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Fabien Willm, Denis Estin, Geoffrey Baumela e Svilen Simeonov: soldados franceses mortos por militar afegão, que feriu outros 17 homens e foi detido por forças da coalizão | AFP
Fabien Willm, Denis Estin, Geoffrey Baumela e Svilen Simeonov: soldados franceses mortos por militar afegão, que feriu outros 17 homens e foi detido por forças da coalizão| Foto: AFP

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, surpreendeu os Estados Unidos e demais aliados da Or­­ganização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao anunciar ontem que poderá retirar todas as tropas do Afeganistão após um ataque de um soldado afegão que matou quatro militares franceses e deixou outros 17 feridos.

O líder francês determinou ainda a suspensão de todas as operações no país até segunda ordem.

Paris conta com 3.935 soldados em solo afegão e mantém operações de defesa e treinamento de contingente das Forças Armadas locais. Ao lado dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Itália, o país está entre os cinco maiores aliados da Otan na guerra que já dura dez anos.

Para Sarkozy, a morte dos quatro soldados é inaceitável e de­­man­­da uma revisão "imediata" da es­­tratégia francesa no país árabe. Segundo o comando da Isaf (For­­ça Internacional de Assis­­tên­­cia para a Segurança), como é chamada a força mantida pela Otan, o suspeito pelos disparos foi detido.

"Não posso aceitar que soldados afegãos atirem contra militares franceses. Todas as operações do Exército francês de formação e de ajuda ao combate ficam suspensas. Se não forem estabelecidas claramente as condições de se­­gurança, então estudaremos a questão de uma retirada antecipada", advertiu.

O presidente deu ainda ordens ao ministro da Defesa, Gerarf Lon­­guet, para que viaje "imediatamente" ao Afeganistão.

Em sua primeira reação, o se­­cretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, ofereceu suas condolências a Paris. "É um dia muito triste para nossas tropas no Afeganistão e para o povo francês", declarou.

Os disparos ocorreram no vale de Taghab, na província de Kapisa. De acordo com representantes das forças de coalizão, o atirador foi detido. Além dos quatro mortos, pelo menos outros 17 soldados franceses foram feridos.

No total, 130 mil militares es­­trangeiros, sendo 90 mil americanos, participam atualmente das operações no país.

Ataque

O ataque do soldado afegão foi o que causou mais mortes de franceses no país nos dez anos que atuam na guerra no país árabe. As quatro baixas elevam para 82 o número de militares do país europeu que perderam a vida em confrontos no Afeganistão.

A maioria do efetivo de quase 4 mil soldados franceses que estão no país árabe participam de treinamentos com militares afegãos. Antes da ação, a expectativa é que a de que esses soldados seriam retirados até 2014.

"Os militares franceses es­­tão no Afeganistão para combater o terrorismo e o Taleban, não para que soldados afegãos possam atirar neles", afirmou.

Antes do incidente, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, tinha uma visita marcada para Paris na próxima semana.

Reincidência

Este não é o primeiro caso que um membro das forças de se­­gu­­rança afegãs atira em um soldado da Otan, a aliança mi­­litar do Ocidente, na guerra do país. Em dezembro, dois franceses da Legião Estrangeira e dois americanos foram mortos após disparos de um militar afegão.

Em novembro, três soldados australianos e dois afegãos perderam a vida após tiros de um militar do país árabe, em uma operação no sul do Afe­­ga­­nistão. O caso foi precedido por outro, em que outros três re­­presentantes australianos e um intérprete foram mortos por mais um efetivo afegão.

O conflito no país árabe contra o grupo armado Tale­­ban completou dez anos em 2011. A guerra começou com a ocupação de tropas da força de coalizão da Otan, lideradas pelos Estados Unidos, em meio à comoção criada pelo atentado ao World Trade Center, em 11 de setembro de 2001.

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