Galaxy Note PRO 12, no detalhe.

[Review] Galaxy Note Pro 12, o maior tablet da Samsung

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15/7/14, 15h50 11 min 11 comentários

Olhando de longe, tablets parecem smartphones esticados. Essa era uma crítica recorrente quando o iPad surgiu e, não fossem as adaptações no software, seria uma correta. Se o tamanho maior da tela é o que justifica a existência dos tablets e o que fascina tanta gente, por que não apostar em telas ainda maiores? Provavelmente esse pensamento passou pela cabeça do engenheiro ou executivo que propôs o Galaxy Note Pro 12 na sala de reuniões da Samsung.

Dentro da infindável linha Galaxy existem algumas ramificações. “Neo”, por exemplo, indica produtos levemente inferiores. “Duos”, com suporte a dois SIM cards. O termo “Note” informa de pronto ao consumidor que uma stylus acompanha vem no pacote, seja ele tablet ou smartphone. Assim, o Galaxy Note Pro 12 é um tablet de 12,2 polegadas com uma canetinha grudada, a S Pen, e que tem como alvo clientes corporativos, gente que usa tablets para trabalhar, para produtividade.

Nada impede que eu ou você compremos um Galaxy Note Pro 12 para assistir Netflix e fazer desenhos no SketchBook. Afinal, são 12,2 incríveis polegadas! Mas mais é melhor? Ou há contratempos nessa vastidão de tela? É o que descobriremos agora.

Galaxy Note Pro 12 em uma palavra: superlativo

S Pen em uso no Galaxy Note Pro 12.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Ter boas configurações é tradição nos gadgets high-end da Samsung. O Galaxy Note Pro 12 não foge a essa regra: ele vem com um SoC Snapdragon 800, 3 GB de RAM, 32 GB de memória interna e slot para cartão microSD. A versão que testei também conta com um outro slot para SIM card compatível com redes 4G, para quem estiver disposto a carregar esse telão por aí sem perder acesso veloz à Internet.

A tela é um deleite. O painel LCD tem resolução de 2560×1600 pixels que, dispostos na superfície de 12,2 polegadas, resultam em cerca de 247 pixels por polegada (PPI). A título comparativo, a tela Retina do iPad Air tem 264 PPI. Ela é brilhante, tem cores fiéis e é bastante responsiva, em muito ajudada pelo potente processador e a abundância de RAM.

Dois tablets, dois tamanhos.
Comparativo com iPad 2. Foto: Rodrigo Ghedin.

Com uma grande tela vêm grandes proporções. Anote aí: 295,6x204x8 mm. Em termos simples: é grande. Grande a ponto de, após alguns dias usando exclusivamente o Galaxy Note Pro 12, achar meu iPad 2 pequeno e leve ao pegá-lo da estante. Ele é relativamente fino e leve (753 g), mas em um tablet superlativo como este o que se excede deve, para se fazer notar, também ser extremo. Não é o caso.

Em modo paisagem o Galaxy Note Pro 12 é usável sem muito esforço — apoiado no colo, comigo deitado ou recostado no sofá. Em modo retrato ele vira um paredão e mesmo no colo, com o apoio de uma mão, incomoda após alguns minutos. Ele é tão grande que não é absurdo conceber a ideia de usá-lo em uma mesa, apoiado em algum lugar e com um teclado externo.

Couro e costura, mas é tudo falso.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Além das configurações de ponta, outra tradição da fabricante sul coreana, o uso intensivo de plástico, se faz presente. De frente o acabamento pouco se nota, para o bem ou para o mal. A moldura é brilhante, os botões frontais, os mesmos que se encontraria em qualquer outro dispositivo Galaxy recente. As bordas começam a revelar a aura Samsung. Elas são prateadas mas não são de metal, trata-se de plástico pintado. Atrás, a exemplo do Galaxy Note III, a textura imita couro e existe até uma costura nas bordas. Novamente o material engana os olhos, é apenas plástico. Nem toda tradição é, afinal, boa.

Ainda que de gosto duvidoso, pelo menos a textura é mais agradável ao tato do que o acabamento de tablets anteriores da Samsung, em plástico liso e brilhante. Ela também não acumula digitais, o que é sempre bom. Só que range, a ponto de ser audível. Um aperto menos suave, uma pegada pelas bordas, e o “nhéc nhéc” se faz ouvir. Não chega ao ponto crítico de passar uma sensação de fragilidade, mas é um comportamento inesperado e meio decepcionante em um produto tão caro.

Voltando às tradições positivas, o áudio é estéreo, como vem sendo desde o primeiro Galaxy Tab 10.1. As caixas de som não fazem muito barulho, nem sequer são refinadas, porém quanto mais canais na saída de som, melhor.

Com tanto espaço físico, é de se esperar que a bateria seja duradoura. Ela tem impressionantes 9500 mAh, o que de fato garante ao tablet longas sessões longe da tomada. Em uso moderado chega muito próximo das ~10h30 prometidas pela Samsung. Só que o gerenciamento de energia do Android parece ineficiente. Deixe-o dois ou três dias em stand by com algum uso intermitente, e a bateria se esvai.

É grande.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Detalhe curioso e talvez irrelevante é a câmera. Com 8 mega pixels, é surpreendentemente boa. Faz fotos com ótima definição, boas cores e consegue até alguns resultados notáveis quando o ambiente colabora. O problema, como você deve imaginar, é tirar as fotos segurando uma placa enorme, de deixar Moisés envergonhado.

Dê uma olhada nessas fotos que fiz com o Galaxy Note Pro 12:

Pé de boldo clicado pelo Galaxy Note Pro 12.
O ambiente ajuda, mas a foto ficou bonita. ISO 40, f/2,4, 1/393s. Redimensionada. Foto: Rodrigo Ghedin.
Bonita foto.
ISO 40, f/2,4, 1/166s. Redimensionada. Foto: Rodrigo Ghedin.
Detalhe em 100%.
Iluminação artificial e fraca. ISO 500, f/2,4, 1/15s. Crop de 100%. Foto: Rodrigo Ghedin.

Veja todas as fotos, em resolução natural, nesta galeria.

S Pen, uma canetinha maneira

E temos a S Pen, a stylus escondida em um buraco na lateral superior direita. Ao ser removida, um menu suspenso surge na tela. Por ele é possível criar novas janelas, fazer anotações, salvar screenshots com rabiscos e algumas outras ações.

S Pen, no corpo do Galaxy Note Pro 12.
S Pen. Foto: Rodrigo Ghedin.

A S Pen tem um mecanismo que soa sobrenatural: ela interage com a tela antes de tocá-la, a pouco mais de um centímetro de distância. Em páginas web é interessante para ler os textos alternativos de imagens e links, informações que normalmente se perdem em interfaces sensíveis a toques. Com o botão físico em um dos seus lados, aquele menu suspenso pode ser chamado sempre que quiser; basta pressioná-lo sem tocar com a ponta da S Pen na tela.

Usar a S Pen é um deleite. O sistema entende a escrita cursiva e consegue digitalizá-la em caracteres com uma precisão assombrosa de boa — mesmo a minha letra, horrível em decorrência de anos negligenciando papel e caneta em prol de teclas e telas. É mais do que legal, chega a ser prazeroso escrever dessa forma. Menos eficiente, claro, mas prazeroso. A experiência aproxima o digital do analógico e ver sua letra de forma se converter em letras convencionais dá uma satisfação meio boba. Tudo isso se esvaece com alguns dias de uso, mas vale a menção.

Escrita cursiva com a S Pen.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Tão legal quanto escrever, é desenhar. O SketchBook for Galaxy, desenvolvido pela Autodesk, vem pré-instalado e oferece um banquete para artistas digitais: pincéis e lápis diversos, suporte a camadas, replicação de traços, régua, círculos… dá para perder algumas horas desenhando, mesmo que essa não seja a sua praia. Conta pontos a sensibilidade a pressão da S Pen, mais um fator que a aproxima de canetas e pincéis convencionais.

Usei muito a S Pen nos primeiros dias com o Galaxy Note Pro 12. Com o tempo, ela foi ficando mais em seu compartimento do que na minha mão. Imagino que isso decorreu do meu perfil de usuário de tablet (resumidamente, de leitor), então com outros ela talvez tenha mais utilidade. Para mim, e por mais que eu tenha gostado muito de brincar com a canetinha, ela acabou sendo um mimo. Não foi à toa que tablets anteriores (e bem sucedidos) dispensaram canetas do tipo em prol da ponta dos nossos dedos. Para a maior parte das ações realizadas em um tablet, o indicador dá conta do recado.

Desenhando no Sketchbook.
Foto e desenho: Rodrigo Ghedin.

Android a perder de vista, cortesia da TouchWiz

No review do Galaxy Tab S, Walt Mossberg disse ter em mãos um hardware de ponta, com software confuso. Não é de hoje que críticas à camada de software aplicada pela Samsung sobre o Android, chamada TouchWiz, são ouvidas. O pior é que elas procedem.

O hardware poderoso faz alguns inconvenientes passados, especialmente as engasgadas patéticas em áreas triviais como as telas iniciais, sumirem. O Android (4.4.2) é responsivo e não deixa o usuário na mão. Se em desempenho a TouchWiz não incomoda mais, em usabilidade e organização ela segue mais atrapalhando do que ajudando.

Tela inicial do Galaxy Note Pro 12.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Há redundâncias aqui e ali, mudanças estéticas de mau gosto, inconsistências por toda parte e muitas, mas muitas opções. São tantos recursos e apps pré-instalados que temo ter deixado alguma coisa escapar. Na verdade é bastante provável que esse período de testes tenha passado sem que apps e funções, talvez até alguma muito legal, tenham sido abertos por mim. Veja, é legal que um gadget se deixe personalizar, só que em algum ponto avançado essas possibilidades se tornam intimidadoras. O que dizer desse tanto de ícones? Ou de configurações que se estendem por quatro telas, cada uma apinhada de botões e menus e outros comandos?Se até água em excesso faz mal, que dirá de software.

Dá para abrir quatro apps na tela.
Quatro apps rodando ao mesmo tempo.

A tela enorme, de 12,2 polegadas, permite colocar até quatro apps simultaneamente na tela, desde que “puxados” e ajustados de um menu lateral oculto — arraste o dedo de fora da tela, da direita para a esquerda. Também dá para ter janelas flutuantes. Afinal é um tablet para PROfissionais e esse pessoal curte multitarefa, certo?

Blocos de informações na tela inicial do Android.
Magazine UX, no Galaxy Note Pro 12.

O cúmulo da desnecessidade é a Magazine UX, uma tela inicial preenchida não por ícones, mas por blocos de informação similares aos do Windows 8. É uma boa ideia que esbarra na execução: sem o apoio dos desenvolvedores, o leque de apps compatíveis se resume aos da própria Samsung e vários do Flipboard, parceiro nessa investida. Nem esses últimos, porém, são bons. Ignorando a vastidão de tela disponível, cada bloco exibe apenas uma manchete, não importa seu tamanho.

Quanto mais tablet, melhor?

Usando o Galaxy Note Pro 12.
Foto (e pernas): Rodrigo Ghedin.

Bem… não. O Galaxy Note Pro 12 é bem legal, a S Pen é um diferencial e tanto para aqueles inclinados às artes, e o hardware é incontestável — com a ressalva do acabamento, que poderia ser bem melhor. O software é confuso e as alterações feitas no Android atrapalham; esse excesso disputa espaço com algumas coisas genuinamente legais como os apps que trabalham com a S Pen, o Remote PC e os benefícios de terceiros (Dropbox, Evernote, New York Times), deixando tudo espalhado e meio largado.

Apesar das críticas, é um aparelho bom no papel e na prática. A tela é um exagero em tamanho, mas o que pega mesmo é o preço. A Samsung trouxe o Galaxy Note Pro 12 para o Brasil pelo preço de R$ 2.899. Hoje, com aquela queda básica motivada por quase quatro meses à venda, é possível encontrá-lo em lojas confiáveis por até R$ 2.370. Ou seja, bem salgado.

Existem opções mais em conta, e dessas merece destaque o Galaxy Note 10.1 (edição 2014). As configurações virtualmente idênticas, inclusive a S Pen, e ele tem um tamanho mais manuseável e ainda custa menos. A alternativa da Apple, o iPad Air, também é menor e mais barata e deve ser considerada. Falta-lhe a S Pen ou equivalente, mas no resto é um tablet tão bom quanto.

Claro, talvez você queira o maior tablet possível e dinheiro ou falta de ergonomia não sejam problemas. Se for o seu caso, o Galaxy Note Pro 12 serve bem. Como disse acima, é um tablet legal. O detalhe é que, em mais de um sentido, ele pesa muito ao usuário. Nem sempre o maior é o melhor.

Comprar Galaxy Note Pro 12.

Compre o Galaxy Note Pro 12

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

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  • Daniel

    Belissimo review! só tenho uma coisa contra… oh letra feia!!! :D

  • Adriana

    Olá! Sou usuária Samsung (Galaxy Note 2 e Galaxy Ace) e Apple (iPhone 4s) e a minha dúvida é a seguinte:
    Ainda não tenho tablet, já tive contato um um Galaxy Tab Plus 7″ (do meu pai), iPad 4 e o Note Pro 12″. Estou na dúvida se compro o Note Pro 12″, iPad Air ou se aguardo o próximo iPad que possivelmente virá com touch ID. Poderia me ajudar? Obrigada!

  • PP CarvalhoF

    Ghedin, ADOREI! Estou “namorado” um desses (SM-P905M) já tem uns dois meses… Eu já experimentei um no shopping (foi justamente onde começou a paixão! rs) e o tamanho pra mim é muito interessante. Tenho mãos grandes (aliás, sou todo grande! Inclusive para os lados

    • Tavares Neto

      e eu ja me casei com um heheheh comprei semana passada por 1504,01 no ponto frio

  • Igor Teixeira

    Como PP CarvalhoF informou, também começei a namora-lo após experimenta-lo em uma loja.

    Minha utilização será + para desenhar, ver videos e ler então quanto maior a tela, melhor, não ligo de ter que apoia-lo em algum lugar caso ache necessário.

    Consegui achar na net por 2.000, e agora estou aguardando ansioso a chegada dele :D

    • Lucas Cortez

      Caramba, Igor?!
      Onde você achou deste preço?
      Pq eu estou louco para comprar um só que não estou achando em loja nenhuma, quanto mais desse preço.
      Qual loja????

  • Fabio Mihailidou Canuto

    Olá comprei o meu Note Pro 12.2 para utilizar nos estudos e estou gostando muito, mas não consigo encontrar nas lojas da Samsung o book cover. Em contato pelo chat da marca, me disseram que não sabem informar sobre a distribuição de capas. Alguém saberia me informar onde posso comprar uma capa?

  • Lucas Cortez

    Excelente review!!!
    Mas infelizmente não encontrei em lugar nenhum. Só em um lugar, que acho que foi no Submarino só que por 2.899.
    Na boa, tanta gente pagando mais barato aí que eu me recuso a pagar esse preço. Mas tô quase cedendo”/ me ajuda ae galera, alguém conhece algum site bom e barato?

  • Celio Vitor Soares

    Tenho um desse e queria conectar no meu projetor que possui entrada vga. Alguem tem alguma dica de como faze-lo.