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Chávez em frente do retrato de Simón Bolívar: popularidade em queda | Juan Barreto/AFP
Chávez em frente do retrato de Simón Bolívar: popularidade em queda| Foto: Juan Barreto/AFP

Trapalhadas

Problemas se acumulam na segunda década de governo chavista.

- Racionamento de energia: a falta de investimento, aliada à de chuvas, obrigou a população a fazer cortes. Chávez chegou a pedir que o banho dure só 3 minutos.

- Inflação: após a desvalorização da moeda local, o bolívar, houve corrida às lojas antes de remarcações; Chávez chegou a fechar lojas que subiram preços. Mesmo assim, a inflação deste ano pode ultrapassar 30%.

- Polarização política: o vice-presidente e dois ministros deixaram o governo em janeiro, o que, mesmo que tenha significado pontual, assusta em ano de eleições legislativas.

- Censura: após negar a renovação de concessões a canais de tevê opositores, agora Chávez suspendeu o sinal da emissora independente RCTV, apontada como uma das mais populares do país.

- Violência: esse é um dos maiores problemas da capital, Caracas.

Os protestos de estudantes oposicionistas que acabam em mortes não ajudam em nada a imagem do governo.

Fonte: Da Redação com agências

Caracas - O presidente da Venezuela, Hu­­go Chávez, comemorou nesta semana 11 anos no poder. A festa do líder e de seus partidários, porém, acabou empanada por problemas na economia – como o racionamento de energia e a ameaça da disparada da inflação –, em um clima de polarização política crescente.

Analistas preveem mais dificuldades pela frente. Após enfrentar uma recessão no ano passado, o país sofre para voltar a crescer, desafio ainda maior diante dos problemas energéticos. A falta de chuvas, causada pelo fenômeno El Niño, atrapalhou a produção nas hidrelétricas, mas especialistas também criticam os anos de falta de investimento no setor. O pior quadro ocorre na represa de Guri, de onde sai mais de 70% da energia elétrica da Venezuela.

"O país está praticamente paralisado", afirma o economista Maxim Ross, diretor de uma consultoria que leva seu nome em Caracas. Segundo Ross, a desvalorização realizada no início de janeiro da moeda local, o bolívar, gerou uma situação de grande incerteza para as indústrias. "To­­dos estamos vendo que será um ano muito complicado para a economia da Venezuela."

O consultor diz que várias em­­presas estão atrasando investimentos, à espera de melhorias no setor energético. Um decreto do início do ano determinou que as companhias deveriam reduzir em 20% seu consumo de energia, em comparação com igual período de 2009.

Neste ano, o país deve enfrentar recessão, e inflação de mais de 30%, estimam consultores.

Além do problema energético, o governo venezuelano tem dificuldades para controlar a violência, um problema importante em Caracas, e precisa lidar com interrupções no abastecimento de água em algumas regiões. Proble­­mas que derrubaram a popularidade de Chávez, que chegou a 46,5% no fim de 2009.

Além dos anúncios na economia, houve nos últimos meses mu­­danças na equipe de Chávez. Deixaram o governo o vice-presidente e ministro da Defesa, general Ramón Carrizález, e também a mulher dele, a ministra do Meio Ambiente, Yubirí Ortega. O ministro da Energia Elétrica, Ángel Ro­­dríguez, foi demitido. Para o cientista político Aníbal Romero, da Universidade Metropolitana de Caracas, aparentemente ocorreram mudanças circunstanciais, sem um propósito deliberado.

As más notícias para a situação ocorrem em um ano eleitoral. No próximo dia 26 de setembro, ha­­verá eleições legislativas. Atual­­mente, a Assembleia Nacional é controlada pelos chavistas. Se vai continuar assim, dependerá da reação de Chávez à esteira de crises em seu governo.

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