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Ativistas do Greenpeace vestidos como os Cavaleiros do Apocalipse protestam em Copenhague: países não chegam a acordo | Christian Charisius/Reuters
Ativistas do Greenpeace vestidos como os Cavaleiros do Apocalipse protestam em Copenhague: países não chegam a acordo| Foto: Christian Charisius/Reuters

Luta contra o desmatamento é desafio para América Latina

AFP

A falta de incentivos financeiros fortes e de conscientização da sociedade civil latino-americana são obstáculos que devem ser superados para combater com êxito o desmatamento, elemento chave na luta contra o aquecimento global. A opinião é de especialistas que estão participando da conferência sobre o clima, em Copenhague.

"Se não ganharmos o combate contra o desmatamento, não ganharemos a luta contra o aquecimento global", afirmou o colombiano Martín von Hildebrand, especialista em povos indígenas amazônicos.

A América Latina tem 800 milhões de hectares de floresta tropical – cerca de 700 milhões só na Amazônia –, duas vezes a superfície da União Europeia, destacou Yan Speranza, da ONG Fundação Moisés Bertoni, do Paraguai. O continente é responsável por 7,5% das emissões mundiais de gases causadores do efeito estufa. Dois terços deste total provêm do desmatamento e da agricultura, que estão estreitamente relacionadas, explicou.

"É necessário mudar a lógica econômica do desmatamento, com investimentos que incentivem o desenvolvimento sustentável", explicou Mariano Cenamo, do Instituto de Preservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Brasil.

  • Veja a proposta de alguns paises amazônicos

Com menos de quatro dias para fechar um acordo que combata o aquecimento global, um grupo dos países africanos bloqueou ontem a negociação em Cope­nhague por quatro horas. Moti­vo: os países desenvolvidos, acusam eles, querem matar o Pro­tocolo de Kyoto.

O pleito ganhou imediato apoio do G-77 de nações em desenvolvimento, entre as quais o Brasil. A posição tradicional do país é defender um acordo sobre as bases do documento de 1997, em que países desenvolvidos têm metas para reduzir seus gases-estufa, e países em desenvolvimento, não.

"O grupo africano está totalmente desapontado’’, disse Djemouh Kamel, à frente das nações que estão entre as mais vulneráveis à mudança climática. "A presidência e o secretariado da conferência, bem como os países desenvolvidos, estão tentando implodir os dois processos (de negociação)’’, seguiu.

"Se aceitarmos essa situação, assinaremos o atestado de óbito do Protocolo de Kyoto.’’

Os EUA não assinaram Kyoto e rejeitam um acordo de peso legal em Copenhague.

Presidente da conferência, a ex-ministra do Ambiente da Dinamarca e futura comissária do clima da União Europeia, Connie Hedegaard, conseguiu derrubar os argumentos, após avaliação do estatuto da conferência, e retomar a sessão.

Atrasos

Mas a paralisação afetou toda a ordem do dia, com pelo menos quatro entrevistas coletivas atrasadas ou canceladas e a desconstrução da agenda de negociadores e ministros – inclusive a de Dilma Rousseff, chefe da delegação brasileira.

Os representantes de Maldivas, um dos países que pleiteiam a manutenção de Kyoto e a redução do teto para o aquecimento global de 2 C para 1,5 C por século, ignoraram o encontro que marcaram com a imprensa. O arquipélago, que pode sumir sob a elevação dos oceanos, é um dos mais ativos e eloquentes na COP-15.

Na plenária poucas horas depois, seu presidente, Moham­med Nasheed, chamou os colegas à razão em meio a uma interminável fila de discursos.

"Podemos, por favor, parar com isso e começar a trabalhar?’’, perguntou, ao ver Hedegaard passar a palavra a seu colega sudanês. "Há 14 anos estamos fazendo pronunciamentos.’’ Saiu aplaudido.

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