Montagem com MacBook de um lado e notebooks Windows do outro.

O MacBook não está sozinho: 4 alternativas ao novo notebook da Apple

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10/3/15, 15h19 8 min 26 comentários

Quando o palco escurece, o telão atrás de Tim Cook ou de quem estiver lá se acende e a voz de Jonathan Ive toma conta do ambiente, é bom se preparar: ele vai te convencer de que o produto exibido ali é o estado da arte e você precisa dele.

Não raro, é o caso. A Apple, com os cofres cheios e valorizada em Wall Street, está numa posição única. Ela tem dinheiro para investir em ideias malucas e gente capacitada para executá-las. Parece bobo, mas até a embalagem de plástico moldado e o uso de plástico branco, duas características da Apple no passado recente, são arriscadas para empresas novatas ou em posição menos privilegiada. Escala, logística e processos são áreas importantes onde a Apple se sobressai.

O MacBook, apesar de todos os poréns, parece uma máquina fantástica. Como escrevi ontem, é um feito de engenharia. E aquele vídeo… Veja aí:

“O novo MacBook é o resultado de uma obsessão coletiva para simplificar seus componentes essenciais a fim de criar o design mais eficiente possível”.

Diz aí, dá vontade de lamber esse pedaço de metal abarrotado de bateria. E esse sotaque britânico, essa voz calma e confiante do Ive? Se numa conjuntura bizarra de eventos ele caísse no arquivo confidencial do Faustão e nosso apresentador perguntasse o que ele faria se não fosse designer, eu aposto uns trocados que Ive diria “locutor da BBC.”

Tudo isso forma o famoso CAMPO DE DISTORÇÃO DA REALIDADE™, o poder invisível de convencimento que, alegam, Jobs tinha ao apresentar seus gadgets ao mundo.

Tenho algumas reservas com esse termo. Em quase todas as vezes em que é utilizado, ele vem acompanhado de desdém e rancor. Não raro, ignora as (reais) vantagens de um iGadget e tem sua função restrita à de pólvora para fazer explodir as infames brigas de torcida nos comentários de sites de tecnologia. Mas em vídeos como esse o tal campo se materializa; é impossível sair emocionalmente ileso. Ou você se convence de que, sim, esse MacBook é o computador mais sensacional que a humanidade já concebeu, ou se blinda e acha que, meh, maldito campo de distorção da realidade.

Um dia após o evento, passado o efeito do fator surpresa e depois de ler várias primeiras impressões dos jornalistas que estiveram lá, é hora de olhar para os lados à procura de vida em outras marcas. Ainda que esse tipo de comparação normalmente seja inócua, já que a maior diferença entre um Mac e um PC está no software (OS X ou Windows), os feitos alardeados pela Apple mudam o cenário sensivelmente e validam esse exercício. Afinal, não é sempre que um notebook tão bonito, que pesa menos de 1 kg e tem, fechado, a espessura de um smartphone chega ao mercado.

Separei alguns Ultrabooks que, hey, são tão impressionantes quanto o MacBook, custam menos, são mais rápidos… Se o OS X não for imprescindível, essas são alternativas reais.

Da velha rival Samsung, o fino e leve ATIV Book 9

ATIV Book 9, da Samsung.

Dizem as más línguas que a Samsung vive de copiar a Apple. Se eu fosse desses, diria que aqui a situação se inverteu. Seu principal Ultrabook, o ATIV Book 9, de esquisito só tem o nome (era melhor Series 9). O design é marcante e bonito, e em sua última versão, apresentada em dezembro, ele encolheu. Foi-se embora a tradicional tela de 13,3 polegadas para dar lugar a uma de 12,2. Peso? 948g. Espessura? 11,7mm.

Embora o processador seja o mesmo Core M (o que garante um design livre de ventoinhas), a autonomia prometida pela fabricante é de 10,5h — 1,5h a mais que a do novo MacBook. A conectividade por cabos também não foi comprometida: estão disponíveis duas portas USB 3.0, uma miniHDMI e outra RJ-45 (com o auxílio de um dongle), além da saída de áudio no padrão 3,5mm. Outra vantagem é a webcam, com resolução HD (720p). A do MacBook chega a 480p.

Em valores, o ATIV Book 9, que no momento está em pré-venda nos EUA, também é similar ao novo MacBook. Esse custa US$ 1.299 nos EUA, com 8 GB de RAM e SSD de 256 GB. Na mesma configuração o Ultrabook da Samsung sai por US$ 1.399. O pulo do gato está em uma mais econômica, com 4 GB de RAM e SSD de 128 GB, por US$ 1.199. Pessoalmente acho que não vale a economia, mas é uma saída para quem está no limite no orçamento.

Essa nova versão do ATIV Book 9 ainda não foi lançada no Brasil.

O inesperado XPS 13, da Dell

 

Ultrabook XPS 13, da Dell.

A Dell faz Ultrabooks desde que essa ideia surgiu, mas foi só agora, na CES 2015, que ela conseguiu um lugar de destaque com seu principal produto, o XPS 13. Ele traz uma tela de 13,3 polegadas no espaço de uma de 11, o que dá o efeito que a Dell chama de “borda infinita.” E detalhe: com uma resolução altíssima, de 3200×1800 pixels. Disponível em uma grande variedade de configurações, pode ser comprado a partir de US$ 899 nos EUA. (Embora eu não recomende essa versão de entrada, com um Core i3.)

A espessura do XPS 13 varia. No ponto mais baixo, tem apenas 9mm de altura; no mais alto, 15mm. O peso é de 1,18 kg, o que é bem leve, porém não quebra aquela barreira quase psicológica do quilo. Portas? Sim: são duas USB 3.0, uma Mini DisplayPort, saída de 3,5mm para fones de ouvido e um sempre útil leitor de cartões SD. A webcam é HD, a autonomia prometida é de até 11h e ele ainda conta com vidro Gorilla Glass na tela e acabamento em fibra de carbono no chassi.

O novo XPS 13 chegou rápido ao Brasil. Ele já está à venda por aqui, mas apenas em duas configurações, ambas sem touchscreen. A melhor é a mais simples, com um Core i5 de quinta geração (Broadwell), com 8 GB de RAM e SSD de 256 GB. Ela sai por R$ 6.999. A outra só tem o processador de diferente (entra um Core i7) e custa R$ 7.299. A título comparativo, por aqui o novo MacBook começa em R$ 8.499 e chega até R$ 10.499 com o dobro de memória (512 GB) e um Core M um pouco mais rápido — mas, ainda assim, aquém do desempenho do Core i5.

O persistente Surface Pro 3

Surface pro 3: a Microsoft finalmente acertou.

A Microsoft entrou no ramo de hardware com o Surface, um híbrido de tablet e notebook que só se encontrou de fato na terceira versão — as duas primeiras sofriam do “complexo de pato”, ou seja, fazia muita coisa, nenhuma bem. Ainda é preciso um pouco de boa vontade para lidar com o teclado-capa, mas vários dos problemas ergonômicos das iterações passadas foram resolvidos.

Mesmo com a Type Cover, a capa-teclado praticamente obrigatória (mas vendida à parte), o Surface Pro 3 tem apenas 13,7 mm, praticamente a mesma espessura do MacBook. O peso também chega perto — na mesma condição, tem 1,08 kg. A tela tem o mesmo tamanho, 12 polegadas, e perde um pouco na contagem de pixels horizontais — são 2160×1440 no Surface Pro 3 contra 2304×1440 no novo notebook da Apple. A estimativa de duração da bateria é a mesma nos dois, de 9h, mas o Surface Pro 3 vem equipado com processadores Core i de quarta geração (Haswell).

A versão de entrada do Surface Pro 3 custa US$ 799, mas com Core i3 e apenas 64 GB de memória, não compensa. A equivalente ao MacBook, com Core i5 e SSD de 256 GB, custa o mesmo preço: US$ 1.299. Pena que ele não é vendido no Brasil…

O clássico ThinkPad X1 Carbon, da Lenovo

Teclado do ThinkPad X1 Carbon.

O ThinkPad X1 Carbon é um refinamento anual que a Lenovo solta no mercado para um público fiel e específico. Eu tenho comigo que ele é o equivalente ao MacBook Air no mundo Windows: leve, fino, confiável, funciona. E aquele teclado… A Lenovo herdou uma coisinha ou outra sobre fabricar teclados da IBM e esse design atual, com teclas côncavas, é super confortável.

A terceira geração foi apresentada na última CES. O notebook ficou mais fino, mas com 17,7 mm ele não impressiona tanto quanto os mostrados acima. É leve, porém nem tanto — tem 1,31 kg. E é o que tem a maior tela, de 14 polegadas. Ele usa os últimos processadores Core i (Broadwell) e tem diversas opções de configuração como tela Full HD ou QHD (2560×1440 pixels), RAM (até 8 GB) e SSD (até 512 GB). A bateria dura “até 10,9h”, dependendo da configuração escolhida.

Nos EUA, o ThinkPad X1 Carbon começa em US$ 1.079 com Core i5, 4 GB de RAM, SSD de 128 GB e tela Full HD. O site de vendas da Lenovo nem mostra as demais configurações, que devem ser cotadas especificamente. No Brasil a nova geração ainda não chegou. A anterior, com a criticada fileira de botões táteis no lugar das teclas F1-12, começa em R$ 9.239. E você achando caras as coisas da Apple…

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  • Panino Manino

    Existem outros como um Zenbook que eu vi por aí.
    Agora na minha opinião, vejo esse novo MacBook como um novo produto. Ele é um tablet, o Surface da Apple, no corpo de um notebook. Enquanto os outros fazem conversíveis a Apple deixou o teclado fixo. É um produto que tem seu nicho sim, mas vejo o objetivo final disso apenas lucrar mais, porque tirando todas as portas você paga menos licenças e ainda se gaba “oh, como é leve!”.

    O Campo de Distorção da Realidade acho que se refere mais a eles negarem a concorrência e se apropriarem em méritos dos outros. Viu quando o Tim mostrou o carregador do relógio que usa um conector magnético, enchendo o peito para dizer com um sorriso no rosto que era algo que “só a Apple é capaz de conceber”? É isso aí.

    • Luis Henrique

      Bom, para o público leigo que não acompanha as últimas notícias, a Apple é sempre inovadora, “mágica”, pois é uma das poucas que conseguem romper a barreira do consumidor não geek (apelando para o mundo fashion e de grife, ultimamente)

  • Rodrigo

    Meu irmão comprou o ativ 9, versão antiga, por 1800, 1700 algo assim, ano passado. Realmente, é impressionante. SSD de 128GB e um design bem fino e bem leve.

  • Mateus Azevedo

    Utilizei recentemente um Ultrabook da Dell e posso confirmar, são MUITO bons! E até onde sei, os mais baratos também…

    A Samsung até tem outros modelos que não o “Série 9”, mas não acho que são tão bons assim.

    • Marcos Balzano

      Os pseudos-ultrabooks da samsung são horrendos, compre um ChromeBook e seja feliz, porque esses estão foda!

  • Frederico

    No começo eu tinha achado o MacBook incrível. Ainda acho, mas “limitado” a proeza da engenharia. Como produto, acho que fica atrás dos outros dois modelos de notebook. Aliás, numa próxima atualização, eles devem incorporar o teclado e a tela (se essa for melhor). O trackpad já foi absorvido.

    Isso me faz pensar que os nomes parecem fora de sintonia. O MacBook é muito mais MacBook Air do que o próprio e vice versa. E tenho receios com esse Core M. Ele parece pedir pra ser monotarefa. Se for o caso, iPad é mais competente nisso.

    Se eu tivesse bala na agulha, das 5 opções, iria no Dell.

  • Luis Henrique

    Quem dera eu tivesse grana suficiente para trocar meu velho Vaio VPCEG15 de guerra. O peso dele machuca minha costas diariamente (mas é duro na queda, visto que tem quase 4 anos e ainda está ótimo – com a ajuda de um SSD novinho, é claro).

  • Chicão

    Se levar em conta o clock do processador desse novo macbook, eu diria que ele concorre com os chromebooks e nada mais.

  • Rael Max

    A gente sempre reclama dos preços da Apple mas quando vai fazer uma comparação com produtos similares de outras marcas a gente vê que dá praticamente no mesmo.

    • Panino Manino

      O estranho fenômeno é:
      É da Apple = para de reclamar seu pobretão!
      Não é de Apple = não vale o preço! Windows 8.1? Piada.

  • Karel Cristian

    #OFFTopic Rodrigo, gostei muito da volta ao estilo coluna (é o meu estilo preferido, fica algo mais cronológico, organizado…). Mas, a adição das “áreas” na barra tá criando (pelo menos no meu Chrome) um barra de rolagem, que eu acho que não seja desejada, e se for, por favor reavalie., ela quebra a “simplicidade” do design do site. :)

  • Harlley Sathler

    “E você achando caras as coisas da Apple…” Acho que na verdade um erro que todo mundo comete ao fazer esse tipo de comparação de preço é que comparam com categorias erradas. Sim, os produtos da Apple são caros as margens de lucro da empresa são astronômicas, blá, blá, blá. Só que algo indiscutível é que são produtos de qualidade superior à maioria. As pessoas comparam esses produtos a máquinas de entrada das outras fabricantes, mas raramente fazem como você fez neste post, Rodrigo, e comparam os produtos da Apple aos produtos de excelente qualidade das demais fabricantes. Nessa hora a gente começa a ver que a diferença de preço não é tão abismal assim. Conclusão: Coisa muito boa custa muito caro independente da marca!

  • Para ajudar a visualizar as specs, fiz uma tabela comparativa.
    Se gostar, pode usar no texto principal.

    http://i.imgur.com/6jBPpNlh.png

    • Eduardo Mateus Klein
    • Rojedo

      Só a cotação do dólar que deve estar defasada. Já extrapolou os R$ 3,20. Esse McBook não deve chegar por aqui por menos de 10 mil dilmas.

      • para entender melhor, eu não fiz conversao de valores.
        se tem preço em dolar, so vende lá fora.
        Qando tem preço em R$ e US$, o preço daqui foi nas lojas oficiais, já o preço em dolar foi na Amazon.

  • Tiago Fernandes

    Corrigindo: O XPS13 é oferecido no Brasil apenas nas versões COM touchscreen.

  • Concordo com um colunista do New York Times que disse que a Apple tem se beneficiado com a estagnação dos PCs: como os dispositivos costumam durar mais, as pessoas ficam mais propensas a investir mais em um desktop ou notebook. Para esses da matéria, a mesma lógica se aplica: são produtos caros, mas que devem durar uns 3-5 anos sem problemas. Não me arrependo nem um pouco de ter investido uma boa grana no último notebook.

    O meu preferido dessa lista é o XPS 13, ele joga simples e oferece o melhor conjunto: ótimo acabamento, as melhores configurações e melhor bateria. Pessoalmente não tenho muito interesse por “firulas” que andam fazendo em notebook: o Windows 8 em si e todos os produtos que tentam aproveitar as características de toque na tela são desnecessárias para mim. Por fim, eu sempre fui entusiasta de emagrecer notebook…mas os cortes de desempenho (Core M) e de portas (MacBook) não justificam para mim.

    Vale colocar o próprio MacBook Air de opção, apenas a tela que perde, mas ele é o único que vem com a HD6000 e a bateria do mesmo nível do XPS. Gostando muito de OS X, eu ficaria com ele de opção apesar do hardware do XPS 13 parecer melhor.

    • Marcos Balzano

      Entre o Air e o XPS vai o gosto, esse note está com cara de teste de mercado.

  • Surface Pro 3. Meu sonho de consumo hoje em notebooks.

    • Marcos Balzano

      CAra vai de XPS13 é de longe o melhor em CxB.

      • Tem muita coisa melhor em custo beneficio que o iPhone por exemplo, nem por isso é a escolha de muitos. Esse é meu caso contrário não o Surface 3 comigo. Simplesmente acho ele fantástico e lindo.

  • Tiago Mascarenhas

    Colocaria fácil aí como maior custo benefício o Zenbook U305, saindo com ssd 258 e 8 gb de ram por 699,00 usd.
    Creio que importarei ele, pensei no Surface 3, mas a tela de 10 me incomoda, só vai servir como tablet.

  • Dorival K Terato

    Matéria tão útil quanto um guia para os muambeiros, BTW estamos localizados geograficamente em um país chamado Brasil.

  • Dorival K Terato

    Matéria tão útil quanto um guia para os muambeiros, BTW estamos localizados geograficamente em um país chamado Brasil.

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