Sete agentes penitenciários e uma enfermeira foram absolvidos nesta sexta-feira da acusação de homicídio de um jovem de 14 anos em uma instituição juvenil da Flórida, informaram fontes do tribunal à TV local.

O júri de Panama City (noroeste da Flórida), onde se desenrolou o processo, considerou que não se reuniram provas suficientes para emitir condenações pela morte de Martin Lee Anderson. O jovem morreu asfixiado em janeiro de 2005, em um campo de treinamento em Panama City, após desmaiar em uma sessão de exercícios forçados.

Os sete agentes eram acusados de terem matado Anderson depois que ele perdeu consciência e, segundo relataram, deram-lhe amoníaco para reanimá-lo. Enquanto isso, uma enfermeira que havia chegado para ajudar apenas assistia à cena.

A mãe do jovem morto, Gina Jones, lamentou o veredicto ao sair do tribunal. "Não tenho mais meu filho (...) Não é justo", disse ela à Corte TV.

Já o ex-agente penitenciário Henry McFadden considerou que "sempre se soube que éramos inocentes. Sabíamos que se chegaria à verdade".

Uma gravação do incidente, que veio à tona graças às demandas apresentadas por diferentes veículos de comunicação, mostrou o momento em que Anderson recebia socos e chutes de vários guardas, diante do olhar impávido de uma enfermeira.

O jovem havia entrado no acampamento dois dias antes de morrer por pegar, sem permissão, o carro de sua avó para dar um passeio.

Uma necropsia inicial indicou que o jovem faleceu de anemia, mas uma segunda, realizada após a exumação do corpo, determinou que ele morreu por asfixia, por ter permanecido com a boca tampada e por ter inalado quantidades excessivas de amoníaco.

Os acusados enfrentavam penas de até 30 anos de prisão.

O incidente gerou uma enorme polêmica no estado da Flórida (sul), que levou ao fim dos chamados "boot camps" (instituições penais com regime militar para reabilitar jovens delinqüentes) e provocou um grande escândalo durante a gestão do ex-governador Jeff Bush, quando se tentou ocultar o vídeo da surra.

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