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A ex-ministra britânica e ex-deputada do Partido Conservador Ann Widdecombe foi encontrada morta na quinta-feira (9), após sofrer ferimentos gravíssimos em sua casa na vila de Haytor, em Devon, no sudoeste da Inglaterra.
De acordo com a agência de notícias EFE, as autoridades não divulgaram a natureza dos ferimentos. A polícia de Devon e Cornwall informou que não trata o caso como terrorismo e afirmou que, até o momento, não encontrou indícios de motivação política para o crime.
Na sexta-feira (10), a polícia prendeu um homem de 26 anos, sob suspeita de envolvimento no assassinato. No entanto, as autoridades anunciaram neste sábado (11) que ele foi libertado e não é mais alvo da investigação.
“Nossa prioridade continua sendo identificar os responsáveis e garantir que todas as evidências disponíveis sejam minuciosamente examinadas”, disse o chefe assistente de polícia Matt Longman.
Ann Widdecombe ganhou notoriedade por posições conservadoras
Ann Widdecombe construiu uma longa trajetória na política britânica e ganhou notoriedade por suas posições socialmente conservadoras. Integrante do Partido Conservador, ela ocupou o cargo de secretária de Estado para Assuntos Prisionais, no governo do primeiro-ministro John Major, entre 1992 e 1997.
Ao longo da carreira, a ex-deputada defendeu pautas conservadoras, entre elas, a oposição ao aborto e à equiparação da idade de consentimento para relações homossexuais e heterossexuais. Ela também apoiou a política de algemar presidiárias grávidas durante o parto para evitar fugas.
Solteira e autodeclarada virgem, Widdecombe converteu-se ao catolicismo e defendia valores familiares. Após deixar o Parlamento britânico, em 2010, participou do programa de talentos "Strictly Come Dancing". Apesar das críticas dos jurados ao seu desempenho na dança, conquistou popularidade entre os telespectadores.
Nos anos seguintes, a política aproximou-se de Nigel Farage e ingressou no Partido do Brexit. Entre 2019 e 2020, ocupou uma cadeira no Parlamento Europeu. Mais tarde, assumiu a função de porta-voz para imigração e justiça do Reforma Reino Unido, legenda que sucedeu o Partido do Brexit e que atualmente lidera diversas pesquisas de opinião no Reino Unido.
Morte de Ann Widdecombe relembra ataques a parlamentares britânicos
Depois da confirmação da morte e antes da divulgação dos detalhes da investigação, integrantes do Partido Conservador e do Reforma Reino Unido prestaram homenagens à ex-deputada.
O ex-primeiro-ministro Boris Johnson escreveu no X que Widdecombe foi “uma defensora heroica do Brexit e uma grande oradora que conseguia levar o público conservador a um êxtase tão grande que era muito difícil substituí-la”.
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, prestou homenagem à ex-deputada e destacou a "dedicação de Ann durante seus muitos anos de serviço público".
O caso reacendeu a lembrança de outros ataques fatais contra parlamentares britânicos na última década. Em 2016, a deputada trabalhista Jo Cox morreu após ser baleada e esfaqueada por um homem obcecado pelo nazismo durante a campanha do Brexit. Cinco anos depois, o parlamentar conservador David Amess foi morto a facadas por um extremista inspirado pelo grupo Estado Islâmico.







