Ilustração do Facebook das preferências de anúncios da rede social.

Veja como é o seu perfil no Facebook que é oferecido a anunciantes

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12/4/18, 11h01 6 min 1 comentário

O sucesso financeiro do Facebook deriva da sua incrível capacidade de direcionar anúncios. A rede social consegue determinar quem você é, quais as suas preferências e hábitos, e com base nesse perfil, direcionar anúncios que têm maior apelo a você.

Em uma parte obscura do site, é possível ver como o Facebook te vê. Clique aqui para acessá-la.

São cinco seções, que descrevo abaixo para ajudá-lo a limitar o que o Facebook sabe e pode usar para direcionar anúncios enquanto você usa o site ou o app do Facebook e o Instagram.

Tela que concentra preferências de anúncios do Facebook.
Imagem: Facebook/Reprodução.

Seus interesses

Aqui ficam as preferências que o Facebook consegue aferir através das páginas que você curtiu. Note que não é preciso curtir a página de um assunto específico para que ele seja incluído ali, mas sim, nas palavras do Facebook, curtir “uma Página relacionada a [assunto]”.

Ao clicar em um assunto, o Facebook exibe exemplos de anúncios e pergunta se você ainda tem interesse nele. É possível remover anúncios clicando no “X” que aparece no canto superior direito de cada anúncio. Infelizmente, a remoção é individual, ou seja, não dá para selecionar vários assuntos e removê-los de uma só vez, como recentemente passou a ser possível com aplicativos vinculados ao seu perfil.

Anunciantes com os quais você interagiu

Essa é uma das áreas mais críticas.

Ela se divide em três área. A primeira apresenta anunciantes que enviaram suas listas de clientes ao Facebook para fazer um “match” com perfis na rede social. Imagine que você comprou um sapato na Sapataria Cerullo e, na hora de pagar, o atendente tenha feito aquele cadastro tão comum no varejo. A sapataria pode pegar essa base de clientes própria, subi-la para o Facebook e cruzá-la com perfis da rede social, viabilizando anúncios direcionados a seus clientes.

No meu perfil, encontrei alguns suspeitos habituais (chamaram a atenção: muita coisa da Netflix, vários jogos da EA, uma instituição de caridade que ajudo mensalmente, o Serasa Experian, um punhado de startups que fazem produtos que eu uso ou já usei) e muitas coisas que não tenho ideia do que se tratam:

  • Uma empresa de seguros estrangeira;
  • Um “especialista em negócios”, de quem nunca tinha ouvido falar, que vende livros de finanças pessoais;
  • Outras pessoas que também desconheço — um consultor de marketing digital, um “growth hacker” e um instagrammer gringo;
  • A plataforma de áudio livros 12minutos (nunca usei);
  • Um grande banco onde não tenho conta;
  • Uma agência de viagens carioca (nunca estive no Rio nem contratei agência de viagens);
  • Uma página chamada “Operation $10K” que tem toda a pinta de esquema errado.

As do primeiro grupo é fácil sacar como conseguiram meus dados. As do segundo? Vá saber.

Novamente, existe a opção de excluir essas relações apertando no “X” em cada anúncio.

Existem outras duas abas nessa seção: “Cujo site ou aplicativo você usou” e “Quem você visitou”. Ambas estavam vazias no meu perfil.

Suas informações

Aqui, o Facebook mostra quais sinais conseguiu aferir de você para ajudar na segmentação de anúncios. E mostra que é muito bom nisso.

Há duas abas. Na primeira, o Facebook lista algumas informações pessoais como status de relacionamento, empregador e cargo, e formação. Existem seletores que permitem desativar esses sinais para a personalização de anúncios. Recomendo desmarcar todos.

A outra aba contempla as categorias em que o Facebook te inseriu. No meu perfil, tinha 23. O Facebook sabe que moro longe da minha cidade natal, o mês do meu aniversário e todos os dispositivos que uso. Ele também acha que sou um “Primeiros adeptos de tecnologia” e “Jogadores de videogame” — essa última é meio que um resquício de tempos atrás. De qualquer modo, também dá para excluir tudo isso.

Configurações de anúncios

Outra parte muito importante. São três botões:

  • Anúncios baseados no seu uso de sites e aplicativos: É a segmentação de anúncios com base em históricos de navegação e uso de apps. Sabe quando você olha o preço de um tênis em um site e, dali em diante, ele não para de aparecer nos anúncios do Facebook? Desmarque esta opção e (em tese) isso não acontecerá mais.
  • Anúncios em aplicativos e sites de empresas que não sejam do Facebook: Refere-se à personalização de anúncios do Facebook em propriedades que não são do Facebook. Eles têm uma rede de anúncios programáticos para sites, apps e Smart TVs, a Audience Network. Desativando esta opção, você continuará vendo anúncios nesses locais, mas eles não serão personalizados para você.
  • Anúncios com suas ações sociais: Talvez a mais crítica das três, esta opção permite que o Facebook use seu nome em anúncios dentro da rede social. Assim, pode aparecer, em um anúncio, que “Rodrigo curtiu esta página”. Marque “Ninguém” — afinal, quem gostaria de endossar anunciantes sem saber e, pior, sem receber por isso?

Ocultar tópicos de anúncios

O Facebook permite ocultar, por seis meses, um ano ou permanentemente, tópicos de anúncios. Não sei qual o critério que ele usa para listar os tópicos padrões aqui, mas existem alguns — e um link “Sugira outros tópicos” para acrescentar novos. No meu perfil, havia três: álcool, criação de filhos e animais de estimação.

O que é feito desse perfil?

O Facebook não vende seus dados a anunciantes, nem compartilha informações pessoais com eles. O que a empresa faz é direcionar anúncios segmentados de acordo com as suas características. É importante fazer a distinção porque há uma confusão crescente e contraproducente a esse respeito. O problema não é, nunca foi esse.

O que incomoda é o grau de intrusão que o Facebook alcançou. É tão avançado que deixa as pessoas paranoicas, jurando que o aplicativo da rede social escutou conversas pelo microfone do celular, mesmo sendo algo tecnicamente inviável. O Facebook sabe tanto dos seus usuários que não precisa disso; ele chega aos tópicos que nos importam por outros meios.

Talvez você goste dessa personalização, ache os anúncios relevantes e extraia algum valor disso tudo. Se é o caso, bola para frente. O problema é que muita gente sequer sabe o que acontece nos bastidores do Facebook. Anúncios segmentados não servem apenas para vender produtos e serviços; eles também vendem ideias. Mesmo que você se sinta confortável com essa hiper personalização, é bom saber com base em quê o Facebook mostra o que te mostra.

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  • Fala, Ghedin! Trabalho numa empresa que é parceira do FB e Google. Então tem vários pontos que já tirei de duvida com os caras que não tem em nenhum FAQ do mercado.

    Essa parte de Interesses quer dizer que você demonstrou algum tipo de interesse dentro da plataforma Facebook (FB, Instagram e Messenger) em algum momento dos últimos 28 dias (que é uma janela padrão do Facebook pra determinar interesses e conversões/compras). Então se você nos últimos 28 dias falou no messenger sobre a marca Coca-Cola, curtiu um post de algum amigo seu falando desse termo, ou compartilhou algo sobre, em teoria, estaria nessa aba de interesses.

    Na parte “Anunciantes que você interagiu”, novamente, engloba todos os produtos dos caras. Então dentro disso daí entra Facebook, Instagram, Messenger, WhatsApp (que agora também tem anuncios direcionando para ele, mas não dentro) e a Audience Network (que é a rede de display da plataforma de anúncios do Facebook dentro de sites mobile e apps. Já sei que alguns grandes apps como o Tinder estão dentro dessa rede de display, já vi anuncios que eu criei dentro do tinder! hahahaha Então, se por algum acaso, você clicou em algum anuncio dentro dessa rede deles, pode ser que os caras tenham contado como essa tal interação.

    O problema que pode ter acontecido aí nesse ponto é que algum desses anunciantes que você disse não ter interagido, pode ter pego seus dados de maneira irregular (o Facebook permite o match listas de usuários para criar anuncios com dados pessoais como telefone, email, Ad ID da Apple ou Android e mais algumas opções que não são nada acertivas). E você deve saber, comprar lista de dados de clientes no Brasil não é nada dificil. Tem muita empresa que troca os dados de clientes com parceiros e até gente que vende esses dados no Mercado Livre. Isso é contra as leis brasileiras, mas…

    Sobre desativar ou isso, é, óbvio, uma opção muito pessoal. Eu prefiro receber algo mais segmentado pro meu interesse do que um anuncio totalmente desconexo com as minhas intenções. Pra gente, rato velho de internet, um exemplo é os tais anuncios de viagra dos anos 2000… rs

    Mas aí é outra discussão. ;)