Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

Análise Trump-KIM

Aliados dos EUA apoiam resultados da cúpula, mas fazem ressalvas

Japão não quer se aproximar da Coreia do Norte, por causa da falta de respostas sobre sequestros de cidadãos japoneses nos anos 70 e 80

  • Brian Murphy
  • Washington Post
Bandeiras dos Estados Unidos e da Coreia do Norte no resort onde Trump e Kim se encontraram | SAUL LOEB/AFP
Bandeiras dos Estados Unidos e da Coreia do Norte no resort onde Trump e Kim se encontraram SAUL LOEB/AFP
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse que a cúpula de Cingapura foi um sucesso que estabeleceu um caminho para a paz e expressou gratidão ao presidente americano Donald Trump após o anúncio-surpresa de que os militares americanos suspenderiam os exercícios militares com a Coreia do Norte, vistos como uma ameaça pela Coreia do Norte.

Moon considerou a cúpula como uma grande vitória conseguida pelos Estados Unidos e pelas duas Coreias. “Gostaria de agradecer ao presidente Trump que conseguiu algo que outros não conseguiram”, disse ele. “Kim Jong-um também será lembrado com um líder que construiu um momento histórico ao dar um primeiro passo corajoso em direção ao mundo.” 

A declaração refletiu a visão de Moon, de que a cúpula era apenas o primeiro passo de um processo de longo prazo para establilizar e desnuclearizar a Península Coreana. 

Leia também: Seis grandes questões deixadas pelo encontro entre Trump e Kim

O presidente sul-coreano tem sido um cauteloso e determinado parceiro no processo de paz, tendo um papel crucial em manter os contatos após, abruptamente, Trump cancelar a cúpula no final do mês passado. A Coreia do Sul tem realizado conversas paralelas com o regime de Kim sobre iniciativas que incluem planos de abrir um escritório de ligação com o Norte, o que possibilitaria um relacionamento quase diplomático. 

Mas seu governo foi surpreendido pelo anuncio feito por Trump, logo após o encontro de cúpula, de que os exercícios militares com a Coreia do Sul seriam suspensos, sem especificar quais deles e quando isto poderá acontecer. Seu governo não foi informado da decisão antes do anúncio. Os dois lideres conversaram por telefone apenas após a reunião, quando Trump estava a bordo do Air Force One, partindo de Cingapura. 

No Japão, que esperava que a Coreia do Norte se comprometesse a discutir a questão dos cidadãos japoneses sequestrados, houve alívio pelo fato de que Trump expôs o assunto a Kim. 

A posição chinesa

A China emitiu uma declaração sobre a possibilidade de relaxar as sanções contra a Coreia do Norte, mas viu sua abordagem preferida para as relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte permanecer praticamente intactas na declaração firmada pelos lideres. 

Pequim conseguiu tudo o que queria, disse Abraham Denmark, diretor do programa asiático no Woodrow Wilson International Center of Scholars. Ao interromper os exercícios militares com a Coreia do Sul foi removido um motivo de grande irritação para Pequim, disse ele. 

“Espero que Pequim se veja como um grande vencedor da cúpula”, afirmou Denmark. “Mas , suspeito que há gente preocupada na China com a aproximação entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. Acredito que Pequim irá acelerar seu relacionamento com a Coreia do Norte, com encontros políticos de alto nível e, ate mesmo, assistência econômica e desenvolvimento de infraestrutura. A China irá deixar claro que tem um papel relevante no processo e não pode ser deixada de lado ou ignorada. 

Leia também: O encontro entre Trump e Kim foi simbólico, mas pode resultar em um acordo histórico?

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China disse que o órgão iria considerar o levantamento das sanções apenas se Pyonyang atender as condições estabelecidas pelas resoluções das Nações Unidas. 

O apoio da China às sanções é um instrumento para manter as pressões econômicas sobre a Coreia do Norte, que depende de Pequim, há décadas, como tábua de salvação para o comércio e assistência. 

Lu Chao, um especialista em assuntos coreanos da Liaoning Academy of Social Sciences, disse que o acordo de Cingapura reflete os objetivos e as demandas chinesas. “É um progresso histórico. Podemos acreditar que a região começou a avançar em direção à paz.” 

Japão não conseguiu o que desejava

Mas outro vizinho da Coreia do Norte, o Japão não conseguiu o que mais desejava na cúpula: uma declaração clara de que a Coreia do Norte iria reabrir as conversas sobre o sequestro de japoneses há algumas décadas, 

Os lideres japoneses aparentaram estar satisfeitos com o que conseguiram: a promessa pública de Trump que conversou com Kim sobre o assunto e que o Norte estava trabalhando nele. 

A vaga menção ao tema fez com que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se livrasse de um grande embaraço político após ele, pessoalmente, fazer lobby para que Trump defendesse a questão. Para o Japão, os sequestros permanecem com um grande obstáculo para unir-se aos Estados Unidos e a Coreia do Norte no crescente relacionamento com o Norte. 

A Coreia do Norte admite ter sequestrado 13 pessoas no Japão nos anos 70 e 80. O objetivo era treiná-las como espiões. Pyongyang permitiu que cinco delas retornassem ao Japão com suas famílias em 2002, e insiste que as outras oito morreram. Japão suspeita que centenas possam estar cativas. 

Leia também: Os três grandes ausentes da cúpula entre Kim Jong-un e Donald Trump

Trump disse que discutiu o assunto na reunião, mas não deu pistas sobre a resposta de Kim ou que ações podem ser tomadas pela Coreia do Norte. “Eles disseram que vão trabalhar no assunto. Não colocamos no documento, mas é algo a ser trabalhado.” 

A Coreia do Norte diz que a questão dos sequestros já foi “resolvida”. E acusa o Japão de tentar atrapalhar a aproximação com a Coreia do Sul e os Estados Unidos. Em resposta, Abe disse que o Japão não normalizará as relações com Pyongyang ou oferecera ajuda a menos que seja realizada uma investigação completa sobre o assunto. 

Outras disputas históricas pairam sobre uma eventual normalização da situação da Coreia do Norte, incluindo assuntos entre países que se dizem aliados. 

Ativistas sul-coreanos têm mantido vigílias permanentes fora da embaixada japonesa em Seul, procurando manter viva a memória das mulheres coreanas usadas como escravas sexuais durante a Segunda Guerra Mundial. O governo de Abe também está bravo com a decisão da Coreia do Sul em reabrir as discussões após um acordo em 2015, que pretendia ser uma conclusão “final e irreversível” para as indenizações relacionadas à escravidão sexual e outros temas.

o que você achou?

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Mundo

PUBLICIDADE