Higher Gun Ownership and Weak Gun Laws Lead Nation in Gun Death http://www.vpc.org/press/press-release-archive/states-with-higher-gun-ownership-and-weak-gun-laws-lead-nation-in-gun-death/

          • Felipe Vinhão

            Obrigado. Ainda sim, acho mais efetivo proibir as doenças cardíacas.
            http://www.worldlifeexpectancy.com/usa-cause-of-death-by-age-and-gender

          • Sim, porque é o homem que manufatura doenças cardíacas e está ao alcance dele interromper essa produção. Por favor, se quiser argumentar, pelo menos tenha um mínimo de coerência. Ou acharei que está aqui só para tumultuar ou me fazer perder tempo.

          • Felipe Vinhão

            Se for pra considerar mortes causadas pelo próprio homem (e ignorando o fato que a própria doença cardíaca em alguns casos é causada por hábitos dele mesmo), então porque ignorar outros atos também praticados por ele que causam mais mortes?
            http://www.commonsenseevaluation.com/wp-content/uploads/2016/06/Causes-Of-Death-In-The-USA-In-2016.jpg

          • Ana Carolina

            ok, você citou em outros comentários várias coisas que causam mortes. Mas aqueles objetos não têm a intenção primordial de matar (a faca, a tesoura, o caminhão, a flecha)… só a bomba, que também não é liberada, rs.

            E o homem tem um controle limitado em relação a doenças (como no caso do câncer), então nem entro nesse mérito… e todas as doenças decorrentes de erros humanos/médicos devem ser evitadas e devem responsabilizar quem errou, uai. Há pessoas que lutam por essa causa também… sao assuntos distintos, apenas. E são erros, não são intencionais… seria outro tipo de homicídio.

            mta gente morre em carro. Ok. Há pessoas que usam caminhões para atropelar. Ok. Quando você vê um caminhão, é nisso que você pensa? É nisso que todas as pessoas pensam? Caminhão transporta carga para lá e para cá, ponto. Serve para isso. E veja que nem são tantas mortes assim, ou esses atos específicos de terrorismo estariam nessa lista…

            E quando você vê uma arma? No quê você pensa? É um objeto criado especificamente para atingir alguém/alguma coisa. E projetado para fazer um belo estrago quando isso acontece… essa é a grande diferença da arma de fogo. Isso faz com que essa arma seja diferente de tantas outras usadas para matar também. É uma ação *direta* contra alguém.

            E perceba que a intenção é atingir algum *outro*.
            Álcool atinge outras pessoas indiretamente… mas quem ferra o próprio fígado é quem está bebendo. Drogas, tabaco… claro que tudo isso atinge a sociedade… mas o próprio usuário consome a maior parte do veneno, por assim dizer. A intenção não é atingir o outro, isso é uma consequência.

            Quem vai morrer com a doença cardíaca? É o próprio que possui a doença. Quem vai morrer se alguém quer usar uma arma? Uma outra pessoa…

          • Felipe Vinhão

            Não discordo do fato que a arma é feita pra se matar. Mas antes do surgimento das armas de fogo, eram utilizados equipamentos cortantes, com ponta… basicamente o que é uma faca hoje.

            Se proibir as armas de fogo, 2 coisas diferentes podem acontecer, muito provavelmente juntas: criminosos passarão a utilizar facas (vide Europa atualmente), e/ou continuarão a utilizar armas de fogo, afinal de contas é um fora-da-lei, e obviamente quem não respeita leis não vai respeitar lei de desarmamento.

          • Ana Carolina

            estava procurando esses dados aí de 2016, nao achei.
            os de 2015 (que saíram em 2016, acho). Vi rápido aqui, posso ter visto alguma coisa errada

            The 15 leading causes of death in 2015 were:
            1. Diseases of heart (heart disease)
            2. Malignant neoplasms (cancer)
            3. Chronic lower respiratory diseases
            4. Accidents (unintentional injuries)
            5. Cerebrovascular diseases (stroke)
            6. Alzheimer’s disease
            7. Diabetes mellitus (diabetes)
            8. Influenza and pneumonia
            9. Nephritis, nephrotic syndrome and nephrosis (kidney
            disease)
            10. Intentional self-harm (suicide)
            11. Septicemia
            12. Chronic liver disease and cirrhosis
            13. Essential hypertension and hypertensive renal disease
            (hypertension)
            14. Parkinson’s disease
            15. Pneumonitis due to solids and liquids

            nao vi ”abortion” como causa

            Firearm mortality
            In 2015, 36,252 persons died from injury by firearms in
            the United States (Tables 5, 6, 8, and I–3). In 2015, the ageadjusted
            death rate for injury by firearms for the total population
            increased significantly, by 7.8% from 10.3 in 2014 to 11.1 in 2015
            (Tables 5, 10, and I–3). For males in 2015, the age-adjusted death
            rate for injury by firearms was 6.1 times the rate for females. The
            rate for firearm-related mortality increased 7.8% for males and
            6.7% for females in 2015 from 2014.

            In 2015, 36,252 persons died from firearm injuries in the
            United States (Table 11), accounting for 16.9% of all injury deaths
            that year. […]

            E no caso específico
            Table 6. Number of deaths from selected causes […]
            Assault (homicide) by discharge of firearms…. all ages: 12,979

            tirei daqui: https://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr66/nvsr66_06.pdf
            e https://www.cdc.gov/nchs/data/hus/hus16.pdf#027

          • Felipe Vinhão

            Realmente não tem. Tem que localizar separado, pois não consideram como “causa de morte”.
            https://www.cdc.gov/reproductivehealth/data_stats/abortion.htm

            Curiosamente, pela página do site, só vai encontrar até 2014. Mas os dados para 2016 aparecem pela página do Google, usando o mesmo site como fonte.
            https://www.google.com/search?q=abortion+2016&ie=utf-8&oe=utf-8&client=firefox-b

        • Ana Carolina

          entendo que existam bons argumentos ”pró-armas”, mas esse que você deu é meio questionável. Sim, o objeto ”arma” é meio problemático por si só…

          Você colocou um emoticon de tesoura aí, por exemplo. Sim, é possível usar qualquer coisa para matar… mas tente matar alguém com uma tesoura e conte quanto tempo demora e quanta força você tem que usar :)

          mas ok, usando um exemplo mais viável: faca. Ainda que dê para atacar/se defender com faca, é mais lento do que uma arma. A mesma lógica de antes.

          alguém poderia fazer massacre com faca, é totalmente possível. Mas com arma é 1000x mais fácil…

          não entendo esse argumento.

        • Ana Carolina

          entendo que existam bons argumentos ”pró-armas”, mas esse que você deu é meio questionável. Sim, o objeto ”arma” é meio problemático por si só…

          Você colocou um emoticon de tesoura aí, por exemplo. Sim, é possível usar qualquer coisa para matar… mas tente matar alguém com uma tesoura e conte quanto tempo demora e quanta força você tem que usar :)

          mas ok, usando um exemplo mais viável: faca. Ainda que dê para atacar/se defender com faca, é mais lento do que uma arma. A mesma lógica de antes.

          alguém poderia fazer massacre com faca, é totalmente possível. Mas com arma é 1000x mais fácil…

          o meu comentário é óbvio e besta, mas sinceramente não entendo quando falam essas coisas.

          • Felipe Vinhão

            Faca pode não ser tão efetivo, mas tem funcionado na Europa. Até mesmo porque é muito mais fácil disfarçar. Ninguém vai muito longe se tiver portando um AK47 na rua, mesmo sendo uma arma mais efetiva que uma faca.

            A mesma coisa com os atropelamentos propositais. Como alguém vai desconfiar que o motorista está querendo atropelar pessoas, ao invés de estar com pressa de ir para o trabalho ou levando a família pra um picnic?

            Agora, se me perguntam se concordo que liberar armas é a solução pros nossos problemas, respondo que não. Mas proibir resolve menos ainda. Afinal de contas, eu posso até não ter uma arma, mas o meliante que tentar invadir a minha casa não precisa ter essa certeza.

          • Ana Carolina

            eu nao nego o potencial que a faca tem e suas vantagens… mas é inviável proibir facas, que servem para n coisas. Mesmo que proíbam todas os objetos problemáticos, sempre poderemos contar com nossas próprias mãos, rs.

            Sim, você está certo nisso… mas é o ponto em que concordo: dá para matar com qualquer coisa e de mil maneiras diferentes

            mas usar arma é muito fácil, rápido… e ela serve especificamente para atirar em alguma coisa, para danificar mesmo. É mais difícil de reagir… com arma equivalente/melhor, as chances aumentam

          • Ana Carolina

            esta eh uma das situações especiais do uso: quando alguém invade a casa (diferente de andar armado por aí). O que não parece justificar uma larga liberação também, mas dependendo da situação é razoável. De qualquer maneira haveria alguma regulamentação…

            acontece que quem tem a intenção de se defender não vira automaticamente um anjo de luz que só mira em [supostos] maus elementos com mira perfeita. Se o sujeito tá dentro de casa, o dano é um pouco ”menor”… um dos dois morre, ou outros membros da família.

            na rua há muito mais variáveis, muito mais distrações, muitos erros…

            https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/youtuber-leva-tiro-na-cabeca-no-litoral-do-parana-diz-pm.ghtml
            estou supondo que a história é verdadeira (se for falsa, outras poderiam ocorrer, é só para ilustrar)

            adiantaria algum adulto ter arma no carro em que a menina estava? Não, porque o ”bandido” queria se defender, apenas.

            ”O meu instinto foi de defesa, na hora de um ato de nervosismo, de ver aquele veículo freando bruscamente e retornando. Simplesmente atirei pra cima, eu não mirei em algum lugar, nem nada. Simplesmente foi para preservar a minha família. A preocupação foi essa. Jamais, eu quis acertar alguém, jamais”

            como disse, nao to me baseando nesse caso, é só um exemplo

            esse ímpeto de defesa pode ser tão letal quanto um ataque. Usam as mesmas armas, né. Mesmas balas que vão acertar o azarado que cruzar o caminho no momento errado, de um jeito errado…
            a boa intenção de se defender é compreensível, mas nao justifica tudo. Às vezes há coisas mais importantes do outro lado da balança

          • Felipe Vinhão

            Sim, concordo com isso. Apesar de, no caso do trânsito que você apresentou, ele também cair da situação de utilizar qualquer coisa perto disponível pra atacar – incluindo o próprio carro.

            E no caso da casa, prefiro pensar que pelo menos tenho 50% de me defender, do que a certeza de 100% que o invasor vai me matar.

            Também acho que o controle que se faz necessário é o de saber se o indivíduo tem a capacidade mental de utilizar uma arma, assim como deveria ser padrão se quiser tirar uma simples carteira de motorista. Só que na atual situação, não temos nem uma coisa nem a outra.

          • De onde você tira que, tendo uma arma, suas chances de se defender são de 50%? Esse número não faz sentido no mundo real. Você não leva em conta a adrenalina, as circunstâncias, a perícia do assaltante e o risco maior que ele está disposto a correr.

            Qualquer especialista em segurança do universo lhe dirá que, numa situação de assalto, o melhor é não reagir. É muita petulância e/ou ignorância afirmar que portar uma arma te deixa seguro quando todas as estatísticas dizem exatamente o contrário.

          • Felipe Vinhão

            Que seja 1% minha chance. Ainda sim é melhor que 0%, como é agora.

            Quanta reportagem que a gente vê atualmente que o cara mata a vítima mesmo sem reagir. Além de, pra mim, isso ser equivalente a culpar a vítima. O bandido matou o cara – quem mandou reagir? A garota foi estuprada – quem mandou usar roupa curta?

          • Você não está entendendo: a sua chance não aumenta. O que aumenta é a chance de você ser ferido ou morrer.

            Quanto a esse salto (i)lógico de equiparar a situação à culpa da vítima, eu peço desculpas, mas não vou entrar na discussão. É absurda demais.

          • Ana Carolina

            a chance que aumenta nao eh de sair ileso. Até profissionais podem errar… imagine pessoas comuns. A chance que aumenta é de atingir o outro cara. E mesmo que consiga, a pessoa pode atirar antes/depois. É, essas probabilidades aí sao difíceis de medir no mundo real…

            reagir a um assalto em casa nao eh muito recomendável mesmo. A sua chance de viver a um assalto é maior que 0% também [eu sei que é um exagero proposital, mas a chance nao eh tao pequena]

            ter uma arma em casa eh mais útil em outras situações de invasão que nao envolvem assalto… que é quando alguém entra especificamente para te machucar/estuprar/matar

          • Ana Carolina

            foi mal pelo textão, rs

        • Gente, aí está a perfeita definição de “tirei o argumento do cu e acho que todo mundo está errado e eu estou certo”. Mas como não dá pra escrever isso, a gente diz simplesmente que isto é puro sofisma.

          • PS: sim, armas matam e são o problema.

          • Felipe Vinhão

            Quem não tem argumento, parte pra ofensa. Então faça o mesmo com o seu post.

          • CQD.

      • binho_0

        Não é q seja difícil entender isso q vc diz, mas há gente realmente disposta a refutar qualquer iniciativa contra as armas, das mais sérias até as mais singelas.

    • binho_0

      Fico impressionado com o engajamento das pessoas em relação a alteração de um emoji. Elas esquecem do plano simbólico, esquecem do valor do simbólico e se saem com essa de que ‘as armas não matam’. É um escapismo da realidade próximo ao de uma criança…

    • manoelpaulo

      A matéria nem cita que com isso os problemas com armas acabarão e o cara manda essa! Que feio!
      Todos os problemas do mundo não são objetos e sim o ser humano.

      • Felipe Vinhão

        Quando se lê no próprio artigo que a imagem mudou por influência de empresas contra o armamento, imagino que o motivo não tenha sido porque achavam a imagem antiga feia, ou sem cor.

  • Melhor arma era da Microsoft entre 2013 e 2015. Atendia o discurso de não ser uma “arma de verdade” e era original.

    O ecosistema das empresas de tecnologia com sua visão encantada sob o mundo, não muda o fato que armas são de extrema importância para a liberdade individual, seja para autoproteção de ataques de terceiros, quanto do próprio estado.

    • Você escreveu “fato” no lugar de “na minha impressão pessoal, sem qualquer base científica” ali.

      • Existem “bases científicas” que apoiam e discordam dessa “impressão pessoal”. Basta escolher o lado que você quer acreditar, já que majoritariamente os trabalhos “científicos” de humanas são dados tratados de tal forma que encaixem com a opinião pessoal do pesquisador.

        Se a academia não fosse tão louca por “resultados e egos”, acabaria desqualificando quase todas essas pesquisas (de ambos os lados) por se tratarem de pseudo-ciência. Já que são dados impossíveis de falsear e replicar.

        • Deve haver trabalhos científicos “de humanas” a esse respeito, mas me referia aos que se baseiam em dados estatísticos. E, vale lembrar, o que você classifica de “loucura por resultados e egos” é a base da ciência, do método científico — existem teses que valem até que outras as provem erradas.

        • você baseia todo seu discurso em uma correlação arbitrária que não tem qualquer evidência de causalidade para então dizer que “essas pesquisas de humanas são todas pseudociência.”

          Parabéns, continue a tentar justificar seu absurdo fetiche por armas com argumentos (pseudo)científicos.

  • Nix

    agora podemos brincar com “bisnagas”!

  • Gustavo Dolcimasculo

    Eu não ia nem ler o texto, apenas os comentários, pois quando vi o titulo sabia que ia gerar treta!

  • manoelpaulo

    Lendo alguns comentários penso que o mundo está realmente perdido.

  • Éric Sousa Serrano

    Ghedin, sou um fã de seu trabalho e leitor assíduo deste blog. Vou colocar algumas questões só por amor ao debate e para fazer contraponto com suas afirmações, me incomodou principalmente quando você começa a usar de escudo pesquisa científicas, sendo que até pesquisa científica pode conter erros, por isso se faz ciência com revisão sistemática e não com pesquisa isoladas, pois diversos fatores podem influenciar o resultas, e vc traz pesquisa isoladas e não uma revisão sistemática séria sobre o assunto, isto não é ciência.

    Vamos lá:

    1) É republicano empresas fazerem ativismos através de seus produtos com questões que não são necessariamente correlatas a tecnologia?

    Nós consumidores queremos saber a opinião do google ou do facebook sobre aborto, armas, sexualidade? É ético isto? não sei dizer, mas fica a reflexão.

    2) Você veio com estatísticas da “States With Higher Gun Ownership and Weak Gun Laws Lead Nation in Gun Death” para provar seu ponto que “mais armas matam”.

    Posso trazer diversas outras estatísticas que entram em conflito com a pesquisa:

    2.1) As nações que mais tem armas, não são as nações com maiores taxas de homicídio.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_taxa_de_homic%C3%ADdio_intencional

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_pa%C3%ADses_por_quantidade_de_armas_de_fogo

    2.2) O Estado de São Paulo é o que mais tem armas no país e mesmo assim tem as menores taxas de homicídio.

    https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/sp-e-o-estado-com-maior-circulacao-de-armas-do-pais-aponta-pf.ghtml

    2.3) Em SP 83% dos feminicídas não utilizam arma de fogo, segundo Ministério Público.

    http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Nucleo_de_Genero/Feminicidio/2018%20-%20RAIOX%20do%20FEMINICIDIO%20pdf.pdf

    3) Só pessoas armadas podem parar assassinos armados.

    Pegue todos os recentes atentados, se a munição do autor não acabou quem parou ele foi um policial armado.

    Essa lógica inclusive é fácil de verificar, desarmamentistas como o Papa e o Freixo possuem escolta armada. Você irá dizer que seus agentes recebem treinamento para tal, e está correto, mas a população nunca terá um policial na sua casa 24 hrs para sua proteção.

    Se a arma não é efetiva para defesa, pq toda autoridade ou celebridade sob risco de vida faz uso da escolta armada? infelizmente as pessoas “comuns” não tem esse caro privilégio.

    4) A Constituição elenca como direito fundamental à vida, e uma das dimensões desse direito é a proteção efetiva à vida. Resumidamente ao tornar impossível o cidadão comprar armas legalmente o Estado está aniquilando seu direito constitucional de defesa, pois a única maneira de estar em igualdade de chances com uma pessoa armada que quer ofender sua integridade física é usando outra arma.

    Resumo:

    – Não existe revisão sistemática que afirme: mais armas é ruim, e menos armas é bom, pesquisas isoladas não fazem boa ciência;
    – Retirar o direito de defesa das pessoas agride os direitos fundamentais da nossa carta constitucional;
    – Mesmo que pesquisas mostrem claramente que estar armado é uma desvantagem, juridicamente tal argumento não pode aniquilar um direito fundamental (Pode restringir, porém no Brasil ter armas para defesa é quase impossível).

    Não tenho opinião formada sobre o tema, só quis trazer contrapontos. Abraços.

    • Obrigado pelo comentário, Éric!

      O que você chama de “ativismo” eu classifico como “política” e, nesse sentido, não acredito que exista atuação “apolítica”. Assim, empresas têm posicionamento e eles pesam, mesmo os menores como trocar um desenho de arma por uma pistola d’água, ou quando o Google demite um engenheiro misógino — veja que até uma questão interna ressoa no ambiente externo. Então, sim, acho que elas têm um papel aí nesse debate público. Retirar as empresas desse contexto criaria um buraco negro nesse debate.

      Não discordo da sua defesa da ciência. Inclusive respondi a outro leitor, aqui mesmo, dizendo que “o que você classifica de ‘loucura por resultados e egos’ é a base da ciência, do método científico — existem teses que valem até que outras as provem erradas”. Isso posto, posso lhe dizer o mesmo que você me disse, que as pesquisas e dados são uma visão parcial do todo e que ignoram circunstâncias alheias à posso de armas. Veja o caso de São Paulo: a diminuição dos homicídios seria resultado da organização do crime, não com armas: http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/01/reducao-de-homicidios-em-sp-esta-vinculada-a-organizacao-do-crime-defende-pesquisadora-1170.html

      O que quero dizer, e no que acredito, é que desconsiderando todas essas variáveis, mais armas não nos traz benefício. É uma convenção tão antiga que o maior expoente dessa ideia que tu coloca, de que restringir armas é “retirar o direito de defesa das pessoas”, está no Código de Hamurábi, de ~2000 a.C. O “olho por olho, dente por dente”. Uma sociedade civilizada monopoliza o poder de agressão ao Estado, não o dilui entre os cidadãos. (Queria que tu me mostrasse o malabarismo lógico que o fez concluir que a Constituição de 1988 é ferida quando se restringe o acesso a armas.)

      A única utilidade de uma arma é matar. Eu não quero, e acho que ninguém em sã consciência desejaria isso, conviver com pessoas armadas, a maioria incompetente, em quaisquer lugares, sob o risco de tomar um tiro num momento de raiva, destemperamento ou mesmo por acidente. Existe o problema, gravíssimo, aliás, da violência e da criminalidade, mas não é batendo de frente que ele será resolvido.

      • Éric Sousa Serrano

        Na esfera individual nós cidadãos podemos atuar de acordo com o nosso desejo, nos limites dos direitos de terceiros. Agora incluir isso num produto de massa da uma boa discussão sobre ética, pois vc retira do consumir seu poder de escolha. Faça o exercício contrário, imagine que alguma dessas empresas faça apologia a algo que você abomina e por questões financeiras vc seja obrigado a adquirir tal produto.

        “O que quero dizer, e no que acredito, é que desconsiderando todas essas variáveis, mais armas não nos traz benefício”.

        Esse é meu ponto Ghedin, a arma não precisa trazer benefício, já que você só vai usá-la para defesa em uma situação extrema onde ninguém vai sair ganhando, mesmo assim você tem o direito de escolha. Dou 2 exemplos:

        1) Uma pessoa armada vem me assaltar, eu armado posso reagir, mas corro o sério risco de ser alvejado durante minha reação de sacar a arma, como o assaltante só quer meus bens a decisão mais coerente seria entregar meu dinheiro para ele e ficar vivo; (aqui deve ser o ponto da maioria das pesquisas contrárias a arma)

        2) Um leitor louco do manual do usuário entra na sua casa Ghedin, ele ficou ressentido pq no tópico sobre pistola d’água vc discordou dele e devido a transtornos mentais agora ele quer matar você e seu filho (fictício para fins de exemplo). Ele entra armado com um revolver calibre 38 com 6 tiros que ele comprou na feira do rolo, o desejo dele é gastar 3 balas em vc e 3 no seu filho. Nessa situação, vc escolhe estar desarmado ou armado?

        Sim, não existe reposta certa, vc pode escolher estar desarmado pq é um pacifista e mesmo vendo a morte iminente prefere arcar com seus ideais até o fim (Sócrates). Ou, você prefere tentar preservar a vida de seu filho a qualquer custo, mesmo que isso lhe traga uma morte quase certa.

        Cabe ao Estado fazer a escolha da 2 opção por você? Eu acredito que não, que certas escolhas são intimas de cada pessoa e não cabe ao Estado interferir, só o indivíduo que está diante da situação pode avaliar as variáveis e quais valores quer preservar, o Estado não pode invadir a esfera de minha intimidade, a menos que eu cometa um crime.

        Quanto ao Código de Hamurábi a comparação não cabe, apesar de trazer a primeira ideia de proporcionalidade entre o delito e a pena, ele era cruel, Cesare Beccaria combate a crueldade das penas no “Dos Delitos e das Penas”, em seguida a evolução histórica do direito proibiu a autotutela do cidadão como você citou,com uma exceção, a autotutela existe em todos os ordenamentos jurídicos modernos e democráticos, ela vive através das excludentes de ilicitudes: legitima defesa, estado de necessidade e em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

        ” (Queria que tu me mostrasse o malabarismo lógico que o fez concluir que a Constituição de 1988 é ferida quando se restringe o acesso a armas.)”

        Não faço malabarismo lógico nenhum, pegue qualquer livro de Direitos Humanos escritos por um jurista, vou citar aqui a doutrina de André de Carvalho Ramos (https://www.saraiva.com.br/curso-de-direitos-humanos-4-ed-2017-9416082.html).

        “Dispões a Constituição Federal de 1988:

        Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

        Dispõe o art. 5º, caput, que é garantida a “inviolabilidade do direito à vida”. Vida é o estado em que se encontra determinado ser animado. Seu oposto, a morte, consiste no fim das funções vitais de um organismo.

        O direito à vida engloba diferentes facetas, que vão desde o direito de nascer, de
        permanecer vivo e de defender a própria vida e, com discussões cada vez mais agudas em
        virtude do avanço da medicina, sobre o ato de obstar o nascimento do feto, decidir sobre
        embriões congelados e ainda optar sobre a própria morte. (…)”

        O autor deixa claro que a defesa da própria vida é uma das facetas do direito à vida.

        O Código Penal permite a autotutela em caso de legítima defesa, vejamos seu conceito:

        “Legítima defesa

        Art. 25 – Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.”

        Vamos apelar para doutrina novamente e explicar o que seria “moderadamente” e “meios necessários”. Cezar Roberto Bittencout (https://www.saraiva.com.br/tratado-de-direito-penal-parte-geral-vol-1-23-ed-2017-9411643.html):

        “A legítima defesa, um dos institutos jurídicos mais bem elaborados através dos tempos, representa uma forma abreviada de realização da justiça penal e da sua sumária execução. Afirma-se que a legítima defesa representa uma verdade imanente à consciência jurídica universal, que paira acima dos códigos, como conquista da civilização.

        Referindo-se à legítima defesa, Bettiol afirmava que “ela na verdade corresponde a uma exigência natural, a um instinto que leva o agredido a repelir a agressão a um seu bem tutelado, mediante a lesão de um bem do agressor. Como tal, foi sempre reconhecida por todas as legislações, por representar a forma primitiva da reação
        contra o injusto. (…)

        6.3.3. Meios necessários, usados moderadamente (proporcionalidade)
        Todos os bens jurídicos protegidos pelo ordenamento jurídico são, em tese, defensáveis pela legítima defesa, inclusive a honra, própria ou de terceiro. Importa, evidentemente, analisar, nesse caso, a necessidade, moderação e proporcionalidade dos meios utilizados na defesa desses bens. Na verdade, embora se reconheça a legitimidade da reação pessoal, nas circunstâncias definidas pela lei, o Estado exige que essa legitimação excepcional obedeça aos limites da necessidade e da moderação. (…)

        Necessários são os meios suficientes e indispensáveis para o exercício eficaz da defesa. Se não houver outros meios, poderá ser considerado necessário o único meio disponível (ainda que superior aos meios do agressor), mas, nessa hipótese, a análise da moderação do uso deverá ser mais exigente, mais criteriosa, mais ajustada às circunstâncias. Aliás, além de o meio utilizado dever ser o necessário para a repulsa eficaz, exige-se que o seu uso seja moderado, especialmente quando se tratar do único meio disponível e apresentar-se visivelmente superior ao que seria necessário. Essa circunstância deve ser determinada pela intensidade real da agressão e pela forma do emprego e uso dos meios utilizados. Como afirmava Welzel, “a defesa pode chegar até onde seja requerida para a efetiva defesa imediata, porém, não deve ir além do estritamente necessário para o fim proposto””.

        Resumindo: A Constituição garante o direito à vida, incluindo o direito de defender a própria vida. O Código Penal explicita quais são os meios legais para tal “usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente”.

        Se uma pessoa armada deseja retirar minha vida arbitrariamente, o único jeito possível (meio necessário) para igualar nossas forças é outra arma, sendo totalmente proporcional o uso de força letal contra outra força letal.

        O Estado ao não controlar a entrada e posse/porte de armas ilegais (questão impossível para o Brasil que tem 16 mil km de fronteira seca com América Latina, questão para outro post), e impedir que o cidadão tenha arma legalmente, fere o direito de defesa da vida de quem cumpre a lei, já que para este seria impossível defender sua vida perante uma pessoa armada.

        Robert Alexy (https://www.conjur.com.br/2007-mar-02/robert_alexy_teoria_principios_regras?pagina=2) em sua teoria da ponderação, ensina que no conflito entre princípios ou direitos constitucionais apesar de um prevalecer o outro não pode ser aniquilado. Ao regular a posse de arma o Estado jamais poderia aniquilar tal direito, outra questão é o porte ostensivo, que pode sim muito bem ser fortemente restringido pelo interesse coletivo, mas também não pode ser aniquilado.

        • Não consigo rebater sua argumentação jurídica em igual medida — falta conhecimento e tempo/disposição para mergulhar em doutrinas com posicionamento contrário, que, creio, existam.

          Um detalhe do seu argumento chamou a minha atenção, porém: quando você diz que “a arma não precisa trazer benefício, já que você só vai usá-la para defesa em uma situação extrema onde ninguém vai sair ganhando”. Há uma premissa aí, diria até que uma expectativa exageradamente positiva em relação às pessoas. Vemos pessoas treinadas, como policiais, cometerem deslizes e usarem a arma em situações incompatíveis às suas atribuições; esperar isso de todos é impraticável.

          Se uma pessoa tentar me assaltar ou invadir minha casa para me matar, não me empolga a ideia de estar armado para repelir essas agressões. Eu espero (e fomento a ideia de) que, como sociedade civilizada e evoluída, a gente não tenha que lidar com esse tipo de dilema. E para alcançar esse estágio, não creio que armar todo mundo contribua — pelo contrário.

          Os trechos de doutrinas que você cita e a sua própria conclusão não falam expressamente em “armas”, por isso argumentei que talvez seja um salto lógico dizer que a Constituição defende o direito de possui-las.

          De qualquer forma, a ideia de ter uma arma para me defender soa primitiva, um retrocesso; além de ser um risco a todo mundo.