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Dois foguetes disparados pelo Hamas da Faixa de Gaza contra o território de Israel; um deles foi interceptado pelo sistema antimísseis israelense “Domo de Ferro”
Dois foguetes disparados pelo Hamas da Faixa de Gaza contra o território de Israel; um deles foi interceptado pelo sistema antimísseis israelense “Domo de Ferro”| Foto: Reprodução / Forças de Defesa de Israel

Nesta semana, mais uma página no longo conflito entre Israel e Hamas foi escrita. O confronto já resultou em sete mortes para o lado israelense, incluindo uma criança de 5 anos, e 67 no lado palestino, incluindo 16 crianças – segundo a imprensa local.

Só com esses números é possível imaginar uma diferença grande entre as forças bélicas das duas partes da contenda, afinal o exército de Israel é reconhecido internacionalmente por sua tecnologia de ponta, que conta com drones e defesas antimísseis de última geração.

Porém, durante a Guerra de Gaza de 2014, o Hamas disparou aproximadamente 4 mil foguetes em 50 dias. No dia em que mais atacou, foram 200 lançamento intervalados. Entre a última terça e quarta-feira, porém, o Hamas foi capaz de disparar mais de 100 mísseis em minutos.

O volume de mísseis lançados pelo Hamas furou as defesas antiaéreas de Israel em alguns pontos, com um quantidade considerável de disparos tentando chegar a Tel-Aviv, importante cidade judaica que fica a mais de 70 quilômetros da Faixa de Gaza.

Essa demonstração de poder de fogo levanta questionamentos sobre qual é o real poder de fogo do Hamas e quanto dano ele pode ainda gerar.

Crescimento contínuo

Antes que se desencadeasse o atual conflito, o exército israelense já monitorava o crescimento do Hamas. Em 11 de fevereiro deste ano, um comandante militar israelense havia informado, sob anonimato, ao jornal The Times of Israel que o grupo guerrilheiro restabeleceu seu arsenal desde a guerra de 2014 e tem agora um vasto estoque de foguetes, mísseis guiados e drones.

As estimativas então eram de 7.000 foguetes, 300 antitanques e 100 antiaéreos. Além disso, o Hamas adquiriu dezenas de drones e arregimentou um exército de cerca de 30 mil homens, contando com 400 comandos navais que receberam treinamento e equipamentos sofisticados para a realização de operações marítimas.

Mas o Hamas não parou por aí, estrategicamente o grupo busca um fortalecimento continuado.

Mahmoud Mardawi, um líder do Hamas e ex-comandante militar das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, disse em abril ao Al-Monitor, um jornal especializado no Oriente Médio que “o Hamas continuamente ganha experiência e trabalha regularmente para aumentar sua capacidade de manufatura nos campos de combate terrestre, naval e aéreo.”

Além disso, Mardawi afirmou que o Hamas “recebe ajuda do Irã e desenvolve suas próprias capacidades militares, cavando [túneis] subterrâneos, recorrendo ao mar e outros meios para o contrabando de armas”.

Mardawi deu a entender também que Israel estava ciente do crescimento militar do Hamas e da colaboração do Irã com o grupo islamista.

Composição do arsenal do Hamas

Segundo estimativas da inteligência israelense reveladas pelo Jerusalem Post, o Hamas possui atualmente dezenas de foguetes (conhecidos como R-160, M-302D e M302-B) com alcance entre 100-160 km que poderiam cobrir a maior parte do território do pais até Haifa, norte do país.

Além disso estima-se um pequeno número de mísseis Buraq-100 com alcance de mais de 100 km.

O Hamas possui ainda centenas de foguetes (modelos J-80, M-75, Fajr-5 e M-75 de 2ª geração) com alcance entre 70 e 80 km, essa distância é suficiente para chegar a Tel Aviv ou Jerusalém. O modelo Fajr-5 é fornecido pelo Irã.

Com área de alcance menor, o número de foguetes que o Hamas possui cresce muito: há entre 5 mil e 6 mil unidades com alcance de 40-50 km.

As cidades que ficam nesse raio de alcance são geralmente as que mais sofrem com os ataques do Hamas.

Além disso o exército israelense estima que atualmente o grupo conte com uma força armada de 40 mil homens, que poderiam contar ainda com o acréscimo de 9 mil do Movimento da Jihad Islâmica na Palestina, outro grupo islâmico contrário ao Estado israelense.

Diante desse cenário, não é de se espantar que Israel considere uma incursão terrestre na Faixa de Gaza.

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