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A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, disse ter pressionado Israel a considerar seriamente o plano de cessar-fogo apresentado em parceria pelo Egito e pela França. Rice falou por telefone com o premiê Ehud Olmert e disse ter analisado a proposta com ele.

"Estamos apoiando essa iniciativa. Discuti de perto com meus colegas árabes e israelenses sobre a importância de levar o cessar-fogo adiante", disse.

Veja a cobertura completa dos ataques a Gaza

Segundo o presidente da França, Nicolas Sarkozy, Israel e a Autoridade Palestina vão aceitar a proposta de cessar-fogo franco-egípcia na Faixa de Gaza. A informação foi divulgada pelo escritório do governo francês. No comunicado, Sarkozy diz que espera que o plano seja implementado "o mais rápido possível" para que "o sofrimento da população seja interrompido".

Mas Israel e Hamas, os dois lados envolvidos no conflito, desmentiram logo em seguida, dizendo que as negociações ainda estão "em andamento".

"Nós saudamos a iniciativa franco-egípcia. Queremos ver seu sucesso", disse Mark Regev, porta-voz do premiê de Israel, Ehud Olmert. "As conversas continuam, com base nesta iniciativa. Uma trégua sustentada no sul vai se basear na total ausência de fogo hostil de Gaza até Israel e em um embargo efetivo de armas contra o Hamas que tenha apoio internacional."

Mais tarde, um funcionário do Ministério da Defesa disse à agência France Fresse que Amos Gilad, assessor político, vai ser enviado ao Cairo para negociar a trégua. E um funcionário que não quis se identificar disse que Israel adiou a decisão sobre ordenar ou não a suas forças armadas que invadam os centros urbanos da Faixa de Gaza.

Representantes do Hamas, o movimento islâmico que controla Gaza, também disseram que as negociações seguem. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que "recebeu favoravelmente o plano" e que viajará ao Egito, anunciou o embaixador palestino no Cairo.

Proposta

O Egito havia anunciado na terça a proposta do cessar-fogo imediato, que seria seguido de conversações para um acordo de longo prazo entre os dois lados envolvidos no conflito de 12 dias que já matou mais de 635 e feriu 2.900 em Gaza, além de ter matado nove israelenses.

As negociações incluem o fim imediato do bloqueio à região palestina atualmente dominada pelo Hamas.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, apresentou a proposta em um comunicado breve depois de conversar com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh.

Em 2008, o Egito conseguiu mediar uma trégua de seis meses entre Israel e o Hamas, que chegou ao fim em 19 de dezembro. Após esta data, o Hamas voltou a lançar foguetes contra o território israelense, alegando que Israel mantinha o bloqueio contra Gaza.

Israel quer que uma força internacional destrua os túneis ao longo da fronteira entre Gaza e Egito, que, segundo os israelenses, seria usado pelo Hamas para contrabandear armas.

Números

O número de mortos no 12º dia de ataques de Israel à Faixa de Gaza subiu a 702, com 3.100 feridos, informou nesta quarta-feira (7) Muawiya Hassanein, chefe dos serviços palestinos de emergência. Segundo ele, cerca de um terço das vítimas têm menos de 16 anos.

Do lado israelense, pelo menos nove pessoas morreram.

Nesta quarta-feira, Israel cessou durante três horas os bombardeios sobre Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária. Israel disse que essa "trégua temporária" pode ser diária, mas as condições serão avaliadas dia a dia.

Durante a trégua provisória, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, divulgou comunicado dizendo que Israel e os palestinos haviam aceitado as condições para um cessar-fogo imediato. Mas, logo em seguida, israelenses e o Hamas desmentiram, argumentando que as negociações ainda estavam em andamento.

Trégua diária

O Exército de Israel fez entre 13h e 16h desta quarta-feira (9h e 12h de Brasília) uma interrupção dos ataques a Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária, informaram fontes do governo do país.

Moradores de Gaza aproveitaram a trégua de três horas para sair às ruas, fazer compras e visitar parentes, segundo testemunhas. Logo depois do fim do prazo, novos ataques começaram a ser travados.

A interrupção temporária dos ataques teve "razões humanitárias", segundo um porta-voz militar. Israel decidiu cessar os bombardeios diariamente, mas a continuidade da medida será estudada a cada dia em função da situação, disse Peter Lerner, porta-voz do organismo dependente do Ministério da Defesa que coordena as atividades de Israel nos territórios palestinos.

A decisão foi adotada depois que, pressionado pela comunidade internacional, Israel aceitou abrir um corredor humanitário na Faixa de Gaza , submetida a bombardeios que na terça-feira deixaram pelo menos 40 mortos em uma escola administrada pela ONU.

Autoridades do Hamas, movimento islâmico que controla o território palestino, disseram ter sido informadas previamente sobre os planos de Israel. Abu Marzuk, integrante da ala política do Hamas, disse em Damasco, na Síria, que os militantes também interromperiam o lançamento de foguetes sobre Israel durante a trégua.

O gabinete do primeiro-ministro Ehud Olmert anunciou nesta quarta que Israel abrirá um corredor humanitário "para prevenir uma crise humanitária na Faixa de Gaza". A decisão foi comunicada à secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.

Agências de ajuda reclamaram da grande crise enfrentada pelos 1,5 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza.

Mais tarde, o gabinete israelense de Segurança adiou uma votação que decidiria a permissão para que as Forças Armadas do país entrassem nos centros urbanos de Gaza.

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