Logo da rede social Status com o do Instagram atrás e borrado.

O brasileiro que sonha em desbancar o Instagram com sua própria rede social

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6/8/18, 19h09 8 min 17 comentários

O Instagram começou com um usuário. Mesmo caso do WhatsApp, Facebook e Google. Todas as grandes empresas e seus serviços tiveram inícios similares, com uma boa ideia, um MVP (“minimum viable product”), uns poucos usuários e expectativas que, mesmo altas, muito provavelmente não visavam os números atuais, na casa dos bilhões — de usuários e de dólares em receita. Um empreendedor de Curitiba quer contar uma história diferente daqui a alguns anos. O Status, sua rede social, já nasce com um objetivo: ser maior que o Instagram, o que significa ter mais de um bilhão de usuários.

O Status lembra o Instagram e replica a maioria das funcionalidades do rival mais famoso, inclusive algumas recentes como os Stories, ali chamados Moments, e a vídeo chamada entre usuários, que funciona surpreendentemente bem.

O nome do aplicativo é um pouco infeliz, pois além de vago, o que dificulta encontrá-lo em mecanismos de busca, é o mesmo que o WhatsApp adotou em seu clone do Stories, recurso que, lá, é usado por quase meio bilhão de pessoas todos os meses.

Ignorando esse detalhe do branding, o Status é um app bem feito, com apresentação coesa e agradável. Algumas transições são um pouco mais bruscas que o padrão a que os gigantes do Vale do Silício nos acostumaram, mas nada de desabone o app ou prejudique seu uso.

Algumas telas principais do Status.
Imagens: Status/Reprodução.

Dentre punhado de recursos vindos de outras redes sociais, o Status entrega algumas exclusividades. Todo o conteúdo é organizado por categorias, que são obrigatórias, e exigem também uma marcação geográfica — mais sobre isso em breve. Ele também permite compartilhar mensagens de voz, estilo WhatsApp, algo inexistente em outras redes. E tem gente usando. Nos primeiros dias após instalá-lo, algumas pessoas me seguiram e responderam à minha postagem “Olá, mundo!” Provavelmente elas fizeram isso esperando followback. (Curiosidade: quase todas parecem ser mulheres ~digital influencers fitness ou de maquiagem.)

Redes sociais dentro da rede social

A ideia do Status surgiu há dois anos e meio, diz Oziel Figueiredo, fundador, CEO e único investidor do Status. Natural de Cascavel, o empreendedor de 58 anos (“com espírito de 30”), os últimos 40 passados em Curitiba, já trabalhou com uma loteadora que atua em todo o estado do Paraná e lançou outros apps pela PlugApps, sua empresa. Um deles, o WhatSee, chegou a fazer algum barulho na imprensa em 2015. Era uma rede social de fotos que prometia pagar aos usuários que publicassem as mais bonitas/populares.

Logo no começo da nossa conversa, Oziel levantou a bola do recurso que ele julga ser o grande destaque do Status: a geolocalização. “Sempre acreditei que toda cidade merece ter uma rede social exclusiva. Então, criamos a rede social Status, que pode ser tanto mundo, país, estado e cidade, e, em breve, poderá ser bairro e empresa”, explicou. É o tipo de marcação de lugar que o Instagram — e toda rede social — oferece, mas que no Status é obrigatória e molda a experiência de uso.

As comparações e provocações envolvendo o Instagram foram muitas. É possível batê-lo hoje, com mais de um bilhão de usuários? “O Instagram é uma rede que foi lançada em 2010, até um curitibano que participou da confecção do Instagram… eu acho que, com o tempo, nós vamos estar brigando com o Instagram sim, sem modéstia, porque o nosso diferencial de cidades é muito inteligente”, disse, provavelmente se referindo ao paulista Michel Krieger, co-fundador do Instagram.

Oziel também acredita que o Instagram tenha copiado recursos do Status. “Como a nuvem nem sempre é muito segura…”, comentou ressabiado. Uma delas é a inclusão de atalhos para lojas virtuais de produtos que aparecem em fotos, recurso que chegou ao Brasil recentemente. Embora o Status ainda não tenha algo assim pronto, Oziel garantiu que já vinha trabalhando em um protótipo.

De político aos amigos da infância

O perfil do Status dentro do Status.
Imagens: Status/Reprodução.

O Status conta hoje com 25 mil usuários que já publicaram quase 20 mil posts, fizeram 18 mil comentários e deram 198 mil curtidas. Ele diz que está “mantendo a chama acesa”, pois o objetivo é “fazer o app bombar mesmo do final de setembro em diante porque estão chegando cinco funcionalidades novas que serão agregadoras mesmo, que vão cativar os usuários”.

Quais? Ele só revelou uma, chamada “Shoppings e Outlets”. Funciona assim: quando o usuário estiver perto de algum shopping (o lugar favorito do curitibano, segundo ele), o Status enviará uma notificação para que o usuário veja e filtre as ofertas das lojas do lugar, que estarão publicadas no Status. Questionado sobre quais shoppings ou lojas já teriam fechado parceria, Oziel disse que nenhum ainda, “mas estamos contando que não terá marca que não vai querer estar ali”.

Oziel também acha que o Status fará sucesso no meio político. Utilizando-se da minha cidade natal, ele deu o exemplo de um prefeito que passa a utilizar o Status para receber sugestões e reclamações da população. “Como a internet não tem volta — se nós pegarmos a história do Trump, do Obama —, imagina se um prefeito de uma cidade igual Paranavaí começar a dar esse retorno aos eleitores e usuários da rede?”, questionou, antes de emendar com outro caso de uso: “(…) E você, como jornalista da Gazeta do Povo, entra no Status e vê onde está o pessoal de Paranavaí que se formou e que cresceu contigo”. Tipo o Orkut em 2004.

Um diálogo com Oziel:

— A minha esposa é de Japurá. Um dia desses, uma amiga dela criou o “Amigos de Japurá”. Num instantinho, tinha 300 e poucas pessoas.
— No Status!?
— Não, não, no Facebook. Mas agora no Status não é amigo, vai ser a rede social de Japurá.

O fundador e CEO alega já ter investido US$ 1 milhão do próprio bolso no Status. Ele conta com 15 programadores, três deles com uma participação minoritária na PlugApps. Para ele, é preciso mais cérebros e braços para se manter na briga com o Instagram, algo que está sendo providenciado: “É que em Curitiba a mão de obra está muito concorrida, então nós estamos começando a buscar programadores de fora — do estado ou do país”.

Leo Jaime e Babi são só o começo

A expectativa dele é que a rede feche o ano de 2018 com 100 mil usuários. O plano de expansão consiste em fases de 90 dias que levarão o app para outros estados brasileiros, depois para a América Latina, daí para Estados Unidos, até chegar ao mundo inteiro. O app já está preparado — ele já foi traduzido em sete idiomas, número que deve aumentar para 24 em breve.

Ainda sem receita, Oziel confia no conteúdo patrocinado para fazer dinheiro com o Status. Essa mecânica, que não foi muito detalhada, começa a valer em setembro. Em vez de “contratar alguém famoso, uma Kéfera, para fazer uma divulgação”, o armarinho de Paranavaí (outro exemplo personalizado) poderia contratar uma estrela local, com apenas 5 mil seguidores, mas mais relevantes ao público-alvo, por um valor inferior. “Esse já é um diferencial para o Instagram e Facebook”, sentenciou. Esses usuários que geram receita — e podem ganhar dinheiro com isso — são chamadas de “Top Stars”. Eles ganham até perfil verificado.

Para atrair mais gente, Oziel também garantiu que está trazendo celebridades para a plataforma. “Esses dias estava no Sauípe e encontrei com o Leo Jaime, e ele gostou muito da rede. Ele falou para mim ‘Oziel, sempre o primeiro é quem está na frente’”, em referência ao Instagram. O cantor teria entrado para o Status. Oziel também já teria fechado com a Babi do Pânico e está negociando com jogadores de futebol. “Vamos surpreender!”, disse confiante sobre as estrelas que estão aderindo ao Status.

Confiança parece ser o sobrenome de Oziel Figueiredo. “Eu não tenho plano B. Sou partidário do seguinte pensamento: quando termos certeza de uma coisa, essa coisa está certa. Eu acredito piamente no projeto. Eu acredito demais na ideia. É um aplicativo simpático e a reação das pessoas ao aplicativo é muito boa”, contou. “Eu crio muito, sou um cara que não sossego, crio 24 horas por dia. E essa área proporciona a criação, não tem limites. Obviamente que não posso programar tudo que crio, mas crio bastante.”

É bem difícil encontrar o Status em buscadores por causa do seu nome — o site é este aqui. Ele está disponível para Android, iOS e web, e é totalmente gratuito.

Compartilhe:
  • Claudio Tavares

    Bem, se permitir seios femininos, que os usuários reivindicam há anos e que o Instagram nega, isso sim, será um bom diferencial.

  • tuneman

    não pretendo usar, pois prefiro continuar a usar a Mirtesnet.
    (hahahaha)

    • que desenterrada ein?!

  • O nome faz jus ao que já acontece no Instagram.

  • Elton Lima

    Tô dentro, sou mais Brasil! Se algum outro brasileiro tiver outra ideia de negócio… sempre preferência para o nosso. Vale a pena tentar!

  • Couto Scienology

    Apenas uma copia do Instagram e Snapchat, nada de novo, nem vou perder meu tempo com isso.

    • alinebonn

      Na vdd é bem diferente pelo que eu vi

    • Heitor Ribeiro

      Eu vejo mais como remover o monopólio estabelecido pelo Instagram. Pois eles que ditam as regras nesse seguimento. Além disso existem várias funções que divergem o app.

  • Anderson

    Com influenciadores chaves e bom UX talvez consiga decolar nesse mercado dominado pelo Instagram

  • Boa sorte na empreitada. Adoraria que uma rede social brasileira ganhasse o mundo.

  • A Web move o mundo, sem dúvida alguma e será sempre uma ferramenta mais e mais utilizada. Minha participação atual é pequena no Twitter e duas páginas no Facebook, onde faço apenas postagens de minhas pinturas. Com espaço de 5 mil ‘amigos’, lotou, fechei, abri outra, lotou e então abri uma página A Arte de Celito Medeiros, logo atingiu 10 mil seguidores, deixei quieta e apenas lido diariamente nestas páginas, e em relacionamentos de outros assuntos, nas páginas dos amigos. Sendo de Curitiba, desejo todo sucesso para a Status e, que por certo terá.

  • porque precisamos de mais redes sociais?
    precisamos de educação de qualidade e saneamento básico.

    abs!

  • Legal, tanto o site quanto o site beta são feitos em Vue.

  • Geison

    Incompatível com meu xiaomi.

  • Marciel Jara

    lembrei do rei da balada

  • Gertrudes, a Lhama

    O entusiasta dentro de mim gostaria de testar, mas o velho dentro de mim quer distância de redes sociais.

  • Bruno Luiz

    Eu acho que o http://www.bomperfil.com é muito top.