Pete Buttigieg, pré-candidato democrata à presidência dos EUA, em comício em Nashua, New Hampshire, 11 de fevereiro de 2020. Democratas escolherão em julho o candidato que enfrentará Donald Trump nas próximas eleições
Pete Buttigieg, pré-candidato democrata à presidência dos EUA, em comício em Nashua, New Hampshire, 11 de fevereiro de 2020. Democratas escolherão em julho o candidato que enfrentará Donald Trump nas próximas eleições| Foto: Win McNamee/ Getty Images/ AFP

Foi dada a largada para a corrida presidencial nos Estados Unidos. Nesta primeira fase, os partidos Democrata e Republicano definem o nome dos candidatos que disputarão o cargo de chefe da Casa Branca nas eleições de 3 de novembro. Para os republicanos, o processo não terá muitas surpresas, já que o presidente Donald Trump não tem desafiantes de peso em seu partido.

Já a situação dos democratas ainda está longe de ser definida. Oito pré-candidatos permanecem na disputa pela nomeação do partido - 20 já abandonaram a corrida.

A escolha dos democratas e republicanos

Os nomes são definidos nas convenções nacionais de cada partido por meio dos votos das centenas de delegados designados pelas eleições prévias de cada estado. Quem conseguir a maioria, ganha a nomeação.

Parece simples, mas não é. Basta ver pelo tempo que todo esse processo prévio leva: cinco meses, de fevereiro a junho. Além disso, democratas e republicanos adotam regras diferentes para eleger seus delegados e o sistema também muda de estado para estado.

Democratas

Convenção nacional

O candidato presidencial escolhido pelo democrata terá que conquistar pelo menos 1.991 votos na convenção nacional, que ocorrerá entre 13 e 16 julho. Esse número representa a maioria dos 3.979 delegados que participam da convenção e foram eleitos nas prévias e convenções estaduais do partido. O número de delegados de cada estado é proporcional à sua população.

E se nenhum candidato alcançar a maioria dos delegados? Então entram em cena os 771 superdelegados. Eles são figuras que não foram eleitas para estar na convenção e, portanto, não estão vinculados a nenhum pré-candidato. Na convenção democrata de 2016, superdelegados incluíam nomes de destaque do partido, senadores, deputados e governadores democratas. Barack Obama, por ser ex-presidente, também estava entre eles. Geralmente eles votam no candidato do establishment do partido (em 2016, quase todos votaram em Hillary Clinton).

Contabilizando os votos dos superdelegados e dos delegados, um pré-candidato precisará de mais de 2.375 votos para conseguir a nomeação. O partido pode ter que fazer várias rodadas de votação até que um pré-candidato alcance a maioria dos 4.750 votos.

Prévias estaduais

Apesar do termo superdelegados, os delegados são mais importantes nesse processo porque eles são em maior número e seus votos estarão vinculados a um dos pré-candidatos.

Nas prévias do Partido Democrata, cada estado tem um número definido de delegados, que varia conforme o número de eleitores, de representantes do partido que aquele estado elegeu para o Congresso, entre outras regras. O estado com mais delegados é a Califórnia, com 415 delegados (e 79 superdelegados). E o que tem menos é Wyoming, com 14 (e 4 superdelegados).

Cada pré-candidato conquistará um número de delegados proporcional ao número de votos que obtiveram nas eleições prévias. A conta, porém, segue algumas regras.

Só serão designados delegados àqueles candidatos que fizerem mais de 15% dos votos. Nas prévias de New Hampshire, por exemplo, o pré-candidato Bernie Sanders conquistou 25,7% dos votos e ganhou 9 delegados. Mas a senadora Elizabeth Warren, que obteve 9%, ficou, na verdade, sem nenhum. (O percentual de votos se refere ao percentual de delegados estaduais equivalentes e não ao número de pessoas que votaram em cada candidato).

Mas é possível que um candidato que não tenha atingido a linha de corte de 15% consiga um ou mais delegados. Foi o caso da senadora Amy Klobuchar nas prévias de Iowa, que mesmo obtendo 12% dos votos do estado, acabou levando um delegado. Isso acontece porque alguns delegados são designados em nível estadual, cerca de 35%, mas a maioria é decidida em nível distrital. Isso significa que em algum distrito, Klobuchar fez mais de 15% dos votos e conquistou um delegado. O inverso pode acontecer com quem ficou só um pouco acima da linha de corte: ter perdido algum delegado em nível distrital.

Diferença entre caucus e primária

Alguns estados adotam primárias, outros, caucus.

Em uma primária, os eleitores escolhem o seu candidato em uma cédula, em votação secreta, similar ao sistema de votação nas eleições gerais. Já em um caucus, os eleitores se reúnem em assembleia em diversos locais e podem persuadir outros participantes a apoiar um candidato. Os encontros podem durar horas e a votação é aberta nesse sistema de prévia, que tende a favorecer os candidatos que possuem uma base ativa. Apenas quatro estados americanos terão caucuses em 2020: Iowa, Dakota do Norte, Nevada e Wyoming. Os territórios das Ilhas Virgens, Samoa Americana e Guam também terão caucuses.

Super Terça

Se ainda não estiver claro quem são os favoritos na corrida, o cenário ficará bem mais definido na chamada “Super Terça”. Essa é uma data importante no calendário democrata, quando 16 estados, territórios ou grupos realizam primárias. Por volta de um terço de todos os delegados estarão em jogo na Super Terça, que acontecerá em 3 de março.

Após a Super Terça, a próxima data agitada do calendário democrata será 10 de março, quando os pré-candidatos disputam os delegados de seis estados. Depois disso, a temporada de primárias continua por três meses até a convenção nacional do partido.

Republicanos 

As prévias do Partido Republicano seguem as mesmas linhas gerais das prévias  democratas. Na convenção nacional a diferença está no número de delegados participantes, bem menor do que no evento democrata.

Para que um pré-candidato consiga a nomeação, ele precisará dos votos de pelo menos 1.276 dos 2.551 delegados (2.441 delegados vinculados e 110 não vinculados).

As prévias republicanas também têm suas particularidades. Diferente das democratas, em que todos os estados contabilizam os delegados proporcionalmente ao número de votos, os republicanos não definem uma regra geral, portanto cada estado escolhe um sistema diferente. São eles: proporcional, como os democratas; "o vencedor leva tudo", em que o candidato que fizer pelo menos 50% dos votos leva todos os delegados designados daquele estado; e híbridos, que são variações desses outros dois sistemas (não há uma definição exata porque cada estado adota uma regra diferente).

Em 2020, porém, nem todos os estados terão uma prévia republicana. Quatro estados anunciaram que pularão esta etapa do processo de nomeação para poupar dinheiro, já que é certa a vitória do presidente e candidato à reeleição Donald Trump.

Além dele, outros pré-candidatos estão disputando a vaga, como Bill Weld (ex-governador de Massachusetts) e Joe Walsh (apresentador de rádio conservador). Mas dos 62 delegados designados até o momento, em Iowa e New Hampshire, Weld ficou com um e Walsh, zero. Os outros 61 estão com Trump.

Tudo indica que a vitória de Trump, pelo menos na convenção do Partido Republicano que acontece de 24 a 27 de agosto, será mamão com açúcar.

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