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Os confrontos foram retomados em Gaza | AFP
Os confrontos foram retomados em Gaza| Foto: AFP

Israel e o Hamas anunciaram a suspensão temporária (de três horas diárias) das hostilidades na Faixa de Gaza na quarta-feira para facilitar o fluxo de ajuda humanitária, e os dois lados disseram que estão estudando uma proposta egípcia para um cessar-fogo. Mas, após a trégua temporária desta quarta-feira (7), os confrontos foram retomados em Gaza.

Veja a cobertura completa dos ataques a Gaza

As pressões internacionais sobre Israel para pôr fim a seus ataques, que já duram 12 dias, aumentaram depois de disparos de tanque matarem 42 palestinos numa escola da ONU na região.

Em novos combates, 12 palestinos foram mortos por ataques israelenses na Faixa de Gaza, disseram profissionais da área médica. Pelo menos oito foguetes do Hamas atingiram o sul de Israel, sem causar baixas.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu um inquérito sobre o ataque de Israel contra uma escola no campo de refugiados de Jabalya na terça-feira. Israel disse que militantes do Hamas na escola tinham disparado foguetes. A ONU alega que não havia militantes no local.

Trégua diária

O Exército de Israel fez entre 13h e 16h desta quarta-feira (9h e 12h de Brasília) uma interrupção dos ataques a Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária, informaram fontes do governo do país.

Moradores de Gaza aproveitaram a trégua de três horas para sair às ruas, fazer compras e visitar parentes, segundo testemunhas. Logo depois do fim do prazo, novos ataques começaram a ser travados.

A interrupção temporária dos ataques teve "razões humanitárias", segundo um porta-voz militar. Israel decidiu cessar os bombardeios diariamente, mas a continuidade da medida será estudada a cada dia em função da situação, disse Peter Lerner, porta-voz do organismo dependente do Ministério da Defesa que coordena as atividades de Israel nos territórios palestinos.

A decisão foi adotada depois que, pressionado pela comunidade internacional, Israel aceitou abrir um corredor humanitário na Faixa de Gaza , submetida a bombardeios que na terça-feira deixaram pelo menos 40 mortos em uma escola administrada pela ONU.

Autoridades do Hamas, movimento islâmico que controla o território palestino, disseram ter sido informadas previamente sobre os planos de Israel. Abu Marzuk, integrante da ala política do Hamas, disse em Damasco, na Síria, que os militantes também interromperiam o lançamento de foguetes sobre Israel durante a trégua.

ONU nega presença de militantes do Hamas em escola atacada

O gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert anunciou nesta quarta que Israel abrirá um corredor humanitário "para prevenir uma crise humanitária na Faixa de Gaza". A decisão foi comunicada à secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.

Agências de ajuda reclamaram da grande crise enfrentada pelos 1,5 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza.

Mais tarde, o gabinete israelense de Segurança adiou uma votação que decidiria a permissão para que as Forças Armadas do país entrassem nos centros urbanos de Gaza.

Diplomacia

Israel e a Autoridade Palestina aceitaram a proposta de cessar-fogo franco-egípcia na Faixa de Gaza, informou nesta quarta-feira o presidente da França, Nicolas Sarkozy.

A informação foi divulgada pelo escritório do governo francês. No comunicado, Sarkozy diz que espera que o plano seja implementado "o mais rápido possível" para que "o sofrimento da população seja interrompido".

Mas Israel e Hamas, os dois lados envolvidos no conflito, responderam dizendo que as negociações ainda estão "em andamento".

"Nós saudamos a iniciativa franco-egípcia. Queremos ver seu sucesso", disse Mark Regev, porta-voz do premiê de Israel, Ehud Olmert. "As conversas continuam, com base nesta iniciativa. Uma trégua sustentada no sul vai se basear na total ausência de fogo hostil de Gaza até Israel e em um embargo efetivo de armas contra o Hamas que tenha apoio internacional."

Mais tarde, um funcionário do Ministério da Defesa disse à agência France Fresse que Amos Gilad, assessor político, vai ser enviado ao Cairo para negociar a trégua.

Representantes do Hamas, o movimento islâmico que controla Gaza, também disseram que as negociações seguem.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, disse que "recebeu favoravelmente o plano" e que viajará ao Egito, anunciou o embaixador palestino no Cairo.

A Casa Branca afirmou que há "necessidade urgente" de concluir o acordo de cessar-fogo. Em comunicado, o governo dos EUA disse estar "aberto" ao plano, mas quer conhecer mais detalhes dele.

O Egito havia anunciado na terça a proposta do cessar-fogo imediato, que seria seguido de conversações para um acordo de longo prazo entre os dois lados envolvidos no conflito de 12 dias que já matou mais de 635 e feriu 2.900 em Gaza, além de ter matado nove israelenses.

As negociações incluem o fim imediato do bloqueio à região palestina atualmente dominada pelo Hamas.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, apresentou a proposta em um comunicado breve depois de conversar com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh.

Em 2008, o Egito conseguiu mediar uma trégua de seis meses entre Israel e o Hamas, que chegou ao fim em 19 de dezembro. Após esta data, o Hamas voltou a lançar foguetes contra o território israelense, alegando que Israel mantinha o bloqueio contra Gaza.

Israel quer que uma força internacional destrua os túneis ao longo da fronteira entre Gaza e Egito, que, segundo os israelenses, seria usado pelo Hamas para contrabandear armas.

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