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Venezuelanos vão às ruas em apoio ao presidente interino Juan Guaidó. Crédito: Federico Parra/AFP
Venezuelanos vão às ruas em apoio ao presidente interino Juan Guaidó. Crédito: Federico Parra/AFP| Foto: AFP

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, marcou para este sábado (9) um protesto contra a permanência de Maduro no poder e a favor da restauração da democracia no país. O ditador Nicolás Maduro, por sua vez, convocou uma manifestação de apoio ao seu regime para o mesmo dia, na capital Caracas. As manifestações estavam previstas para as 11 horas de Brasília (10 horas no horário no local), mas os primeiros problemas começaram a aparecer logo que as pessoas começaram a se concentrar nos espaços públicos programados para os eventos.

Em uma avenida da capital Caracas, os manifestantes que esperavam pelo presidente interino entraram em conflito com autoridades policiais. Gás de pimenta foi lançado contra eles; algumas pessoas passaram mal; outras empurraram os agentes da Polícia Nacional Bolivariana. Gritos de assassinos também foram entoados contra a tropa de choque.

"A polícia é abusiva mesmo que eles também sofram da mesma calamidade que a gente", disse a comerciante Lilia Trocel, de 58 anos. "Eu ainda não tenho energia e perdi parte da minha comida", declarou em referência à comida que estragou durante um apagão que atingiu quase todo o território venezuelano.

Os opositores ao regime se negaram a deixar o local. Horas depois, porém, um vídeo flagrado pelo site de notícias NTN24 mostra membros da polícia nacional retirando piquetes e liberando a passagem para os manifestantes, que os aplaudiram.

Apagão

Os protestos ocorrem em meio ao tumulto causado pelo mais longo e abrangente apagão da história recente da Venezuela. Na quinta-feira à tarde, em cerca de 90% do território nacional, venezuelanos ficaram sem energia elétrica. O regime prometeu restabelecer o serviço em três horas, mas 24 horas depois milhões de pessoas ainda estavam sem luz, aumentando o caos no país. A energia voltou às casas parcialmente a partir da tarde de sexta-feira.

Neste sábado, entretanto, por volta do meio dia, um novo apagão atingiu várias zonas do país. De acordo com relatos das redes sociais e da imprensa local, pelo menos 13 estados, inclusive a capital Caracas, foram afetados pela falta de luz. Alguns setores estão sem energia elétrica desde quinta-feira, especialmente no interior do país. Segundo o observatório NetBlocks, no início da tarde de sábado 96% da Venezuela estava sem acesso à internet devido ao apagão.

Telecomunicações e transporte também foram afetados, mas o drama foi pior no setor de saúde. Parte dos hospitais não conseguiu acionar geradores, e relatos de partos e até de cirurgias feitas sob a luz de celulares e velas se espalharam pelas redes sociais.

Organizações não governamentais denunciaram que a falta de fornecimento de energia e o mal funcionamento, ou a falta de geradores de emergência em hospitais públicos, provocaram, na sexta-feira, as mortes de um recém-nascido e de um adolescente de 15 anos em Caracas.

Os cortes de luz são comuns em várias partes da Venezuela, mas um blecaute dessa magnitude jamais havia ocorrido. Foi mais um marco na profunda crise que assola os venezuelanos. Para os chavistas, o apagão foi causado por sabotagem coordenada pelos Estados Unidos. O problema ocorreu na hidrelétrica de Guri, responsável por cerca de 70% do fornecimento de energia do país, e a oposição defende que foi provocado por corrupção e improbidade do regime socialista.

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De volta à Venezuela

Na última segunda-feira (4), Guaidó retornou à Venezuela depois de visitar capitais da América do Sul, incluindo Brasília. Ele atravessou a fronteira da Venezuela para a Colômbia no dia 23 de fevereiro, para supervisionar o plano de fornecer ajuda humanitária para a Venezuela, que acabou fracassado. Ao fazer a travessia, ele desafiou uma proibição de viagem imposta pela Justiça.

Os apoiadores de Guaidó temiam que ele fosse preso ao retornar ao país, o que não aconteceu. Diplomatas ocidentais, inclusive da França, da Alemanha e dos EUA, aguardaram o líder no Aeroporto de Maquetía como demonstração de apoio. Em seguida, Guaidó falou para uma multidão no centro de Caracas.

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Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, assumiu a responsabilidade pelo Executivo Nacional durante ato diante de milhares de manifestantes no dia 23 de janeiro e passou a ser reconhecido como presidente interino da Venezuela por vários países. As eleições realizadas no ano passado, em que Maduro saiu vencedor, não foram legítimas para grande parte da comunidade internacional.

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