Seagate Wireless entre um Kindle e uma Logitech X100.

[Review] Seagate Wireless, o HD externo que trabalha sem fios

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22/7/15, 9h37 7 min 14 comentários

Já faz uns dois, talvez três anos que as câmeras dos melhores smartphones se tornaram minimamente boas para serem usadas no dia a dia, substituindo uma compacta para registrar momentos para a posteridade. Nesse mesmo período, o gerenciamento delas não evoluiu tanto. Mesmo com a transferência automática via Internet disponível via apps, muita gente ainda recorre a (bate na madeira) cabos USB. A Seagate acredita ter encontrado uma solução melhor para esse público: HDs portáteis com transferência via Wi-Fi.

Recebi o Seagate Wireless de 500 GB para ver como esse esquema funciona na prática e gostei: é fácil de usar, e também permite consumir conteúdo armazenado dos dispositivos móveis neles próprios. Mas… não é perfeito.

Um HD moderno para todos os públicos

Esta é uma versão mais amigável, feita para o consumidor leigo, do Wireless Plus, que o Tecnoblog analisou em 2013. Esse foco se faz notar já pela caixa: ela não traz informações técnicas, nem mesmo as mais básicas como o padrão da interface cabeada (é USB 2.0, buu!), nem velocidades de transferência. A Seagate apenas diz que é um HD de 500 GB que funciona sem fios.

HD externo comum da Samsung ao lado do Seagate Wireless.

O produto em si também tem um ar mais despojado, mais mainstream. Ele é cheio de curvas, ou seja, tem formato diverso do que se esperaria de um HD externo, normalmente uma caixa com ângulos retos e visual sóbrio, e está disponível em cinco cores. É, também, maior — veja na foto acima, comparado a um HD externo convencional da Samsung.

Toda essa distinção visual existe, provavelmente, para distanciá-lo de HDs externos comuns, que operam apenas via cabo USB e se baseiam em backups manuais ou, se automáticos, um pouco complexos de serem configurados por usuários leigos.

Cabo ou Wi-Fi, tanto faz

Detalhe do Seagate Wireless.

Embora a característica mais legal do Seagate Wireless seja sua interface sem fios, ele ainda é um HD externo comum, do tipo que se conecta via cabo USB. Infelizmente, a interface é USB 2.0, o que limita a taxa de transferência a (teóricos) 35 MB/s.

Nos meus testes, que consistiram em transferir um grande arquivo de 4,7 GB e, depois, passar um conjunto de 200 fotos, cada uma com cerca de 3 MB, a velocidade variou entre 22 e 26 MB/s. A título comparativo, o USB 3.0 chega a 400 MB/s; esse padrão faria do disco em si o gargalo, não o método de transferência.

Conectado a uma porta USB, o HD desativa a rede e recarrega sua bateria interna que, segundo a Seagate, aguenta até 6h de uso. (Esse número varia de acordo com o uso, claro.) Enfim, cabo é muito demodê, então falemos do Wi-Fi.

Botão e LEDs do Seagate Wireless.

Existe um grande botão liga/desliga em cima do Seagate Wireless. Toque nele uma vez, aguarde cerca de um minuto, e o LED azul da conexão wireless, o último dos três, se acenderá. Antes, baixe o Seagate Media no seu Android, iOS ou Windows. Com ele instalado, basta procurar a rede SeagateWireless no dispositivo e conectar-se nela para ter acesso sem fio às entranhas do HD. Também dá para acessar o conteúdo via web, pelo IP http://172.25.0.1. O número de dispositivos que podem ser conectados depende do tipo de conteúdo acessado. A capacidade de transmissão é de 9 Mbit/s, o que garante, segundo a Seagate, de três dispositivos rodando filmes em HD a até oito exibindo fotos.

A forma de acesso, via conexão sem fio, é um pouco… diferente. Como o HD gera uma rede Wi-Fi, e smartphones e tablets só se conectam a uma por vez, por algum momento você ficará sem Internet. Mas é temporário. Dentro do app é possível reconectar-se a essa, o que transforma o HD numa espécie de repetidor.

Por padrão, o Seagate Wireless gera uma conexão aberta, sem qualquer tipo de senha. É algo facilmente alterável nas configurações, mas ainda assim é uma falha grave não vir uma senha padrão, no mínimo. O ideal seria requisitar uma personalizada já no primeiro acesso. Ainda que o alcance seja curto, imagine ligá-lo num café para mostrar fotos ou projetos a alguém; os arquivos ficariam expostos a qualquer curioso.

Estando conectado, pelo app você tem acesso ao conteúdo do HD e pode ativar o upload automático de toda a mídia que estiver no seu dispositivo móvel — fotos, vídeos, músicas e documentos. É como o upload automático do Dropbox, OneDrive e outros, só que sem envolver a Internet; é direto, do dispositivo móvel para o HD externo.

App da Seagate para Android.

Embora não tenha cronometrado, a transferência é lenta — troca-se a limitação da interface USB 2.0 pela do Wi-Fi, que em muitos casos não passa de 150 Mbits/s, o que não chega a 20 MB/s –, mas funciona bem, e o app até cria automaticamente uma pasta referente a cada dispositivo sincronizado, a fim de manter as coisas organizadas.

Na hora de consumir o conteúdo, o app faz um bom trabalho no nível básico. Em vez de te jogar numa antiquada árvore de pastas, ele traz filtros por tipo de arquivos (músicas, fotos e vídeos), incluindo miniaturas de pré-visualização. Quem prefere navegar por pastas tem a opção também, sem problemas. Outra oferta, no caso das fotos, é a de apresentação de slides, com controles de duração, transição, ordem e até suporte a uma música de fundo.

O streaming, porém, demanda um tiquinho de paciência. Fotos carregam rapidamente, mas não são instantâneas. Antes da versão completa o app exibe uma pré-visualização de baixa qualidade. Ameniza um pouco o tempo que leva para carregar os arquivos originais. Já com vídeos, a situação pode ser ruim. Carreguei um em Full HD, de 4,7 GB, e embora na maior parte do tempo a reprodução tenha ocorrido sem sustos, eventualmente o player dava uma parada de alguns segundos antes de retomar o trabalho. Arquivos maiores, com resoluções tipo 4K, devem sofrer para serem vistos nesse esquema.

Seagate Media no Chromecast.

Uma característica legal é que o Seagate Media conversa com Chromecast, AirPlay e set-top boxes Roku. Quando assim, os atrasos são um pouco maiores — o que é natural, já que o caminho do HD à tela de saída aumenta. Testei com o Chromecast e a transição de fotos no modo apresentação deixou um vácuo de tela preta na TV nas passagens entre uma e outra. Músicas tocaram numa boa, porém grandes arquivos de vídeo demoraram para começar e, às vezes, sequer iniciaram.

Para quem é o Seagate Wireless?

Se você faz backup do seu smartphone na nuvem regularmente, em vez de concentrar a tarefa num dia específico, os arquivos, em pequenos grupos, não tomam muito tempo para serem transferidos. É assim que faço, via Dropbox, já tem uns bons anos, e nunca tive problemas.

Seagate Wireless: legal, mas caro.

O Seagate Wireless é fácil de operar. Esse é o argumento mais favorável ante suas deficiências — que não são poucas. A lentidão e a precariedade dos apps podem irritar usuários mais exigentes, mas imagino que uma grande parcela do público deva se maravilhar com um backup tão fácil e local, longe dos ~mistérios da nuvem.

O problema, mesmo para esses consumidores mais receptivo à ideia do Seagate Wireless, é o custo. Nas lojas indicadas pela Seagate que têm o produto à venda, o preço médio é de R$ 975. O menor valor encontrado, na FourServ, foi de R$ 843. O mais bizarro é que nessa mesma loja o Wireless Plus, com o dobro de espaço (1 TB) e interface USB 3.0, sai por R$ 747. Mesmo assim, ainda é caro para um HD externo com essa capacidade; um USB 3.0 de 1 TB da própria Seagate, só que sem interface Wi-Fi, sai por até R$ 270.

A ideia é boa, a execução, embora possa melhorar, é aceitável, mas o custo não se justifica. Talvez no futuro, quando essa funcionalidade estiver embutida em mais produtos, tornando-se padrão, ela chegue a valores aceitáveis. Por ora, é uma vantagem marginal que não justifica o preço extra cobrado.

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  • Chicão ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Ótimo review e concordo com sua conclusão.

    Pra servidor de mídia eu prefiro um NAS da Dlink que é mais completo, funcional e mais barato. Se ligar no plex então…!

  • Chicão ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Ótimo review e concordo com sua conclusão.

    Pra servidor de mídia eu prefiro um NAS da Dlink que é mais completo, funcional e mais barato. Se ligar no plex então…!

    • Indica algum modelo específico?

      • Marcos Balzano

        Para NAS tem duas opções, ou compra um pronto, ou monta um JBOD com FreeNAS, a segunda opção eu recomendo se for usar apenas para consumir mídia. Mas se quiser uma solução mais pronta, sempre usei os NAS da Synology.

      • Karel Cristian

        Os NAS da Synology são muuito bons. No mercado brasileiro, é mais fácil pegar o Western Digital MyCloud. Tem um cara no hardmob (daniel_cps) que tá querendo vender um de 3TB em ótimo preço.

  • 2013 o review do higa. achei que era do mês passado…rsrs!

    • É, acho que forcei no “recentemente”, haha.

      • eu olhei a data do post do TB umas 3x…rsrsrs

  • Geraldo Dal Berto Jr.

    Será que não existe uma interface standalone para ligar no USB do HD que permita acesso ao wifi?

    • Alguns roteadores permitem isso.

    • Carlos Gabriel Arpini

      Na verdade o que existe é exatamente o contrário: uma interface USB em roteadores que permitem plugar um HD externo e consumir seu conteúdo na rede. O TimeCapsule da Apple tem essa interface USB além de um disco interno de 2 TB, que pode ser usado para backup automático e/ou uso genérico.

      Aqui em casa os 2 TB ficam para backup e tenho um HD de 1 TB espetado para o resto.

  • Mateus Azevedo

    Acho que o maior “pecado” desse produto é ele funcionar como um ponto de acesso wireless.
    Pelo meu conhecimento em redes wireless, acho que seria mais prático se ele se conectasse à rede atual, virando mais um “cliente” e permitindo a todos da rede acessarem o conteúdo.

    • tuneman

      exato! ai poderia deixar ele ligado lá quietinho apenas recebendo os backups e torrents de distribuiçoes linux.

  • rodrigoclossio

    A ideia deste modelo foi justamente extraída do modelo LaCie Fuel de uma das empresas adquiridas pela Seagate, a Lacie. É um bom produto para quem precisa também de mobilidade.

    Atualmente os Network Storages da Lacie estão sendo descontinuados e sendo integrados a Seagate. Não sei a respeito deste produto ainda, mas em relação a outros, a qualidade e o acabamento parecem muito inferior embora os preços se mantenham.

    Vejo o pessoal perguntando em outros comentários sobre NAS. Eu uso o Asustor. Um produto bom, robusto que possui bom desempenho e inúmeros recursos, dependendo do modelo é possível até fazer upgrade de memória.

  • Louis

    Esse HD é muito lento. As transferências que faço por bluetooth tem essa velocidade.