Misfit Shine no pulso.

[Review] Misfit Shine: a pulseira fitness mais bonita e longeva disponível

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20/3/15, 13h28 8 min 19 comentários

Uma das categorias de produtos mais prolíferas nesses últimos anos é a de pulseiras fitness. Com sensores e conectadas aos nossos smartphones, elas prometem uma vida menos sedentária através de dados minuciosos sobre como nos movimentamos. A Shine, da Misfit, é uma das mais bonitas dessa safra. Mas será que é boa?

Uma joia de gadget vestível

Financiada com sucesso pelo Indiegogo numa campanha de crowdfunding, a pulseira Shine foi o primeiro produto da Misift, startup norte-americana que ganhou fama instantânea por John Sculley, o infame ex-CEO da Apple que demitiu Steve Jobs da empresa, entre seus fundadores. O nome da empresa, aliás, é uma homenagem a Jobs — o batismo aconteceu na noite em que ele faleceu e é uma referência à famosa campanha Think Different.

A Shine tem algumas peculiaridades que a separam do grupo de pulseiras que precisam ser recarregadas em intervalos de no máximo poucos dias e, com algumas poucas exceções, são esquisitas ou feias. A bateria desta pulseira dura meses e é relativamente fácil confundi-la com um acessório fashion, um adorno. Essas duas características sacrificam funcionalidades, mas é um equilíbrio interessante. E único, o que é importante num segmento novo que já flerta com a comoditização.

O que vem na caixa da Shine.

O pacote da Shine traz a pequena peça central no formato de uma moeda grande e “gordinha”, uma bateria, uma ferramenta circular para abrir a tampa da peça central e dois suportes, uma pulseira tradicional e uma espécie de clipe magnético. A Misfit vende, à parte, outros suportes — um colar e uma pulseira de couro, mais refinada.

É compreensível esse foco em apresentação, já que a peça central é bem bonita. Feita de alumínio usado na aviação, ela é vendida em diversas cores; a minha unidade é de um cinza escuro com as bordas prateadas bastante brilhantes (rá!). É um negócio sóbrio, e com algum esforço dá para ver doze bolinhas nas suas extremidades. Elas servem de interface, uma bem limitada, mas funcional.

Para ativar as bolinhas, que na verdade são pequenos LEDs, basta dar dois toques fortes na superfície. Elas formam um relógio analógico e indicam o progresso da meta diária de atividades físicas. Três toques ativa o modo sensível de captura de movimentos, indicado para atividades diferentes da caminhada. Informações detalhadas são visualizadas pelo app, que tem versões para iPhone, Android, Windows Phone e até Windows (!), e que é bem completo. Veja (iPhone):

A Shine não vibra, nem emite notificações. Ela não é muito prática como relógio, já que é preciso dar dois toques fortes para forçá-la a exibir as horas e esses toques nem sempre funcionam de primeira. Suas funções são limitadas. Duas, na real: contar passos/atividades físicas e monitorar o sono. E, para completar, ela não fica sincronizada o tempo todo com o smartphone. Você tem que fazer isso manualmente.

Esse rol de recursos restritos e interface minimalista garante que a bateria, parecida com essas usadas em relógios tradicionais, dure de quatro a até seis meses. É um período gigantesco mesmo comparado aos melhores relógios e pulseiras inteligentes, da SmartBand SWR10 ao Pebble. A Shine é o primeiro gadget do tipo que alcança o estado desejável de vestíveis: sem fricção, é do tipo “vista e esqueça.” A peça central é leve e a pulseira, confortável (ainda que feia), o que estimula dormir com ela. E por ser à prova d’água, nem na hora do banho é preciso tirá-la.

O ótimo app da Misfit complementa a Shine

Shine sobre a tela do iPhone.

Algumas pulseiras até passam pelos crivos de usabilidade, bateria e outros que dizem respeito a ela em si, mas tropeçam feio na hora de conversar com o app correspondente no smartphone. Não é o caso da Shine. O app da Misfit é bem bom.

A sincronia, como dito, é feita manualmente. A Shine armazena até 30 dias de atividades e, ao ser pareada com o smartphone, dentro do próprio app, os dados se expandem em visualizações diárias ou semanais, cheias de gráficos e detalhes.

Curiosidade: embora o app desenhe um círculo e peça para você colocar a peça redonda em cima da tela, como na foto, não é preciso tanto. A sincronia funciona bem com ela no seu pulso e você segurando o smartphone, o que é mais cômodo do que desmontar a pulseira toda vez que for sincronizar os dados.

O monitoramento de exercícios usa um esquema de pontos em vez de passos puros (esses estão acessíveis em uma visualização alternativa). Isso acontece porque a Shine leva em conta atividades como corrida, natação e a prática de esportes. Antes de começar essas sessões, um toque triplo ativa manualmente um modo de sensibilidade maior da pulseira. Ela também tenta, eventualmente, identificar sozinha essas situações inusuais, mas nem sempre acerta — em vários dias, indo ou voltando da faculdade andando, ela achou que eu estivesse correndo.

O belo app da Misfit.
Clique para ampliar.

É fácil e agradável revisar seus números pelo app. Há três grandes áreas: atividades físicas, sono e peso. As duas primeiras são alimentadas automaticamente pela pulseira; a última, depende da entrada manual de dados. Pelo app também é possível inserir manualmente sessões de práticas esportivas e, no caso dos dados de sono, iniciá-la por conta e editar os resultados posteriormente.

Alguns jornalistas criticaram a precisão do monitor de atividades da Shine. Eu não pude fazer o mesmo dada a falta de parâmetros (leia-se outras pulseiras disponíveis), mas se em relação a outros gadgets ela possa ficar devendo, pelo menos dentro do histórico parece tudo certo. Os números batem com os dias e períodos em que me movimentei mais e, no caso do sono, as aferições automáticas bateram perfeitamente com algumas noites em que anotei, num papel mesmo, os horários em que fui para a cama e acordei.

Existem sérios questionamentos sobre a precisão das pulseiras em geral. O equilíbrio entre precisão, presença de sensores e autonomia é um desafio ainda — por mais miniaturizada que esteja a tecnologia hoje, pequenas caixinhas presas ao pulso ainda são difíceis de serem projetadas. Nesse sentido a Shine e várias outras funcionam mais como combustível psicológico para se movimentar do que um monitor preciso do que você faz. Para esse fim, ela é ótima.

Bônus: o app ainda dá uma força para ajudá-lo a dormir. Ele traz diversos barulhos, tipo ruído branco, para anular sons externos — e com timer, para não torrar a bateria do smartphone a noite toda. Funciona muito bem e se soubesse disso antes teria economizado uns dólares do Noisli.

Vale a pena?

A Shine é bonita e discreta no pulso.

Lá fora essa versão-base custa US$ 99. Aqui, entre R$ 500 e R$ 600. É bem salgado para uma pulseira “simples,” especialmente com soluções mais robustas, como o Moto 360, custando pouca coisa mais — neste momento, na mesma loja, R$ 809.

A ironia dessa relação funcionalidade-preço é que um dos pontos fortes da Shine é exatamente a sua simplicidade. O outro, a bela apresentação. A experiência de usá-la é do tipo vista e esqueça, mas seja lembrado esporadicamente por comentários de curiosos — quase sempre elogiando o gadget. Com o clipe magnético, ela ganha versatilidade também, já que não precisa ficar sempre no pulso. Pode-se pendurá-la no paletó, na camiseta, num bolso da calça e até no cadarço do tênis.

Pela beleza e como curiosidade, vale a pena sim. Se você é do tipo mais racional/pragmático, porém, é difícil justificar tanto dinheiro em algo meio supérfluo. Ninguém vai do sedentarismo para a corrida de maratonas só por causa de uma pulseira; e mesmo que esses equipamentos externos sirvam de estímulo, a Shine, pela simplicidade que lhe é inerente, não ajuda tanto. Mas é um negócio legal e pouco incômodo. Um raro caso, na tecnologia de consumo, onde menos é mais da melhor forma possível.

Compre a Misfit Shine.

Compre a Misfit Shine

Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

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  • luizalbertotj

    Esse é uma pulseira que mais simpatizo, Pequena e discreta,e vai direto ao ponto.

    -1 por não mencionar o app de Windows Phone http://www.windowsphone.com/en-us/store/app/misfit/040923cc-e1bd-46c0-b2b1-7d3680aa6f99

  • Luis Henrique

    Achei uma pulseira bem bacana, mas o preço é proibitivo.
    Na mesma linha, há a Mi Band, que custa só 13 doláres. Eu comprei no Dealextreme e, por enquanto, saiu por uns 50 reais (não sei se serei taxado).
    Para mim vale bem a pena, já que a bateria dura quase um mês e ela também é à prova d’água.

    • Saymonps

      Também comprei a Mi Band, já fazem 105 dias que está guardada nos porões da Receita Federal. O pior é que vi informações que as baterias Li-po utilizadas na Mi Band não carregam mais após descarregar completamente. Ghedin, vc sabe algo a respeito sobre isso? Que tipo de bateria é utilizada na Misfit?

    • Saulo Benigno

      Que arretado. Não conhecia isso. Vou atras :D

      E é da Xiaomi! Show

      já está em 19 dólares… R$ 63 … acho que ainda vale

      Gostei

      • Luis Henrique

        O problema é o que o amigo aí acima falou. A minha acabou de ser encaminhada para Curitiba. Deve passar alguns meses por lá pegando uma brisa também.

        • Saulo Benigno

          Curitiba = Receita, pense na bronca.

          A média (de acordo com o muambator) os envios da China chegam aqui na minha cidade com 70 dias… É a bronca.

          • Luis Henrique

            Engraçado que o meu veio da Suécia. Mas não deixa de ser Xing-ling.
            Talvez em 2016 eu curta minha Mi Band.

  • Ranner Barbosa

    Bem bonita e muito boa, mas como ja foi dito, pelo preço aqui não vale nem um pouco a pena..,
    E aproveitando a deixa, alguem teria algum aplicativo realmente bom “fitness” para recomendar?? baixei o Runstatic gratuito mas não usei ainda, se for realmente bom, cogito até comprar a versão Pro

    • Luis Henrique

      Eu tenho a pro e era excelente (quando eu usava, já tem uns 6 meses que não corro).

      • Ranner Barbosa

        obrigado amigo!

  • Ana Renucci

    Estou chegando a conclusão que esse Shine, não é tudo isso. Tenho um desde julho/2014, acabou a bateria em novembro/ 2014 e quando troquei ele parou de funcionar, entrei em contato com o fabricante, me deram 100% de desconto no site mas mesmo assim paguei frete e taxa de importação, chegou dia 11/3/2015. Tive q reiniciar meu celular pq mudei de país e ele não funciona mais, diz que tenho q desvincula-lo da conta vinculada. Nem o próprio pessoal do suporte sabe como resolver a questão. Estou completamente decepcionada.

  • Rodrigo Vieira

    Acho que o Activité Pop oferece mais coisas com mais bateria, por apenas 50 dólares a mais.

  • Inplac

    Pessoal, ganhei a MisFit Shine de uma amiga, que estava com ela guardada em uma gaveta, e ao tentar sincronizar com o APP diz que a pulseira já esta vinculada a uma conta. Alguém pode me dar uma dica de como proceder? Já tentei lembrar qual era a conta configurada com a minha amiga, mas não tivemos sucesso.