Rooms é o novo app do Facebook.

Rooms, o novo app do Facebook sem relação com a rede social, é todo sobre discussões no celular

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24/10/14, 11h16 5 min 1 comentário

O novo app do Facebook não tem nada a ver com o Facebook. Chamado Rooms e por ora exclusivo para iPhone, ele é uma releitura dos antigos fóruns nas telas pequenas dos smartphones. Isso funciona?

Primeiro, é preciso ter uma conta americana na App Store para baixar o app. A exemplo do Paper, outro app do Facebook saído do Creative Labs da empresa, o Rooms só está disponível lá e em alguns outros mercados cujo idioma nativo é o inglês. Se isso não for impeditivo a você, o download e o registro subsequentes são tranquilos.

Rooms, do Facebook.Com exceção de ser o criador do app, o Rooms não tem qualquer vínculo com o Facebook em si. É um app, ou mais que isso, é uma rede à parte. Não é possível se conectar ao Facebook, puxar amigos, curtidas, interesses, nada de lá. Não há sequer o branding da maior rede social do mundo nesse novo app. Ele é, para todos os efeitos, uma iniciativa própria e fechada que calhou de ser feita pelo Facebook. (Apenas como curiosidade, é quase um projeto pessoal de Josh Miller do Branch, um app/site de debates online comprado pelo Facebook no começo do ano.)

Se por um lado isso espanta, afinal o Facebook abdica de parte da sua influência para promover o novo app, por outro torna o convite a testá-lo menos intimidador. À luz da recente controvérsia com pseudônimos da comunidade LGBT que resultou no “boom” do Ello, é uma postura bem legal.

O grande barato do Rooms é justamente a possibilidade de brincar com a sua identidade. Ele não pede nenhuma identificação; no máximo (e opcionalmente) o e-mail, para o caso de você querer recuperar a propriedade de uma sala. Em cada uma em que você entra é possível usar um pseudônimo diferente. Esse modo de funcionamento tira o peso do legado da nossa identidade real e abre espaço para experimentação.

É assim que é o Rooms.

Uma das grandes premissas da Internet comercial que acabou não vingando era a possibilidade de cultivar várias personas online, facetas que a “vida real” não comporta e que, em uso, poderiam reverberar positivamente nas nossas vidas. No livro Life on the Screen, de 1995, Sherry Turkle fala com entusiasmo disso. O Facebook, entre outros, acabou dando um direcionamento diferente à Internet comercial. Agora, mais motivado pelo sucesso de apps anônimos/efêmeros (ainda que o Rooms não seja exatamente anônimo) como Snapchat e Secret, os responsáveis pela criação do “RG 2.0” tentam criar um espaço menos opressor.

Embora o visual lembre o Secret, o Rooms está mais para os antigos fóruns de discussão ou suas variantes modernas, como o Reddit — ao Verge, Josh Miller, responsável pelo app, disse estar tentando criar “o próximo WordPress”. O diferencial? Além da flexibilização granular da identidade, temos o foco em mobilidade. O Reddit sequer tinha app oficial até algumas semanas atrás e outras plataformas de discussão nunca se destacaram exatamente pelo funcionamento em dispositivos móveis. Com o Rooms, o Facebook não tem escolha: é desse jeito ou não é.

O mecanismo de entrada nas salas funciona por convites e usa códigos QR de uma maneira menos frustrante. O app consegue lê-los não só através da câmera, mas também a partir de screenshots e fotos salvas no próprio iPhone. Não há mecanismos de descoberta internos, e se por um lado isso limita o crescimento das salas, por outro garante que esse seja mais orgânico — o que, lá na frente, deve se traduzir em maior engajamento.

Sala Tecnologia.
Apenas uma sala de testes.

Em termos objetivos, o Rooms é um app bonito e bem feito como os outros dois que saíram do Creative Labs do Facebook — Paper e Slingshot. Mas isso não importa muito. A pergunta que todos se fazem, hoje, é se o Rooms vingará. Existem incentivos para testá-lo, mas haverá motivos para se comprometer e participar ativamente nas salas? Como discussões complexas se desenvolverão em um ambiente que favorece a comunicação em pequenas doses? Ou a ideia é deixar de lado os textões de Facebook™ em prol de uma experiência mais próxima à do Twitter?

Vejo no Rooms uma promessa para discussões online muito similar à que o WhatsApp trouxe para a comunicação por texto: totalmente móvel, atrelado ao número do celular, extremamente rápido, leve e descomplicado. Resta saber, agora, se a inclinação que as pessoas têm para jogar conversa fora e compartilhar fotos e vídeos no smartphone alcança o desejo de discutir tópicos de interesse com estranhos.

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  • Bom, como é exclusivo para iPhone não poderei testar, mas sinto falta de um local interessante para conversar como as comunidades do Orkut.
    Lá tínhamos um local interessante que funcionava muito bem com fóruns e isso se perdeu totalmente com o sistema de rede social do Facebook. Nem o Google+ para mim apresenta um sistema de comunidade interessante.
    Vou aguardar a chegada ao Android, se vier, por que o outro aplicativo do Facebook nunca chegou e considerando o “fracasso” da Launcher deles para Android não sei quando virá.