Em Sydney, centenas manifestaram apoio ao criador do WikiLeaks, Julian Assange, na sexta passada | Greg Wood/AFP
Em Sydney, centenas manifestaram apoio ao criador do WikiLeaks, Julian Assange, na sexta passada| Foto: Greg Wood/AFP

Cerco dos EUA faz surgir exército pró-WikiLeaks

O cerco armado pelos Estados Unidos para barrar o fluxo de informações que sai dos computadores do WikiLeaks estimulou a reação de cyberpiratas ao redor do mundo. Quanto mais instituições e empresas tentam bloquear o funcionamento do site, mais os simpatizantes dos vazamentos se esforçam para prejudicar quem se colocar no caminho.

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Madri - Manifestações contrárias à prisão do editor do WikiLeaks, Julian Assange, e ao fechamento de sua conta bancária na Suíça estão programadas para este sábado em várias cidade do mundo.

Segundo o site espanhol Free WikiLeaks (http://freewikileaks.eu/) os protestos serão realizados em Madri, Barcelona, Valência, Sevilha e em outras três cidades da Espanha. Há manifestações planejadas também para acontecer em Amsterdã (Holanda) e nas capitais da Colômbia, México, Argentina e Peru.

"Nós queremos a libertação de Julian Assange no território britânico", diz a organização em seu site, que convoca os manifestantes a se reunirem às 18h (horário espanhol, 15h em Brasília) nas cidades da Espanha.

O site também pede o "restabelecimento do domínio de internet do WikiLeaks (wikileaks.org)" e a retomada dos serviços dos cartões de crédito Visa e MasterCard para permitir a "liberdade de circulação de dinheiro", já que ninguém provou a ligação de Assange ou do WikiLeaks com qualquer tipo de crime.

Muitas empresas de internet sediadas nos Estados Unidos romperam suas ligações com o WikiLeaks, dentre elas Visa, MasterCard, PayPal e EveryDNS, medidas que prejudicaram a capacidade do site de receber doações e, dessa forma, manter a divulgação de documentos secretos.

Isolamento

Assange, que está detido numa prisão britânica, foi transferido na última sexta-feira para uma cela isolada, enquanto novos telegramas diplomáticos norte-americanos eram publicados pelo WikiLeaks.

O australiano de 39 anos foi transferido para uma unidade isolada do presídio de Wandsworth, disse Jennifer Robinson, que faz parte do grupo de advogados de Assange. "Supostamente, as autoridades prisionais tomaram a medida para garantir sua segurança", disse ela à agência France Presse.

Assange deve comparecer a um tribunal de Londres, pela segunda vez, na próxima terça-feira. Ele foi detido por causa de um mandado de prisão expedido pela Suécia, onde é acusado de ter molestado sexualmente duas mulheres.

A advogada negou os relatos de que a equipe de defesa acredita que um indiciamento nos Estados Unidos contra o WikiLekas seja iminente, mas afirmou que "em nossa opinião, qualquer processo tendo como base o ato de espionagem seria inconstitucional e contrário à proteção às organizações de mídia assegurada pela Primeira Emenda".

Austrália

Os telegramas divulgados pelo WikiLeaks na sexta-feira mostraram que a gigante da mineração BHP Billiton fez lobby com o governo australiano para reduzir o valor de uma proposta de US$ 19,5 bilhões entre sua rival Rio Tinto e a chinesa Chinalco.

O fracasso do acordo "evitou" que Camberra tivesse de tomar a difícil decisão sobre a aprovação da proposta, mas fez com que o então primeiro-ministro Kevin Rudd tivesse de enfrentar "o descontentamento da China", diz o telegrama.

Vaticano

Outro documento vazado mostrou que o enviado de Londres ao Vaticano temia que o convite do Papa para que anglicanos descontentes se tornassem católicos pudesse dar início à violência contra os católicos na Grã-Bretanha.

Já Julieta Noyes, chefe-adjunta da missão norte-americana no Vaticano, escreveu num telegrama secreto que o Vaticano ajudou a assegurar a libertação de 15 integrantes da Marinha britânica detidos pelo Irã em 2007.

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