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Sob o olhar de Felipe 6° (C), rei espanhol, o novo primeiro ministro, Pedro Sanchez (E), cumprimenta Mariano Rajoy, seu antecessor | FERNANDO ALVARADO/AFP
Sob o olhar de Felipe 6° (C), rei espanhol, o novo primeiro ministro, Pedro Sanchez (E), cumprimenta Mariano Rajoy, seu antecessor| Foto: FERNANDO ALVARADO/AFP

Derrotado nas urnas em duas oportunidades, Pedro Sánchez, de 46 anos, líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), venceu a queda de braço no Parlamento da Espanha contra o primeiro-ministro Mariano Rajoy e assumiu, neste sábado, o comando da quinta maior economia da União Europeia.

A moção de censura, manobra política que viabilizou a queda do premiê e a ascensão de Sánchez, foi a primeira bem-sucedida desde a redemocratização do país, em 1977. Eleito pelo Parlamento como chefe de governo em dezembro de 2011, Rajoy vivia desde 2016 uma situação instável. Sem maioria no Legislativo, contava com a abstenção da legenda centrista Ciudadanos e de partidos nanicos para se manter no poder. 

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A situação lhe permitiu enfrentar a crise da Catalunha, em 2017, mas se tornou insustentável desde 24 de maio, quando a Audiência Nacional, a mais alta corte de Justiça, condenou o Partido Popular (PP), do qual é o líder, e 28 de seus altos dirigentes em um processo por corrupção e financiamento clandestino de campanhas eleitorais - o caso Gürtel, o equivalente espanhol da Lava Jato.

 A decisão judicial abriu o caminho para que Sánchez propusesse a moção de censura, ferramenta dos sistemas parlamentaristas europeus que permite contestar um governo. Por 180 votos a favor e 169 contrários, o premiê conservador foi derrubado pelo Parlamento. "Entrego uma Espanha melhor do que encontrei. Que meu substituto possa dizer o mesmo."Em seu discurso, Sánchez prometeu abrir "uma nova página na democracia da Espanha. Queremos dignificar uma democracia sólida, forte e com instituições exemplares." 

Perfil

 Ex-professor de Economia, conhecido como El guapo (bonito, em espanhol), Sánchez comandou o retorno do PSOE ao governo, após Felipe González (1982-1996) e José Luis Rodríguez Zapatero (2004-2011). Contestado no interior da legenda após suas derrotas nas eleições de 2015 e 2016 - quando elegeu apenas 84 deputados -, Sánchez chegou a ser derrubado do cargo de secretário-geral do partido, mas retomou o poder pelo voto dos militantes adotando uma linha social-democrata mais à esquerda do que seus predecessores.

Ao longo da crise catalã, apoiou a estratégia de linha dura de Rajoy contra os independentistas, mas soube construir uma linha de diálogo, o que lhe permitiu contar com os votos dos partidos catalães e bascos para chegar ao poder nesta sexta. 

 Desafio

Segundo o jornal “El Mundo”, Sánchez tem praticamente definido como irá governar. Fontes ligadas a ele apontam que a equipe ministerial deverá ser nomeada na próxima semana, fugindo dos padrões tradicionais. Normalmente, os primeiros-ministros da Espanha levam até um mês para montar as suas equipes de trabalho.

Lidar com o desafio separatista na Catalunha será, ao que tudo indica, o maior desafio de sua gestão. Sem maioria no Parlamento, Sánchez não terá os votos para aprovar a reforma do sistema territorial, adotando medidas de caráter federativo. 

 Embora tenha sido evasivo sobre seu programa de governo, ele deve iniciar sua gestão desfazendo atos impopulares do governo Rajoy. Segundo o cientista político Fernando Vallespin, da Universidade Autônoma de Madri, uma das primeiras medidas seria revogar a reforma da legislação do trabalho, destinada a flexibilizar as relações trabalhistas, mas acusada por seus detratores de tornar o mercado precário e causar efeitos contraproducentes à economia.

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