Perguntas sobre a (não) redução de US$ 300 para US$ 150 na cota de importação em viagens por via terrestre

Por
22/7/14, 15h36 2 min Comente

Vários erros nessa história da diminuição da cota de isenção em produtos importados por via terrestre, fluvial ou lacustre de US$ 300 para US$ 150, não? Acompanhe a linha do tempo comigo — e corrija-me se eu escrever alguma bobagem.

A notícia do Zero Hora, de ontem, informou que um funcionário da Receita Federal em Santana do Livramento disse que turistas se surpreenderam com medida, que já estaria valendo. Ela se embasa na Portaria nª 307, publicada no Diário Oficial da União. Mas hoje, Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita Federal, disse ao G1 que o valor antigo é o que está valendo e assim continuará por até um ano, já que a mesmo publicada no Diário da União, a redução ainda precisa de regulamentação da Receita.

A redução se deve a outra novidade da Portaria 307, que estabelece uma cota extra, de US$ 300, para lojas francas (os free shops comuns em aeroportos internacionais) que serão implantadas em “cidades gêmeas”. O problema é que nem toda cidade de fronteira tem uma gêmea no país vizinho. Como ficam esses casos? A Receita não sabe. Segundo Barreto, “não sabemos como vamos fazer. Porque tem uma regulamentação própria do Mercosul que regula tudo isso. Neste período, a gente espera amadurecer”. As cidades elegíveis ainda precisam de lei municipal para autorizar esse tipo de comércio.

Outra coisa é a discrepância com as regras para quem viaja de avião. A cota, para quem compra no free shop no retorno ao país, também é cumulativa e igual à das compras feitas fora — ou seja, US$ 500 + US$ 500. Segundo a portaria, para viagens internacionais terrestres essa soma ficará US$ 150 + US$ 300. Por que a diferença?

O Light Phone 2 é legal, mas você não precisa dele para fazer as pazes com o smartphone

Por
5/3/18, 14h57 5 min 14 comentários

Uma das críticas mais frequentes às empresas de aplicativos e Apple e Google, donos dos dois principais sistemas operacionais de smartphones, é o design viciante dos seus produtos. Tudo, dos mecanismos de funcionamento às cores usadas, são calibrados para gerar o maior nível possível de engajamento — em outas palavras, para que não abandonemos jamais nossas telinhas. Uma startup do Brooklyn, em Nova York, há anos oferece uma alternativa radical a essa abordagem dominante na tecnologia móvel. Continuar lendo O Light Phone 2 é legal, mas você não precisa dele para fazer as pazes com o smartphone

Quem compra tablet de menos de R$ 300?

Por
5/11/14, 8h45 5 min 75 comentários
Um tablet bem barato -- e ruim.
Foto: Giovana Lago.

A parte mais interessante da tecnologia de consumo, para mim, não é ela por ela, não são os gadgets que analiso aqui. É a parte que fala sobre como os dispositivos, serviços online e todas as demais coisas legais (e não tão legais) que orbitam esse mundo nos afetam. “Nós”, aqui, tanto enquanto indivíduos como no todo, a sociedade.

É preciso estar atento para perceber as alterações mais sutis. Pensar nas grandes, porém, facilita o entendimento do que quero dizer. Um exemplo fácil é como a popularização do celular destruiu os telefones públicos, os famosos orelhões. Eles passaram de utilidades urbanas tão presentes que viraram até tema de música a peças de museu a céu aberto em menos de uma década. Esse tipo de transição acontece a todo momento, a dificuldade está em percebê-la durante o processo, especialmente naquelas que não são aferíveis tão facilmente quanto os orelhões, ou seja, que não estão visíveis a qualquer um que põe o pé na rua.

Por interessar-me nisso e escrever a respeito, fico um tanto incomodado pela posição que ocupo. E falo isso quase que no sentido literal: sempre escrevi sobre tecnologia de casa, em regime home office, e tenho círculos de amizades relativamente homogêneos no que diz respeito a como eles consomem tecnologia. Nessa, acabo meio desconectado da realidade, basicamente o que disse Paul Thurrott no Twitter: Continuar lendo Quem compra tablet de menos de R$ 300?

Quem são Kunlun e Qihoo 360, empresas chinesas que compraram o Opera

Por
10/2/16, 10h19 4 min 92 comentários

A Opera, empresa norueguesa que desenvolve há muito tempo um navegador web homônimo, recebeu uma oferta de compra de um consórcio de empresas chinesas no valor de US$ 1,2 bilhão. O acordo ainda depende da aprovação dos acionistas e de órgãos regulatórios, mas tudo indica que será fechado — o conselho, inclusive, “decidiu unanimemente pela recomendação” da aprovação. Ele diz muito sobre duas áreas da tecnologia em alta: navegadores web e China. Continuar lendo Quem são Kunlun e Qihoo 360, empresas chinesas que compraram o Opera

LG apresenta o KizON, um gadget vestível para monitorar crianças

Kaylene Hong, no The Next Web:

O KizON é projetado principalmente para pais monitorarem a localização de seus filhos em idade pré-escolar e no Ensino Fundamental. Usando GPS e Wi-Fi, a pulseira consegue fornecer informações de localização em tempo real a um smartphone, de modo que os pais saibam onde seus filhos estão.

O KizON também tem um botão “Discagem Em Um Passo”, que permite aos pais entrarem em contato com seus filhos facilmente. Se a criança não atender a ligação de quaisquer números pré-definidos em 10 segundos, o KizON completa automaticamente a chamada para que o pai consiga ouvir o que se passa através do microfone embutido. As crianças também podem discar para um número pré-configurado caso precisem falar com um adulto.

É uma variante interessante dentro da tendência de gadgets vestíveis e, junto a eventuais dispositivos que miram o público idoso, tem hoje mais aplicação prática do que as soluções generalistas, como as que usam Android Wear.

Não sou pai e talvez isso limite o meu julgamento a ponto de suscitar tal debate, mas me chama a atenção esse monitoramento precoce, especialmente o microfone que entra em ação mesmo contra a vontade da criança. Para as novinhas, nada muito grave, mas crianças no Ensino Fundamental me parecem já ter alguma vida própria e a percepção de, com esse trambolho no pulso, estarem sendo monitoradas.

Andar com o KizON não poderia, de alguma forma, naturalizar ou relativizar a ideia de vigilância constante  nessas crianças e, por consequência, diminuir a importância que a privacidade teria quando chegarem na fase adulta?

O retorno da nova Nokia

11/1/17, 8h56
Por
11/1/17, 8h56 5 min 30 comentários

A HMD, empresa formada por ex-funcionários da Nokia, revelou recentemente o primeiro smartphone com a marca finlandesa que será lançado após a venda da divisão de dispositivos móveis à Microsoft. O Nokia 6, um intermediário sem muitos atrativos óbvios, será exclusivo para o mercado chinês. Ainda assim, muita gente comemorou por aqui. Há motivos? Continuar lendo O retorno da nova Nokia

Por

Entenda a “falha” do Flash/JSONP

Por
9/7/14, 9h24 3 min 8 comentários

O engenheiro do Google Michele Spagnuolo publicou uma prova de conceito chamada Rosetta Flash que permite a alterar a composição de arquivos no formato SWF, do Flash, para enviar requisições web a sites comprometidos e, com isso, obter cookies de autenticação. Na prática, essa técnica permite que se obtenha dados de login e outras informações sensíveis.

Como ele explica ao Ars Technica, não é bem uma falha que viabiliza esse cenário, mas sim a combinação de dois recursos: a conversão de código binário em caracteres alfanuméricos de arquivos do Flash e o JSONP, uma técnica de comunicação que viabiliza aos desenvolvedores a requisição de dados em diferentes servidores — prática desestimulada pelas brechas que abre e que, de outra forma, é impossível graças à política de mesma origem. Tanto que o essa operação já era conhecida pela comunidade de segurança da informação, e ignorada ante a falta de ferramentas públicas capazes de realizar aquela conversão em caracteres dos arquivos SWF.

Agora, não falta mais. Desde a publicação da prova de conceito alguns sites importantes afetados, como Twitter e Tumblr, consertaram os buracos em seus sistemas. A Adobe lançou uma atualização para o Flash que faz o mesmo do lado cliente, a versão 14.0.0.145, já disponível no site oficial. Quem usa o Chrome, ou o Internet Explorer 10 ou 11 no Windows 8 ou superior, deve esperar a atualização automática — o Flash bem embutido nesses navegadores. Para verificar qual a versão do Flash em uso no seu, visite esta página.

Quem ainda usa Flash?

Em maio desse ano o Google tornou padrão o player HTML5 do YouTube para usuários do Chrome, tornando desnecessário, salvo raras exceções, o plugin do Flash para ver vídeos ali. Há cada vez menos motivos para se ter o Flash instalado, e como os dispositivos móveis com Android e iOS provam, dá para viver bem sem ele.

Só que existem exceções. Perguntei, no Twitter, o que leva as pessoas a manterem o Flash ativado. Algumas respostas foram elucidativas, começando pela explicação do Micael sobre streaming ao vivo e vídeos que são exibidos com DRM:

Algumas outras aplicações dependentes do Flash ainda não têm substitutos, também. Adriano Brandão lembrou dos vídeos da Globo e de serviços de streaming de música, como Rdio e Deezer; Marcelo Carreira, dos sistemas de monitoramento de câmeras; e o Bruno Luiz, dos sites de vídeo indicados para o público adulto. E aqui, no Manual do Usuário, descobri que o WordPress exige o Flash no uploader de imagens.

Plugins só rodam se permitidos pelo usuário.Dependendo do seu perfil e equipamentos, dá para abolir o Flash. Não é tão simples, mas é possível. Um meio termo é a ativação por clique. Desse modo todos os plugins ficam desativados por padrão, mas podem ser trazidos à vida com um clique do usuário no elemento bloqueado. Dá, também, para definir exceções, domínios inteiros que ignoram essa opção e rodam plugins.

No Chrome, entre nas configurações, role a página até embaixo e clique no link “Configurações avançadas…” No tópico Privacidade, clique no botão Configurações de conteúdo… e, em Plug-ins, marque a opção Clique para reproduzir.

Jolla, Adaia e Newkia: as empresas que nasceram com o fim da Nokia

Por
28/11/13, 15h10 9 min 4 comentários

Muito em breve a divisão de celulares da Nokia será incorporada à Microsoft, encerrando uma história de décadas. As atividades da Nokia, porém, vão muito mais longe do que décadas. A empresa orgulho dos finlandeses está prestes a completar 150 anos e embora os celulares com a sua marca estejam com os dias contados, alguns herdeiros já se movimentam para dar continuidade a esse legado.

O fim da Nokia fabricante de celulares foi conturbado. Muitos atribuem esse desfecho, o início do fim, à chegada de Stephen Elop, ex-Microsoft, ao cargo de CEO da Nokia, o primeiro da história não nascido na Finlândia. Em 2011, um memorando comparando a empresa a uma plataforma de petróleo em chamas marcou o começo de uma série de reformulações que acabou com os sistemas operacionais da casa — primeiro o Symbian, depois o MeeGo — e culminou na adoção irrestrita do Windows Phone, da Microsoft, nos smartphones topo de linha.

Foi uma guinada que ainda não se justificou. Algo precisava ser feito, sim, e dentro das possibilidades ter adotado um sistema novo e sem players fortes pode ter sido uma boa. Mas poderia ter sido diferente? A Nokia conseguiria se reinventar apostando no MeeGo? Usando Android? A essa altura, só podemos imaginar esses cenários paralelos.

O abraço na Microsoft desagradou um punhado de gente, dentro e fora da Nokia. Vários funcionários foram demitidos, alguns se demitiram. Uns poucos se juntaram para dar continuidade às ideias da era pré-Elop. Dessa desbamdada surgiram três empresas que esperam conseguir, em um mercado hostil com novatos, despontar como alternativas não só à própria Nokia, mas às outras empresas estabelecidas, como Apple e Samsung. Elas querem ser a Nokia que todo finlandês, que todo mundo que usou e curtiu um N9, gostaria de ter visto.

Jolla: o sucessor espiritual da velha Nokia

Nessa semana a Jolla, primeira das empresas criadas por ex-funcionários da Nokia, no final de 2011, começou a distribuir seu primeiro smartphone para os finlandeses que fizeram a pré-compra. O aparelho roda o Sailfish OS, uma espécie de sucessor espiritual do MeeGo, com interface totalmente baseada em gestos e compatibilidade com apps do Android.

O Jolla não tem especificações que saltam à vista. Vem com um Snapdragon 400 (processador Krait 200 dual core rodando a 1,4 GHz, mais GPU Adreno 305), 1 GB de RAM, 16 GB de espaço interno, tela de 4,5 polegadas com resolução qHD (960×540 pixels) e câmeras frontal e traseira, com 2 e 8 mega pixels, respectivamente. No universo Android, seria no máximo um mid-range, algo para bater de frente com o Moto G, da Motorola.

Especificações não contam toda a história. A centralização da produção de hardware e software é um diferencial e, na prática, pode ser que tais números se traduzam em uma experiência suave, livre de engasgos ou lentidão. Pesa contra o status “beta” do Sailfish OS, e por € 399, algo em torno de R$ 1.260, o Jolla não é exatamente barato. Mas vamos dar um desconto: o MeeGo era um sistema bem acertado e vê-lo voltar à ativa com melhorias é, no mínimo, empolgante.

Alguém segurando um Jolla.
Foto: Jolla/Reprodução.

Empolgante, mas passível de dúvidas. O Jolla não tem botões físicos, toda a interação se dá por gestos. Embora eles não sejam coisa de outro mundo, são vários — vide as imagens abaixo. Existe uma curva de aprendizado em um dispositivo que as pessoas tomam como certo o manuseio — ou alguém aí lê o manual do celular antes de começar a usá-lo? Ser diferente é legal, mas é também um entrave para consumidores menos conscientes do que é a Jolla e o que ela representa.

Quebrada essa barreira inicial, imagino que o usuário se sinta em casa com o sistema de gestos e a bela interface do Sailfish OS. Claro, só testes empíricos podem dar essa exata noção, mas os vídeos demonstrativos apresentam um sistema rápido e esperto, com uma multitarefa que se confunde com widgets e um padrão visual de muito bom gosto. No papel, é um sistema correto, coeso.

Se o Sailfish OS inspira um misto de empolgação e desconfiança, a ideia das capinhas multifuncionais é genial por consenso. A Jolla chama o conceito de “A Outra Metade”. Essas capas podem incorporar funções físicas ao smartphone graças ao padrão I²C, da NXP:

Não se sabe muito bem até onde a flexibilidade d’A Outra Metade vai, mas ideias malucas não faltam, algumas delas renderizadas pelo designer Caprico nesta imagem:

Conceitos d'A Outra Metade do Jolla.
Imagem: Caprico.

Um teclado físico, uma câmera melhor, mais bateria, NFC… A simplicidade do padrão I²C faz com que o smartphone incorpore a “metade” anexada automaticamente, de forma quase orgânica. Quando uma é acoplada, o Sailfish a identifica sozinho, muda a interface e se adapta para fazer uso da função que a capa em questão traz. É uma versão simplista do conceito Phoneblok, mas o importante é que é uma funcional.

Não há expectativa de quando o Jolla cruzará as fronteiras finlandesas e chegará a outros países. Quem financiou a campanha de crowdfunding da empresa receberá um por agora. A venda direta no varejo ou via operadoras, por ora é algo incerto — mas apostar na China, onde a empresa tem escritórios e um centro de P&D, é uma boa.

Adaia: smartphones duros na queda para aventureiros

Imagem conceitual do Blackcomb.
Foto: Adaia/Reprodução.

Se o Jolla se esforça para dar continuidade ao software característico da velha Nokia, a Adaia, fundada em maio também por ex-funcionários da empresa e liderada por Heikki Sarajarvi, busca manter viva a alardeada durabilidade dos seus celulares, ainda que por um motivo bem mundano: Sarajarvi destruiu três smartphones em uma viagem de barco de três meses em 2011. “Não posso ser o único que destrói esses smartphones fazendo coisas absolutamente normais”, disse para si mesmo.

A Adaia quer ser sinônimo de smartphones aventureiros. No pouco que já divulgou, não se interessou muito em falar sobre especificações e software, mas em ressaltar como seus aparelhos serão duráveis. Além de “casca grossa”, eles terão conectividade via antenas e satélite, para manter o usuário conectado mesmo nos lugares mais remotos do planeta.

Espera-se que o primeiro modelo, por ora um protótipo chamado Blackcomb, seja lançado em algum ponto de 2014. A Adaia, que conta com 16 funcionários, firmou parcerias para torná-lo realidade: para o design, que lembra uma planta topográfica (imagem acima), fechou com o DesignworksUSA, grupo pertencente à BMW; para os componentes internos, com a Elektrobit.

O Blackcomb não será barato, como todo equipamento feito para resistir a condições adversas, e deverá ser um produto de nicho. Talvez você nunca mais ouça falar da Adaia, e está tudo bem — nem todo mundo tem uma veia aventureira tão pulsante.

Newkia = Nokia + Android

“O acordo reflete a falha completa da estratégia com Windows que Stephen Elop escolheu quando foi indicado a CEO da Nokia dois anos atrás. (…) A Nokia, que há apenas três anos era líder mundial de telefones móveis, é hoje uma marca pequena e insignificante.”

Com essas palavras em mente, Thomas Zilliacus, que tem no currículo 15 anos de trabalhos prestados à Nokia e mais três como consultor, fundou a Newkia em Cingapura no mesmo dia em que foi anunciada a venda da Nokia à Microsoft por US$ 7,2 bilhões. Acusando a Nokia de arrogância e estagnação, Zilliacus quer, com a Newkia, fazerdo jeito que ele acha certo: casar o hardware de ponta da Nokia com o sistema mais popular do mundo, o Android.

Essa dobradinha, o sonho de muita gente, ainda tem uma longa jornada até se concretizar em um aparelho comercial, embora, nas palavras do fundador, esteja “andando rapidamente rumo à distribuição [do primeiro aparelho]”. Nessa semana a Newkia ganhou um CEO, Urpo Karjalainen. Em seu currículo, 20 anos de Nokia e o cargo de chefe de operações de negócio de alguns mercados emergentes da BlackBerry até março deste ano.

Apoio à Newkia parece não faltar. Zilliacus recebeu mais de 50 emails de funcionários da Nokia quando anunciou sua nova empreitada, vários com currículos anexados pedindo uma vaga em sua empresa.

Sabe aqueles universos paralelos que a gente imagina vez ou outra? Algo como iPhone rodando Android, ou notebooks da HP/Dell com o OS X? A Newkia tornará um deles realidade. Se um Nokia com Android será sucesso ou não, não dá para prever, mas curioso pelo menos isso será.

O que sobrou para a Nokia?

O que sobrou da Nokia.
Foto: Rodrigo Ghedin.

A divisão de dispositivos da Nokia vendida à Microsoft era parte da empresa. A mais popular junto às pessoas comuns, mas apenas parte. Com a sua venda, o que sobrou da Nokia foi dividido em três áreas:

  • Equipamentos de rede (Nokia Solutions and Networks).
  • Serviços de geolocalização (HERE Maps).
  • e “Tecnologias Avançadas”.

Em julho desse ano a Nokia comprou a parte da Siemens no acordo que tinha com a empresa desde 2006 na primeira dessas três áreas. Essa divisão, lucrativa, torna a Nokia a quarta maior empresa fornecedora de equipamentos de telecomunicações do mundo, atrás de Ericsson, Huawei e Alcatel-Lucent.

Os serviços de geolocalização, consolidados sob a marca HERE, são outra força — embora longe de ser tão rentável quanto a NSN. A Nokia entrou pra valer nesse mercado em 2007, quando comprou a Navteq. Hoje, além de servir seus próprios aparelhos, ela licencia a tecnologia para outras fabricantes, de smartphones (Jolla e Windows Phone usam mapas HERE) a carros.

Por fim, em “Tecnologias Avançadas” ficam abrigadas as propriedades intelectuais da Nokia, incluindo as mais de 10 mil patentes que a empresa possui.

A nova Nokia não é tão empolgante quanto a que nos deu o N95, N9, Lumia 800 e o lendário 1100, o celular mais vendido do mundo. É uma empresa enxuta, que foca em fazer menos coisas, e só as mais lucrativas ou com potencial para fazer dinheiro. É meio triste se pensarmos no legado que fica pelo caminho, engolido pela Microsoft, mas é bom saber que ex-funcionários darão continuidade a ele, com novas empresas, sistemas e propostas.

Windows 7 ganha sobrevida da Microsoft — mas só para quem pagar

Por
11/9/18, 11h53 3 min 10 comentários

O Windows 7 foi lançado no longínquo ano de 2009. Mesmo com duas versões subsequentes já lançadas (8 e 10; a Microsoft “pulou” o 9 na contagem sem nenhum motivo razoável), aquela versão continua sendo uma das mais usadas do sistema. Por isso, ela ganhará uma sobrevida. Continuar lendo Windows 7 ganha sobrevida da Microsoft — mas só para quem pagar

Dez anos depois, o Chrome virou o novo Internet Explorer

Por
4/9/18, 15h40 5 min 17 comentários

No dia 4 de setembro de 2008, o Google lançou oficialmente a versão 1.0 do seu navegador web, o Chrome. Ele era rápido, leve, moderno, a antítese do líder da época, o famigerado Internet Explorer (IE). Dez anos depois, o Chrome lembra muito o que o IE era na época de seu lançamento. Continuar lendo Dez anos depois, o Chrome virou o novo Internet Explorer

O MacBook não está sozinho: 4 alternativas ao novo notebook da Apple

Por
10/3/15, 15h19 8 min 26 comentários

Quando o palco escurece, o telão atrás de Tim Cook ou de quem estiver lá se acende e a voz de Jonathan Ive toma conta do ambiente, é bom se preparar: ele vai te convencer de que o produto exibido ali é o estado da arte e você precisa dele.

Não raro, é o caso. A Apple, com os cofres cheios e valorizada em Wall Street, está numa posição única. Ela tem dinheiro para investir em ideias malucas e gente capacitada para executá-las. Parece bobo, mas até a embalagem de plástico moldado e o uso de plástico branco, duas características da Apple no passado recente, são arriscadas para empresas novatas ou em posição menos privilegiada. Escala, logística e processos são áreas importantes onde a Apple se sobressai.

O MacBook, apesar de todos os poréns, parece uma máquina fantástica. Como escrevi ontem, é um feito de engenharia. E aquele vídeo… Veja aí: Continuar lendo O MacBook não está sozinho: 4 alternativas ao novo notebook da Apple

Visão geral do ART (Android RunTime)

O Android L marca a “virada na chave” do ART, ou Android RunTime, uma nova rotina que muda a forma com que o sistema manipula apps. Ela entra no lugar da máquina virtual Dalvik, geralmente apontada como a culpada pelos pequenos engasgos no Android.

A forma com que esse sistema lida com a execução de apps é única entre os modernos e, até agora, fonte de alguns inconvenientes — a maioria contornada de modo notável pelo Google. Só que tudo tem limite e em vez de continuar remendando a Dalvik, o ART surgiu como uma fundação sólida e escalável para o futuro do Android.

No AnandTech, Andrei Frumusanu faz um passeio completo e compreensível para leigos das vantagens do ART em relação à Dalvik. Alguns pontos chamam a atenção:

A grande mudança de paradigma que o ART traz é que em vez de ser baseado em um computador Just-In-Time (JIT) [“na hora”, em tradução livre], ele agora compila aplicativos Ahead-of-Time (AOT) [“antes da hora”]. De ter que compilar de bytecode para código nativo cada vez que você roda um app, para ter que compilá-lo apenas uma vez, e toda execução daquele ponto em diante é feita a partir do código nativo compilado existente.

Claro, essas traduções nativas dos apps tomam espaço, e essa nova metodologia é algo que é possível hoje apenas devido ao vasto aumento do espaço para armazenamento disponível nos dispositivos atuais, uma grande mudança dos primeiros gadgets com Android.

Se já era ruim lidar com smartphones de 4 GB (ou menos) de memória interna, agora mais ainda. Talvez isso sirva de última gota d’água para as fabricantes colocarem no mínimo 8 GB em seus aparelhos.

Frumusanu passa por outros ganhos mais complexos e termina essa primeira parte da matéria comentando o outro contra além do espaço extra necessário: mais demora na primeira execução de um app. Com os aperfeiçoamentos futuros no ART espera-se que esse tempo chegue aos níveis da Dalvik, ou até melhores.

A segunda página é toda dedicada a comparar os coletores de lixo da Dalvik com o do ART. “Coletor de lixo” é um recurso que libera do desenvolvedor a tarefa de endereçar memória e limpá-la quando o app termina de usá-la. Com exemplos práticos, a superioridade do ART é mostrada: ele perde menos tempo, gasta menos memória e é mais eficiente nesse trabalho.

Ainda há alguns comentários sobre a arquitetura 64 bits e diferenças na implementação do Google em relação ao iOS, mas o importante está quase no final:

Isso também significa que o Android está finalmente apto a competir com o iOS em termos de fluidez e desempenho de apps, uma grande vitória para o consumidor.

Amém.