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Chávez (centro) e Medvedev (2º dir.) visitam o destróier anti-submarino Almirante Chabanenko | Miraflores Palace / Reuters
Chávez (centro) e Medvedev (2º dir.) visitam o destróier anti-submarino Almirante Chabanenko| Foto: Miraflores Palace / Reuters

Os presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e da Venezuela, Hugo Chávez, visitaram nesta quinta-feira (27) a frota russa que está no Caribe para exercícios navais com a Marinha venezuelana, um impulso à missão de Chávez de enfraquecer a influência dos EUA na América Latina.

Medvedev e Chávez estiveram no destróier anti-submarino Almirante Chabanenko. A frota russa, que inclui o cruzador nuclear Pedro, o Grande, realiza nesta semana exercícios com as Forças Armadas locais.

"Não faz muito tempo, bombardeiros estratégicos russos visitaram a Venezuela. Agora, há navios de guerra aqui", disse Medvedev enquanto mostrava armamentos da embarcação a Chávez, um ex-pára-quedista do Exército.

"Tais ações e nossa coordenação são um dos fatores da estabilidade regional e global", prosseguiu Medvedev.

"Estou tomado pela emoção", respondeu Chávez ao colega. "Nossa missão é uma missão de paz. Você está nos guiando para um mundo equilibrado e multipolar", acrescentou.

Durante a visita ao navio, Chávez assinou um acordo para a compra de dois jatos russos Ilyushin II-96 300, modelo habitualmente usado por presidentes russos.

Apesar de ser um crítico contundente dos EUA, Chávez nega que as manobras com a Rússia sejam uma provocação a Washington, cuja relação com Moscou vive seu pior momento desde o fim da Guerra Fria.

Medvedev se reuniu nesta quarta-feira em Caracas com outros presidentes esquerdistas da região, como Evo Morales (Bolívia), Daniel Ortega (Nicarágua) e Rafael Correa (Equador).

Os EUA dizem não ver motivo para alarme com a aliança entre Rússia e Venezuela, mas admitem estar monitorando os avanços russos na América Latina.

"Não acho que haja qualquer confusão sobre o equilíbrio de poder no Hemisfério Ocidental", disse a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, criticando o suposto "comportamento desestabilizador" da Venezuela na região.

"É importante notar isso, e que qualquer coisa feita neste hemisfério não exacerbe mais os efeitos das políticas venezuelanas sobre nossos vizinhos, como a Colômbia", afirmou.

Rússia e Venezuela já assinaram diversos acordos bilaterais, inclusive um que prevê ajuda nuclear russa para fins civis. Na quinta-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou aceitaria transferir tecnologia nuclear civil também ao Equador.

A Rússia, que durante muito tempo evitou a retórica antiamericana radical de Chávez, aproximou-se dele nos últimos meses, período em que as relações com Washington se deterioraram devido ao projeto de um escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu e à guerra de agosto entre Rússia e Geórgia, aliada do Ocidente.

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