Quando uma imagem que acabamos de ver -- seja um belo gol numa partida de futebol, uma cena chocante num telejornal ou um quadro bonito numa galeria de arte -- fica guardada na lembrança, é possível "resgatá-la" do cérebro, a partir de imagens de ressonância magnética.

A conclusão é de uma dupla de cientistas da Universidade Vanderbilt, nos EUA. Em estudo publicado online pelo periódico científico "Nature", eles usaram ressonância magnética funcional para "prever" qual imagem, de duas disponíveis, estava na lembrança dos participantes da pesquisa. A taxa de acerto foi superior a 80%.

Detalhe: a análise da ressonância magnética era feita alguns segundos depois que a imagem havia sido exibida aos voluntários. Ou seja, o que estava sendo detectado no cérebro não era o estímulo visual direto (como feito em pesquisa japonesa recente), mas a lembrança daquele estímulo visual.

"Nossos resultados demonstram que áreas visuais [do cérebro] podem reter informação específica sobre características visuais registradas na memória de trabalho, durante períodos de muitos segundos, quando nenhum estímulo físico está presente", concluem Frank Tong e Stephenie Harrison, no artigo em que apresentam os resultados.

A pesquisa evoca a possibilidade de que, no futuro, sejamos capazes de "capturar" imagens e lembranças diretamente do cérebro das pessoas -- hipótese tão entusiasmante quanto aterrorizadora, dependendo do contexto.

Mas os pesquisadores asseguram que tal feito ainda está longe. Na verdade, o resultado, de momento, apenas nos ajuda a entender como o cérebro processa e armazena memórias visuais -- o primeiro passo para que aplicações decorrentes disso sejam desenvolvidas no futuro.

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