Kelsey Peterson cria um Memoji no palco da WWDC.

As 5 melhores novidades que a Apple mostrou na WWDC 2018

Por
5/6/18, 12h42 8 min 6 comentários

A Worldwide Developers Conference (WWDC) de 2018 só teve software. O evento anual é promovido pela Apple. Na apresentação de abertura, realizada nesta segunda-feira (4), a empresa gastou duas horas para mostrar as novidades das futuras versões dos seus principais sistemas — e, ao mesmo tempo, tentar convencer os desenvolvedores a continuarem criando apps para eles.

De tudo de novo que foi mostrado dos recém-anunciados iOS 12, macOS Mojave, watchOS 5 e a nova versão do tvOS (ufa!), separei as cinco mais importantes. Vamos nessa? Então vamos.

5. Walkie Talkie (watchOS 5)

Foto de um Apple Watch mostrando o app Walkie-talkie.
Foto: Apple/Divulgação.

O Apple Watch é o relógio inteligente que mais vende no mundo e, segundo muitos especialistas, o melhor dispositivo do gênero. O destaque do watchOS 5, nova versão do seu sistema, traz diversas melhorias e algumas novidades. Entre elas, destaca-se o Walkie-Talkie.

Ele funciona de maneira similar aos brinquedos dos anos 1980 — ou, para ficar num exemplo mais moderno, aos celulares push-to-talk, como aqueles que eram vendidos pela Nextel. Da lista de contatos com um Apple Watch compatível, basta escolher um, apertar e segurar o botão “Falar” na tela do relógio, ditar a mensagem e soltá-lo para enviar o áudio.

Replicar ligações no pulso nunca foi algo muito popular fora da ficção. A impopularidade do telefone tampouco ajuda na venda desse cenário de uso. Já as mensagens de áudio do WhatsApp são um fenômeno cultural. O Walkie-Talkie é meio como os áudios do WhatsApp se eles fossem feitos hoje na forma de um app exclusivo. Esbarra na baixa adoção do Apple Watch em relação a smartphones, mas tem potencial para ser algo muito conveniente entre os que adotaram o relógio da marca.

4. Melhorias diversas (macOS Mojave)

Há algum tempo o macOS, sistema operacional dos computadores da Apple, não tem uma grande novidade. O Mojave, anunciado na WWDC 2018, não foge a essa regra, mas traz um conjunto de pequenas melhorias que, juntas, prometem melhorar o uso do sistema.

A ferramenta de prints do iOS 11, um dos recursos mais legais dessa versão, chega ao macOS. Também vinda diretamente do iOS 11, a reformulação da App Store deve amenizar alguns problemas da versão atual, como a descoberta e os incentivos para que os desenvolvedores distribuam seus apps por esse canal oficial.

Print do macOS Mojave com a nova App Store em destaque.
Nova App Store e modo escuro do macOS Mojave. Foto: Apple/Divulgação.

Na interface, há pequenas novidades interessantes. O modo escuro, que deixa janelas e outros elementos da interface em tons de cinza, deve agradar a olhos que passam muitas horas grudados na tela. O conceito de “stacks”, que existe na Dock há bastante tempo, agora funciona na área de trabalho também, agrupando arquivos segundo diversos critérios e ponto ordem na bagunça que costuma acumular ali.

Por fim, a integração com o iOS alcança outro nível. Sim, tem uma melhoria do Continuidade — capturar fotos com o iPhone que aparecem instantaneamente em aplicativos do macOS —, mas o que chamou a atenção mesmo foi a revelação do plano plurianual da Apple de levar apps do iOS para o macOS.

Alguns novos do Mojave (Notícias, Bolsa, Home e Gravador de Voz) já são as versões do iOS adaptadas, um trabalho que parece bem feito por considerar as peculiaridades do sistema, como o uso de mouse e teclado. Em 2019, essa possibilidade será estendida a terceiros. Ainda é cedo para saber o impacto que isso terá no ecossistema de apps para macOS, mas o primeiro contato com esse conceito foi positivo.

3. Notificações (iOS 12)

Telas de bloqueio do iOS 12 em um iPhone X.
Notificações agrupadas e gerenciamento delas na tela de bloqueio. Foto: Apple/Divulgação.

O sistema de notificações do iOS nunca foi bom. No iOS 12, ele continuará aquém do do Android, mais robusto e repleto de ações contextuais, mas ficará gerenciável.

A principal mudança é que, agora, notificações de um mesmo app ficarão agrupadas. Quando seu grupo de amigos do WhatsApp enviar 300 mensagens enquanto você está dormindo, por exemplo, todas as notificações ficarão agrupadas em apenas uma entrada.

Além disso, o gerenciamento das opções de notificações será facilitado. Ajustes finos, como remover o som ou impedir que notificações apareçam na tela de bloqueio, já são possíveis no iOS 11. A diferença é que, agora, esses controles poderão ser acessados diretamente da tela de bloqueio (antes, estavam escondidos nos Ajustes) e a Siri fará sugestões de acordo com o modo como o usuário interage com as notificações.

2. Measure (iOS 12)

O novo app padrão do iOS 12, chamado Measure (na versão em inglês; ainda não se sabe como a Apple o traduzirá), tem uma importância simbólica: promover a realidade aumentada como algo que transcende demonstrações engraçadas que você mostra aos amigos e nunca mais usa.

Pokémon Go foi, até agora, a única do tipo. O Measure, com a precisão dos sensores do iPhone e por vir pré-instalado no iOS 12, promete ser a segunda. O app permite fazer medições de distância e volume de objetos do mundo real com o auxílio da câmera do iPhone. Basta apontá-la, marcar os pontos e aguardar os cálculos.

1. Mais privacidade no Safari (iOS 12, macOS Mojave)

O Safari, navegador padrão do iOS e macOS, é a melhor defesa contra scripts intrusivos e tentativas de violar a privacidade dos usuários na web, um expediente muito comum entre empresas de publicidade, como Facebook e Google — e outras milhares menores.

A atualização do Safari que virá no iOS 12 e macOS Mojave estende essa proteção. O navegador impedirá que “plugins”, como os botões de compartilhamento de redes sociais e campos de comentários do Facebook, sejam usados para coletar a atividade do usuário em domínios de terceiros. Quando um site tentar fazer esse cruzamento de dados, o Safari exibirá uma mensagem perguntando ao usuário se ele permite essa ação.

É um ataque direto aos modelos de negócio (e às práticas questionáveis) de Facebook e Google. O exemplo usado durante a apresentação cita diretamente o domínio “facebook.com”; Craig Federighi, vice-presidente de engenharia de software da Apple, disse que a empresa “irá acabar com essa prática” quando apresentou o recurso no palco da WWDC.

Outra medida do Safari é coibir o “fingerprinting”, uma maneira que as empresas de publicidade utilizam para identificar usuários — mesmo quando ele está deslogado ou usando o modo privado do navegador.

Da mesma maneira que seres humanos têm uma impressão digital única, essas empresas analisam características exclusivas do dispositivo usado no acesso. Coisas como o modelo do computador/aparelho e as fontes instaladas. No iOS 12 e macOS Mojave, o Safari entrega um perfil padrão simplificado, tornando mais difícil individualizar um dispositivo através de técnicas de fingerprinting.

O que mais?

FaceTime com várias pessoas falando ao mesmo tempo.
Até 32 pessoas simultâneas em vídeo chamadas no FaceTime. Foto: Apple/Divulgação.

Outras novidades também são bastante aguardadas.

  • No FaceTime, que deve ter pouco impacto porque a presença do iPhone some quando diluída na do Android no Brasil, enfim há vídeo chamadas em grupo. E em grupos grandes, de até 32 pessoas (!) conversando ao mesmo tempo.
  • No iOS 12, a Apple implementará um relatório de uso do aparelho, com o tempo gasto em cada app e a possibilidade de programar alertas para avisá-lo quando estiver passando tempo demais no Instagram ou qualquer outro app.
  • A Siri poderá ser programada com “atalhos”. Trata-se, aparentemente, do app Workflow embutido no sistema — a Apple comprou a startup responsável por ele no início de 2017.
  • “Memoji” é o nome que a Apple deu à sua versão dos ARmojis, os emojis animados baseados no rosto do usuário. Aqui, eles são menos horrendos que os originais da Samsung e podem ser usados na câmera, inclusive em tempo real durante uma vídeo chamada no FaceTime. Só funciona no iPhone X.

***

Tradicionalmente, a Apple libera as versões finais dos seus sistemas operacionais em setembro, quando anuncia os novos iPhones do ano. Versões de testes de todos já estão disponíveis, porém são desaconselháveis para o uso no dia a dia.

Concorda? Discorda? Diga aí nos comentários qual foi a novidade anunciada ontem que mais chamou a sua atenção.

Foto do topo: Apple/Divulgação.

Compartilhe:
  • Roderico

    Inicialmente o motivo que me “prendia” ao iOS + macOS era a qualidade, design e acabamento. Motivos bem subjetivos e muito pautados em gosto pessoal. Posteriormente os motivos passaram a ser a integração das plataformas, o fato dos softwares da Apple rodarem sem engasgos e toda a parte de pós-venda. Atualmente, cada vez mais esses argumentos têm migrado para a questão da segurança e privacidade.

    Uma vez que as inovações disruptivas nos smartphones estão praticamente se esgotando, interessante observar esse movimento em torno do ganho de produtividade, melhoria na performance, foco em segurança e privacidade. Bola dentro da Apple, mas que obviamente vai incomodar muitas pessoas que esperavam um redesenho radical de todo o sistema.

    • Maicon Bruisma

      Na verdade a grande maioria esperava uma atualização que deixasse o sistema bom novamente. Todo o resto será uma grata surpresa, desde que o iOS 12 esteja estável e tire os bugs do iOS 11.

  • Na minha opinião, sem dúvida a melhor novidade da WWDC foi o pacote de atualizações da Siri. Fiquei curioso sobre por que você não achou digno de mencionar, Ghedin. (Pessoalmente, trocaria de posição com o Measure, que na minha opinião é legal mas não digno de uma notinha maior do que a você dedicou à Siri.)

    Eu me questionava sobre como a Apple faria para correr atrás do Google Assistente, que atualmente é sem dúvida muito mais útil e inteligente, sem ter braços de IA e Machine Learning tão grandes quanto os do Google. E o plano dela me surpreendeu positivamente: fazer a Siri ter inteligência humana, não de máquina, através de personalizações e integrações pensadas pelo usuário ou pelos desenvolvedores de apps.

    Foi uma maneira interessante de reforçar a diferença entre as duas empresas. Enquanto o Google quer porque quer fazer as máquinas serem mais inteligentes que os humanos, a Apple faz máquinas que tentam potencializam a inteligência humana.

    A estratégia da Apple é menos “escalonável”, mas muito mais humana.

    • Maicon Bruisma

      O que não significa, nem de longe, que seja melhor.
      A Google quer máquinas mais inteligentes para que façam coisas que antes você precisava tirar um tempo pra fazer. Puramente evolução, não me impressiona.
      A Apple quer que você personalize a Siri por sua conta e risco, se ela ficar boa ok, se não ficar paciência, afinal a Apple não te entregou um resultado então não é problema dela. Ela te dá a corda, e você decide se treina uma criança para dar um nó sempre que você pedir. A google está tentando te dar um adulto que te dê as coisas antes que você peça, pq ele vai saber como você faz as coisas e quando faz. Essa é a diferença. A parte “humanizada” nunca fez parte da equação.

    • Isso não vai funcionar para o grande público porque a experiência ainda tem muito atrito. Já mexeu no Workflow, o app que serve de base para os shortcuts da Siri? É simples, mas ainda é muito complicado. E não é algo exatamente novo. Desde os tempos do Razr (com Android) da Motorola e do Llama (app para Android, circa 2011), coisas do tipo existem: uma tela, com zilhões de comandos e funções e apps, em que você monta uma rotina. Nunca foi nada popular pela complexidade e não acredito que mudar o gatilho do automático ou um botão na tela para a voz vá mudar isso.

      Na minha visão, a Apple se mostra mais humana ao fazer publicidade dos novos recursos sem ficar citando “inteligência artificial” a cada três frases, mesmo quando eles funcionam graças a ela.

      • Mas você está falando só do Siri Shortcuts, que é só metade da história — a metade menos interessante, diga-se. Essa é uma função mais para power users, realmente.

        A parte que me parece mais interessante e bem mais impactante são os atalhos que já virão prontos nos apps. Aqueles botões “Add to Siri” que a Apple mostrou em apps como o Yelp. Aquilo, se adotado pelos desenvolvedores (e acredito que será) tem potencial pra aumentar não só a utilidade real da Siri como também a percepção de utilidade dela.

        A Google Assistente atualmente tem mais funções, comandos e utilidades que a Siri, mas quantos deles o usuário médio conhece? Como o Android faz para ensinar essas utilidades de maneira natural ao usuário? Eu não sei, faz tempo não uso Android, mas tenho lá a minha impressão de que a resposta é “não faz”, ou ao menos “não muito”.

        Quando o usuário do iOS for usar um app que ele já usa, pra fazer algo que ele já faz, e vir aquele botãozinho Add to Siri, não apenas ele vai *ensinar* a Siri um gatilho para aquela ação, como também vai *aprender*, ele próprio, de maneira contextual, que aquele comando existe.

        Foi isso que eu achei tão legal.

        E, claro, à medida que o usuário for tomando gosto por adicionar à Siri os comandos que ele já usa através desses prompts dos apps, talvez ele se sinta animado a tentar criar os seus próprios Shortcuts manualmente.

        Foi isso que eu quis dizer com “humano”, aliás. Com o tempo, a maior parte dos comandos que o usuário vai usar na Siri terão sido ensinados não pela Apple, mas sim pelo próprio usuário, com alguma ajuda dos desenvolvedores de apps de terceiros.