Mulher mexe em um iPhone Xs debaixo de chuva.

O iPhone deixou de ser um smartphone caro para ser coisa de gente rica

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13/9/18, 16h39 5 min 39 comentários

Na apresentação dos novos iPhone Xs, Xs Max e Xr, Phil Schiller, o chefão do marketing da Apple, disse que a empresa quer “alcançar o maior número possível de pessoas com essa incrível tecnologia”. Brinca-se na indústria que a Apple tem o “campo de distorção da realidade”, um poder de retórica capaz de subverter a razão e convencer mesmo os mais céticos a engolirem esse papo marqueteiro. Nesta quarta (12), o encanto foi quebrado. O iPhone ficou caro demais.

O trio de novos iPhones nasceu à imagem e semelhança do iPhone X, o experimento de US$ 1 mil (ou R$ 7 mil no Brasil) que a Apple lançou em 2017. Após molhar o pé nas águas inexploradas dos quatro dígitos em dólares, estabelecendo um novo patamar para se cobrar por smartphones, e descobrir que ali a água é quentinha e convidativa — o iPhone X foi o modelo mais vendido em todos os trimestre desde que foi lançado —, a Apple dobrou a aposta neste ano.

Desde 2016, o iPhone “de entrada” — desconsiderando modelos antigos que têm cortes de preços — subiu 15,4% nos Estados Unidos, o principal mercado da Apple, onde os preços do setor se mantêm estáveis por anos a fio. O de 2018, batizado de iPhone Xr, começa em US$ 750 por lá. O mais caro, o iPhone Xs Max de 512 GB, chega perto dos US$ 1.500. O iPhone Xs custa os mesmos US$ 1 mil do iPhone X e esse, em vez de continuar à venda com desconto, seguindo a tendência de anos anteriores, foi simplesmente descontinuado.

A Apple ainda não anunciou os preços para o mercado brasileiro. Todos os prognósticos apontam que eles serão muito caros. Com o câmbio turbulento por causa das eleições aqui dentro e das instabilidades comerciais no resto do mundo, o preço brasileiro dos agora antigos modelos de iPhone não acompanhou o corte norte-americano. Lá fora, o iPhone 8 caiu 14,3% (de US$ 700 para US$ 600); aqui, ele segue custando os mesmos R$ 4 mil de um ano atrás.

Fazendo uma regra de três simples (ou seja, considere os próximos números como chutes), não será surpresa se o iPhone Xr chegar ao Brasil custando mais de R$ 5 mil. O iPhone Xs Max de R$ 512 GB? Deve estabelecer um novo marco, o de smartphone na casa dos cinco dígitos, para além dos R$ 10 mil.

Mesmo com o campo de distorção da realidade em potência máxima, é difícil convencer uma pessoa razoável que um gasto tão expressivo em um smartphone é justificável.

Não me entenda mal, eu sei que o iPhone é caro. Ele sempre esteve no topo da cadeia e absolutamente ninguém que entende o mínimo de mercado espera um iPhone barato. Mas, em uma década de smartphones, o setor estabeleceu uma janela de preços previsível, que tornava o iPhone viável a uma parcela significativa dos consumidores, ainda que pequena, mesmo doendo no bolso e/ou a duras penas (parcelando ou esperando novas versões baratearem as antigas). Esse ciclo acabou.

Sinalizar o status social não é o único motivo que leva a alguém a comprar um iPhone. Há motivos bastante racionais nessa escolha. No básico, são produtos de primeira linha. A Apple desenvolve seus próprios chips, que estão anos à frente da concorrência; usa materiais de altíssima qualidade; e incorpora tecnologias ainda exclusivas, como o Face ID. Mais que isso: o iPhone é o único smartphone orientado à privacidade em um mercado dominado por apenas duas empresas. Neste duopólio, não importa se você escolhe Samsung, Motorola, Sony ou Huawei; qualquer coisa não-Apple no Ocidente significa Google, sua vigilância draconiana e as falhas de segurança do Android que jamais são corrigidas na maioria dos aparelhos.

A pesquisadora e colunista do New York Times, Zeynep Tufekci, escreveu no Twitter: “Perdi as contas dos dissidentes, jornalistas investigativos e outros ao redor do mundo sob grande risco de serem hackeados ou sujeitos a terríveis consequências que *sabem* que deveriam ter um iPhone por questões de segurança, mas não podem bancar um”. Entre aqueles que, mesmo em situação menos dramática, valorizam também a privacidade que apenas o iPhone oferece, a decepção é similar.

Mas nada disso importa para o que realmente importa ao mercado. Com as vendas de smartphones estagnadas, a saída da Apple para manter seu crescimento foi aumentar o preço médio de venda (ASP, na sigla em inglês). O da Apple sempre foi fora da curva; com o iPhone X, atingiu recordes históricos (US$ 724 no terceiro trimestre do ano fiscal de 2018). Agora, com todos os novos modelos sendo vendidos acima desse recorde (que, reforçando, é uma média), o ASP do iPhone tende a subir ainda mais. E, o que é mais surpreendente, em um ano em que as mudanças dos novos modelos para os anteriores e entre eles mesmos são ínfimas. Como colocou o analista Ben Thompson: “Ouso dizer que a estratégia [da Apple] beira o excesso de confiança”.

E é aqui que uma distinção importante aparece. Perfis que preferem o iPhone por funcionalidades ou privacidade, para quem o preço é um fator sensível, mas que asseguram uma margem do orçamento ao gasto com smartphone por valorizar as características únicas do iPhone, ficam desassistidos. Na prática, o que acontece é que iPhone finalmente assume a fama que, por muitos anos, lhe acompanhou injustificadamente. Ele deixa de ser um smartphone caro para ser um sinal de gente rica.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

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  • Will S.

    Falei outro dia aqui, que pensei em comprar o Iphone, o 7 (que “cabe” no meu bolso e que estou disposto a pagar), custa cerca de 2k, o S8, que é mais avançado custa isso também, além de ter umas tecnologias que julgo importante que o iphone não tem, e que quando lançar o s10, vai baixar o preço em +/- 500 reais.

  • felipecn

    Eu acho que os lançamentos de ontem mostram uma certa divisão entre os iPhones. Existe a “família X” focada bem no ultra-high-end, e tem os iPhones antigos, que ainda atendem muito bem e tem um preço mais competitivo.

    Apesar de preferir que a Apple tivesse pelo menos alguma opção na faixa de US$400 pra cobrir a falta do iPhone SE, o iPhone 7 por $449 é um custo/benefício bom. E o iPhone 8 por $599 não me parece nada mal.
    São telefones que, ao menos em processamento, competem bem com o high-end atual do Android. Podem ter um design já meio datado, já não terem a melhor câmera, mas cumprem o papel.

    Claro que nem falo dos preços no Brasil, a verdade é que a Apple não se importa com isso. O foco está bem longe do nosso mercado.
    Com tanta promoção de Galaxy S8 (e até do S9) rolando pelo preço que se encontra iPhone 7, fica bem difícil dizer que estão competitivos aqui.

    Pra mim a grande questão é como será o lineup no futuro.
    Não acho que faça tanto sentido pra Apple continuar aplicando a estratégia de continuar vendendo aparelho antigo com os iPhones X – se o iPhone X “original” caísse de preço pra $899 ainda estaria próximo demais do preço do Xs e provavelmente venderia pouco (quem vai gastar 900 dólares num telefone muito provavelmente não vai se importar em “gastar um pouco mais” e pegar o mais novo logo).
    E o grande problema desses novos iPhone deve ser a oferta de telas AMOLED, então manter o X original por um preço menor poderia prejudicar a oferta de componentes pro Xs.
    Provavelmente isso que norteou o Xr – ter um “iPhone moderno” usando LCD para não impactar a fabricação dos iPhones mais caros.

    Eu imagino que a Apple discontinue os iPhones Xs no ano que vem. A dúvida é se o Xr vai cair de preço e continua a ser vendido ou se vão lançar mais iPhones “de pobre” pra atualizar essa parte da linha.
    Lembro que tinha uns rumores de um “iPhone SE2” que seria basicamente um iPhone 7, mas nada saiu. Talvez em outubro? https://twitter.com/_inside/status/1032297865719308288

    • “Pra mim a grande questão é como será o lineup no futuro.”

      Sim, esse é o maior problema. O iPhone 8, até o iPhone 7 ainda seguram bem o iOS 11/12, mas o “iPhone acessível” já fica uma geração atrás e com o fim do iPhone SE/6s, o custo de entrada no ecossistema da Apple subiu consideravelmente. Se os novos modelos venderem bem, os incentivos para subir essa barreira de entrada estarão dados.

      Quanto ao iPhone Xr, convenhamos: é um iPhone 8s. Só tem o formato de tela diferente e ela é provavelmente mais simples de se fabricar (não manteve o 3D Touch).

  • thiagones80

    Olha…. o que a Zeynep Tufekci falou é forçado. Muito forçado. desculpe.

    Em vários sentidos: se um informante ou jornalista investigativo está em um país não democrático o menor problema do sujeito é o telefone que ele porta. Esse local terá métodos bem mais rudimentares que um hack em telefone. Na real nem devem perder tempo hackeando e se o fizerem a isca deve ser algo bem tranquilo para um sujeito enquadrado nessa situação de risco conseguir evitar.

    Agora se o sujeito está em um país democrático e a informação que ele porta é sensível a ponto dele precisar ter um telefone especial para não ser hackeado e “sofrer consequências” significa que nem um iPhone vai impedir seus inimigos. Eu não tenho dúvida que a Apple é sim melhor no quesito privacidade… mas daí a achar o iPhone uma fortaleza imbatível capaz de conter uma NSA tecnologicamente ou uma Coreia do Norte na paulada, convenhamos.

    De resto concordo com o texto: eu mesmo sempre briguei contra esse “status” que o iPhone tinha injustamente. Mas após esses lançamentos me sinto cada vez mais afastado da Apple. Depois do S8 é muito ruim pegar um telefone com aproveitamento de tela ineficiente e basicamente tudo inferior ao Galaxy como o iPhone 7 e 8. Então iria direto para algum X se fosse o caso. Mas por esse preço, continuarei de Galaxy por um bom tempo.

    • Não acho que seja forçado. Ela tem base para isso — esteve in loco na Primavera Árabe e acompanha de perto locais onde democracia não existe e a liberdade de expressão é reprimida com truculência.

      O noticiário também reforça o argumento dela. Sobram casos. Lembra do caso do terrorista de San Bernardino? A Apple bateu o pé e não cedeu acesso ao aparelho para as autoridades norte-americanas. Recentemente, quando aquela GreyBox foi noticiada, a atualização seguinte do iOS fechou a brecha que permitia o funcionamento dela.

      Você se lembra de alguma manchete nesse sentido envolvendo um smartphone Android? Eu não.

      Mesmo que o Google faça um bom trabalho nessa frente, o fato de as fabricantes não atualizarem os aparelhos, um problema gravíssimo em qualquer smartphone que não seja topo de linha, já colocam em xeque o Android como sistema seguro.

      • thiagones80

        Eu entendo perfeitamente que a experiência dela é longa e até pelo que viu e passou fique extremamente cautelosa e considere a segurança das atualizações do iPhone um fator primordial. Mas exatamente onde a democracia não existe que penso que o menor dos problemas de um ativista é se seu telefone tem o último patch de segurança. Eles vão acessar esse telefone, seja um iPhone ou Android, de maneira muito truculenta com seu dono. Ou nem ligam tanto pra seu telefone e te envenenam como uma pseudodemocracia está sendo acusada agora.

        Ao mesmo tempo que de fato não vi manchetes sobre a segurança do celular Android em uma situação como San Bernardino, também não me lembro de nenhum ativista / jornalista que teve informações vazadas por brechas exploradas em um telefone Android…

        Porém concordo com você que as atualizações de segurança que a maioria das fabricantes tem é muito deficitária. Um dos pontos que gosto no Galaxy são suas atualizações mensais de segurança e ainda que não seja um alvo especifico de ataques (e nem acho que cairia numa isca em forma de email phishing e etc) isso faz diferença mesmo.

        No fim das contas não posso culpar a Apple por explorar o mercado e aumentar o preço de seus produtos. Uma pena que de fato ela acabe deixando pra consumidores comuns e sem tanto dinheiro telefones defasados em relação aos highends de sua própria linha e de outras marcas.

        • Li isto hoje e lembrei dessa nossa discussão:

          https://twitter.com/BenedictEvans/status/1041369606785445888

          A menos que você faça jailbreaking no iOS, esse tipo de situação é impossível no sistema da Apple. Não é só uma questão de jornalista ou ativista em área de risco. Há inúmeros vetores para ataques de diversas partes.

          • thiagones80

            Rodrigo, a partir do momento que o abusador tem a senha ou “secretamente” pode utilizar o dedo de seu parceiro dormindo para acessar o celular, você acha mesmo que é o iOS que vai impedir de alguma forma essa espionagem? Ele até pode dificultar um pouco, mas é bem pouco perto da situação como um todo. Parece birra do Benedict por não apresentar o cenário completo.

            Na suposição levantada pelo próprio, tem configurações do iCloud que podem dar essa posição. Alguém vê isso todo santo dia ao pegar o telefone de manhã cedo ou depois de tomar um banho e ter deixado o telefone em outro cômodo com o parceiro? Ou mesmo apps que enviam a localização o tempo todo que podem ser instalados sem o dono perceber num iPhone. De fato não dá pra ocultar, mas conheço muita gente que sequer perceberia. E posso apostar que a maioria das vitimas não é especialista em sistemas operacionais pra notar ou verificar essas situações todos os dias.

            Concordo que no Android tem mais possibilidades de ferramentas por ser mais aberto. Mas investigador particular existe muito antes de telefones celulares inteligentes. Não é um sistema operacional de telefone que vai impedir o abuso doméstico e nem evitar a invasão de privacidade de um pessoa que literalmente dorme com a vítima.

            EDIT: e convenhamos: ciumentos doentios sempre vão arranjar um jeito. Mas não quero relativizar a situação ou aplicar o mesmo exemplo sempre. Se esses vetores sistêmicos podem fazer sentido (com ressalvas) os vetores ambientais e físicos estão se lixando pro sistema operacional. Na média o iOS é mais seguro pela característica fechada. Mas nos exemplos granulares citados não dá pra aplicar a mesma régua. Benchmarking pouco faz sentido nessa situação.

          • A questão não é que o iOS é à prova de invasões, apenas que é mais segura. Os casos trazidos à discussão ilustram essa vantagem. E há outros. A incidência de vírus em iOS é praticamente nula; no Android, é algo recorrente através daqueles popups de sites.

          • thiagones80

            Rodrigo, você se refere aqueles pop-ups “phishing-malvertising” que aparecem em alguns sites? Eles afetam o iOS também, mas são inofensivos nos dois sistemas até onde eu sei. A diferença que é no Safari eles não conseguem fazer o telefone vibrar.

            https://uploads.disquscdn.com/images/a2657d6a4d432756b123c60681ed30789b1bef5d85cfd4f74694c5a3d5e5f351.jpg

          • Curioso, nunca vi esse aqui. Talvez seja o bloqueador de conteúdo (aí o Android, ou melhor, o Google/Chrome fica devendo!).

            E a discussão está boa mesmo, sem essa de ganhar ou perder :)

          • thiagones80

            E só pra confirmar eu não quero ~ganhar~ a ótima discussão. Confirmo e concordo que na média, o iOS é mesmo superior em segurança pelo aspecto fechado (que eu não gosto) e pelas atualizações de segurança (que são excelentes)

            Mas no fim das contas, usuários que tem boas práticas de segurança sistemicas e ambientais ou mesmo que sem conhecimento algum não se arriscam com APKs, senhas de acesso e locais sombrios da web vão se dar bem com qualquer sistema em mãos.

            Os que não tem essa habito podem ter uma vantagem inicial no iOS…. mas ai nem sei se podemos colocar no mesmo balaio.

  • Wilson Moreira

    Pensei em ter um iPhone, mas os preços são injustificáveis. Tenho um S8 e poderia ter comprado um iPhone 7 pelo mesmo valor. Mas eu teria quase tudo pior (tela, bateria, design, velocidade de recarga, etc.). No fim das contas ainda me mantenho refém do Google porque me recuso a pagar quase 3x mais para ter um smartphone do mesmo patamar em termos de design (iPhone X).

  • Vinicius Vasques

    Há muito tempo, o mercado de iPhone funciona como o de carros usados. Sou usuário desde o iPhone 3GS e por coincidência sempre acompanhei essas versões, trocando de aparelhos cada 2 ou 3 anos. Com os preços fora da realidade, sempre usei meu aparelho usado como entrada do semi-novo. E não foi diferente desta vez. Entreguei um iPhone 6s e com um abono em dinheiro para pegar um 7 Plus com garantia até maio de 2019. E já prevejo que dentro de 2 ou 3 anos, este 7 plus vire moeda de troca em um Galaxy Note xxx.

  • ande

    Guedin não perde uma chance de cutucar a Google. Tá chato.

    • Google? Como assim?

    • Eu também não perderia a chance de cutucar uma das principais empresas do capitalismo contemporâneo. Não entendi a indignação.

  • Gabriel Arruda

    Eu acho que a Apple simplesmente está deixando de acreditar no mito, inventada por ela própria e Steve Jobs, de que deveria existir o mínimo de aparelhos possíveis no mercado.

    A expansão da linha permiti que ela lucre mais com um flagship, enquanto mantém uma linha que compete com os outros high-ends como é o caso do iPhone Xr e foi o iPhone 8 no ano passado. Na outra ponta do espectro de preço, manter linhas passadas deixa o iPhone mais acessível como nunca foi…apesar de continuar bem caro na média.

    Não tem o porquê atender apenas um mercado e correr enormes riscos ou perder oportunidades, lançar só iPhone X por $999,00 era um risco e manter ele no preço “base” seria perder chance de lucrar.

    $600 era ridículo na era pré-smartphone, eternizado pelo Steve Ballmer no lançamento do primeiro iPhone. Hoje, é peça central na vida de muita gente e isso alavancou o preço do produto, mesmo sendo algo difundido. OnePlus chegou passou de $500,00 preço e continua sendo “acessível” porque Galaxy e iPhone começam na faixa dos $700,00 agora.

    Eu só uso um iPhone hoje porque lançaram o SE, produto inimaginável na cabeça do Steve Jobs, tenho há mais de dois anos e nem penso em trocar. Se mantivessem o preço na faixa dos $600-$700 e descontinuassem os antigos, eu continuaria no Android. Por outro lado, tem pessoa jogando dinheiro neles para pegar um iPhone X(s).

  • Silvio Britto

    Saia um pouco mais do campo de distorção de realidade Apple então.

    Os Chips da Apple não estão “anos a frente da concorrência”. A própria Huawei, para dar um exemplo ligeiro, está com o Kirin980, também com os mesmos 7 nanômetros. O que acontece é que a Apple fábrica o próprio smartphone e o IOS, então tem total controle do hardware e do software, possibilitando um ajuste fino entre eles – no Android o software é Google e o hardware é geralmente de outras fabricantes, o que impede essa sincronia num mesmo nível, pelo chip ter de lugar com diferentes configurações de hardware. Isso é domínio de toda a escala de produção, não tecnologia de chip a frente da concorrência.

    Qual material da Apple que também não é usado nos flagships da concorrência Android no mercado Premium? Aço? Vidro Gorilla Glass? As telas da Apple inclusive são… da Samsung, aliás.

    FaceID só é tecnologia única por ser proprietária, né? Samsung, Huawei, Oppo, Oneplus e outras tem propostas semelhantes. Inclusive algumas melhores na usabilidade, por não requererem o toque extra do Swipe para destravar.

    • Sugiro ler benchmarks sintéticos de publicações sérias, como os do AnandTech. A série AX da Apple é muito mais rápida que os equivalentes da Qualcomm ou da Huawei — que, aliás, foi pega trapaceando nesses testes.

      No texto, explico que existem motivos além dos do campo de distorção da realidade para se preferir um iPhone. Alguns deles, como a garantia de privacidade, nenhum outro smartphone comercial entrega. Isso, para mim, é um deal breaker; mesmo que a Qualcomm ou a Huawei conseguisse igualar a Apple em desempenho e o Android fosse tão bom quanto o iOS, ainda assim não seria negócio para mim.

  • luis

    Uma coisa inegável é que o conjunto hardware/software consegue manter relevantes, iPhones de três, quatro anos de vida. Desde 2011 eu convivo com iOS (mesmo com idas corriqueiras ao Android) e estou muito bem, obrigado. Estou com o iPhone 7, sabendo que posso ficar mais uns dois anos de boa e pegar quem sabe, um 8 plus, que é um baita aparelho. E no final acabo gastando menos e recebendo mais em troca, porque na curta estadia que tive com o S7, vi um aparelho que demora pra atualizar e desvaloriza absurdamente. Pra mim isso define minha escolha. Cada um tem a sua e essas são essenciais pra mim.

  • André Costa

    Bom, como um cara simples e sem muito poder aquisitivo, eu nunca tive condições plenas de ter um iPhone, ou melhor, tenho, mas estão acima da minha realidade e tenho outras prioridades, como pagar a faculdade, por exemplo. Poderia usar o excelente crédito que tenho e meter a cara num desses, mas depois seria um sofrimento para pagar, por mais ‘incrível’ que seja ter um iPhone. Bom, com esses valores agora é que eu não vou ter mesmo, definitivamente está fora de meu orçamento e realidades de vida. A Apple segmentou um pouco mais seu público e eu, nem de longe, faço parte dele.

    • binho_0

      Só aceito um iPhone se eu ganhar ou achar e não encontrar o dono.

  • Anderson

    Nesse ritmo daqui uns 2 ou 3 anos todas as versões dos próximos iPhones no Brasil serão na casa dos 10mil reais, vai ficar cara para muitos ter um aparelho para ficar nas redes sociais, conversando no “zap” e joguinhos do momento.

    • binho_0

      é muita gaita numa coisa q vc pode perder facinho…

  • Antonio Fonseca

    A realidade norte-americana é o que pauta as decisões da Apple e em seguida a chinesa. E com as vendas atingindo o platô, a tendência agora é o aumento de preços mesmo para garantir às margens com volume de vendas menor. Para o Brasil isso significa sofrimento, porque os preços aqui atingem patamares absurdos em razão da total falta de previsibilidade na conjuntura brasileira. Apple está certa. Mas é dureza para nós, por essas bandas.

    A saída? Comprar lá fora ou assinar planos que permitem a renovação de modelo anualmente com as operadoras.

  • Antonio Fonseca

    Só mais uma coisa: Samsung e Google vendem seus smartphones modelo flagship nos mesmos patamares de preços. Esse é o mundo em que vivemos. Cuidado para não pensar que é algo exclusivo da Apple.

    • Elas seguem a tendência inaugurada pela Apple. O iPhone X foi o primeiro smartphone de massa a chegar a US$ 1 mil. Só depois disso a Samsung subiu os preços da linha Galaxy Note a esse patamar.

      • Antonio Fonseca

        Você está equivocado. Os modelos flasgship de Google e Samsung sempre regularam pelos preços do iPhone. Acontece que a Apple só tem flagship e Samsung tem modelos de baixo custo, bastante inferiores ao iPhone e aos smartphones do Google, por isso a sua percepção. Mas não interessa aqui o debate envolvendo as preferências individuais de cada um de nós por marcas.

    • Fábio Nogueira

      Todo mundo sabe que depois de um mês o preço do Galaxy não é o mesmo do lançamento

  • binho_0

    GHEDIN! VC ESTÁ TIRANDO A FAVELA! ESSE TROÇO SEMPRE FOI PRA GENTE RICA! PODRE DE RICA!

  • Mariana Missio Rocha

    o que eu vejo bastante, eu inclusa, é que mta gente com iPhone agora é quem começou a ter smartphone justamente com um iPhone e está acostumado.
    pra quem começou usando android, o iphone não tem tanta vantagem assim, dá pra ter o sistema que a pessoa tá acostumado tanto gastando pouco se precisar, como gastando bastante.
    o problema é que pra quem compra não pq o iphone é muito melhor, e sim pq está habituado e sabe q pode confiar na hora de trocar (comprar um android bom de um preço mediano tbm envolve um trabalho de pesquisa, que o iphone não precisa, pq são poucos modelos), é que só dá pra se manter fiel enquanto o dinheiro dá.
    comecei no iphone 4, que foi caro mas parcelado foi tranquilo (comprei logo q lançou o 4S). anos depois, quando o 4 já não dava, comprei o 6 (também pós lançamento do 6S), e já foi um parcelamento em 12 q pesou no orçamento.
    troquei a bateria dele agora, o q vai dar uma sobrevida. mas será q estarei disposta daqui a um ano ou 2 a pagar mais ainda do q paguei pelo 6, com alguma dificuldade, só pra não ter q pesquisar e pra poder ter uma transição suave? dependendo da situação, não sei mais. tvz eu vá pro mercado de usados, tvz eu vá para um android msm.

  • Carlin

    Em ano de modelos “S”, a Apple jogou pesado quando o assunto é precificação, imagino que a Apple esteja focando na estagnação do mercado de smartphones em detrimento da margem de lucro, a Samsung esta enfrentando problemas desde o S8 que agora se acentuaram com as “baixas” vendas do S9. Apesar de tudo isso, é ridículo, se não irritando o que a Apple vem fazendo para não “perder” dinheiro em nenhum cenário. No fim teremos iPhones ainda mais caros, e que no fundo não apresentam tantas melhorias que enfim justifiquem a troca de aparelho, se voce tem um iPhone 7/7 Plus/8/8 Plus/X!

    A sem falar nas cartas na manga que a Apple oferece em troca do altos preços, SEGURANÇA, como o próprio post já deixa claro!

  • Taichou12

    Que os preços iam chegar nesses patamares já eram esperados. O que me espanta é as desculpas dadas para pagar esses preços. Enfim, se o problema é privacidade, vai de Blackberry então. Nenhum smartphone vale isso tudo, nenhum!

    • Régis

      A gente cairia no Android, não? Com suas virtudes e defeitos…

    • BlackBerry usa o Android do Google. Isso, para mim, é um deal breaker…

  • Marcello Marques

    Quando a única coisa a se falar dos aparelhos da Apple é o preço…

  • Rodrigo Gomes

    Daí o “Xuper” XmartPhone cai de uma altura de 50cm e trinca display.

    XauXau 2 mil reais…

  • Frederico

    Essa quarta-feira pra mim chegou já tem uns bons 4 anos