Ícone do Messenger em macro.

Coleta de dados de ligações e mensagens SMS pelo Facebook não é novidade

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26/3/18, 10h13 3 min 3 comentários

No Android, o Messenger e o Messenger Lite, aplicativos de chat do Facebook, têm coletado dados de ligações e mensagens SMS dos usuários. É uma praxe antiga, mas que chamou a atenção no fim de semana após um neozelandês baixar seus dados do Facebook e manifestar surpresa, no Twitter, ao se deparar com essas informações.

O Messenger para Android pode atuar como aplicativo padrão de SMS. A partir dessa funcionalidade, ele se aproveita para coletar, reter e processar dados de ligações e mensagens, que são usadas para alimentar o mecanismo de recomendação de contatos no Facebook.

Novamente, a repercussão está sendo ampla e bastante negativa. O Facebook chegou a publicar um “fact checking” no domingo (25) para rebater o criticismo crescente decorrente da história. No texto, a empresa diz que “nunca vende esses dados e esse recurso não coleta o conteúdo das mensagens de texto e ligações”, ou seja, só coleta os meta dados — com quem você conversou/trocou mensagens, quando e por quanto tempo.

É verdade, mas o problema, ou os problemas, são anteriores a isso. Por que o Facebook coleta esses dados e os mantêm em seus servidores? Até que ponto se trata de algo consentido?

O argumento do Facebook, de que é um recurso “opt-in” e que só é ativado com o consentimento do usuário, esbarra justamente nessa repercussão negativa. Se houvesse consentimento genuíno, o assunto não teria se espalhado com tanta rapidez e violência a ponto de mobilizar o Facebook a se pronunciar em pleno domingo. O comunicado da empresa diz que “as pessoas têm que concordar expressamente para usar esse recurso”, só que é (literalmente) impossível existir consentimento sem conhecimento.

A maior suspeita é de que o Facebook se aproveitava do antigo sistema de permissões do Android, que era bastante falho e dava brecha a abusos. Segundo relatos recebidos pelo Ars Technica, diversos usuários dizem não ter recebido esses alertas específicos de que o histórico de mensagens e ligações seria retido pelo. Antes do Android 5, era assim mesmo: as permissões de aplicativos não eram granulares, ou seja, não eram requisitadas individualmente e por demanda, como sempre foi no iOS. Ou se aceitava tudo, ou nada e, em caso de uma negativa, o aplicativo sequer era baixado da Play Store.

Segundo o Ars, a coleta desses dados não acontece no iOS porque eles só podem ser acessados por aplicativos que passam por um processo de aprovação especial e que, até onde se sabe, não inclui os apps do Facebook. Só é possível compartilhar a agenda de contatos pelo Messenger. (Não existe Messenger Lite para iOS.)

Essa e outras muitas práticas questionáveis do Facebook acontecem há anos, já foram levantadas por publicações especializadas, mas só agora parecem estar chegando ao grande público. Antes tarde do que nunca.

Foto do topo: Christoph Scholz/Flickr.

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  • Finalmente dei fim a conta do Facebook, era só o “empurrãozinho” que eu precisava! rs

    • Tem uma galera fazendo a mesma coisa… Imagino que uma parte esteja migrando pra serviços rivais, tipo Twitter, VK e principalmente Google+. Mas trocar Facebook por Google+ é o mesmo que trocar 6 por ½ dúzia…
      A verdade é que quem não quer ser vigiado de nenhuma forma na internet, tem que para de usar a internet.

      • Eu não substitui, somente deletei a conta.
        Rede social pra mim, é só passatempo.. e pra passatempo, o Twitter passou a ser mais útil, por ser mais direto.

        Sobre vigilância, faz sentido.
        Só acho que de todas que fazem isso, o Facebook é de longe a mais agressiva.