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Milhares de pessoas celebraram ontem a vitória da reunificação no referendo em uma praça na capital crimeana | Baz Ratner/Reuters
Milhares de pessoas celebraram ontem a vitória da reunificação no referendo em uma praça na capital crimeana| Foto: Baz Ratner/Reuters

95,7% dos eleitores optaram pela integração na Federação Russa como sujeito federal no referendo realizado ontem, segundo os resultados oficiais preliminares anunciados pela Comissão Eleitoral local. Apenas 3,5% do censo eleitoral votou a favor da segunda opção, a de permanecer no seio da Ucrânia com uma ampla autonomia.

Os crimeanos deram ontem um rotundo "sim" à reunificação com a Rússia no referendo separatista realizado nesta península ucraniana banhada pelo Mar Negro. O governo da Crimeia anunciou que o resultado do referendo de ontem foi a favor da anexação da península à Rússia. Com cerca de 75% dos votos apurados até o fechamento desta edição, 95,7% eram pela separação da Ucrânia e a união com Moscou.

O primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksionov, foi à praça Lênin, na capital, Simferopol, comemorar com a multidão que celebrava ao som de músicas soviéticas e do hino russo. "Estamos indo para a casa: a Rússia", disse o aliado do presidente russo, Vladimir Putin.

Uma delegação do governo da Crimeia viaja amanhã a Moscou para dar início ao processo de anexação, que não é reconhecido pelo governo ucraniano nem por potências como Estados Unidos e membros do bloco europeu. "Faremos tudo o mais rápido possível, mas cumprindo todos os requisitos legais", disse Axionov.

Enquanto isso, a Crimeia será de maneira provisória uma república autoproclamada, da mesma forma que a Transnístria e Nagorno-Karabakh, em virtude da declaração de independência aprovada nesta semana pelo Legislativo local.

Em uma declaração divulgada pela Casa Branca, o governo americano reafirmou que não aceitará o resultado do referendo e voltou a ameaçar a Rússia: "Como os EUA e os nossos aliados já deixaram claro, a intervenção militar e a violação da lei internacional vão trazer custos cada vez maiores para a Rússia".

"O referendo é ilegal e ilegítimo, e seu resultado não será reconhecido", disse a União Europeia em nota.

O governo russo divulgou que Putin e o americano Barack Obama conversaram pelo telefone hoje.

O dirigente russo disse que o referendo respeita o direito internacional. Defendeu que é preciso buscar uma solução, mas responsabilizou as autoridades de Kiev pela suposta violência contra russos em cidades do país.

Os próximos passos devem dar o tom da tensão daqui para frente com a Ucrânia.

Mudanças

Espera-se que o Parla­­mento da Crimeia tome hoje as primeiras medidas para pôr em prática a estatização de empresas ucranianas. A moeda russa deve ser oficializada como a principal no lugar da ucraniana. Além disso, a partir de agora, os crimeanos poderão solicitar o passaporte russo e a carteira de motorista da Federação Russa.

As tropas ucranianas baseadas na Crimeia podem receber um prazo para deixar a região, provavelmente até sexta-feira, seguindo acordo de trégua que começou a ser negociado ontem pelos governos de Kiev e da Rússia.

Adesão

O governo da Crimeia garante que a adesão ao referendo foi de 82% da população, mesmo com a promessa de boicote por parte dos tártaros (12% da população), e dos ucranianos (em torno de 25%). Ao todo, a península tem dois milhões de habitantes. Apenas 3,5% votaram pela manutenção como território ucraniano. Duas horas após o fim da votação, metade das cédulas já tinham sido contadas, informou a comissão do referendo.

Aguarda-se qual será a reação de Putin. Suas tropas vão oficialmente entrar na Crimeia, desta vez com o referendo como um argumento?

Até agora, os movimentos de soldados de Moscou na região, segundo Putin, não eram invasão, apenas "defesa da população russa". O governo russo já sinalizou que aceitaria um pedido de anexação e, com o respaldo da consulta pública, pode dar início a esse processo.

De maioria russa, a Cri­­meia foi anexada à Ucrânia em 1954. O referendo ocorreu em reação à queda do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, em fevereiro, que era alinhado a Moscou.

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