Para voltar a ter lucro, Sony vende divisão de PCs, remaneja a de TVs e anuncia demissões e cortes

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6/2/14, 11h20 4 min 5 comentários
Vaio Fit 11A, um dos últimos Vaio sob as asas da Sony.
Foto: Sony/Reprodução.

Admirada por Steve Jobs e sinônimo de computadores e notebooks de qualidade para muita gente, a linha Vaio1, da Sony, com quase 20 anos de tradição, foi vendida. O anúncio, que já era esperado, foi feito pelo CEO Kaz Hirai durante a apresentação dos resultados financeiros do último trimestre do ano fiscal de 2013.

A divisão de PCs da Sony foi vendida para o Japan Industrial Partners (JIP), um grupo de investimentos japonês. O comunicado à imprensa informa que a conclusão do negócio ocorrerá em março próximo, que a Sony terá 5% de participação na nova empresa e dá outros detalhes da transição.

Segundo o documento, com a transferência da Vaio para o JIP a Sony “deixará de planejar, projetar e desenvolver produtos PC. Fabricação e vendas também serão encerradas depois que a linha [de equipamentos] da primavera de 2014 [incluindo o Fit 11A, da imagem acima] for lançada globalmente”. As garantias dos equipamentos vendidos recentemente serão honradas.

De 250 a 300 funcionários da Sony serão movidos para a nova empresa que nascerá da venda para a JIP. Ela terá sua sede em Nagano, mesmo local onde fica, atualmente, o quartel-general da Vaio. Inicialmente, a nova companhia se dedicará ao mercado japonês, com a possibilidade de expansão, no futuro, para outros países.

Por que a Sony se desfez da linha Vaio?

A Sony resolveu vender a divisão de PCs por uma questão de foco e rentabilidade. No comunicado, a empresa diz que passará a concentrar seus esforços no desenvolvimento de produtos Pós-PC, nominalmente tablets e smartphones, que apresentaram “melhorias significativas na lucratividade”, além das elogiadas câmeras fotográficas e no PlayStation.

Vender computadores, hoje, é uma tarefa quase ingrata. Não foi por capricho que a Dell voltou a ser uma empresa privada, ou que a HP flertou seriamente com a descontinuação da sua divisão de PCs. Além da estagnação na demanda, a lucratividade tem caído nos últimos anos. Estima-se, hoje, que cada notebook vendido gere algo entre 2% e 3% de lucro.

Para piorar, diferentemente de tablets e smartphones, computadores tradicionais caem no que Charles Arthur chama de “armadilha de valor”: é difícil fazer dinheiro com esses equipamentos depois que eles são saem das lojas. Ao longo dos anos as fabricantes têm tentado, sem sucesso, explorar essa via com a oferta de software pré-instalado e serviços — por isso a maioria dos computadores Windows vir atulhada de bloatware. Como qualquer um que já teve que lidar com esses computadores sabe, não é uma estratégia agradável e, do ponto de vista comercial, é uma de resultados pífios.

Demissões e mudanças também na divisão de TVs

Outra marca conhecida da Sony passará por profundas mudanças: a linha de TVs Bravia. Em julho, a operação será separada da empresa principal e transformada em uma subsidiária — totalmente controlada pela Sony. Ao longo do ano a Sony aumentará a proporção de TVs 4K em seu portifólio e, em mercados emergentes, lançará mais modelos adequados às condições locais — medo do que pode sobrar para nós.

O comunicado à imprensa revela ainda que, no ano fiscal de 2013 (que termina em março de 2014), a previsão é de que a Sony tenha prejuízo de US$ 1,1 bilhão. Há cerca de um mês as previsões eram bem mais otimistas: lucro de cerca de US$ 300 milhões.

Além da venda da linha Vaio e da separação da Bravia, outras medidas da Sony para voltar a lucrar incluem corte de custos fixos no valor aproximado de US$ 988 milhões e a demissão de 5000 funcionários — 1500 deles no Japão.

  1. Vaio era, originalmente, um acrônimo para Video Audio Integrated Operation. Em 2008 o significado mudou para Visual Audio Intelligent Organizer.
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  • Vinícius Barros

    Tomara que esse spin-off da divisão de televisores não signifique a venda num futuro para terceiros. Gosto das TVs da marca – boa imagem, navegação simples no caso das SmartTVs, boa durabilidade. Receio acontecer o mesmo que ocorreu com as outrora excelentes TVs da Phillips: na mão da TPVision, algusn padrões de qualidade foram flexibilizados. Se alguém conseguir usar uma SmartTV da Phillips sem que ela trave, desligue e reinicie pelo menos umas três vezes em menos de 10 minutos, eu dou um doce.

    • Eduardo da Silva

      Meu tio comprou comprou uma ‘Smart’TV da Phillips e aquilo é a coisa mais burra que já vi na vida, sério!

  • Rogério Calsavara

    O mercado de computadores (desktops e notebooks) é um mercado amadurecido e por isso com baixa rentabilidade. Para ter lucro nesse mercado agora só com um produção gigantesca, com obsessão pelos controles de custo, onde cada centavo economizado ao ser multiplicado pelas centenas de milhões de unidades vendidas, é que gerará um lucro considerável.

    Ou então apostar um mercado de nicho, com produtos diferenciados (e preços elevados) e convencer o consumidor que o seu produto faz jus a esse preço maior.

  • Vagner Ligeiro

    Não acho a linha Vaio tão sinônimo de “boa qualidade”. Já ouvi muitos relatos e já vi dois clientes meus terem problemas sérios depois de pouco tempo com seus Vaios. Um até hoje não conseguiu uma ventoinha de substituição do sistema de refrigeração, e outro deu perda total em seu note com SSD.

    Eram computadores bonitos e bem montados, mas o preço alto e o suporte acho que sufocaram também (Falando no Brasil).

    • Com o tempo a Sony expandiu bastante a linha Vaio — teve até netbook com a marca. É difícil, para não dizer impossível, manter o nível atuando em tantas faixas do mercado.