Judeus ultraortodoxos durante manifestação na última quarta-feira em Jerusalém | Baz Ratner/Reuters
Judeus ultraortodoxos durante manifestação na última quarta-feira em Jerusalém| Foto: Baz Ratner/Reuters

Toda regra tem uma exceção. E a partir de agora os judeus ortodoxos que estão em assentamentos na Cisjordânia receberam permissão de um rabino para usar o telefone celular no shabat caso vejam movimentações das tropas israelenses.

Shabat é o dia de descanso e rezas dos judeus ortodoxos. Do pôr-do-sol de sexta-feira até o pôr-do-sol de sábado, os fiéis não podem andar de carro, acender luzes e trabalhar, entre outras limitações. O uso de telefone e computador também é vetado, assim como cortar o cabelo ou roer a unha.

A Cisjordânia é um dos pontos onde há mais conflitos para um eventual pacto de paz na região. Judeus ortodoxos montaram assentamentos e regularmente veem suas casas serem demolidas por forças militares israelenses.

Por isso, o rabino Dov Lior enviou um comunicado para seus seguidores permitindo o uso de celular nos dias de descanso. A intenção é fazer com que todos permanecem vigilantes.

"Na intenção de se manter aceso à destruição de nossas bases, as pessoas têm que se manter alertas e avisar sobre quando movimento suspeito das tropas", diz o comunicado. "Se uma pessoa ver o movimento das tropas, uma pessoa pode usar o telefone, no shabat, para comunicar nossos ativistas, que irão checar a informação e dar instruções sobre o que deve ser feito", completa o aviso.

Dov Lior é conhecido em Israel por suas posições racistas. Em 2005, ele pediu para que seus ex-alunos não respeitassem seus superiores no Exército para impedir o que chamou de "expulsão" dos judeus. Esse ano, ele voltou a aparecer ao dizer que os judeus estavam proibidos de contratar árabes ou mesmo vender propriedades para os árabes.

Nos Estados Unidos

Essa semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, indicou a líderes judeus norte-americanos que os EUA e Israel estão fazendo progressos em diminuir suas diferenças sobre a questão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

Obama e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, têm discordado publicamente sobre essa questão. Os Estados Unidos querem uma paralisação total das construções, demanda que abriu o mais sério racha nas relações EUA-Israel em uma década.

Israel cogitou a possibilidade de temporariamente reter o início de novos projetos de construção - enquanto muitos continuam em andamento - em resposta a alguns passos dados rumo a um acordo de paz regional, incluindo progresso na normalização das relações com alguns estados árabes.

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