Mão segurando o Kindle Fire HD8 em modo paisagem.

Uma olhada rápida no Kindle Fire HD8 — e como é usá-lo no Brasil

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20/12/17, 16h55 6 min 21 comentários

Dizer que há uma lacuna no mercado de tablets é minimizar o problema. O que existe é um Grand Canyon. Em uma das pontas, temos o iPad Pro e o Galaxy Tab S3, produtos impecáveis que não saem por menos de R$ 2,5 mil. Na outra, um mar de aparelhos de qualidade duvidosa, custando até R$ 300. Se aqui no Brasil o intervalo entre elas é um vácuo, nos Estados Unidos existe um pontinho laranja, bem ali no meio, chamado Kindle Fire, a linha de tablets da Amazon.

Recentemente, tive a oportunidade e adquiri um Kindle Fire HD8 para presentear alguém. Este modelo, com preço sugerido de US$ 80 (no momento, em promoção natalina por US$ 50), é a indicação econômica do Wirecutter, o site de análises de produtos do New York Times. Não à toa: pelo que custa, ele dá um banho em qualquer concorrente, mesmo nos Estados Unidos — lá, também, o Grand Canyon dos tablets existe.

Detalhe dos botões e do acabamento na parte de trás do Kindle Fire HD8.
O acabamento é pouco inspirado, mas o custo-benefício, imbatível. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

A linha Kindle Fire compreende alguns tamanhos de tela, que vão de 7 a 10 polegadas, e variações infantis que consistem, basicamente, em capas de borracha avantajadas para o tablet e alguns apps e jogos educacionais pré-instalados.

São aparelhos baratos, com acabamento em plástico e telas não tão boas. Mas são rápidos. Eles marcam bem a diferença entre o simples e o ruim, termos que, embora muitas vezes se confundam, são diferentes. É um negócio deliberadamente barato (o preço provavelmente é subsidiado pela Amazon), feito para ser comprado por impulso ou para situações de alto risco, como para o uso por crianças e suas mãozinhas melecadas e desengonçadas.

Aliás, a Amazon não se esforça em momento algum para vender seus tablets como se fossem algo mais refinado. As embalagens dos Kindle Fire se parecem com algo que você compraria numa padaria, ou numa loja de materiais de escritório e, não bastasse isso, o modelo de entrada, com tela de 7 polegadas, é vendidos em “engradados” de seis unidades, como se fosse cerveja:

Pack de seis Kindle Fire HD, vendido pela Amazon nos Estados Unidos.
“Me vê seis, por favor”. Foto: Amazon/Divulgação.

Tudo muito barato, tudo muito bonito — menos para nós, brasileiros. A linha Kindle Fire ainda não é vendida no Brasil. O por quê, eu realmente não sei: entre os serviços a que o Kindle Fire tem suporte, só falta a loja de músicas da Amazon por aqui. O restante (livros, filmes, apps e espaço na nuvem) já funciona. Há rumores de que isso mudará em breve, e que a Amazon trará para cá seus tablets baratos com Android, mas, por ora, nada oficial foi dito.

Fire OS: Android, mas não aquele Android

Kindle Fire HD8 com a tela de jogos aberta.
Lembra um pouco os apps modernos do Windows 8. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

A aquisição foi meio que uma aposta, pois não sabia se o sistema do Kindle Fire HD8, chamado Fire OS, funcionaria no Brasil. Por ser fortemente atrelado ao ecossistema da Amazon, em caso negativo o tablet se tornaria um peso de papel. Felizmente, não é o que ocorre. Logo na configuração inicial é possível escolher o idioma português brasileiro, logar com a conta da Amazon da loja nacional e usá-lo normalmente aqui.

O Fire OS, aliás, é bem curioso. Ele é baseado no Android, mas não tem nada do Google. Nem Play Store, nem Gmail, absolutamente nada. É um “fork”, como se diz no jargão técnico, ou uma variante independente, feita a partir do Android AOSP, ou a versão de código livre do sistema, a mesma que o Google pega e modifica com seus aplicativos e funções extras. O Fire OS é, provavelmente, o fork mais bem sucedido do Android depois do do Google (e tirando as chinesas, que meio que só funcionam na China).

Na prática, o Fire OS mantém a sensação de se estar usando o Android, ainda que algumas partes sejam bastante diferentes ou desatualizadas — menus e elementos de interface parecem herdados de tempos remotos do Android do Google. A versão mais recente para tablets, a 5.6, é baseada no antigo Android 5.1.1, lançado no final de 2014. Esse abandono também se reflete na loja, que tem uma variedade de títulos bem menor e, com frequência, apps e jogos que não são atualizados há anos.

Existe uma gaveta com todos os apps instalados no Fire OS. Além dela, há telas iniciais para cada seção da Amazon — livros, filmes, jogos, apps e música. É uma disposição curiosa, mas que funciona bem, especialmente pela proposta da linha Kindle Fire de serem dispositivos de consumo do conteúdo vendido pela Amazon. Colocá-lo na cara do usuário, pois, condiz com essa proposta.

A única coisa de que senti falta, mas porque o tablet será dado a uma criança, foi do FreeTime, um recurso disponível nos Estados Unidos que cria perfis para crianças no Fire OS. É um meio termo entre liberar o tablet sem qualquer supervisão (não faça isso) e ativar o controle parental, que por vezes acaba sendo muito rígido. No FreeTime, por exemplo, consigo tirar os meus livros do Kindle Fire da criança e, ao mesmo tempo, comprar e enviar livros exclusivos para ela.

Na falta do recurso, ativei e configurei o controle parental mesmo. Não é o ideal, mas deve servir para que ela usufrua dos jogos e apps educativos sem correr riscos desnecessários.

Vale a pena?

O acabamento do Kindle Fire HD8 não salta aos olhos, o tablet é meio grosso e pesado para os padrões atuais e todo o resto — tela, câmeras, áudio — são medianos, se muito.

Minto: a tela talvez seja o ponto baixo do conjunto. Mesmo para um projeto tão barato, ela poderia ser melhor. A resolução até que é boa, mas reflete muito a luz — impossível usá-lo sob o Sol — e tem um aspecto absurdamente lavado — o preto parece cinza. Sei que é quase desleal a comparação que farei a seguir, mas ao colocar o Kindle Fire HD8 ao lado da de um iPad Pro, é possível ter uma boa ideia do quão ruim a tela dele é:

iPad Pro e Kindle Fire HD8 colocados lado a lado.
À esquerda, um iPad Pro de 9,7 polegadas. Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Mas, novamente: por R$ 340, o preço final após acrescer os impostos locais e o nosso IOF, é difícil encontrar coisa melhor no mercado. E ainda tem 16 GB em vez dos 8 GB que certas fabricantes sul-coreanas ainda colocam em tablets de entrada…

Se estiver de passagem pelos Estados Unidos ou algum outro país onde a Amazon comercializa seus tablets, o Kindle Fire HD8 vale muito a pena.

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  • Esses tablets são excelentes (existe também a versão Kids que vem com uma bela capa para aguentar o ritmo das crianças!!).

    Ainda mais porque eles não restringem de maneira nenhuma a instalação do Google Play Services e da Play Store. A instalação não requer root ou qualquer conhecimento avançado. Basta baixar os arquivos .apk e instalar.
    Diversos tutoriais podem ser encontrados no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=WEi2ZHATt6I

    Para quem é usuário casual e consumidor de mídia, não existe opção melhor.

  • evefavretto

    Até tem algumas opções de 600-1500, como os Tab A(com S Pen!) e alguns Multilaser com specs razoáveis mas podiam ser bem melhores. Provavelmente desses todos a melhor opção a venda no Brasil é o Tab A 2016. Tem S Pen, tela razoável e SoC de 14nm Octa core

  • “A versão mais recente para tablets, a 5.6, é baseada no antigo Android 5.1.1, lançado no final de 2014″

    Bom, o Tab A (2016) de 7” também saiu com Lollipop 5.1.1.

  • Victor Serrão

    Se o Android fosse pelo menos mais próximo da última versão eu me animava a trazer. Tenho sentido falta de um tablet, mas não queria gastar 2,5k

    • Aldo Cintra

      Amigo, acabei de comentar nesse post, dá uma olhada. Talvez seja interessante para você também.

  • Harlley Sathler

    Há um tempo comprei um, na época o de 7″, para presentear a, agora, esposa. Para o uso dela atende espetacularmente bem. Mantive o FireOS, mas instalei os serviços do Google. Não quis me aventurar, no entanto, em trocar completamente a ROM dele ( na época a CyanogenMod ainda era uma opção. Não sei se há compilação do LineageOS para ele).

  • Eu tenho um Fire 7 do último modelo e o bicho é assustador de lento. O processador até dá conta do recado, mas o fato dele só ter 1GB de RAM praticamente inviabiliza qualquer uso mais esperto dele (digo: trocar com frequência entre os aplicativos abertos, por exemplo).

    Dito isso, pelos 40 dólares que paguei nele, não tenho do que reclamar. Uso principalmente pra referência quando preciso de uma tela maior (pra ler uma cifra ou uma receita, por exemplo) e pra isso ele dá conta tranquilamente.

    Uma coisa que senti falta ao sair do iPad (Um iPad 2, por sinal) e vir para o Fire foi a duração da bateria enquanto idle. Se eu deixasse meu iPad por um mês sem carregar eu ia pegar ele e teria perdido uns 5% de bateria. O Fire parado vai de 100% a 0% em menos de uma semana, mesmo com todas as opções de conectividade desligadas. Não sei se precisaria ter hardware avançado pra corrigir isso ou se é só o software sendo preguiçoso mesmo.

    • Este tem 1,5 GB de RAM, longe do ideal, mas deve dar conta.

  • Aldo Cintra

    Eu estava querendo um tablet basicamente para ler PDFs (que meu kindle não faz muito bem), levar em viagens para assistir filmes e séries em uma tela maior que a do celular e levar ao Fórum caso precise editar/redigir rapidamente um petição.
    Entretanto, não queria gastar muito, e após muito pesquisar, decidi arriscar um tablet intermediário da Gearbest (https://www.gearbest.com/tablet-pcs/pp_602714.html?wid=11).
    Ele tem processador quad core 1,6, 2gb ram, 32gb rom + entrada para micro SD, tela 7,9 pol. retina com resolução 2048 x 1536, e android 6.0.
    Peguei em uma promoção e paguei R$ 300,00. E pelo que vi, se for taxado, + R$ 200,00.
    Agora é esperar a lerdeza/má vontade/greve quando ele chegar no Brasil.
    Alguém aí tem ou conhece alguém que tem esse modelo?

    • As configurações parecem bem boas, mas tenho receio de marcas chinesas desconhecidas. Vá saber o que instalam nessas ROMs? Sem falar que não há suporte — não que a Amazon Brasil dê garantia para Kindle Fire, mas é mais viável do que um tablet na China.

      De qualquer forma, espero que dê tudo certo!

      • Aldo Cintra

        Então. Tenho esses receios também.
        Mas resolvi arriscar dessa vez.
        E por ser produto chinês, acredito ser relativo, xiaomi também é e me parece que os produtos são bons.
        No mais, chegando eu faço uma pequena análise e posto no post livre.

  • Tynan Barcelos

    Eai pessoal, tudo certo?
    Vocês poderiam me indicar uma ferramenta gratuita para a criação de Newsletter?

    • TinyLetter ou Mailchimp!

      • Tynan Barcelos

        Ah certo, obrigado! Teria algum em português? Meu inglês tá precário hehe

  • Abmael Araújo Dias Filho

    Algo que excelente no Fire é a capacidade dele de ouvir o áudio dos livros.

  • Andrey Figueiredo

    Olá! Muito boa a reportagem! Estou pensando em trazer um p minha filha! Fiquei com uma dúvida, o FreeTime funciona, exceto os perfis, ou não funciona nada? Pq comprando o Fire Kids ele vem com 1 ano grátis de FreeTime, vai ser possível acessar esse conteúdo do Brasil? Muito obrigado!

  • Rael

    Eu comprei o Fire 7 (2017) recentemente no Mercado Livre por 289 reais e não me arrependi nenhum pouco. Uso ele principalmente para a faculdade utilizando os aplicativos como OneNote, Word, PowerPoint, Excel e leituras de PDF além de utilizar aplicativos de mídia como o Netflix, YouTube e navegar na Internet. Realmente tem alguns pontos fracos como as câmeras e o áudio, mas pelo preço com toda certeza há muito mais pontos positivos! Como o teclado que aceita arrastar para digitar, o tablet não é lento e possuiu um sistema bem otimizado, ou seja, comprei para ser meu caderno pessoal e estou adorando o tablet, muito melhor que esses Multilasers da vida, rsrs.

    • Diogo

      Meu querido, pretendo comprar um tablet com as mesmas intenções: para estudo, leitura e anotações. Você sabe se o Fire funciona bem com as canetas Stylus? Abraços!

  • Denise Medeiros

    Pois eu estava morando nos EUA e queria um tablet basicamente para ler livros, o iPad pra mim era muito caro para essa finalidade, comprei o Kindle paperwhite e não gostei, devolvi pra Amazon e pedi o fire HD8, melhor investimento da vida ever… armazeno milhares de livros, comics, tenho acesso a amazon para pesquisar e sugestões diárias de livros, baixo exemplos e se gostar já tenho a opção de comprar, consigo colocar o modo narrador e “ler” os meus livros mesmo enquanto dirijo. Arrependimento ZERO, é meu xodozinho de leitura.

  • Estela Favoretto

    Bom dia pessoal. Sabem me dizer se consigo colocar nele um chip de internet da claro? Ou só funciona com Wifi?