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Dados indicam que as mulheres americanas estão pedindo mais demissão do que os homens
Dados indicam que as mulheres americanas estão pedindo mais demissão do que os homens| Foto: EFE/EPA/ETIENNE LAURENT

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta semana um recorde nos pedidos de demissão no país: em agosto, cerca de 4,3 milhões de pessoas deixaram os seus empregos, o que representa quase 3% do total de trabalhadores americanos. Em julho, haviam sido 4 milhões de pedidos.

O fenômeno, chamado de “Great Resignation”, vem ocorrendo desde o primeiro semestre e surpreende num momento em que a pandemia de Covid-19, ainda que caminhando para seu fim com a vacinação, segue gerando muita incerteza sobre a economia e o mercado de trabalho. Analistas apontam, entretanto, que é justamente a pandemia que tem colaborado para esses pedidos de demissão em massa.

Em artigo publicado no site da revista Harvard Business Review, o consultor Ian Cook relatou que um estudo realizado por sua equipe apontou que os trabalhadores americanos com idades entre 30 e 45 anos foram a faixa que apresentou o maior aumento nas taxas de pedidos de demissão entre 2020 e 2021, superando os 20% – em outros grupos etários, o número de funcionários deixando seus empregos diminuiu ou não teve um crescimento tão expressivo.

Cook destacou algumas possíveis explicações para o fato de profissionais em meio de carreira estarem impulsionado a “Great Resignation”. Ele citou que a mudança para o trabalho remoto pode ter levado muitas empresas a sentir que contratar empregados com pouca experiência seria mais arriscado do que em um momento normal, já que novos funcionários não poderiam ser treinados e orientados presencialmente. Com maior demanda por empregados com experiência, estes têm mais poder de barganha e, portanto, mais facilidade para deixar um emprego em nome de uma vaga melhor.

“Também é possível que muitos desses funcionários no ponto médio das suas vidas profissionais tenham adiado a transição de suas carreiras devido à incerteza causada pela pandemia, o que significa que o movimento que vimos nos últimos meses pode ser o resultado de mais de um ano de pedidos de demissão represados”, argumentou Cook.

O consultor acrescentou ainda que muitos trabalhadores podem simplesmente ter chegado a um ponto de ruptura após meses e meses de alta carga de trabalho, congelamento de contratações e outras pressões, o que os leva a repensar seus objetivos de trabalho e vida.

Indicativo disso é que, segundo a pesquisa da equipe de Cook, os aumentos nos pedidos de demissão têm sido maiores em setores que foram mais demandados devido à pandemia, principalmente saúde e tecnologia, o que provavelmente levou a maiores cargas de trabalho e esgotamento.

Mulheres estão pedindo mais demissão do que os homens

Dados da empresa de serviços de folha de pagamento Gusto, publicados pela CBS News, indicam que as mulheres americanas estão pedindo mais demissão do que os homens: uma análise com foco em pequenas empresas realizada em agosto mostrou que 5,5% das trabalhadoras deixaram seus empregos, enquanto entre os homens o índice foi de 4,4%.

Luke Pardue, economista da Gusto, destacou que, com o fechamento de escolas e creches devido à pandemia, muitas mulheres ficaram sobrecarregadas ao acumular trabalho e cuidados com os filhos.

“O pequeno número de empregos adicionados a cada mês está sendo adicionado por homens e as mulheres estão novamente deixando o mercado de trabalho”, explicou Pardue. “Dois em cada três responsáveis pelos cuidados com os filhos são mulheres, então, quando a demanda por esses cuidados aumenta, elas deixam o mercado de trabalho.”

Ian Cook ressaltou que, num momento em que os pedidos de demissão estão mais frequentes do que os desligamentos feitos pelas empresas (em agosto, 4,3 milhões de americanos deixaram seus empregos, enquanto os empregadores demitiram 1,3 milhão de funcionários), os patrões precisam encontrar estratégias para manter seus empregados, como programas de retenção personalizados.

“Por exemplo, se você perceber que funcionários negros estão deixando a empresa em uma taxa maior do que os empregados brancos, uma abordagem focada em diversidade e inclusão pode ser necessária. Se você achar que o tempo entre as promoções está fortemente relacionado às altas taxas de pedidos de demissão, pode ser hora de repensar suas políticas de promoção”, aconselhou.

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